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Pescaria no rio Luvo

Do nosso companheiro Ramiro Carreiro, açoreano de São Miguel, que vive em Toronto, no Canadá, recebi estas duas fotos que ilustram uma pescaria levada a cabo no rio Luvo.
Alguns entusiastas da pesca entretinham-se com canas, umas artesanais outras mais sofisticadas, mas havia ainda outros que não tinham a paciência suficiente que a arte de pescar requer e utilizavam outras artimanhas e apetrechos com que conseguiam belas pescarias.
Aqui o “aparelho” utilizado foi uma granada ofensiva. Uns miolos de pão a servir de engodo e quando o cardume já fosse coisa que se visse, aí vai disto.
A primeira foto documenta o rebentamento e na segunda vemos o resultado do acto e a panela que serviria para confeccionar o manjar.

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NR: Em relação ao último artigo no nosso companheiro Joaquim Alves em que se refere um acidente com arma de fogo (tiro no ombro), diz o Ramiro que o protagonista não foi o Geraldo, mas sim o Augusto Coroa. O Geraldo, teve algum tempo depois um grave acidente, em que bebeu formol e ficou com o cognome de “embalsamado”. Era demais, digo eu, atribuir-lhe outra “avaria”, melhor é dividir o mal pelas aldeias. Ainda bem que existe contraditório, já passaram uns “anitos”, a memória vai ficando gasta.
Diz o Ramiro Carreiro que o Coroa era seu vizinho nos Açores e actualmente vive também no Canadá e que o José Pavão do quarto grupo de combate é seu vizinho em Toronto. No último verão em que se deslocou aos Açores, esteve com o Pimentel, outro elemento do quarto GC.

Mário Mendes


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Magina, no espaço e no tempo

MAGINA: O ISOLAMENTO

A CART. 1405 do BART. 1852 esteve na Magina dezoito meses, de Setembro de 1965 a Fevereiro de 1967. Creio que fomos a terceira ou quarta unidade militar a estar naquele polo militar, situado no Norte de Angola, junto à fronteira com a agora Republica Democrática do Congo. Antes, segundo os dados que consegui coligir, estiveram a CART. 102(?), a C.Sap. e Eng.151 e companhias de cavalaria dos Batalhões 595(?) e 631(?).
Além do isolamento devido à distância a que estávamos de outras unidades militares (Mamarrosa, Buela e Pangala distavam a mais quarenta quilómetros) e de São Salvador do Congo (cerca de oitenta por Mamarrosa e a cem por Pangala) que era a única povoação em que também residia população civil, além de militar, as vias rodoviárias estavam em muito mau estado.
As saídas da Magina tornavam-se ainda mais complicadas porque pela Mamarrosa tínhamos a subida ou descida do Luvo, na Mata/Floresta do Dimba, em que com as chuvas ou tempo húmido era um obstáculo quase intransponível e pela alternativa da Pangala e Calambata, além de mais quilómetros, entre a Magina e o cruzamento para a Buela, tínhamos três ou quatro pontes destruídas em que nas suas passagens as viaturas tinham que as atravessar fazendo equilíbrio em troncos de árvore ou contornando os locais por onde o caudal dos rios o permitisse. Algumas vezes tivemos que regressar ao aquartelamento ou ficar na Mamarrosa à espera de melhores condições atmosféricas.
A Magina situava-se no alto de um morro, numa clareira da Mata do Dimba (que diziam ser a segunda maior floresta virgem de Angola), o Rio Luvo situava-se no vale desse morro e era cercada por outros morros que diariamente eram patrulhados na chamada “volta dos tristes”.
Durante a nossa permanência, em termos militares, além de umas ocorrências menores, tivemos um acidente com uma mina que destruiu um Unimog que causou diversos feridos um dos quais, o condutor, que ficou em estado mais grave e sofremos uma emboscada à coluna militar da companhia que estava na Canga, (a CART. 1407) em que se sofreu uma baixa, também o condutor.
Eu era condutor auto, nos primeiros dois meses não tinha viatura distribuída, depois foram vinte e dois meses a “ir a todas”.
Espero que as fotos, parte delas tiradas por mim e pela minha máquina fotográfica, dêem para ajudar a ilustrar o texto e contribuam para que outros camaradas, ex-militares, nos transmitam mais informações da Magina e arredores, em particular o número e as datas que outras unidades lá permaneceram. Até à data só as vi através do Blog do “Barreirense Costa” que tem um pasta com fotos do ex- camarada José Manuel Vasques, da CCAV. 1783 do BCAV. 1930, que lá esteve de Dezembro de 1967 a 1969.

NR: Na sequência do artigo anterior chega-nos à redacção este texto do companheiro Horácio Marcelino que escreve na primeira pessoa do que era a vida no aquartelamento nos anos de 1965/67. Pelo diapositivo que se segue, as dificuldades do dia a dia estão bem patentes. A água para todos os usos, um bem essencial, tinha que ser recolhida em bidons no leito do rio que ali corria e como se pode ver, era uma carga de trabalhos.


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O Luvo em 2011

Deambulando pela net encontrei há dias um blog de um motard português que percorreu o continente africano e que na sua passagem de Angola para a RDC pernoitou no posto fronteiriço do Luvo, onde estivemos em 1972/73.

 A transcrição do relato do autor:
Trajecto Mbanza Congo – fronteira do Luvo

Não foi difícil arranjar um espaço seguro onde passar a noite: depois de falar com o responsável da migração, já com o carimbo de saída de Angola no passaporte, este arranjou-me um espaço para colocar a tenda, junto da sua residência.

Optei por passar a noite em solo angolano, em vez de atravessar para a RDC, pois ainda me restava uns kwanzas no bolso e seria sempre mais agradável que passar a noite na migração do “outro lado”.
Previa que no dia seguinte as coisas fossem bastante demoradas, no mínimo, e queria começar as formalidade da entrada assim que os portões abrissem.
Assim, às 8:30 da manhã, com tempo de sobra para arrumar tudo e comer alguma coisa, saí finalmente de Angola e entrei na estrada que dá acesso, passando o Rio Luvo, à RDC.
Com algumas fotos que colhi do blog aqui vai um pequeno vídeo com fotos do Luvo:
Muito diferente do Luvo que conhecemos, eu bem tentei em cada foto vislumbrar alguma construção daquele tempo, mas parece-me que só na última foto, do lado esquerdo, o edifício será a traseira do que foi a messe dos oficiais e sargentos.
Precisam-se olhos de lince para encontrar algo que nos seja familiar, o desafio está lançado aos ex-combatentes que estiveram naquele local e queiram comentar estas fotos.
Agradeço ao autor das mesmas, Gonçalo B. que pode conhecer clicando AQUI.
Mário Mendes


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Os pescadores do Luvo

Os pescadores do Luvo

A alimentação da tropa na guerra colonial em Angola era predominantemente composta por carne. O peixe era raro, talvez devido a problemas de conservação, ou porque como é sabido “peixe não puxa carroça”.

Durante o tempo que estivemos no aquartelamento do Luvo, eu e o furriel Morais tivemos a ideia de comprar uma cana de pesca cada um, na drogaria Salvador Beltrão, em S.Salvador do Congo, porque já tínhamos observado que no rio Luvo, a 300 metros do aquartelamento havia peixe abundante, e seria bom variar a ementa. O rio Luvo nasce no norte de Angola, faz fronteira com a República Democrática do Congo durante vários quilómetros para depois penetrar no interior daquele país e desaguar no rio Congo.

Depois de várias tentativas, o resultado da pesca à cana não teve grande sucesso na quantidade que desejávamos, ainda assim além do desporto praticado sempre caía algum exemplar, conforme fotos.

pesca_luvo4pesca_luvo3

Um dia lembrei-me que havia outra maneira de “pescar” peixe suficiente para toda a guarnição e dirigi-me ao paiol onde descobri algumas granadas de mão ofensivas, já fora de validade. Dito e feito, vejam nestas fotos o resultado da pescaria.

pesca_luvo2

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Na verdade, o peixe não tinha a qualidade daquele a que estávamos habituados a comer na Metrópole (barbo, boga, achigã, etc.), porque as águas do rio eram bem mais quentes e por isso o peixe era mole, mas deu para “desenjoar”.

Mário Mendes