Ambrizete

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Não posso deixar de recordar esta vila simpática e acolhedora, situada à beira do Atlântico e que era local de paragem obrigatória para quem de Luanda rumava ao norte de Angola, a caminho do Zaire.

Por duas vezes pernoitamos aqui, a primeira em 8 de Abril de 1972, quando a nossa “guia de marcha” nos indicava a fronteira norte, para passar o resto da comissão que tínhamos iniciado em 1971 em terras do Uíge, e agora o destino eram a Mamarrosa e o Luvo. A segunda vez foi a 8 de Setembro de 1973 quando fizemos o percurso inverso com destino a Luanda. Escusado será dizer que a segunda foi melhor que a primeira, tivemos consciência que a guerra tinha acabado para nós, estávamos a caminho de Luanda, onde 3 semanas depois um avião nos levaria de regresso a Portugal.

Para mim em particular esse dia foi muito especial, ali comemorei o meu 24º aniversário. A picada que nos trouxe lá do norte com o inevitável pó entranhado por tudo quanto era sítio, tinha ficado para trás. Um banho retemperador no hotel de Ambrizete e as cervejas fresquinhas com os famosos lagostins do bar “Brinca na Areia” ajudaram a recompor o corpo e a alma. A noite foi longa e animada, mas as poucas horas que mediaram até ao romper do dia foram bem dormidas numa boa cama protegida com a indispensável rede mosquiteira. Já da primeira vez aqui dormi, este hotel era um rodopio de militares, aqueles que podiam “fugir” às instalações do quartel.

Calcorreando a net, encontrei uma foto desse hotel dos anos 70, que aqui se publica. No primeiro andar eram os quartos, no rés-do-chão, o bar e o restaurante. A proprietária, uma senhora muito simpática, julgo que se chamava Ilídia, mas toda a gente a tratava por “madrinha”.

Nesta vila muita coisa mudou desde os idos anos 70, desde logo o seu nome que passou a designar-se por N´Zeto. O hotel foi destruído, o edifício dos CTT está agora como esta foto demonstra.

O progresso ainda não chegou aqui, apesar da sua localização, com uma bela praia, quase 40 anos depois, o alcatrão que nos levava à capital foi desaparecendo como se vê nesta foto.

Segundo rezam as crónicas,  Ambrizete (para nós será sempre Ambrizete), ficou parada no tempo, melhor dizendo até regrediu em relação ao que foi noutros tempos. Não é de admirar, com vias de comunicação assim, não há investimentos e por isso a vila continua à espera de melhores dias. Luanda tão perto e tão LONGE!

Mário Mendes

23 thoughts on “Ambrizete

  1. Eu também morei no ambrizete nos anos 1965 e 1967, 1968, após o meu casamento
    com António Ramos, agente da DGS no Posto ao lado dos Correios, agora sou viúva mas tenho muitas saudades dessa pequena terra, morei algumas vezes no Hotel, lembro-me muito bem dos donos do hotel em madeira eram a D. Lidia e Senhor Flores e duas filhas.
    Também tenho muitas saudades do servente do posto que se chamava Domingos gostava muito de saber alguma coisa dele. Chamo-me Ana Ramos

  2. Sou Ambrizetana de alma e coração. Toda a minha Familia Paterna (Tios e Primos ) moravam no ambrizete e viemos embora em 75/76. O meu pai era quem tratava a àgua do Ambrizete na captação das àguas .O meu tio Daniel tinha um comercio e o meu tio Carvalho o café Flor do paiva.No primeiro Domingo de Julho na Curia(Zona da Mealhada) há todos os anos um convivio dos ambrizetanos, e é o momento de matar suadades dos nossos conterraneos. Espero que este ano apareçam todos por lá.O meu email: elisaconceicao@msn.com
    Elisa Carvalho Leite

  3. Fiz parte do BCAÇ 2841 com CCS no Ambrizete 1969-70. A madrinha e o senhor Flores passaram a viver em Monção mas já faleceram, ainda estive com eles algumas vezes. Das filhas nada sei. Gostava que fizéssemos um convívio do Bat Caç 2841 e possivelmente outros no Ambrizete. Cumprimentos a todos os que por lá passaram.
    Manuel Domingues Tenente capelão graduado do dito Bat Caç.

    • Pertenci à BTR 523 (GAC2/Nova Lisboa) que esteve no Ambrizete de Jan70 a Jan71. Entre outros sítios conheci o Hotel da Madrinha e o Macoço, que ficava junto à nossa Messe de Sargentos. Conheci ainda o Rio M´Bridge e os seus hipopótamos e crocodilos. Fizemos belíssimas praias e “passeios” ao Zaire e a S. Salvador, protegendo os MVL. No nosso tempo estava tudo bastante calmo. A noss tropa era do contingente local do qual maior parte era nascida em Angola.
      Deixo cts a todos os camaradas que passaram por aquela terra.
      João Alegria, Furriel Miliciano de Art.ª./Jan1969/Jul1972.

    • Servi no mesmo B. Caç. 2841, C. Caç. 2355, Fur. Mil. Martins. Recordo 28/29 Abril 68, o Batalhão tem a 1ª. morte e´ da nossa Compª. . O n/Capelão desloca-se até Sanga-Planície, passando alguns dias connosco. No dia da despedida para o Belize, quando coloca a pistola à cintura, pergunte-lhe em tom de brincadeira… não está protegido? Responde, é sempre bom ir prevenido . Quando deixamos Cabinda e já na cidade, voltamos a ver-nos à volta de uma mesa, conta algumas histórias como um grande amigo. A 2355 foi para o Tomboco, de 15 em 15 dias fazíamos a coluna até Ambrizete, a madrinha tinha sempre um quarto reservado para os Furriéis, ficávamos de um dia para o outro. Cumprimento o n/Capelão…

    • Gostava de ir a esse convivio.Fiz parte do 2841. CCS. Era o escriturário do Comandante Clodomir Sá Viana D,alvarenga. Muito bom homem. Cosculhado pelo Rasano Garcia que se dizia ser bufo da pide-dgs.

    • Aparece em Fátima no 29 de Maio. Vais encontrar companheiros do 2841. Eu era da ccs-escrita Santos. Abraço

    • Esteja atento, em 2017, o convívio é em Agueda. Este ano foi na Fig. da Foz. 21 de Maio. Provávelmente em 2018 será na cidade da Guarda. Se Deus nos deixar lá chegar . Santos escrita ccs 2841

  4. ai que saudades (ambrizete)
    permaneci lá durante o ano de 1969 mais propriamente na missao
    o binca na areia o macoso o ada o vieira da escola de conduçao o ada
    tb. fiz proteçao ás aguas
    enfim foi tudo de bom

    • Sou mais novo, estou em Luanda e ja conheci Ambrizete, o Sr. que era o dono ainda esta la com um outro empreendimento lidago ao mesmo ramo. O Meu sogro era chouffer civil e fez muitas viagens com o MVL

    • Sou filho do Sr. Kibeny (Beny) comerciante. Nasci em 1974, não vivi este tempo mas ouço muitas estórias sobre o Ambrizete. Gostaria poder ver esta malta toda no Ambrizete.

    • Espero que estejas no convívio em Agueda 2017. Está atento. Este ano foi na Figueira 21 Maio. Provávelmente em 2018, será na Guarda. Santos ccs escrita 2841

  5. Quem não tem saudades do Ambrizete, se conheceu aquela linda Vila, sempre tão acolhedora, meu cunhado trabalhava na Central Electrica com o senhor Carvalho, o Carvalho das Aguas,o Adélio, dono dA Cervejaria Brinca na Areia, que ainda está lá a explorar as antigas SALINAS, trabalhei na Comissão, que SAUDADES!
    AMBRIZETE, muito gostaria de lá voltar. Ãbraço grande para todos os que por ali passaram. tonidemorais@gmail.com 23-12-2012

  6. o MEU CUNHADO CHAMA-SE Amilcar Branco Morais, e minha irmã Luisa Morais

  7. Eu joven de 30 anos nasci e vivo no Nzeto, que bom ver um passado que reveste aquela que a vila do Ambrizete, estas fotos imocionam todo jovem ambrizetano que a guerra tirou-nos a portunidade de o encontrar. Mas para tal precisamos de todos filhos e amigos do Ambrizete para devolver aquele que foi o cartão de postal da Provincia do Zaire. Um abraço de força, vontade e amor a todos os ambrizetanos. milderdias@hotmail.com 20.09.2012

  8. Em finais de Abril 1970 somos os primeiros a avançar para o regresso. Chegados a Ambrizete temos que esperar pela coluna para seguir até Luanda. O Hotel da Madrinha é o nosso abrigo. Azar ou sorte, um corte de estrada devido às chuvas obriga-nos a permanecer mais uns dias na bela Vila de Ambrizete. Devido a este imprevisto temos que devolver uma viatura ao Quélo. Procurar o operador da jangada para atravessar o M´bridge, que nos acompanha. No regresso só trazemos uma viatura, há um barulho! Que se partiu? Era um javali atingido. Carregado que fazer? Vamos ao “Brinca na Areia” para arranjar um belo petisco. Já passavam das 22H00 só com autorização da Polícia… Concedido. Foi um adeus em beleza à nossa e sempre querida Ambrizete…

  9. Estive nesta linda terra em 1970.Pertenci ao 2841 CCS escriturário. Procuro antigos companheiros de guerra.moisessantos1946@gmail.com

  10. Batalhão Caçadores 4913/73.
    Dezembro74 a Abril 75
    ABRAÇO

  11. que saudades tenho de Ambrizete vivi la de 57 a 61 os meus tios eram os donos da Padaria que se chamavam Conçeiçao e Gonçalves eu travalhei no Oscar comercio con bar e gasolineiras isso jà à 54 anos tenho muitas saudades se alguem pode-me dar algumas noticias agradecia muito obrigado abraçosManuportugal@gmail.com

  12. Pertenci à Bateria de Artilharia BTR 523 como alferes miliciano. Estive destacado em Ambrizete e Mamarrosa ( fronteira no Norte ) , desde finais de 1972 a Jan 1974 . Perdi o contacto com todos os meus camaradas de armas …

  13. Boa tarde o meu pai procura amigos do tempo da tropa. Pertenceu ai Btr 523 de 1967 a 1969. José António Jorge de Oliveira. Se souberem de convívios avisem.

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