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O asfalto já chega ao Luvo

Inaugurado troço M’banza Kongo/Luvo 

 M’banza Kongo – O troço que liga a cidade de M’banza Kongo à comuna fronteiriça do Luvo, numa extensão de 60 quilómetros, foi inaugurado segunda-feira pelo ministro da Construção e Obras Públicas, Fernando Fonseca.

A empreitada da reabilitação desta via rodoviária, que custou cerca de 95 milhões de dólares norte-americanos (um dólar equivale a cerca de 100 Kwanzas), durou um ano e dois meses e esteve a cargo da empresa “Tecnovia Angola”, que precisou para a concretização do projecto mais de 200 pessoas, na sua maioria nacionais.

Terraplenagem (desmatação e escavação e aterro), pavimentação (sub-base, base e betão betuminoso), drenagem (construção de 74 passagens hidráulicas, valetas revestidas e lancis de bordadura) e asfaltamento foram as etapas porque passou a obra.

A estrada que atravessa a província do Zaire em direcção ao sudoeste/nordeste liga o município de M’banza Kongo e a fronteira da República Democrática do Congo (RDC), cujo eixo é de extrema importância em termos de transportes comerciais e como catalisador para o desenvolvimento local e nacional.

O ministro Fernando Fonseca realçou os benefícios desta via ao país e à região, ao permitir levar a administração do estado ao limite fronteiriço do território nacional, assim como a transferência de bens e mercadorias entre os dois países vizinhos.

O governante reafirmou, na ocasião, o compromisso do executivo angolano em continuar a trabalhar na reabilitação de toda malha rodoviária do país e a desenvolver a ligação entre as capitais de províncias e todos os municípios, uma meta que considerou ser possível até 2015.

Este projecto inclui o troço rodoviário Nkoko (Luvo) /Nóqui, também em fase de reabilitação pela mesma empreiteira, numa extensão de cerca de 200 quilómetros.

Presenciaram a inauguração da estrada, o governador provincial, Pedro Sebastião, o ministro de Estado e Chefe da Casa Militar da Presidência da República, Hélder Dias Vieira “Kopelipa”, os ministros da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua, da Saúde, José Van-dunem, da Educação, Mpinda Simão, altas patentes das Forças Armadas angolanas, da Polícia Nacional, representantes das igrejas e autoridades tradicionais, membros do governo local, entre outros.

A inauguração desta infra-estrutura rodoviária enquadrou-se na visita do presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, que efectua hoje (terça-feira) à Província do Zaire, no âmbito da campanha eleitoral do seu partido.

Agência AngolaPress, 21/08/2012.

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Mbanza Congo com nova imagem

Mbanza Congo Recupera a Imagem da Cidade


A cidade de Mbanza Congo, província do Zaire, está a apresentar um novo cenário. A avenida Comandante Dangereux e outras ruelas adjacentes que integram a zona urbana recebem, neste momento, um novo tapete asfáltico, uma acção muito aplaudida pelos habitantes locais, devido à melhoria da circulação rodoviária e à maior comodidade que representa para os peões.

A renovação das ruas da cidade de Mbanza Congo tem atraído satisfatoriamente a atenção da população, que vê assim concretizado um sonho adiado durante anos a fio.

Gabriel José Tambo, 27 anos, residente em Mbanza Congo há dez, afirmou ao Jornal de Angola que as estradas esburacadas e terraplanadas atormentavam o estado emocional dos habitantes.

Por isso, a intervenção que está a ser levada a cabo é por ele elogiada, ao mesmo tempo que reconhece ser fruto dos esforços que o governo imprime no sentido de melhorar os serviços e as condições de vida das populações. “Um ganho que resulta dos dez anos de paz”, acrescentou Gabriel Tambo.
Para ele, a recuperação da imagem da cidade vai influenciar a presença de potenciais investidores nacionais e estrangeiros com interesse em relançar o adormecido sector empresarial na região.

“Estamos satisfeitos com o governo, porque a circulação de viaturas e de peões vai dar outra dinâmica à cidade, na fase conclusiva da empreitada (asfaltagem). Já não duvidamos que estamos a dar passos seguros para o desenvolvimento sustentável que aspiramos. A nova imagem que a cidade está a ganhar dignifica-nos e faz-nos sentir orgulhosos”, garantiu.

Fim da poeira

A ausência de asfalto nas ruas do município tem obrigado muitas famílias a manterem as portas e janelas sempre fechadas, para acautelar a infiltração de poeira. Além disso, há a referir a situação frequente de doenças respiratórias que o vulcão de poeira causa. Hoje, esse calvário tem os dias contados, com o arranque das obras de asfaltagem das estradas e ruelas da capital do Zaire.

Habitantes e visitantes já esboçam sorrisos nos semblantes e são unânimes em frisar que “valeu a pena esperar”. Foi com estas palavras que o motociclista Henrique de Lemos, 24 anos, manifestou a sua satisfação à reportagem do Jornal de Angola. Residente no município do Tomboco, disse que a viagem de motorizada durou pouco mais de hora e meia, o que não acontecia num passado recente, quando a estrada estava em péssimas condições, à semelhança das demais estradas do município. “Parti do Tomboco às 6h30 e cheguei a Mbanza Congo às 7h40. A viagem foi rápida, devido às novas condições da estrada que liga os dois municípios” sublinhou, lembrando as peripécias de que era vítima no passado, durante este percurso.

“Antes, o sofrimento que se vivia na estrada número 110 entre Tomboco e Mbanza Congo era igual em relação aos buracos e à poeira que existe em Mbanza Congo” disse o jovem. A viagem provocava avarias nos veículos, principalmente com a destruição dos amortecedores, rótulas e pneus.
Henrique de Lemos afirmou estar satisfeito com o trabalho do Executivo, por também direccionar as suas atenções para a criação de condições básicas da população do Zaire.

“Vim renovar o meu Bilhete de Identidade e regresso de moto no mesmo dia para o meu município” disse Henrique de Lemos.

Para Sousa Ernesto, 25 anos, que conseguiu o seu primeiro emprego como ajudante do camião que transporta alcatrão da empresa chinesa responsável pelas obras, é uma honra participar num projecto tão significativo, em benefício dos munícipes de Mbanza Congo, uma vez que a reabilitação das estradas vai ser uma mola impulsionadora para o desenvolvimento de uma cidade com potencial histórico reconhecido.

“Todos os jovens da região devem predispor-se a dar o seu contributo para o desenvolvimento deste município, que é um dos baluartes da memória ancestral do povo angolano”, concluiu.

Os trabalhos de reabilitação das estradas começaram há uma semana e ficam concluídos em Julho, garantiu ao Jornal de Angola o coordenador provincial do Programa de Infra-Estruturas Integradas para a província do Zaire, Eduardo Chilembo.

Programa integrado

A empresa responsável pelas obras leva a cabo um aturado trabalho de tapa buracos no antigo pavimento, limpeza de resíduos e pintura de ligação com alcatrão, além da aplicação de pavimento asfáltico novo, com cinco centímetros de espessura.

Eduardo Chilembo explicou que os processos globais da asfaltagem, que envolvem todas as ruas do município sede e cujos trabalhos evidenciam avanços substanciais, ficam concluídos até Dezembro deste ano. Os trabalhos incluem a construção da estrada entre o complexo residencial das 15 Casas, área suburbana, e a rotunda do supermercado Nosso Super. A acção vai ainda ser extensiva à estrada circundante do comando provincial da Polícia Nacional, até à “cabeceira” do aeroporto de Mbanza Congo, num perímetro que envolve nove quilómetros.

“Na área suburbana, decorrem neste momento os trabalhos de aplicação da camada de base, ao longo de toda via, para depois ser colocado o tapete betuminoso (asfalto) “, disse.

A estrada que liga o supermercado Nosso Super ao complexo das 15 casas vai ter 18 metros de largura, duas faixas de rodagem em cada sentido e um espaço de estacionamento para viaturas.

“A empreiteira chinesa dedicou-se, durante muito tempo, à construção do canal longitudinal destinado à drenagem, que tem um diâmetro de seis metros quadrados para facilitar o escoamento das águas pluviais” referiu Eduardo Chilembo.

O Programa de Infra-estruturas Integradas prevê a asfaltagem, numa primeira fase, de nove quilómetros de arruamentos da zona urbana e suburbana.
Segundo o administrador municipal de Mbanza Congo, Ângelo dos Passos, o programa em curso decorre em ritmo aceitável e vai permitir a melhoria dos serviços integrados concebidos no programa, nomeadamente, o sistema de distribuição de energia eléctrica, o abastecimento de água às populações e o funcionamento rigoroso da rede de esgotos. “Neste momento, já concluímos os trabalhos de desentupimento de toda a rede de esgotos e a cidade já não vai ter mais problemas de águas pluviais.

Em Mbanza Congo, o carcomido asfalto, que data da era colonial, recebe agora uma camada betuminosa (asfalto) com uma espessura de cinco centímetros, cuja largura mede oito metros, com duas faixas de rodagem, sendo uma descendente e outra ascendente.

Os trabalhos de asfaltagem estão a ser acompanhados do desassoreamento da velha rede de esgotos para, de certa forma, debelar o problema da poeira nos edifícios públicos e residências da cidade, situação que se verifica com maior incidência no período de cacimbo.

Jornal de Angola/João Mavinga Fernando Neto


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Fim da picada

Troço rodoviário Mbanza Kongo/Luvo recebe tapete asfáltico 

AngolaPress, 03-11-2011

Mbanza Kongo – O troço rodoviário entre a cidade de Mbanza Kongo e a comuna do Luvo, na província do Zaire, está desde finais de Outubro do ano em curso a receber o tapete asfáltico, no âmbito do programa de reabilitação das vias de acesso às zonas fronteiriças do país.

Em declarações hoje (quinta-feira) à Angop, o director da obra, José Pedro Sousa, disse terem sido asfaltados três dos 60 quilómetros da estrada que separa a sede provincial à comuna fronteiriça do Luvo.

“Começamos a colocar o tapete asfáltico em finais de Outubro. Apesar das chuvas, os trabalhos decorrem sem sobressaltos e acreditamos que até Março de 2012 concluiremos a primeira fase que vai até à sede comunal do Luvo”, sublinhou.

A segunda fase do projecto, explicou, contempla a reabilitação dos 112 quilómetros de estrada entre a localidade do Nkoko (comuna do Luvo) e a sede municipal do Nóqui, numa empreitada que terá a duração de 24 meses.

Explicou ainda que o pavimento é composto por uma camada de sub-base de 25 centímetros e de base de 20 centímetros, duas faixas de rodagem de 3,5 metros cada e um metro de bermas em cada sentido.

Paralelamente à colocação do tapete asfáltico, José Sousa informou que a sua empresa está igualmente a reabilitar cinco pontes degradadas ao longo da via, bem como a colocação de aquedutos.

Quanto à estrada que liga Mbanza Kongo ao município fronteiriço do Nóqui, passando pela localidade do Nkoko (comuna do Luvo), a fonte disse estarem em curso trabalhos de desmatação e terraplanagem tendo sido já intervencionados quatro quilómetros da via.

Os trabalhos estão a ser executados por 190 trabalhadores.


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Como vai o Luvo

Poucas notícias nos chegam daquele lugar bem lá no norte de Angola onde estivemos em 1972 e 1973. No entanto, o Luvo teve destaque na imprensa angolana e do mundo quando em meados de 2009 foi a porta de entrada de milhares de angolanos repatriados da RDCongo e que foram acolhidos na Mamarrosa, outro local bem nosso conhecido. Há que referir que esta atitude da RDCongo foi de represália pelo que Angola fez aos seus cidadãos que entravam clandestinamente em território angolano das Lundas à procura de ouro e diamantes. A resposta da RDCongo foi tão violenta que não poupou ninguém, mesmo os cidadãos angolanos lá radicados há muitos anos, casados com congoleses e com filhos foram obrigados a regressar a solo angolano.

E foi assim que aquele território tão desertificado na década de 70 se encheu de gente, como aqui podemos ver nestas fotos, onde a parada do Luvo, do tamanho de um campo de futebol foi pequena para tantos repatriados.


Vislumbramos que existem construções novas, mas não sabemos se as quatro de pedra e cal que ali estavam, consideradas de luxo para a época (Casa do Administrador, da Guarda Fiscal, da DGS e Messe de Oficiais e Sargentos) ainda estão de pé. Só talvez o facto de porventura serem considerados  símbolos do colonialismo, alguém com pouco juízo as pudesse deitar abaixo.

No canto superior esquerdo da primeira foto ainda podemos ver o depósito de água que abastecia o aquartelamento e que se situava junto à messe dos oficiais e sargentos. Assim sendo, a captação de água do rio Luvo e as canalizações talvez tenham resistido à erosão do tempo. A foto que se segue é de 1972 e lá está o depósito de água a que me refiro.


A comuna do Luvo tem na actualidade mais de 10 mil pessoas, existe algum desenvolvimento social, mas as vias de comunicação estão como há 35 anos. A notícia que se segue, dá conta do que se vai passando por lá. Clique AQUI.

NR: Ó senhor governador do Zaire, diga lá para Luanda, ao grande chefe JES, que atribua a empreitada do alcatroamento das estradas a firmas portuguesas que estão em Angola (Mota-Engil, Soares da Costa, etc…) que eles fazem isso num instante. Remendar picadas com terra que logo a chuva leva, é como chover no molhado. É deitar milhões de kwanzas por água abaixo… Pode ser que muitos dos milhares de militares que por aí estiveram, algum dia tenham vontade de lá voltar. De avião até Luanda, de avião de Luanda a M´Banza Congo e depois por estrada asfaltada até à comuna do Luvo… os eventuais turistas sempre ajudariam a economia local.

Mário Mendes