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O 10 de Junho de 2013

UM LAMENTÁVEL DIA 10 DE JUNHO

12/10/13 “Mouros em terra, Moradores às armas!”

Brado que se ouvia nas terras portuguesas desde o tempo do Rei D. Afonso II

O país está esquizofrénico. A esquizofrenia – cabe aqui lembrar – é uma doença mental que afecta o ser no seu todo. Infere-se, pois, que o País está doente (e vai a caminho de ficar ligado à máquina).

Esta coisa de se comemorar o “Dia de Portugal” nunca teve grande brilho, nem foi devidamente organizada e sentida, apesar de já se terem ensaiado vários figurinos.

Foi sempre algo sem uma tradição bem fundada.

A razão maior – estamos em crer- tem a ver com o facto de não se haver determinado o dia em que devemos comemorar a nacionalidade, pois não há uma data fundacional definitiva.

Poderia ser o dia 24/6/1128, data em que o Condado se autonomizou “de facto”;[1]  o dia 25/7/1139, data em que Afonso Henriques foi alçado a Rei, na Batalha de Ourique; o dia 5/10/1143, data do Tratado de Zamora, que nos garantiu a independência da suserania regional, ou o dia 23/5/1179, data da Bula “Manifestis Probatum”, do Papa Alexandre III – a autoridade de Direito Internacional, da época – que reconhece a independência do reino de Portugal e o título de Rei a A. Henriques.

Noutra perspectiva pode-se considerar a data de 1 de Dezembro de 1640, em que se restaurou a completa independência da Nação e se aclamou um novo Rei, natural do reino, fundador de uma nova dinastia nacional.[2]

A ideia do dia 10 de Junho é de inspiração republicana e tomou forma aquando das comemorações do terceiro centenário da morte dessa grande figura lírica chamada Luís de Camões, que exaltou de uma maneira única e superior, a gesta histórica portuguesa.

Como se desconhece quando o poeta nasceu fixou-se a data do seu passamento. Não é que Camões não mereça a distinção – sendo de lamentar que, raramente, se refira a sua condição de soldado e combatente pela Fé e expanção portuguesa – mas as razões em que se fundou a homenagem, de luta política entre monárquicos e republicanos, não parece ter sido a mais feliz…

Mas, enfim, medrou o 10 de Junho como dia em que os portugueses passaram a comemorar serem portugueses!

E esta constitui, já, a segunda reflexão: como poderemos comemorar ser portugueses se, desde o Tratado de Maastricht, passámos a tentar deixar de o ser, para sermos uma coisa qualquer indefinida, que tem a ver com o ser “europeu” e desde há dois anos a esta parte, nos visita um triunvirato que manda a gente fazer coisas que os Filipes nunca se atreveram a mandar?

Por isso parece-me que devíamos ter posto a tónica nisto: o reganhar da independência e “armar-nos” para tal, sendo a alternativa estarmos de luto carregado, espiando os tremendos erros político – estratégicos (e morais), que fizemos nas últimas décadas e que uma nação antiga de 900 anos, jamais deveria ter feito ou deixado fazer.

E não devíamos tirar o luto até ganharmos juízo.

O PR passeia-se pelo País. Melhor fora que permanecesse em Lisboa.

Lisboa é a capital e só excepcionalmente as cerimónias a deviam abandonar. Todavia, em todas as cidades e vilas do antigo Reino se deveria festejar o dia que nos individualiza no concerto das Nações (agora mais “organizações”…).

Porém o que se passa é que o PR se passeia aleatoriamente pelo Continente e Ilhas, acompanhado pela sua Corte – o que nem sequer é barato – enquanto o resto do país vai a banhos ou encolhe os ombros. Há qualquer coisa de errado nisto…

O actual PR tem a seu crédito, ter recuperado as Forças Armadas para as cerimónias oficiais do 10 de Junho, de onde estiveram, inacreditavelmente, arredadas desde 1974 – uma prova insofismável do desvario em que caímos!

Contudo, a verdadeira homenagem aos combatentes mortos pela Pátria – sem o que Portugal não teria sobrevivido a 1128 – não é feita nas cerimónias oficiais do 10 de Junho, mas sim nos eventos junto ao monumento aos mortos do Ultramar, em Belém, organizados por um grupo de cidadãos e sem qualquer vínculo ou apoio do Estado.[3]  A única cerimónia genuína e sã, que agora se realiza.

Ou seja há dois 10 de Junho…[4]

Entre muitas coisas inacreditáveis que se passaram este ano, desde que na mesma semana se inaugurou uma avenida com o nome de um traidor à Pátria, até haver um condecorado com a Ordem da Liberdade, que atentou contra ela (liberdade), ocorreu um episódio que se pode considerar o cúmulo do surrealismo político-diplomático.

Ora meditem.

No dia em que os órgãos de soberania comemoram o dia do país que andam a alienar a estranhos, entre assobios e apupos de parte dos populares presentes – o respeito esvaiu-se, mas também ninguém que não se dê ao respeito, pode esperar ser respeitado – aterrou em Lisboa a “Presidenta” do Brasil.

Logo no dia em que se comemora um dos mais lídimos cultores da língua pátria, cai-nos em sorte um erro ortográfico…

Bom, independentemente dos brasileiros gostarem de alçar a presidente pessoas menos recomendáveis para o cargo – como parece ser o caso – o facto é que a senhora aparece entre nós com esse título, e a título oficial. E pela primeira vez depois de ser eleita.

Eis pois uma situação esdrúxula de todo: sabe-se à última da hora; o PR, o Governo, a AR, etc., estão todos em Elvas;[5]  a senhora em vez de ter o PR a recebê-la, tem o MNE; havendo a festividade maior do País, a Presidente do Brasil – e digamos que não será o mesmo que ter por cá a mais alta figura do Burkina Fasso – não comparece à mesma, uma gafe inexplicável e inconcebível, a todos os títulos!

E nem se digna colocar uma coroa de flores no túmulo de Camões, nos Jerónimos!

E não comparece em Elvas porquê? A pergunta é mais que pertinente e óbvia e parece que ninguém se incomodou com isso. Não foi convidada? Não quis ir? Foi tudo feito em cima do joelho? Não tinha tempo para ir?

Convenhamos que qualquer resposta é cada uma pior que a outra…

A piorar as coisas, Dona Dilma ainda resolve receber o ex-Presidente Mário Soares e o líder do principal partido da oposição, antes de se encontrar oficialmente com os PR e PM, à revelia do protocolo de Estado, quer nacional quer internacional, numa atitude de afronta inqualificável.

E a questão ainda se torna mais feia quando, aparentemente, a ex-revolucionária agora à frente de uma potência que virou capitalista, e a quem nunca se conheceu um gesto de simpatia por Portugal, fez um “tocar e andar” na Portela, para ir a uns saldos de empresas, que por cá se querem passar a trocos.

Tudo selado em brindes sem lustre, entre o lustroso luxo da Ajuda!

Pelos vistos estão todos bem uns para os outros.

Alienam tudo estes desgraçados políticos que nos calharam na rifa eleitoral, entremeados por “inoculações” de entidades estranhas ao país, que fazem o Cristóvão de Moura parecer um menino de coro!

É a EDP TAP, a RTP, a RDP, os CTT (!), etc., já falam na água – na água, ó pessoas da minha terra! Será que também vão querer que ponhamos as nossas mães e mulheres á venda?

Também estarão a pensar aderir ao “Banco de Sementes” que se anda a preparar em Bruxelas, e que a ir para a frente, constituirá um dos mais notáveis instrumentos de escravidão jamais inventado?

Infelizmente tudo o que descrevo dá bem o retrato em que caíu o nosso Portugal: uma verdadeira casa de passe política.

Não é bonito de se dizer e é, seguramente, desagradável de ouvir. Sem embargo, representa a mais cristalina das verdades.

Apetece dizer:

“Mouros em terra, moradores às armas”!

[1] Esta data tem a grande vantagem de ser o nosso “grito de liberdade”; tudo aquilo que se passou nas outras datas, limitou-se a reconhecer o que foi conseguido naquele dia. Aliás, só se reconhece o que já existe…
[2] Data, que é bom recordar, foi a escolhida para ser o nosso 1º feriado nacional, que o actual governo, em mais um acto de crime de lesa-Pátria, decidiu aleivosamente abolir. Uma acção miserável de bastardia política.
[3] O apoio prestado pelos Ramos das FA e GNR, não é prestado enquanto estruturas do Estado, mas sim como emanação da Nação em armas…
[4] Ponhamos as coisas em perspectiva: todos os portugueses são importantes; todas as profissões são úteis; todos os sectores da vida nacional concorrem, ou devem concorrer, para o engrandecimento da Nação, a harmonia e justiça social e o bem – estar da população. Mas se não houver compatriotas dispostos a lutar e morrer em defesa da comunidade, todo o esforço e obras dos restantes é vão; ou pode estar a um passo de o ser.
[5] Onde teria ficado bem uma palavra lembrando a portuguesíssima terra de Olivença, cativa de Espanha desde 1801.

 

João J. Brandão Ferreira

Oficial Piloto Aviador

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O “10 de Junho” de outros tempos

“O 10 de Junho”, visto por Miguel Silva Machado (pára-quedista militar)

Portugal é como sabemos um País dado a originalidades e onde não raras vezes, somos confrontados com situações difíceis de explicar pela falta de razoabilidade. Acontece em muitos aspectos da nossa vida como País e também na área “politico-militar”. Agora que se aproxima o “10 de Junho” vamos tentar explicar […] como aqui se chegou.

No período da Guerra do Ultramar, o “10 de Junho” era uma jornada de exaltação patriótica, militares e seus familiares eram homenageados. No período que antecedeu o 25 de Abril de 1974, a 10 de Junho, mais concretamente a partir de 1963 – dois anos depois do inicio da luta anti-subversiva em Angola –, realizava-se uma cerimónia militar, na Praça do Comércio / Terreiro do Paço, em Lisboa. Foi até 1973 o ponto alto das comemorações do Dia de Camões, de Portugal e da Raça, Feriado Nacional, e ocasião para homenagear os portugueses que combatiam em África. Esta enorme parada militar ficou na memória de muitos uma vez que ali se impunham condecorações por feitos em combate.

Às unidades que se haviam distinguido, aos militares de todas as patentes quer aqueles que cumpriam o serviço militar obrigatório quer os dos quadros permanentes e aos familiares daqueles que morrendo no campo de batalha, recebiam as distinções a título póstumo. Doloroso para uns, motivador para outros, era um dia de exaltação patriótica. Semelhante aliás ao que a generalidade dos países fazem, não faltando exemplos do reconhecimento público àqueles que combatem pelo seu país e aos seus familiares.

Para aqueles que julgam ser isso coisa do passado ou de países atrasados, recorda-se que depois do casamento do neto da Rainha de Inglaterra, em Abril de 2011, a sua mulher, foi colocar o bouquet de flores que havia usado na cerimónia, no túmulo ao Soldado Desconhecido. Aqueles que morrem em operações ao serviço do seu país, não devem, não podem, ser confundidos com regimes ou simpatias partidárias. Aqueles que caíram no antigo Ultramar Português, bem assim como os que depois de 1991 morreram em países estrangeiros nas novas missões das Forças Armadas Portuguesas, eles e as suas Famílias, de todos, merecem público reconhecimento. Estavam lá em nome de Portugal.


Os feitos em combate na defesa do Ultramar, eram lembrados anualmente.

Cerimónia Militar do 10 de Junho em Lisboa.

Depois de Abril de 1974, a identificação do “10 de Junho” com a guerra em África levou os novos governantes (militares e civis) a cancelar a cerimónia militar, e as comemorações do “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas” (designação oficial desde 1978), foram “desmilitarizadas”. Sendo o 10 de Junho a data da morte de Camões, embora este fosse apelidado de “defensor do colonialismo” por alguns, ainda assim, com a normalização política que se ia verificando, o seu nome foi mantido.

[…]Miguel Silva Machado <mmachado@operacional.pt>

07 de Junho de 2011


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10 de junho de 2011

Este ano as comemorações do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas tiveram lugar na cidade de Castelo Branco e começaram no dia 9 com a deposição de uma coroa de flores junto da estátua do Dr. João Rodrigues (Amato Lusitano, 1511 a 1568) por parte do Presidente da República.

Amato Lusitano, nasceu em Castelo Branco, estudou medicina em Salamanca, mas por ser judeu foi perseguido em Portugal e fez carreira em Itália, sendo considerado um dos maiores vultos da medicina do século XVI. Também em Itália, por prosseguir a religião hebraica acabou por ser perseguido e foi para a Grécia, tendo falecido em Salónica.

Aqui vai um pequeno vídeo com algum equipamento militar exposto, do qual destaco o caça de combate F16, o carro de combate Leopard 2 A6, a viatura blindada de transporte de pessoal Pandur II 8×8, o helicóptero Alouette III  equipado com canhão de 20 mm, a viatura blindada ligeira Panhard M11 e um veículo de comunicações de fazer inveja aqueles que utilizaram o Racal na década de 70.

O ponto alto das cerimónias foi o desfile do 10 de junho que podem ver a seguir:

Mário Mendes


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Extinção de feriados

Corre nos meios políticos uma ideia para reduzir os feriados em Portugal, como se isso fosse a panaceia para enfrentar os problemas que o país atravessa, como a fraca produtividade ou o défice das contas públicas. A associação de comandos já se manifestou sobre este assunto, pois dois dos feriados na calha para abater ao efectivo, são o 10 de Junho e o 1 de Dezembro. Clique AQUI.

O 10 de Junho é o dia de Portugal, todos os países têm o seu dia. Sabemos que o poder político tem esquecido os ex-combatentes, que só são lembrados precisamente nesse dia, mas pelos vistos querem-nos esquecer definitivamente. A geração mais nova não sabe o que foi a guerra do Ultramar e os ex-combatentes na casa dos 60/70 anos estão também em vias de extinção, mas um país que quer esquecer o seu passado não terá com certeza grande futuro. O 1 de Dezembro também não é “culpado” de nada. Talvez muitos preferissem ser uma província de Espanha, mas não culpem a história pelo nosso atraso, mas sim os políticos que nos têm governado.

Não é por termos mais 2 ou 3 feriados que alguns países europeus que a nossa economia está neste estado. O que ouvimos dizer aos responsáveis da governação, aos antigos e aos novos é que é preciso cortar, diminuir, suprimir, muitos dizem que o estado tem muita “gordura”, mas o que é um facto é que quase todos eles se alimentam dessa “gordura”. Prémios e outras “alcavalas” de gestores públicos, pensões e reformas graúdas, em duplicado e triplicado, etc, etc…

Não arranjem desculpas para o insucesso da governação, não culpem os feriados. Alguém está a imaginar a França a suprimir os feriados de 14 de Julho ou 8 de Maio?

Em Outubro, o mês da esmola para os ex-combatentes, iremos verificar se os cerca de 10 € mensais da mesma, entram também no saque fiscal que está a assolar o país.

Mário Mendes


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Beira Baixa – Mortos na GC

Durante a guerra colonial (1961 a 1974), foram 302 os jovens naturais da província da Beira Baixa que morreram nestes conflitos. Há uma canção que diz “Eu nasci na Beira, sou homem pequeno, sou como o granito, bem rijo e moreno”, mas estes jovens foram grandes heróis que deram a própria vida para defender a Pátria.

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Os ex-combatentes continuam “esquecidos”, só são lembrados nos “10 de Junho”, apenas lembranças porque nem sequer aquele tempo em que lutaram pela Pátria lhes conta para efeitos de reforma. Os que requereram esse tempo tiveram que pagar.  Mas não esqueçamos que há também aqueles que “ficaram para trás” cujos corpos continuam sepultados em  terras de África onde perderam a vida e nunca foram justamente homenageados. Da lista acima referida, são 52 os que não voltaram, naturais dos seguintes concelhos:

Belmonte (2), Castelo Branco (9), Covilhã (8), Fundão (8), Idanha-a-Nova (10), Oleiros (1), Penamacor (6), Proença-a-Nova (2), Sertã (5) e Vila Velha de Ródão (1).

Não voltaram porque as famílias não tinham dinheiro para realizar a trasladação dos seus restos mortais, porque o mais incrível é que nos primeiros anos de guerra tinham que ser elas a pagar esse serviço. E hoje, passados tantos  anos porque ainda não se fez essa justiça?

O Movimento Cívico de Antigos Combatentes entregou no dia 22 de Janeiro de 2009 uma petição na Assembleia da República com 12 mil assinaturas para,  até 2012, trasladar os corpos dos militares portugueses mortos na guerra colonial, aqueles que as respectivas famílias assim o desejarem.

Na petição lê-se que o único objectivo é “conseguir que, até 10 de Junho de 2012, os restos mortais dos militares que morreram em combate pela Pátria e ainda lá se encontram, desprezados e abandonados, regressem finalmente a Portugal”.

Esta petição foi debatida na AR no dia 3 de Junho de 2009:

http://www.dailymotion.com/video/x9mszr_o-regresso-dos-mortos-e-abandonados_news

Mário Mendes