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38 anos de democracia

38 anos passados, a democracia portuguesa com altos e baixos vai fazendo pela vida porque os democratas não vão permitir que murchem os cravos de Abril.

Este ano, alguns “desertaram” das comemorações alegando que o “espírito de Abril” já não está presente na sociedade portuguesa.

Vivemos tempos difíceis é certo, mas não vale a pena atirar pedras, porque todos os que têm estado ao leme deste país têm culpas no cartório pela situação a que chegamos.

Agora, temos é que unir esforços para ultrapassar esta difícil situação, porque desistir do 25 de Abril é que não pode ser.

Não compreendo que aqueles que contribuíram para que esta data seja tão importante para os portugueses, sejam os primeiros a “desertar” e muito menos que aquele a que chamam de “pai” da democracia lhes siga a peugada.

Já ouvimos o Otelo, “cérebro” da revolução proclamar que está na hora de outra, será que os membros da Associação 25 de Abril já estão a “limpar as armas”? Meus senhores, não falem em nome do povo para esconder a filosofia corporativa que vos une. Agora está mais claro que o 25 de Abril de 1974 teve primeiramente como móbil a recusa da partilha do protagonismo militar entre os de “carreira” e os “milicianos” que os primeiros não aceitaram de bom grado. E agora, os sacrifícios têm que ser para todos, a força das armas já não deve contar, porque em democracia a arma do povo é o voto!

Quanto à falta de comparência do ex-presidente Mário Soares, a minha surpresa é ainda maior. Custa ao erário público um milhão de euros por ano o facto de ter direito a carro, motorista e duas secretárias e qual é a moralidade de voltar costas a este 25 de Abril?

VIVA a LIBERDADE, VIVA o 25 de ABRIL.

Mário Mendes


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100 anos de República

5 de Outubro de 1910 – Um golpe de Estado organizado pelo Partido Republicano Português destituiu a Monarquia Constitucional e implantou um regime republicano.

A subjugação do país aos interesses coloniais britânicos, os gastos da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores), a ditadura de João Franco, a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e se adaptar à modernidade — tudo contribuiu para um inexorável processo de erosão da monarquia portuguesa do qual os defensores da república, particularmente o Partido Republicano, souberam tirar o melhor proveito. Por contraponto, a república apresentava-se como a única capaz de devolver ao país o prestígio perdido e colocar Portugal na senda do progresso.

Foi com este propósito que se iniciou em Portugal a I República que iria durar até 1926. Caracterizou-se por uma enorme instabilidade devido a divergências internas entre os mesmos republicanos que originaram a revolução do 5 de Outubro de 1910. Durante estes 16 anos houve 7 parlamentos, 8 presidentes da república e 45 governos.

A 28 de Maio de 1926, um pronunciamento militar comandado pelo general Gomes da Costa, pôs termo à I República levando à implantação da auto-denominada ditadura nacional, depois transformada, após a aprovação da Constituição de 1933, em Estado Novo. Neste período emerge a figura de António Oliveira Salazar, que logo em Junho de 1926 toma posse do cargo de ministro das Finanças. Passados  13 dias renuncia ao cargo por não lhe darem as condições que achava indispensáveis ao seu exercício. Em 27 de Abril de 1928, após a eleição do Marechal Carmona como Presidente da República e na sequência do fracasso do seu antecessor em conseguir um avultado empréstimo externo com vista ao equilíbrio das contas públicas, reassumiu a pasta, mas exigindo o controlo sobre as despesas e receitas de todos os ministérios. Satisfeita a exigência, impôs forte austeridade e rigoroso controlo de contas, conseguindo um superavit, um “milagre” nas finanças públicas logo no exercício económico de 1928-29. Em 1932 é nomeado Presidente do Conselho de Ministros, cargo que detém até 1968. Portugal torna-se numa ditadura antiliberal e anticomunista, que se orienta segundo os princípios conservadores autoritários: Deus, Pátria e Família.

Com Salazar doente e incapacitado de dirigir o país, sucede-lhe em 1968 Marcelo Caetano que operou uma certa modernização económica e social e uma liberalização política moderada, criando a expectativa de uma verdadeira reforma do regime em Portugal, especialmente no que se refere à política ultramarina, que não chegou a acontecer. Este período de expectativa foi designado por Primavera Marcelista.

E finalmente chegou o 25 de Abril de 1974, que terminou de vez com o Estado Novo e deu início à III República. Este golpe militar foi designado como revolução dos cravos. Foi criada a Junta de Salvação Nacional, responsável pela nomeação do presidente da república, pelo programa do governo provisório e sua orgânica. O General António de Spínola foi nomeado presidente da república e este por sua vez escolheu Adelino da Palma Carlos para primeiro ministro. Seguiu-se um período de grande agitação social, política e militar conhecido como PREC (Processo Revolucionário em Curso), marcado por manifestações, ocupações, governos provisórios, nacionalizações, e confrontos militares, apenas terminado com uma tentativa de golpe de Estado fracassada a 25 de Novembro de 1975. As primeiras eleições legislativas da nova república aconteceram a 25 de Abril de 1976. No decorrer desta III República aconteceram alguns factos dignos de registo, sendo de realçar a adesão de Portugal à CEE (Comunidade Económica Europeia) em 1986 e a entrada no seio da moeda única europeia(euro) em 2002.

É este, de forma sintética o percurso dos 100 anos da República de Portugal (fonte: wikipédia) e depois de tantos anos de promessas de vida melhor para todos, porque república deriva da frase latina “res publica” que significa literalmente a “coisa do povo” que podem os portugueses esperar do futuro?

O que temos vindo a assistir é que a “res publica” é cada vez menos do povo mas sim de uma elite que não para de enriquecer à custa desse povo. Este povo manso (manso é a tua tia pá …) que se resigna, que quanto mais lhe dão no toutiço mais ele se agacha e assim se conforma com o seu triste fado.

Não tarda muito, aí teremos os suspeitos do costume, os de sempre, prometer que agora é que é, Portugal vai vencer a crise onde nos meteram e vai finalmente ser um país de progresso.

Eu que em Setembro passado votei nas maravilhas de Portugal, não me peçam que vote nas desgraças de Portugal. Isso, nunca mais. É tempo de uma nova revolução de mentalidades que dê início à IV República.

Mário Mendes

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu’rer um mundo novo a sério.

António Aleixo


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Mais um 25 de Abril

E já vão 36. Nesse dia de 1974, quando estava a sair de casa para o trabalho, ouvi na rádio da casa de um vizinho o Hino Nacional, estranhei que aquela hora se ouvisse a Portuguesa, mas lá segui para o meu labor diário.

Ali chegado, já todos comentavam os acontecimentos daquela madrugada e rejubilei de contentamento porque uma nova era iria começar no nosso país. Recém regressado da guerra em África onde tantos jovens hipotecaram dois anos da sua vida, abria-se agora um futuro mais risonho de solidariedade, igualdade e fraternidade como apregoava a canção do Zeca Afonso “Grândola, Vila Morena”.

Um dos principais objectivos do 25 de Abril foi o de terminar com a guerra no Ultramar que militarmente não tinha fim à vista e era contra natura que Portugal se desse ao luxo de possuir territórios em África quando há muito tempo todas as potências europeias já tinham resolvido esse problema.

A descolonização que se seguiu foi no entanto de tal modo apressada e mal organizada que os portugueses que estavam em África depressa se aperceberam que o seu estatuto de “brancos” os tornava “persona non grata” e por conseguinte tiveram que fugir para Portugal deixando tudo para trás e regressando ao seu país onde lhes foi colocado o rótulo de “retornados”, tendo sido criado um instituto de nome IARN (Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais), destinado a  dar-lhes apoio na sua integração na sociedade portuguesa, integração que foi sendo feita paulatinamente. Sabemos quem foram os responsáveis da desmanda que foi esta descolonização, mas não posso deixar de referir o principal deles, Rosa Coutinho, papel bem patente nesta carta dirigida ao presidente do MPLA, que pode ser lida AQUI.

Terminada a guerra sabíamos que a grande tarefa era a construção de um Portugal democrático, desenvolvido como os seus pares europeus, mas à medida que os anos vão passando esse desiderato é cada vez mais um sonho…

Nas primeiras comemorações do 25 de Abril e 1 de Maio não faltavam os slogans “25 de Abril, SEMPRE” mas  Deus nos livre que este “status quo” seja para manter para sempre. Os valores que se apregoavam, da solidariedade, liberdade, igualdade de oportunidades, justiça social, são hoje palavras vãs.

É certo que temos liberdade de expressão como não tínhamos antes, a censura institucionalizada foi banida, não temos Pide a cada esquina escrutinando cada movimento, mas também é certo que quem se arriscar a desafiar os vários poderes, terá certamente alguém a querer “fazer-lhe a folha”.

As desigualdades são cada vez mais gritantes, a corrupção cresce assustadoramente a tal ponto de não haver negócio público que não traga associado algum esquema menos transparente, e ninguém pode atirar pedras porque todos têm telhados de vidro.

Fala-se muito dos prémios e bónus que os gestores públicos auferem, que são um verdadeiro escândalo mas alguém ousa pôr-lhes termo? Não, porque os políticos de hoje serão os futuros gestores públicos!

Ouvir dizer ao presidente da EDP, todo empertigado, que em Portugal se penaliza o sucesso, que recebeu 3,1 milhões de euros porque superou os objectivos, mas eu digo que é um atentado contra a honestidade de quem trabalha. E os trabalhadores da empresa que o ajudaram a conseguir os objectivos, que receberam em troca? Uma empresa que tem monopólio, que vende aos portugueses aquilo que eles têm que comprar porque não há alternativas, não pode ufanar-se de tamanho sucesso, seja ele o “Mexia” ou outro qualquer a “mexer” naquele negócio.

Não foi este o 25 de Abril que naquela manhã de 1974 encheu de esperança todo o povo português. Volta a estar na moda a cantiga do Zeca Afonso, “Eles comem tudo e não deixam nada”. Até quando?

Há sempre alguém que se revolta, há sempre alguém que diz NÃO. Vejam o vídeo seguinte, pode ser que em Portugal alguém que os “tenha no sítio” seja capaz de fazer o mesmo.

Mário Mendes


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O 25 de Abril

O 25 de Abril

Já lá vão 35 anos de revolução dos cravos …

Para quem tinha acabado de regressar de África depois da prestação de serviço militar em defesa da Pátria como nos fizeram crer, aquela data representava uma certeza de que mais nenhum militar iria para a guerra, porque agora a guerra era outra, a do desenvolvimento do país que esteve “orgulhosamente só” durante décadas, e o grande objectivo era acabar com as desigualdades sociais e a pobreza que grassava, de modo a colocar o país na senda do progresso que invejávamos da Europa.

Nesse tempo vivemos um sentimento de esperança no futuro e tentámos esquecer aquele período passado em África onde deixamos sangue, suor e lágrimas, esforço que agora era desbaratado como já se previra há muito tempo.

Hoje, verificamos que estes objectivos estão bem longe de serem cumpridos, continuamos neste cantinho à beira-mar plantado, mas bem na cauda da Europa. Talvez sejam necessários mais 35 anos ou não! Outra revolução, talvez!

O agradecimento que tivemos, foi que alguns receberam louvores, condecorações e medalhas pelos feitos praticados, mas para quem tem esses “títulos” de que lhes têm servido? Eu também tenho uma certidão que comprova que “estive lá” como certamente todos os outros. Ao menos este documento poderia servir-me para ter desconto na compra do bacalhau, sim que o “bacalhau a pataco” era de outro tempo, agora está pela hora da morte…

Mas não, serviu-me apenas para a contagem de tempo, que tive de pagar com língua de palmo (desde Abril de 1988 paguei em prestações de 60 meses, 64.375$00). Portanto nada nos foi dado, nenhum governo se lembrou de nós, e quando se começou a falar de stress pós-traumático ainda julguei que  possibilitassem aos ex-combatentes a reforma aos 55 anos (tem lógica, porque 2 anos em teatro de guerra equivalem a 10 anos em situação normal, assim o dizem os entendidos).

O que recebi até hoje foi uma “esmola” de 150€, nada de confusões,  é anual,  benefício previsto na Lei nº 3/2009, de 13 de Janeiro, mas atenção que esta só é atribuída quando o ex-combatente já estiver reformado/aposentado, como é o meu caso. Não deixei de trabalhar  por gosto, porque fui penalizado em dois anos (9%), mas como a única coisa que  o governo se entreteve a fazer na primeira metade da legislatura foi produzir uma diarreia de decretos a “malhar” no funcionalismo público, não tive outro remédio, sim porque as costas já sofrem o suficiente, e não precisam de mais “malhação”.

Ora, aqui está o meu certificado de presença na guerra. Também nunca me serviu para nada, nem para ser promovido, mas agora com as “Novas Oportunidades” talvez tenha o seu valor. Afinal um curso  intensivo de 2 anos que valem 4, é uma licenciatura!

(Mário Mendes)

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