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Um quarto de milhão de visitas a este blog foi atingido ontem. Lançado em Abril de 2009 tem vindo paulatinamente a merecer a atenção de muitos ex-combatentes e também de gente mais jovem principalmente de angolanos que não viveram a guerra colonial mas querem conhecer a história do seu país.

Aos companheiros da C.Caç. 3413, lanço mais uma vez o desafio de aqui colocarem os seus comentários, artigos, opiniões, lembranças do tempo da guerra que vivemos. Felizmente, temos tido também a colaboração de outras unidades e com muita satisfação constatamos que este sítio tem também proporcionado encontros de companheiros que querem recordar o tempo da juventude que em consequência da guerra nos levou para África.

BEM HAJAM, todos os que fazem deste sítio um local de encontro e de convívio.

Mário Mendes

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Açorianos recordam guerra colonial

Lino de Freitas Fraga, corvino, que nasceu em 1944, escreveu recentemente o livro “Pátria porque nos abandonas? Sofrimentos de uma Guerra”

“Pátria porque nos abandonas? Sofrimentos de uma Guerra” é como se intitula o livro de Lino Freitas Fraga, que será apresentado hoje às 17h30 pelo professor Carlos Cordeiro, na Universidade dos Açores. Em entrevista à TSF-Açores, o corvino que nasceu em 1944 explica que o seu livro consiste em contar histórias de cerca de 27 “camaradas” que estiveram no Ultramar, assim como ele. O que é que o levou a escrever este livro e porquê agora? A gota de água que me enviou para a escrita deste livro surgiu numa conversa com um amigo meu, antigo camarada do Ultramar. Ele contou-me que um colega nosso se encontrava a viver lastimavelmente e decidi ir entrevistá-lo. Depois de ver as condições desumanas em que ele vive, porque não tem reforma e encontra-se completamente arrasado psicologicamente devido à guerra, comecei a procurar mais pessoas disponíveis para dar testemunhos, sendo que muitas delas preferiram o anonimato. Portanto, são relatos de quem esteve em África, na guerra, que regressando aos Açores se sentem abandonados, ou seja, por conta própria? O Estado não providencia qualquer tipo de ajuda? Completamente abandonados…O único político, depois do 25 deAbril, que ainda fez alguma coisa pelos militares, embora pouco, foi o Dr. Paulo Portas, dando uma pequena pensão anual no valor de cerca de 140 euros. Quando se fala destes heróis esquecidos e se fala nas cicatrizes de guerra, talvez as mais profundas são as que ficam na mente…Teve conhecimento deste tipo de problemas durante a recolha que fez? Sim, e estão alguns bem relatados no livro. Entrevistei pessoas que começaram a dar a entrevista completamente à vontade, que davam o nome e deixavam tirar fotografias para o mesmo, mas a meio da entrevista ficavam muito emocionados. Em regra como vivem ou sobrevivem essas pessoas? Alguns dos que entrevistei vivem bem devido às suas vidas profissionais, habilitações literárias e às reformas, mas outros que regressaram com a quarta classe e deixaram de poder trabalhar, ainda com a agravante dos traumas que foram aparecendo ao longo dos anos, estão a viver abaixo do linear da dignidade humana. A intenção do livro é mostrar às entidades públicas as tragédias familiares que existem. Os que vivem melhor são os que vieram deficientes das forças armadas; os que vivem pior são os que fisicamente estão bons mas com doenças do foro psiquiátrico. O Lino Fraga também esteve em Angola…Qual foi o cenário que lá viveu? Cheguei a Angola no dia 30 de Agosto de 1966, com 21 anos, já com dez meses de tropa. Cheguei a casa com 24 anos…Eu pertencia à Força Aérea e nós não íamos para o mato nem entrei em combates; o que fiz mais foi serviço burocrático e carregar bombas. Marcaram-me muito as coisas que vi e a que assisti…Impressionava-me ver gente mais ou menos da minha idade sem pernas e a gritar com dores. Não gritavam com medo… era mais raiva. Ao longo dessa sua estadia em Angola e depois dos depoimentos que foi recolhendo, que imagem pretende transmitir às pessoas destes tempos de Angola, Moçambique e Guiné? Ninguém imagina o que foi para as famílias portuguesas, neste caso açorianas, viver treze anos na angústia da guerra. Era uma vida complicada, tanto para os que iam como para os que ficavam e houve famílias de luto em todas as ilhas, talvez em todas as freguesias… No total da Guerra existiram mais de dez mil mortos e mais de trinta mil estropiados.

• Paulo Simões/Bruna Ferreira
2012-2-3 por Açoriano Oriental em http://www.acorianooriental.pt


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Os que ficaram para trás

O nosso companheiro José Rosa Sampaio, escreveu este artigo no Jornal de Monchique lembrando os seus conterrâneos que ficaram para trás e ainda hoje, apesar da louvável iniciativa da Liga dos Combatentes procurando repatriar os corpos dos militares que morreram em África, são ainda muitos aqueles que por lá estão sepultados, longe dos seus familiares, esquecidos em campas abandonadas.

Para que não se esqueça este período da nossa História, é necessário batalhar com a memória e a escrita, refere o autor.

Clique na imagem para aumentar o zoom.



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Quem vai à guerra

«Quem vai à guerra» revela uma visão feminina da guerra colonial

Passados 50 anos do início da guerra colonial em África (1961-1974), este ainda é um tema delicado que tem sido abordado sempre do ponto de vista masculino, dos ex-combatentes. Como se a guerra tivesse afectado exclusivamente os que a travaram. «Quem vai à Guerra» traz um outro relato. O das mulheres que também a viveram – quem ficou à espera do regresso, quem voluntariamente quis acompanhar e quem foi socorrer os soldados. O documentário, realizado por Marta Pessoa, estreou em Portugal, no dia 16 deste mês.

Marta Pessoa, que em 2009 mostrou num outro documentário – «Lisboa domiciliária» – a realidade dos idosos solitários nas casas antigas da capital, regressa agora com um filme sobre a guerra colonial vivida pelas mulheres.
O documentário estreou em Portugal no dia 16 deste mês e centra-se no papel das mulheres durante a Guerra Colonial, lembrando que além do sofrimento vivido por aqueles que nela combateram, houve outro, silencioso, sentido no feminino.
«Quem vai à Guerra» ” é um filme de guerra de uma geração, contado por quem ficou à espera, por quem quis voluntariamente ir ao lado e por quem foi socorrer os soldados às frentes de batalha. Um discurso feminino sobre a guerra”, lê-se na sinopse do documentário.
Sobre o filme, a realizadora lembra que entre 1961 e 1974, milhares de homens foram mobilizados e enviados para Angola, Moçambique e Guiné-Bissau “para combater numa longa e mal assumida guerra colonial”. “Passados 50 anos desde o seu início a guerra é, ainda hoje, um assunto delicado e hermético, apoiado por um discurso exclusivamente masculino, como se a guerra só aos ex-combatentes pertencesse e só a eles afectasse”, afirma, questionando se quando um país está em guerra, alguém ficará de fora. “Quem vai à Guerra é um filme de guerra de uma geração, contada por quem ficou à espera, por quem quis voluntariamente ir ao lado e por quem foi socorrer os soldados às frentes de batalha. Um discurso feminino sobre a guerra»”, destaca ainda.
O documentário recria em estúdio os testemunhos de várias mulheres, a partir dos objectos, fotografias e ambientes mais marcantes das suas memórias. O filme está em cartaz em Lisboa, no Cinema City Classic Alvalade, em Aveiro no Zon Lusomundo Fórum Aveiro e no Porto, no Zon Lusomundo Mar Shoping. O trailer pode ser visto em http://www.trailers.com.pt/quem-vai-a-guerra/

A.G.P.

NR: Quem vai à guerra… dá e leva. Foi o que aconteceu a John F. Kennedy quando foi a Dallas mas levou-as!


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Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial

O nosso amigo e companheiro de armas José Rosa Sampaio, convida todos os interessados a estarem presentes no lançamento da “Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial” que terá lugar no próximo dia 15 de Junho, quarta-feira, às 19 horas, no auditório da CIUL, Fórum Picoas Plaza, em Lisboa. Este nosso companheiro da C.Caç. 3413 é um dos intervenientes deste acto.

Este evento será antecedido do colóquio “Os Filhos da Guerra Colonial: pós-memória e representações” a realizar nas mesmas instalações nos dias 14 e 15 de Junho, cujo cartaz pode ver AQUI.

Estes são dois acontecimentos a não perder, para que a memória não nos atraiçoe.

Mário Mendes