Os burros do mato

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Os burros do mato

Os veículos mais utilizados  na guerra colonial foram os Unimog, sigla derivada da designação alemã UNIversal-MOtor-Gerät, que significa “veículo universal a motor”.

Estes veículos começaram a ser construídos na Alemanha inicialmente pela Boehringer depois da 2ª guerra mundial em 1947,  e depois em 1951 pela Mercedes-Benz (antes desta data, esta empresa estava proibida de produzir veículos todo o terreno, devido a imposição dos Aliados no pós-guerra), e destinavam-se a ser utilizados na agricultura, sendo muito polivalentes porque desempenhavam a função de tractor e também de transporte de produtos, dada a sua velocidade em estrada. A versatilidade que possuía em todos os tipos de terreno, levou a que alguns países o adoptassem para utilização das suas forças armadas, como foi o caso de Portugal.

O Unimog 411 logo foi apelidado pelos militares de “burro do mato” porque as suas características o assemelham àquele animal que antes da “democratização” dos tractores era utilizado no Portugal profundo em todos os trabalhos agrícolas, porque não havia caminho ou vereda que ele não percorresse. Tal como o burro, este Unimog era pachorrento, máximo de 53 Km/hora,  mas não havia lugar a que ele não chegasse, apesar de dotado com um motor a gasóleo de 4 cilindros, 1767 cc, e de apenas 34 cv. raramente lhe faltava a força suficiente para subir as mais íngremes e lamacentas picadas em que nas épocas de chuva se transformavam os itinerários no norte de Angola, devido ao elevado binário nas velocidades mais baixas. O consumo não era nada comedido, pois não se contentava com menos de 12 litros por cada 100 km percorridos.

O outro irmão do 411 era o Unimog 404 com um motor a gasolina de 6 cilindros, 2195 cc, 82 cv. de potência, velocidade máxima de 95 Km/hora e que consumia cerca de 20 litros por cada 100 km percorridos. Este não era um burro, mas uma verdadeira “besta”.

Estes veículos dotados de 4 grandes rodas motrizes, transportavam até 10 homens e permitiam uma boa visibilidade acima do capim que ladeava a picada. Aqui está uma foto do “burro do mato” em operação da C.Caç. 3413.

Unimog411

Mas em Angola havia outros burros, verdadeiros, de carne e osso, muito apreciados pela tropa porque estes alimentavam o corpo, os outros a única coisa que nos davam a comer era pó, muito pó.  O animal não se vê lá muito bem, este tinha mesmo “cor de burro a fugir” mas ele lá está no canto inferior esquerdo!

burrodomato

Proponho ao pessoal da nossa companhia um exercício de memória. Quem está nesta foto? Eu vejo o Penedo, o Valadão, o Quadros, o Araújo. E os outros? Dão-se alvíssaras a quem souber e disser.

O Valadão, (t-shirt branca), e também um loirinho (Dinis?) que me parece ser o que está a assomar no lado esquerdo da foto, já não estão entre nós, notícia que me foi dada por um companheiro açoriano da Terceira, e que em breve revelarei. Descansem em PAZ.

Mário Mendes

One thought on “Os burros do mato

  1. O Quadros, na foto ao centro de quique, identifica o Reis do Faial à sua esquerda, o Romão da Praia da Vitória, Terceira, que é o que está ao lado do Penedo. No meu entender, o que segura as orelhas do burro é o Silveira de São Miguel e o que está de quique do lado direito do Quadros será o Araújo (mecânico).
    Mário Mendes

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