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Angola: 40 anos de Descolonização

Faz 40 anos no próximo dia 11 de Novembro que Angola se tornou independente. Quem quiser recordar aquele acontecimento e outros com ele relacionados,  aconselho a ler o livro do Major-General da Força Aérea Portuguesa, na situação de reforma, Fernando Paula Vicente.

No momento histórico em que Angola celebra o 40º aniversário da sua independência, um milhão de portugueses, civis e militares, recordam com horror a tragédia da descolonização que também matou meio milhão de angolanos. A isto, os promotores da independência, atraiçoando todos os interesses dos povos português e angolano, chamaram “descolonização exemplar” e pretenderam “apagar” da história nacional a gesta dos descobrimentos acusada de conduzir ao colonialismo e aos colonos que fizeram a Angola que hoje existe acusaram de nada mais ter feito do que roubar os pretos. Quarenta anos depois, de forma desapaixonada mas factual, os portugueses podem agora revisitar esse passado de traição das expectativas, suas ou de familiares seus, para compreender melhor a gesta dos descobrimentos, a colonização da qual não temos que nos envergonhar e a descolonização que o povo angolano não apadrinhou e que foi imposta do exterior. No livro que abaixo se refere, é feita uma merecida menção honrosa aos colonos pioneiros (muitos dos quais com informação biográfica pessoal). Para quem possa estar interessado, as respostas podem ser encontradas no livro:

 “ANGOLA COLONIZAÇÃO DESCOLONIZAÇÃO” 
à venda pela internet em (www.angolacd.com), nas livrarias da FNAC, na Liga dos Combatentes e na Associação dos Amigos do Uíge.
Também os cidadãos que em Angola, ao longo de 13 anos de guerra, prestaram serviço militar em defesa da Nação não deixarão de gostar de ler este livro e de recordar Angola e essa experiência que marcou as suas vidas.
Para saber mais sobre o autor abra este link : Fernando Paula Vicente


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C.CAÇ. 3413 – Memórias (II)

Do nosso “correspondente” no Canadá, Ramiro Carreiro, recebemos mais estas duas fotos para rebobinar o filme das nossas vidas, mais concretamente os episódios vividos lá longe das terras onde nascemos, quando na flor da juventude a guerra nos atirou para Angola. Aqui, maioritariamente estão presentes companheiros do 4º grupo de combate e que o Ramiro identifica assim:

Na primeira fila, de joelhos e da esquerda para a direita: Almeida (transmissões), alferes Moniz (estagiário), Bernardo, Lepson, Cantiflas, Raimundo Quissombo.

Na outra fila de pé e no mesmo sentido: Araújo, Dinis, João Pereira, furriel Leitão, Chico, Ramiro Carreiro, Carlos Pimentel, capitão Ribeiro, José Pavão, Henrique Câmara, Lopes, Manuel Teixeira, Manuel Dechiluange, João, Machado, Loque.

Mário Mendes


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Para Angola, rapidamente e em força!

Esta célebre frase foi proferida por Salazar em 13 de Abril de 1961, quando se apercebeu que os acontecimentos de 15 de Março desse ano, que marcaram o começo da guerra colonial em Angola, não era apenas uma guerra de catanas, mas um movimento organizado apoiado por potências internacionais que se propunha conquistar a independência do território.

Passados 50 anos, este slogan está novamente na ribalta, porque as políticas que nos últimos anos se têm seguido por cá estão a “empurrar” muita gente, principalmente os jovens para fora do seu país e Angola está a ser a par do Brasil um dos principais destinos desta “avalanche” que tomou conta de Portugal.

Foram muitos milhares os que nos anos 60 e 70 responderam afirmativamente ao chamamento de Salazar para África, para defender a integridade do Portugal de aquém e dalém mar, mas os ex-combatentes que viram chegar o 25 de Abril de 1974 e a esperança de um país melhor não imaginariam que agora os seus filhos sejam “obrigados” a procurar naquelas terras distantes o trabalho que aqui lhes falta para construírem o seu futuro.

Angola, que suportou durante 41 anos uma guerra colonial seguida de uma civil, está em grande desenvolvimento, precisa de muitas infra-estruturas, mas já tem também muitos emigrantes de outros países, principalmente chineses que tomam conta da grande maioria das empreitadas e por isso se os portugueses não querem perder o comboio desta transformação que está a ocorrer em solo angolano, aquele slogan está hoje bem actual.

Desta vez não vão à procura da árvore das patacas, os tempos são outros, a economia é global e os capitais angolanos também já têm uma boa posição na nossa economia, pelo que será do interesse de ambos os países a cooperação e o respeito mútuo.

Os portugueses assistem atónitos à austeridade que está a sufocá-los, mas e os responsáveis destes desmandos, que é feito deles? Uns estão “foragidos”, outros andam por aí disfarçados de pobres. O jornalista António Azenha publicou há dias um livro com o título “Como os políticos enriquecem em Portugal” e no pacote meteu o ex-ministro Mira Amaral. O homem ficou tão “abespinhado” que resolveu escrever uma carta ao jornalista e que pode ler AQUI.

Mário Mendes


NR: Portugueses que trabalham e recebem o salário mínimo, pensionistas que têm que esticar 300 euros até ao final do mês, que hão-de pensar de reformas de 11 mil euros mensais? Façamos um pequeno exercício: um trabalhador que recebe 777 euros (salário médio nacional), desconta para a segurança social 11%, o que dá 85,47 euros; para pagar a reforma do “remediado” Mira Amaral são necessários os descontos de 128 trabalhadores, ou seja, falando em termos militares, quase uma companhia. Quando se sabe que por cada reformado existem 2,6 trabalhadores activos é só fazer as contas. Porque se está à espera de pôr um teto nas reformas, para acabar com esta vergonha nacional? São precisos Passos Seguros nesse sentido. Não se admirem pois que a onda dos indignados cresça a olhos vistos.


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100 mil visitas

Atingimos a meta das 100 mil visitas, o que prova que este espaço continua a suscitar o interesse de muitos leitores. Para nós todos são importantes, mas gostaríamos que mais gente da C.Caç. 3413 desse “sinal de vida”.

Além do nosso país, o Brasil e Angola são os maiores “consumidores” destas notícias. Os artigos que mais despertaram a atenção e curiosidade dos leitores são os que se indicam por ordem de preferência:

  1. Luanda de ontem e de hoje
  2. Angola, o gigante africano
  3. O imbondeiro
  4. Morte de Jonas Savimbi
  5. Artesanato angolano
  6. Combatentes portugueses de Angola
  7. Mamarrosa, no espaço e no tempo
  8. Atenção ex-combatentes, mês da esmola
  9. Independência de Angola
  10. Zaire – Angola

Mário Mendes


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O “Vera Cruz” que nos levou para Angola


Faz hoje 40 anos (31/07/1971) que partimos a bordo deste navio rumo à guerra que já durava há 10 anos em Angola, tendo chegado a Luanda no dia 9 de Agosto.

Navio-almirante da marinha mercante portuguesa e da frota da Companhia Colonial de Navegação, o Vera Cruz foi entregue à CCN a 23 de fevereiro de 1952, no porto de Antuérpia (Bélgica), depois de concluir com êxito as provas de mar.

Além de ser o maior navio português, o Vera Cruz era também a maior unidade até então construída na Bélgica, tendo assistido à cerimónia de entrega do paquete as individualidades mais importantes daquele país.

Comandado por Hilário Filipe Marques, o Vera Cruz deixou Antuérpia a 28 de fevereiro, chegando a Lisboa a 2 de março de 1952.

Durante a estadia no Tejo, o Vera Cruz foi visitado pelas grandes figuras do regime, com destaque para o presidente da República, general Craveiro Lopes, presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar.

Com 21.765 toneladas de arqueação bruta, o Vera Cruz tinha 185,75 metros de comprimento fora-a-fora, 23 metros de boca (largura) e 15,80 metros de pontal.

O navio estava equipado com dois grupos de turbinas Parsons, desenvolvendo a potência de 25.500 cavalos-vapor e atingindo a velocidade máxima de 23 nós (42,6 quilómetros horários). A velocidade de cruzeiro era de 20 nós.

Cada um dos dois hélices de três pás do paquete pesava 16 toneladas e o Vera Cruz consumia 140 toneladas de fuel oil (óleo combustível) e 200 toneladas de água por cada dia de navegação.

Foram instalados a bordo os mais modernos aparelhos de ajuda à navegação, nomeadamente agulha giroscópica, piloto automático, odómetro eléctrico, radar com alcance de 30 milhas (55,5 quilómetros), radiogoniómetro, sonda e radiotelefone.

O Vera Cruz dispunha de alojamento para 1.242 passageiros instalados em 289 camarotes, distribuídos em três classes: 148 passageiros em primeira classe, 250 em segunda, 844 na terceira classe.

Os interiores deste paquete eram considerados luxuosos para a época, incluindo numerosos salões, bares, cinemas, jardim de inverno, duas piscinas e amplos tombadilhos e solários, hospital com cinco enfermarias, salas para crianças e todas as facilidades consideradas necessárias para um grande transatlântico, incluindo ar condicionado.

Realizou a viagem inaugural partindo de Lisboa em 20 de março de 1952 e fez a primeira escala no porto do Rio de Janeiro em 29 de março.

O Vera Cruz tinha 350 tripulantes, dentre os quais 38 oficiais.

Muitos estão lembrados, ou já ouviram falar, da grandiosa despedida do Vera Cruz ao deixar Lisboa em viagem inaugural, rumo ao Brasil. Mas, poucos sabem como foi a recepção do outro lado do Oceano Atlântico.

A primeira escala do Vera Cruz ao Brasil deu-se no sábado, dia 29 de março de 1952, no Rio de Janeiro. Como a Imprensa havia noticiado com antecedência a chegada do famoso transatlântico, a cidade despertou cedo, milhares de pessoas aglomeraram-se na Praça Mauá e nas proximidades do porto.

Devido a forte nevoeiro, houve um atraso e somente após as 12 horas foi feita a atracação do tão esperado paquete português.

Brasileiros e portugueses, sob sol ardente, esbanjavam alegria, sem conter seu entusiasmo. Nunca um navio de qualquer nacionalidade foi tão bem recebido.

Com o deflagrar dos conflitos de libertação colonial em Angola e Moçambique, a partir de 1960, o Estado português viu-se na obrigação de reforçar militarmente as suas colónias na tentativa de conter e eliminar os focos de resistência à ordem estabelecida.

Assim, no decorrer de 1961, várias unidades da marinha mercante de Portugal foram requisitadas pelo governo para servirem como transporte de tropas ou como navios de carga de material bélico.

O Vera Cruz não escapou à nova realidade e, ao retornar a Lisboa de sua viagem, a que seria na verdade a última, na Rota de Ouro e Prata (efectuada em março e abril daquele ano), o transatlântico foi rapidamente adaptado para as funções de navio-transporte e posto sobre o controle operacional da Marinha de Guerra, sempre, porém, com as cores da CCN.

Seguiu-se a partir de então um longo período onde alternaram-se viagens sob o comando naval e viagens puramente comerciais, a maioria destas realizadas entre Lisboa e Lobito/Luanda (Angola).

Esta fase durou até 1971. Em janeiro do ano seguinte, o transatlântico, após realizar uma viagem como transporte de tropas, foi ancorado no Rio Tejo, aguardando-se a decisão sobre o futuro.

Tal decisão só foi tomada um ano mais tarde e ela marcaria o fim do transatlântico. Transcorridos apenas 20 anos de sua entrada em serviço, sendo portanto relativamente novo e ainda em condições de serviço, o Vera Cruz foi vendido para desmonte e sucata a uma empresa especializada de Taiwan.

Em 4 de março de 1973 largou pela última vez as amararas do cais de Lisboa com destino a Formosa, desaparecendo assim dos oceanos, mas não de nossa memória, que lhe guarda recordação perene.

Fonte: Jornalista José Carlos Silvares, do jornal A Tribuna, Santos, Brasil.


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Protestar não é crime; é um direito

Felizarda Mayomona

Educar um povo a não reclamar pelos seus direitos, é na minha opinião, um crime, da mesma maneira que considero que educar alguém que está a ser atacado a não defender-se, é crime.

Educar um povo a não reclamar pelos seus direitos, é na minha opinião, um crime, da mesma maneira que considero que educar alguém que está a ser atacado a não defender-se, é crime. Sou da opinião sincera que o direito de protesto, de manifestação ou de reclamação (que no fundo dá no mesmo) deve ser um exercício legal a ser exercido por qualquer cidadão que sinta que os seus direitos cívicos ou constitucionais estão a ser usurpados, ou pelo menos, não estejam a ser garantidos.

O que faz diferença é a maneira de se protestar. Existem protestos violentos, e protestos pacíficos. Dependendo da capacidade, habilidade ou disposição de um determinado regime dialogar ou não com a parte protestante, as manifestações podem terminar em ações violentas e descontroladas, ou prosseguir pacificamente.

Estou ainda a recordar-me da manifestação levada a cabo pelos nossos compatriotas angolanos no dia 4 de janeiro de 1961, na baixa de Cassanje em Malange. O móbil da manifestação (também podemos lhe chamar de protesto porque dá tudo no mesmo), era a proibição do cultivo da mandioca (um alimento tipicamente africano) e a obrigatoriedade do cultivo do algodão e o aumento dos impostos deste, pela companhia belga colonial, a Cotonang. A reacção das autoridades coloniais portuguesas foi imediata e muito violenta: usando aviões que descarregavam bombas napalm sobre uma população indefesa, causaram a morte de milhares de pessoas. Este acontecimento hediondo causou tanta revolta entre os angolanos que serviu de ignição para o inicio da luta armada iniciada um mês depois, a 4 de fevereiro de 1961.

Actualmente comemoramos em Angola todo o dia 4 de Janeiro como um feriado oficial nacional, em memória das vítimas. Nunca antes na história de Angola se verificou uma manifestação daquela magnitude, que era, no considerar dos colonos portugueses da altura, uma acçao impossível ou impensável da parte dos autóctones angolanos. Com a independência nacional entramos numa outra era, em que os angolanos autóctones finalmente controlariam os seus próprios destinos, e um dos motivos que guiou a luta anti-colonial era luta contra a exploração dos angolanos por outros povos, nesse caso os portugueses. A exploração, a usurpação das riquezas da terra, a usurpação da nossa identidade africana e o resgate da nossa dignidade, dos nossos valores, da nossa cultura e línguas africanas, e principalmente, da nossa liberdade e da nossa terra seriam os frutos da nossa independência. Pelo menos era assim que os angolanos que lutaram de verdade contra o colonialismo pensaram.

Passados 35 anos e olhando para trás, verificamos que os ganhos da nossa independência ainda são uma miragem para a maioria dos angolanos, especialmente dos angolanos autóctones que agora ficaram constitucionalmente sem terra (passou a ser propriedade do estado). Verificamos que as imensas riquezas do nosso país, ainda não servem a maioria dos angolanos, mas também é propriedade privada só de alguns. Com um governo super centralizado como o nosso, as riquezas do país e o seu dividendo se concentram sempre nas mesmas pessoas, num ciclo vicioso que deu lugar a uma corrupção que praticamente já se tornou institucional. A polícia angolana reprime tanto ou pior que a PIDE-DGS, ao em vez de ser uma entidade protectora dos cidadãos, torna-se cada vez mais uma entidade apenas ao serviço de uma pequena elite.

A maioria dos angolanos sente-se estrangeiro neste país que cada dia que passa enterra a africanidade e desenha uma angolanidade também atípica, tal como a nossa constituição, em que nela o angolano autóctone se revê como estrangeiro dentro da sua própria terra. Nem as nossas línguas nativas foram oficializadas nesta nova constituição, mas apenas o português, que é uma língua imposta pelo colonialismo.

Nos encontramos debaixo de uma governação que administra os recursos de um país mas sem prestar contas aos seus verdadeiros donos: o povo. A maioria dos nossos líderes se tornou arrogante e insensível demais perante o sofrimento dos angolanos, vivem num mundo só deles enquanto pregam em órgãos como o Jornal de Angola e outros que Angola está a mudar, estamos a crescer, somos os maiores, somos os melhores, etc. De certeza que a analise dos nossos dirigentes é feita de um prisma totalmente egocêntrico, esquecendo-se que o maior indicador do crescimento de um país é a qualidade de vida do povo, o acesso aos serviços de saúde, de educação, do emprego. E vivendo num país riquíssimo como Angola, em 35 anos de independência e 9 anos de paz, já era altura de começarmos a falar também de subsídio de desemprego, entre outros benefícios de uma cidadania plena.

Vemos o contrário disso. O acesso aos recursos e benefícios do país para além de serem limitados só para alguns (baseado nos nomes e classe social, e em alguns casos até na cor da pele), em muitos casos, para ter acesso a um benefício como uma bolsa do Inabe te pedem Cartão de Militante de um partido angolano. Este partido chama-se MPLA. Isto é só para mencionar um exemplo em que, para se ter o benefício de algumas coisas em Angola o cartão de Militante do MPLA se torna numa obrigatoriedade, mas há mais. E ninguém pode negar esta realidade. Diante desta situação, me questiono como é com aqueles que são militantes assumidos de outros partidos e estão lá mesmo por uma razão ideológica. Será que estes têm de adquirir o cartão da angolanidade plena (Cartão do MPLA) para usufruir de alguns benefícios enquanto militam também clandestina ou abertamente nos seus partidos ou renunciam a actividade política nos seus partidos? Curiosidade.

Estas situações todas e muitas outras, considero muito injustas e justificariam um protesto massivo da população nas ruas da capital angolana e não só. Um protesto contra leis injustas e medidas anti-sociais. E dizer isto não é crime nenhum, porque se fosse crime, a nossa constituição não plasmaria este direito no seu artigo 47 (atenção, estou a defender o direito de se manifestar pacificamente). Infelizmente, principalmente nos governos africanos, as manifestações pacíficas quase nunca geram frutos nenhuns, já que os dirigentes se mantêm insensíveis, e chegam até a ser reprimidas, muitas vezes com tanta brutalidade que nos traz á memoria a repressão brutal dos regimes coloniais. Os manifestantes passam a ser tidos como inimigos da pátria, anti-patriotas, vândalos, agentes de forças externas, etc. Este facto é que leva, muitas vezes, às manifestações violentas como meio de se alcançar um objectivo. No caso de Moçambique a “revolta dos pobres” expôs o fracasso das políticas económicas e sociais do governo. Felizmente o Presidente Armando Guebuza teve o bom senso de recuar nas decisões iniciais do governo que deram inicio à revolta dos moçambicanos. É caso para se dizer “quem não chora, não mama”.

Me pergunto: como seria se tivesse sido em Angola? Como teriam reagido as autoridades? Teriam reagido com a mesma brutalidade (ou pior) que a policia moçambicana? Como teriam reagido os nossos irmãos que se auto-proclamaram a “vanguarda do povo angolano”, o MPLA? Nos defenderiam? Estariam ao lado do povo ou os teriam considerado como inimigos? Porque seria um contra-senso um partido que diz ser representante do povo (o povo é o mpla e o mpla é o povo) considerar o mesmo povo como inimigo apenas porque exteriorizou o seu desagrado perante a governação do país através de um protesto.

Temos de interiorizar que protestar não é um crime, é um direito. Angola é de todos os angolanos e todos merecemos, temos o direito, de usufruir dos benefícios da nossa cidadania. Todos temos direito de viver bem na nossa terra, e de termos as mesmas oportunidades. Até mesmo o direito de escolher os nossos dirigentes deve ser um direito sagrado e não um crime lesa pátria. E nós, os angolanos “comuns”, não adianta pensar que este governo que está aí, já a 35 anos, vai satisfazer os nossos anseios apenas pelos nossos lindos olhos.

A historia tem demonstrado que quanto mais tempo um partido permanece no poder, mais ele se acomoda, porque criam-se vícios que depois são difíceis de combater. Tem de ser nós mesmos, a pressionar e a exigir que os nossos direitos sejam satisfeitos e garantidos, como demonstrou mal ou bem, o povo moçambicano.