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Recordações de má memória

Faz hoje 43 anos que ocorreu este episódio da terrível guerra que travamos em Angola. Era uma sexta-feira e regressávamos de São Salvador, a capital da província do Congo quando a cerca de 10 kms da chegada ao aquartelamento deparamos com a placa de sinalização “Mamarrosa/Luvo” a arder no meio da picada, o que prenunciava que por ali andava o inimigo e nos levou a tomar cuidados redobrados.

Depois de alguns kms percorridos a pé por um grupo de combate à frente da viatura que encabeçava a coluna, inspecionando a picada, o grupo apeado volta a subir para as viaturas e quando estávamos a cerca de 5 kms do nosso destino, dá-se uma enorme explosão, uma mina anticarro tinha rebentado.

Aqui está um pequeno filme com as imagens do acontecimento.

 

 

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Mina assassina

Faz hoje 40 anos que uma mina anti-carro ceifou a vida ao condutor do Unimog António de Amaral Machado que podemos reviver nesta foto, na fila da frente, o terceiro a contar da esquerda. O nosso companheiro foi sepultado no cemitério da freguesia de Santo António, concelho de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, Açores. 

machado

Há tempos atrás dirigi um e-mail ao presidente da junta de freguesia solicitando-lhe se possível uma foto digital da campa deste companheiro da C.Caç. 3413, para aqui lhe prestarmos a homenagem que lhe é devida, mas não obtive qualquer resposta.

Penso que continua de pé a possibilidade de alguns de nós ainda este ano se deslocarem aos Açores e se assim for tudo faremos para “in loco” o homenagearmos colocando  um ramo de flores na sua sepultura.

Este blog já publicou outro artigo sobre este episódio que pode ser lido clicando AQUI.

Mário Mendes


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5 de Fevereiro de 1973

Este foi um dos dias mais tristes da comissão de 2 anos que passamos em Angola. Depois da primeira baixa que ocorreu a 22 de Dezembro de 1971 que vitimou o companheiro Emanuel Firmino Nunes Aguiar por acidente com arma de fogo, a morte do condutor do Unimog António de Amaral Machado, açoriano da ilha de São Miguel, freguesia de Santo António, vítima do rebentamento de uma mina anti-carro colocada pelo inimigo na picada onde três dias antes outra mina desfez outra viatura, foi um episódio que “minou” também a moral das nossas tropas, porque nestas circunstâncias em que não se vê o inimigo, a luta torna-se muito cobarde e desigual.

39 anos depois deste fatídico dia, recordamos com saudade este nosso companheiro e há dias solicitei por e-mail ao Presidente da Junta de Freguesia de Santo António onde está sepultado, que se lhe fosse possível me enviasse uma foto da campa. Ainda não houve resposta, ficamos a aguardar, mas como temos planeada uma viagem aos Açores para 2013, nessa altura não deixaremos de “in loco” nos curvarmos perante a sua memória e colocar um ramo de flores em homenagem a este herói, que aos 22 anos deu a vida pela Pátria.

Mário Mendes


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Morte na Picada

5 de Fevereiro de 1973

Os primeiros dias do mês de Fevereiro de 1973 foram de grande tensão no seio da C.Caç. 3413.

Impotente para tomar os aquartelamentos da Mamarrosa e Luvo na fronteira norte de Angola com a RDCongo, a FNLA começou a minar a picada, tendo colocado uma mina anti-carro em 2 de Fevereiro, uma sexta-feira, que provocou 4 feridos, que seguiam a bordo de um camião Berliet Tramagal.

Três dias depois, uma segunda-feira, mais uma mina anti-carro, desta feita pisada por um Unimog e que provocou a morte do condutor, o nosso companheiro António Amaral Machado, natural da ilha de São Miguel, Açores.

A picada que tantas vezes percorremos, esta que a foto nos mostra, foi palco de sofrimento e dor e o local da tragédia ficou para sempre guardado nas nossas memórias.


Faz hoje precisamente 38 anos e aqui recordamos com saudade o nosso companheiro. A foto que se segue revela de forma brutal este acontecimento, que ceifou a vida a este jovem de 22 anos.

O nosso companheiro José Rosa Sampaio, no seu livro “O Vermelho do Capim: poemas da Guerra Colonial” que publicou em 1986, dedicou um poema ao malogrado António Amaral Machado e que aqui se evoca:

Tinhas uma mosca pousada na tua face vermelha

E os teus lábios entreabertos escondiam uma palavra

que não disseste a ninguém …

roubaram-te até o que não te pertenceu em vida,

pois os elos da morte não perdoam a inocência da alma.

Descansa que talvez aconteça que não estejas morto.

(Mamarrosa, Maio de 1973)


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Mina na picada

As estradas de terra batida, vulgo picadas, que no norte de Angola eram as vias de comunicação entre os aquartelamentos e povoações, foram muitas vezes palco de sofrimento e morte para muitos militares, sendo que também a nossa CCaç.3413 sentiu na pele o drama das minas anti-carro e anti-pessoal que o inimigo ali colocava e que nós não podíamos evitar.

Em 2 de Fevereiro de 1973, já lá vão 38 anos,  o mesmo tempo que têm estas 3 fotos que representam um acontecimento para sempre gravado na memória de quem esteve nele envolvido.

O resultado foi o ferimento de 4 companheiros, que felizmente recuperaram e voltaram ao nosso convívio depois de internamento hospitalar.

A berliet que era o primeiro veículo da coluna, o chamado “rebenta minas” lá cumpriu o seu papel, suportando a maior parte da carga explosiva, mas que ainda assim deixou alguma sobra para os militares que seguiam a bordo. Um dos feridos com maior gravidade foi o companheiro Eduardo de Assunção Medeiros Reis, do 3º grupo de combate, que vemos na última foto, um açoriano branco mas que ficou com cara de preto.

Mais 3 minas anti-pessoal tinham sido colocadas na berma da picada, mas felizmente para nós não foram pisadas, ou talvez fossem, não acredito que no meio de tanta azáfama elas tenham sido evitadas, certamente estariam mais enterradas e não foram accionadas. No dia seguinte, foram levantadas por uma equipa de minas e armadilhas.




NR: Quem souber identificar os outros intervenientes, faça o favor de não ficar calado!

Mário Mendes