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Viva a democracia em Angola. Viva!

Finalmente JES, Zé Dú, para os seus apaniguados, depois de 33 anos a exercer as funções de Presidente da República Popular de Angola, foi legitimado por voto popular nas eleições do dia 31 de Agosto de 2012.

Não o foi através de votação universal específica para o cargo, pois que em 2010, o MPLA, no poder em Angola desde a independência em 1975, à sombra da grande maioria (81%) que detinha no parlamento, alterou a constituição e agora há eleições gerais de 5 em 5 anos para eleger os deputados, sendo que o primeiro nome da lista do partido vencedor é automaticamente declarado presidente da república, e por consequência chefe do governo e comandante das forças armadas. Como também nomeia os governadores provinciais, o poder absoluto que detém não é compatível com a democracia, tal como a conhecemos noutros países.

Quanto ao poder judicial, a independência que a constituição lhe outorga, deve ser letra morta, porque um governante carregado com tanto poder, não se esqueceria de não meter também este no saco.

Actualmente, JES, é já o 4º governante com maior longevidade no poder, atrás dos presidentes do Brunei, de Oman e do Yemen. Kadafi também estava no poder há mais tempo, mas já não faz parte desta lista de recordes, teve o fim que conhecemos. Assim JES, é em África o mais duradouro e tem fortes possibilidades de alcançar o primeiro lugar a nível mundial. Nós por cá, também tivemos um 42 anos, também havia eleições, mas tanto a nível interno como externo, as classificações de ditadura e estado novo, foram as que ficaram para a história.

Como o presidente angolano sabe que a nível eleitoral vale menos que o seu partido, colocou-se estrategicamente debaixo da pala do MPLA e como à luz da constituição só os partidos podem apresentar listas, JES, preparou bem a sucessão de si próprio, não fosse aparecer do nada uma individualidade com o carisma de Jonas Savimbi.

Vamos então aos resultados. O MPLA, obteve cerca de 72%, a UNITA, 18% e a terceira força política foi a CASA-CE (Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral), formada por dissidentes do MPLA e da UNITA, com 6% dos votos. A FNLA, um dos movimentos da luta armada contra o colonialismo obteve apenas 1% dos votos e fica com 2 assentos no Parlamento.

Em Angola, o poder está todo concentrado em Luanda, mesmo o poder local emana da capital, com o PR a designar os 18 governadores provinciais que por sua vez escolhem os administradores locais. Esta política de concentração do poder em Luanda foi sempre um desígnio do MPLA, e foi por isso que não descansou enquanto não empurrou para fora da capital os outros movimentos de libertação. O peso eleitoral da capital bem como os outros que determinam a vida económica e social do país garantem que quem mandar em Luanda é que é o dono. Savimbi, percebeu a estratégia como ninguém e por isso lutou até à morte contra tal desiderato.

Num Parlamento com 220 lugares, apenas 45 são da oposição, mas o principal partido da mesma quase duplicou a votação, tendo o partido vencedor perdido 9% em relação às eleições de 2008. A oposição pouco mais pode fazer no parlamento que simples figura de corpo presente, mas se o partido do galo negro tivesse um líder como Jonas Sabimbi, outro galo cantaria. Mesmo assim, água mole em pedra dura, tanto dá até que fura!

Mas atenção que ainda há milhões de angolanos que não deram apoio explicito ao MPLA e ao seu líder, desde logo os 40% de angolanos eleitores que se abstiveram e 6% de votos brancos e nulos.

Até Setembro de 2017, o status quo em Angola, continuará na mesma como a lesma, e penso que o cenário se manterá durante largos anos, JES está apostado em entrar para o livro do Guinness e depois se o povo um dia se fizer ouvir de modo diferente, será que esta gente habituada a mandar, onde nem sequer no seu seio impera a democracia (veja-se o que aconteceu em 27 de Maio de 1977), respeitará a vontade soberana do voto popular? Esta democracia angolana está para lavar e durar!

Mário Mendes

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Luanda, a cidade mais cara do mundo

Nem Nova York, nem Tóquio, Londres ou Paris ganham a Luanda no que toca à carestia de vida. Como na economia impera a lei da oferta e da procura, se a vida é cara em Luanda é porque há lá gente com os bolsos bem recheados e que esbanja dinheiro com fartura para que os produtos de luxo não “apodreçam” nas prateleiras.

Já sabemos que a face de Luanda mudou muito nos últimos anos, existe uma elite que é uma pequena minoria que não se poupa nos luxos nem nos sinais exteriores de riqueza, mas a grande maioria dos luandenses vive em condições bem precárias e muito abaixo do limiar da pobreza.

Quem aterra em Luanda sabe bem que os musseques onde habitam em condições miseráveis muitos milhões de pessoas são bem visíveis por todo o lado. Sem ser necessário viajar pode sobrevoar a cidade através do Google Earth para comprovar esta realidade.

No entanto o que é mais referido sobre Luanda são os edifícios imponentes que se estão a construir, até novas cidades como Kilamba, situada a sul nos subúrbios da grande urbe com aparentemente bonitos apartamentos para a classe média porque os pobres continuam sem poder chegar-lhe.

Assim, Luanda é hoje em dia talvez a cidade onde se notam mais as desigualdades sociais e onde o poder político mais se confunde com o poder económico. Todos os cordelinhos da economia estão nas mãos da família Dos Santos e esse poder económico já se faz sentir também fora de Angola como em Portugal onde o presidente é o 6º mais poderoso da economia portuguesa.

Dizem as notícias que uma percentagem de cada barril de petróleo sugado dos poços de Angola vai direitinha para uma conta de JES, como se fosse ele o dono do produto. Não admira pois que ele tenha comprado cá (Quinta do Lago – Algarve) uma “casinha” de 14 milhões de euros, pois é preciso acautelar o futuro que pode um dia ser incerto.

Numa altura de crise mundial onde até em alguns países os mais ricos se estão a oferecer para pagar impostos extras de solidariedade para com os mais pobres, não seria boa ideia que em Angola, esses que tanto esbanjam se lembrassem que a seu lado vivem concidadãos seus que também têm direito a ter uma vida melhor?

À consideração do povo angolano.

Mário Mendes


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Angola a caminho da monarquia?

Zenú dos Santos está a ser preparado para futuro Presidente de Angola

José Filomeno de Sousa dos Santos é filho de JES com Filomena de Sousa “Necas”, filha de pai originário de Cabo Verde e mãe angolana. Ao tempo em que os pais de Zenú mantinham uma relação, o pai era Ministro das Relações Exterior e a mãe, uma funcionária da cooperação do ministério que vivia na vila Clotilde (Vila Alice). Depois de Zenú nascer, a mesma transferiu-se para o bairro popular (Rua porto Alexandre), em casa da mãe, onde o pequeno viveu os primeiros anos. Mais tarde, já crescidinho, Zenú e a mãe se mudaram para os arredores do bairro Alvalade (Rua comandante Stoner).

No inicio da década de noventa foi estudar na Suécia acompanhando a mãe que havia sido transferida para aquele país como diplomata (Secretária para os assuntos económicos da embaixada angolana). Antes, Zenú fez o ensino de base na escola Ngola Kanine em Luanda, frequentou a sétima classe (ano lectivo 89/90), na escola Juventude em Luta (sala 1, turma AR). Era visto como “um estudante muito calmo que estudava no meio dos outros sem distinção”, não obstante gozar da “imunidade” de ser levado de Mercedes e com dois militares (guarda-costas).
Poucos anos depois foi estudar na Inglaterra onde se graduou com um BE em engenharia electrónica e eléctrica. Na altura a mãe estava colocada neste país como primeira secretaria/assuntos económicos da embaixada. Enquanto estudante, Zenú ia a Luanda de férias e nesta altura conheceu uma jovem estudante do PUNIV, Maíra Fernandes de quem passa a pretender. De inicio, a jovem não queria nada. A mesma tinha o antecedente de nunca ter tido um namorado. Mas, logo após o “empurrão” de duas amigas, Maíra aceitou Zenú. No sentido de tê-la por perto, Zenú dos Santos arranjou uma bolsa para a namorada pela SONANGOL e em 1997, a mesma seguiu para a Inglaterra. No regresso da missão estudantil, o casal contraiu matrimónio em 2004, em Luanda. (foi sua madrinha de casamento, uma tia, Stela Santiago, hoje vice-cônsul em Houston). Após o casamento passou a viver no Alvalade. Tem uma casa de praia no Benfica (usada para o final de semana e descanso). Recebeu recentemente uma casa no condomínio Cajueiro da Sonangol em Talatona. Tem também outra no Nova Vida.
Antes de se formar, Zenú denotava ter um apego especial pela música. A dada altura passou a frequentar os estúdios do produtor musical, Beto Max onde aprendeu a tocar piano. Não foi a tempo de ser musico, mas, entretanto apoiou alguns talentos que se prenderam neste mundo dentre as quais Yola Araújo e outros nomes imprecisos.
Como profissional e na qualidade de antigo bolseiro da Sonangol, foi enquadrado na empresa passando a ser director-adjunto da empresa AAA, uma seguradora fundada pela petrolífera angolana. Era pouco visto no seu gabinete (primeiro andar do antigo edifício) e em meados de 2005 largou o emprego passando para o sector privado.
Formatou a sua própria “entourage”. Recuperou velhas amizades, com realce a Jorge amigo de infância que passou a ser o seu “braço direito”. Outro amigo favorito é Índio, filho de Aldemiro Vaz da Conceição com, Stella Santiago, irmã da mãe de Zenu. Juntou-se também a Mirco Martins, um jovem empresário formado em engenharia electrónica pela Universidade de Salford, em Manchester, e que passou a ser uma espécie de “irmão” seu desde os tempos da Inglaterra (viajam juntos, já foram em negócios para Suíça, China e etc). Mirco é enteado de Manuel Vicente. O ” mastermind” dos seus negócios é Jean-Claude de Morais Bastos, um cidadão originário de Cabinda com nacionalidade suíça. É através do mesmo que Zenú criou o seu próprio Banco, o “Quantum” recrutando para si, Ernst Welteke, ex-presidente do Banco Central da Alemanha que é o PCA do banco que criou em Angola. Foi Jean-Claude Bastos que levou José Filomeno dos Santos “Zenu” para fazer parte da “Afrikanische Innovations Stiftung” (Fundação para inovação de África), com sede na Suíça.
Passou a ter igualmente os chamados “ponta de lanças”. Os mesmos se estendem até as províncias. Em Benguela, localidade que muito se desloca com frequência (de jacto privado), é apresentado como seu facilitador, Manuel Francisco, figura, que o ajudava na aquisição de terrenos. A construção de uma nova refinaria no Lobito, inicialmente pela empresa chinesa Sinopec, que se retirou, faz de Zenú, a, eminência parda do projecto. (João de Matos também faz parte do projecto). O filho do PR é também conotado a uma empresa de construção em associação com a África Corporation, da China.
A área empresarial que mais preferência tem é o ramo da imobiliária. Justifica, em meios privados, que pretende ajudar a juventude. Tem o seu Gabinete de trabalho num edifício na Maianga. É descrito como uma pessoal “muito humilde e educada”. A dada altura disponibilizava o seu cartão-de-visita, a toda gente, até mesmo no pessoal do protocolo do aeroporto quando viajasse para o exterior. É por via desta facilidade que em Outubro de 2009, um grupo de quatro jovens (Mauro, Massoxe, Divaldo e Paulo), teve o seu contacto, e ligou-lhe para vender um terreno, em Cacuaco cuja documentação era falsa. (Tratava-se de uma rede de burla que pretendia vender-lhe um terreno que por sinal era seu).
Zenú tem sido destinatário de projectos de jovens amigos que levam ate a si para apoiar. Na sua maioria rejeita aconselhando os seus interlocutores a apresentarem as propostas a uma instituição bancária. A sua reacção é reflexo da postura de “muito direito”, conforme discrição ao seu redor. O mesmo passou a ser “muito mais” discreto. Recentemente, rejeitou conotações que o associavam a altos funcionários do Instituto de Estradas de Angola. Tem pedido aos seus próximos que não o citem com terceiros.
É muito cuidadoso na gestão da sua imagem; porta-se como um “cavalheiro”; quando vai a padaria comprar pão saúda as pessoas mesmo que não as conhece; é capaz de dar prioridade as senhoras. As pessoas que com ele se cruzam sobretudo os jovens acabam por ter a impressão de “figura simples” e “bastante educada” que nem parece ser “filho de quem é”.
Tem como o seu melhor conselheiro o ex General Fernando Garcia Miala, muitas das vezes vão a sua residência no Benfica para melhor conversarem.
Das suas participações empresariam consta, que o mesmo é sócio de uma Campânia aérea, Air26, de uma rede de transportes Tura. Tem também aspiração aos negócios dos diamantes. Quando começou a se firmar nos negócios privados deslocou-se diversas vezes ao Ministério da Geologia e Minas, ao qual recebeu da direcção Nacional da geologia, autorização de concessão para exploração de minerais. É muito próximo ao PCA, da Endiama, Carlos Sumbula tido como “muito competente”.

José Filomeno dos Santos presta também trabalhos de assessoria numa área técnica da Presidência da Republica. É tratado pelas secretarias como “O engenheiro”. O novo aeroporto internacional, a ser construído na área de bom – Jesus esta agora sob sua alçada. Antes estava sob controlo do general Manuel Vieira Dias “Kopelipa”.
A imprensa em Angola tem o apresentado como potencial sucessor do pai. Na verdade não lhe é notado objecção quanto ao assunto, (em meios familiares faz-se defesa a Fernando Dias dos Santos “Nandó”, sob alegação de que tem mais “punho” para por ordem no país). Há cerca de três anos, num jantar com amigos foi lhe indagado se aceitaria, tais propostas “presidencialistas”. O mesmo respondeu que “era patriota e que estará sempre ao serviço do país”.
Na altura foi visto a franquear a sede do MPLA, ao que deu azo de que estaria a se estrear na política. Em Agosto/Setembro de 2008, esteve num comício do partido no poder. Na véspera da preparação do último congresso do MPLA, a mídia angolana noticiou constantemente que o mesmo iria ser elevado ao Comitê Central do partido. No sentido de esvaziar especulações, Zenú absteve-se do conclave, sobretudo como convidado como fez Isabel dos Santos e Sindika Dukolo. (Tchizé não participou devido ao seu estado de gravidez).
As ventilações que o associam como potencial candidato já começam a fazer “espécie” mesmo no círculo familiar de JES, devido ao tratamento/atenção “presidencial” que o PR ultimamente presta ao filho. A 25 de Fevereiro, realizou-se no salão da cidade alta, um casamento de uma sobrinha de JES, Jurema Santos e Zenú fez parte da mesa especial do pai, ladeado dos irmãos, Luís e Avelino dos Santos. Era o mais novo da mesa. Zenú era o único que tinha tratamento “presidencial”. (Pai e filho não consumiam a comida ali a disposição; o mantimento, inclusive o gelo para o refresco vinha do palácio presidencial, a 2 minutos de distancia do local da festa). Na hora de JES se retirar indo para os seus aposentos, Zenú retirou-se em simultâneo como se fosse um “Vice-PR”. Os guardas fizeram cobertura a ambos.
Constatações que alimentam as teses presidencialistas em torno do mesmo:
– São lhe atribuído a frequência do curso de ciências políticas, a distancia, acrescida a uma formação de inteligência que terá feito em Israel.
– Passou a fazer parte do núcleo restrito de conselheiros informais de JES. Em meios atentos, diz-se que passou a ocupar a “vaga” deixada por Desiderio Costa. Nas deslocações ao exterior, Desidério Costa era uma espécie de tesoureiro, papel agora desempenhado por Zenú. Em Fevereiro, de 2009, JES foi à Alemanha, o mesmo não fez parte da viagem, mas um emissário seu, Ernst Welteke, esteve presente num fórum de negócios realizado em Berlim.
– A sua inclusão nos negócios imobiliários é sob alegação de que pretende ajudar a juventude; cenário entendido como estando em “campanha” a longo prazo.
– Foi-lhe dispensado um “espaço” na presidência, onde funciona como assessor de uma área técnica relacionada ao seu curso. Foram-lhe atribuídos dois dossiês, o do novo aeroporto e outro de referência imprecisa. Já está familiarizado com o círculo presidencial. Em finais do mês passado, necessitava de um expert para área da arquitectura e contactou um técnico da presidência para que lhe recomendassem um profissional no mercado.
– O seu “adversário” ao cadeirão presidencial, Fernando da Piedade dias dos Santos que mais perto esta na linha de sucessão é referenciado como estando sem poderes. Não tem orçamento próprio. Se desejar erguer uma escola ou hospital, na sua qualidade de Vice-PR, terá de solicitar por escrito a JES. A área social em que se diz responder faz contrapeso com Carlos Feijó e com uma Secretaria da presidência para a área social, Rosa Pacavira que faz intervenções de carácter nacional.

NR: É o que diz alguma imprensa angolana publicada fora de Angola. Lá dentro, notícias como esta não são permitidas. Na realidade, todos sabemos que todos os “cordelinhos” políticos e económicos estão nas mãos da família Dos Santos. O presidente já leva 31 anos na função, apesar de nunca ter sido eleito para tal, mas os angolanos é que sabem … políticos com muita longevidade no poder estão a ser contestados em muitos países, sendo os mais recentes a Tunísia,  o Egipto, o Iémen, a Líbia.

Em Angola, o Estado é o MPLA;  O MPLA é JES. Logo, JES é o Estado. L’État, c’est moi (Luís XIV)

Vós que lá do vosso Império

Prometeis um Mundo Novo

Calai-vos que pode o Povo

Querer um Mundo Novo a sério.

(António Aleixo)


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Um B.I. “sui generis”

Julgo que será mesmo único no mundo este novo BI que têm agora os cidadãos de Angola, pelo facto de terem bem no centro as “caras” dos presidentes do país depois da independência, Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos (JES).

É muito comum as notas terem as figuras de presidentes ou outras personalidades de destaque, mas no BI, o documento nacional de identificação, parece-me ser de muito mau gosto este culto da personalidade, mas enfim, são os angolanos que têm de se pronunciar sobre o tema.

Sinceramente, este governo tem ido longe de mais. A independência infelizmente, de tudo um pouco nos trouxe. Mas quem são eles para terem seus rostos estampados num B.I. nacional? O que simbolizam essas figuras? Se não; a morte e a corrupção?

Ao longo da história da humanidade surgem personalidades que se tornam emblemáticas, ícones, quase míticas, pela defesa de um ideal, uma bandeira, uma causa social, sendo seus nomes vinculados a essas causas, algumas vezes até nos derramando lágrimas dos olhos pelo respeito e admiração que sua coragem, perseverança e fidelidade aos seus princípios nos despertam.

Podemos citar, entre tantos: Ana de Sousa — conhecida (Ngola Nzinga) Mulher que como Rainha de 1582 -1663 se destacaram como grande astuta diplomata e se sobressaiu bem, como líder militar, quando os escravizadores Portugueses atacaram o exército do reino de seu irmão Nzingha. Enviada para negociar a paz, com habilidade e surpreendente tacto político se impôs. E outros tantos Reis e Rainhas como por exemplo, Mandume Ndemufayo, sobre o qual o povo kuanhama é unânime em relação ao porte de Mandume como homem.

Outros tantos Reis e Rainhas que deveriam ter suas caras estampadas em alguns documentos nacionais e não, o rosto de pessoas que simbolizam, triste memória como; “a morte e corrupção” na história do nosso país.  Então quem nunca soube se defender das centenas de acusações, em ter desviado dinheiro público para bancos estrangeiros deixando seu povo lançado á sorte do lixo, das doenças, fome e miséria total, também já merece ter seu rosto num documento de identidade pessoal?

Creio que esse tipo de desafio à Nação angolana, só pode ser feito, por quem confia em demasia na forca da sua musculatura, da sua política arrogante, prostituta e corrupta.  Sinceramente, creio que é ir longe demais. Ou será que perderam todo o respeito para com o povo? Com tanta gente que tivemos de importância histórica,
como os Reis: Otchietekela,Shaula,Luhuma, ou as Rainhas; Hanhanga,Kalinaso dos séculos XVI ,XVII,XVIII e XX só tinha mesmo que ser logo a cara deles?

Creio que neste momento, até o Diabo deve estar, a rir-se da nossa passividade perante esse número sem fim, de abusos de poder. No contexto internacional pessoas como; Martin Luther King, Gandhi, Nelson Mandela, Amílcar Cabral, Viriato da Cruz, etc. são outras figuras que nos merecem muito respeito e admiração, porque nenhuma delas perdeu tempo em sujar suas mãos, com sangue, roubando ou humilhando seus povos.

Em Angola pessoas que deviriam merecer respeito e admiração, por tudo quanto fizeram, e deram pelo país, nem se quer são recordados, porque a Nação é asfixiada pela imagem de duas únicas figuras, (Agostinho Neto & Eduardo dos Santos). Como provam os negócios da China praticados diariamente, aberta ou secretamente, por uma boa parte dos actuais governantes em especial as queridas filhas do presidente da república. Todos porreirinhos da vida, calados e iludidos pelas novas palavras de ordem, “Sempre a subir ou Tas bem” Pois, bajular é que dá promoção de poder e dinheiro.

Agostinho Neto foi sim, numa dada altura, até o momento em que chegou à Presidência, uma das personalidades, figura emblemática da luta por justiça social, igualdade, dignidade aos trabalhadores e ética política. Depois se tornou naquilo que todos nós sabemos:

No símbolo do maior massacre ocorrido em Angola apôs os acontecimentos do 27 de Maio e mesmo assim, continua sendo venerado por alguns apaixonados vermelhos. J.E.S ao continuar com sua política musculada, demagogo, corrupta, prostituta e ditatorial em nome de uma suposta “governabilidade”, contradiz aquilo que a história nos fala sobre os nossos verdadeiros heróis, agride os ideais daquilo que dizem ser do MPLA e manipula a própria constituição, como se de um bandido desesperado se tratasse.

Como se não bastassem os dinheiros depositados, roubados e os negócios escandalosos praticados pelos seus filhos, Dos Santos, não hesito em mais uma vez desafiar-nos com as famigeradas fotos no B.I. julgo ser tempo para que os angolanos façam uma reflexão séria, porque depois disto, até pode vir o pior. Quem sabe, outros documentos com as caras de Roberto Mugabe ou de Fidel Castro, se considerarmos a simpatia que o regime nutre por essas figuras.

Em Angola, tudo realmente é possível. Onde a cotação e credibilidade dos governantes baixaram escandalosamente para zero. Um sistema completamente corrompido, que jurou se perpetuar no poder como provam os contratos estabelecidos com especialistas, com o objectivo de ensinar técnicas de repressão e tortura aos militares e polícias angolanos, especialmente os enquadrados nos serviços secretos.

Conhecidos como tropas de elite, que se tornaram famosas pela violência,
que se assemelham aos mais criminosos serviços secretos, Venezuelanos, Cubanos, Iranianos, Zimbabweanos, Chineses, Líbios, Russos, etc. Aproveitando-se da falta de transparência seriedade e humanismo do sistema, essas forcas vão fazendo das suas, ceifando vidas de angolanos clandestina ou abertamente, num país onde nem é permitida uma autópsia, para se determinar as causas de várias mortes escondidas e duvidosas.

Quando convidados por entidades como a UNO em Genebra, para responderem sobre os desrespeitos dos Direitos Humanos, lá vão eles, armados em sabichões, com relatórios falsos para iludirem um mundo que tudo sabe, mais prefere fechar os olhos e a boca. Tanta demagogia e mentiras para fazerem vingar os seus propósitos com a feitura da nova constituição, e outros planos próprios de bandidos, tentando convencer pessoas pouco esclarecidas.

Temos que ficar atentos e impedirmos, com que os mesmos que estão no poder, façam leis para preservar cargos e privilégios, como é intenção deste famigerado governo. Urge finalmente elaborar uma constituição, redigida não por políticos que perderam credibilidade, mas pelas forcas vivas da Nação angolana, que faca realmente vigorar o princípio da justiça social e da igualdade de todos perante a lei. Por que, continuarmos a acreditar em ídolos e lideres aldrabões, gatunos, se nos podemos deixar guiar pela verdade histórica, pelas descobertas cientificas, pelo raciocino lógico e pelo bom senso? Basta, de vermos o quase sempre envolvimento de militares de alta patente nos mais variados esquemas hoje institucionalizado no país, como perseguições, prisões, tráficos e principalmente as roubalheiras aos cofres públicos.

Diante desses terríveis acontecimentos e principalmente pelo desaparecimento de tanta gente de bem, desta terra, a comunidade internacional, tarde ou cedo exigirá que sejam realizadas investigações claras e transparente, que permitam apontar a verdade dos fatos, e que os responsáveis por tais crimes, sejam afastados das forcas de segurança, e respondam, num tribunal internacional, uma vez que o sistema judiciário angolano é considerado dos mais fantoches da história. Os nomes dos desaparecidos existem, o que já é bom, porque facilitará em parte o processo. Irmãos não se cansem em fazerem chegar os vossos relatos junto das mais variadas instituições de defesa dos Direitos Humanos espalhados por esse mundo fora. Essa é uma das grandes causas da nossa luta.

Chega de empreguismo, nepotismo, superfaturamento, desperdício do dinheiro público, tolerância ou cooperação com os criminosos que nos governam. Com o nosso voto, tarde ou cedo, podemos fazer justiça de todos os corruptos que estão sendo poupados pelo corporativismo político. Não adianta trocar apenas o presidente, quando todo governo não passa de uma grande farsa. Urge fazer uma limpeza geral, provocando uma verdadeira revolução pelo nosso voto consciente.

Não importa quem seja o próximo presidente, logo que não seja o actual demagogo e corrupto, que não nos merece confiança. Pois, fundamental é, dar ao próximo presidente as condições necessárias para pôr em pratica um plano de governo que faca deste país uma verdadeira nação e deixe de ser,” uma feira da ladra”.Não podemos ficar calados, porque o silêncio de gente honesta faz crescer e fortalecer a ganância dos corruptos que governam Angola.

É preciso estar atentos porque este governo, mais uma vez, não vai se importar gastar biliões nas vésperas das eleições, em assistensialismo, para comprar votos da grande massa necessitada, e para cooptar políticos de vários partidos, visando o apoio para o candidato que o Mpla apresentar. Tácticas criminosas não lhe faltam, e não admiro que venham a distribuir alimentos aos pobres, para obrigá-los a pensar com o estômago, e não com a cabeça. Pois é difícil compreender, a passividade do povo que quase tudo aceita, cruza os braços, fecha a boca e os olhos, mesmo quando estamos diante de um grande dilema, como este em termos que conviver e actuar durante tantos anos um governo claramente fantoche, falsário e que perde tanto tempo elaborando planos criminosos contra o seu próprio povo . Onde é que já se viu?

Criminosos julgando criminosos, fabricando motivos apenas para credibilizarem as farsas nacionais que se acumulam, e distraírem a opinião pública nacional e internacional. Repito; num sistema sob gestão de pessoas sensatas e com o mínimo de educação, 70% das pessoas que compõem este regime, teriam seguramente um bom lugar nas cadeias. Quantas crianças morrem por falta disto e daquilo, enquanto as roubalheiras caminham galantemente rumo ao abismo? Então isso não é crime? E qual é o lugar para os criminosos? Na cadeia ou no governo?

Fernando Vumby