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Fronteira do Luvo

 Para aqueles que estiveram no aquartelamento do Luvo, aqui publico com a devida vénia, dois comentários muito interessantes da autoria do ex-alferes miliciano José Castilho, do Batalhão de Caçadores 3849 (1971-1973), sediado em Nóqui, norte de Angola. Este batalhão embarcou no navio Vera Cruz, tal como a C.Caç. 3413, no dia 31 de Julho de 1971, tendo chegado a Luanda a 9 de Agosto de 1971.

 José Castilho, em Março 25, 2011, disse:

A fronteira do Luvo…

Na linha de fronteira norte de Angola, entre Noqui e São Salvador, hoje Mbanza Congo, este posto fronteiriço surgia-nos dotado, com os meios necessários para desempenhar o seu papel. Autoridades civis, militarizadas e o apoio de um destacamento das Compªs da zona – Canga, normalmente. Hoje pelo que se lê aqui e acolá, a fronteira do Luvo continua a desempenhar o seu papel, reflectindo o movimento na mesma, o degelo ou o crispar das relações angolanas com os vizinhos congoleses. O Rio Luvo, sobre o qual se estende uma ponte que liga as duas margens, é testemunha do modo como evoluem as relações entre os dois países. A pág. 200, do seu livro As Brumas do Mato, em 1968/70, o então Alf Milº Capelão Leal Fernandes, do BCaç 1930, descreve a curiosa fronteira… «Durante o dia, de um posto avançado de vigilância, dominavam-se paisagens de Angola e da então Rep. do Zaire . E se aparentemente o Rio Luvo dividia, a passarinhada em manhãs alegres, o sol tudo inundando e o céu, grande e vasto, por cúpula, não consideravam fronteiras nem limites. A ponte de ferro sobre o rio, apesar das minas a espreitar na picada das bandas do Zaire, sugeria um convite permanente a um abraço fraterno e amigo com o exército e a população do Zaire. Da banda de lá, também a uns 300 metros da ponte se levantava um posto fronteiriço zairense. De lá, vinham frequentemente vozes, o toque do içar da bandeira, a passagem rápida de vultos. Embora não havendo relações diplomáticas com o Zaire, devido à intransigência da política colonial do regime de então, a nossa guerra não era com o exército congolês. Com uma fronteira tão extensa na área do Batalhão, delimitada por rios ou mesmo sem uma linha certa e definida, tornava-se quase natural, consciente ou inconscientemente, que surgissem incursões amigáveis ou aventuras juvenis». E prossegue o Alf Milº Leal Fernandes, « o pelotão, já esgotara quase a ração de combate, e então nas lavras das bandas do Congo, grossos cachos de bananas espreitavam por entre o verde da folhagem, numa oferta fácil e tentadora». Mais adiante, continua … «Alguns despimo-nos para atravessar o rio. Eu ia completamente nú», refere um dos militares. E segue, «Estavam já quase a chegar às bananeiras quando depararam com uns homens de cor, sentados, a limpar calmamente as suas armas. Não seriam nacionalistas angolanos, nem tropa zairense, mas possivelmente guardas. Ao avistá-los, seguiu-se logo uma correria cautelosa e tensa de regresso, não fosse ali armar-se alguma escaramuça de tiro e pancadaria ou um insidioso conflito diplomático». As proximidades da fronteira, geravam destas situações. Também na minha primeira saída pelos morros de Noqui, em direcção à fronteira, com um GC misto, com militares dos Morteiros já com a comissão avançada e alguns Sapadores, encontrámos 3 ou 4 mulheres zairenses, que agricultavam umas lavras em frente às antenas da Marconi, e que em francês, lá lhes conseguimos acalmar os receios e as conseguimos encaminhar de retorno à Repª do Zaire. Nem sei se cheguei a mencionar esse facto no relatório do patrulhamento. Às vezes aconteciam factos, em que o bom senso deveria ser a regra. Era o caso. Castilho

 José Castilho, em Maio 18, 2011, disse:

Companheiros de jornada Noqui: confesso que de vez em quando folheio o livro Angola – As Brumas do Mato, do Alf. Milº Capelão do BCaç 1930, Leal Fernandes, onde surgem “estórias” do diabo, só totalmente entendíveis por quem passou por aquelas paragens e viveu aquelas ou outras experiências semelhantes. Para mim uma das mais fascinantes, surge a pág,s 189 seguintes e intitula-se : sou o Pereira de Matadi! Vou tentar resumir, mantendo o colorido do insólito, esta “estória”, que se terá passado no aquartelamento do Luvo, mas poderia ser quase o argumento para um sketch dos Monty Python. O Aquartelamento ficava quase em cima da fronteira com a então Repª do Zaire, e a separação entre os dois países, era feita pelo Rio Luvo, que uma ponte atravessava. A cerca de 300 metros desta ponte, situar-se-iam quer do lado angolano quer do zairense, postos de vigilância. E de ambos os lados, Minas mais ou menos enferrujadas as do lado zairense, que transformariam uma incauta entrada naquele território, sem prestar atenção às mesmas, sobretudo de noite, numa perigosa “roleta russa”! O Luvo, era um posto fronteiriço, com serviços mínimos de Administração, Alfândega e Pide, além de uma unidade militar, naqueles anos, e estamos em finais dos anos 60, ao nível de uma Compª Oper. do BCaç 1930, com sede na Mamarrosa, em regime de rotatividade. Do lado de lá da fronteira, na Repª do Zaire, estariam muitos angolanos para ali fugidos quando da “confusão” de 1961, como os naturais diziam. E alguns deles, quase uma década depois, ansiavam por furtar-se ao controlo que a FNLA sobre eles exercia e ansiavam regressar ao seu espaço, à sua lavra, ao seu lugar de origem. A acção psicológica das autoridades militares, também contribuía para este objectivo. Daí as pontuais apresentações que por vezes se verificavam junto das unidades militares sediadas junto da fronteira. Mais tarde, com o BCaç 3849 sediado em Noqui, sucederia o mesmo. Situemo-nos porém nas palavras de Leal Fernandes e no colorido da sua descrição.(…)« Daquela vez, num domingo, em meados de Julho de 1968, na altura da mudança da Compª 1783 para o Luvo, foi um pacato cidadão. Atravessou a ponte de ferro sobre o Rio, enfiou pelo capim e cerca das 2 horas da manhã, sem que as sentinelas se apercebessem, devido talvez a um estranho manto escuro da noite, momentâneo descuido na vigilância e excessiva cautela do intruso, furou através do arame farpado que envolvia o aquartelamento e entrou. O facto é insólito, pois que a vigilância nocturna ou diurna nas várias companhias do Batalhão, eram apertadas, mas no melhor pano cai a nódoa, diz a sabedoria popular (…)».Retornemos à narrativa de Leal Fernandes, (…)« Lá dentro, na extensa parada solitária e nocturna, para todos os lados que olhasse, a mesma negrura e solidão, ninguém que o atendesse.(…)». E prossegue,(…)« foi bater à casa-posto da PSP, onde residia um subchefe e um soldado da guarda,(…)». E prossegue,(…)« Sem vir à porta, visto a hora não se prestar para divagações inúteis e pensando que se tratasse dalguma sentinela carregada de insónias ou sob o efeito de traumática tensão bélica, o subchefe gritou-lhe lá de dentro, a fim de o despachar: – Não me esteja a chatear. Vá lá para o posto, para o pé dos seus camaradas, que se o capitão sabe, ainda arranja sarilhos (…)». Portanto o suposto apresentado falhava a sua primeira tentativa de apresentação.E segue (…) «Desiludido, parada deserta, portas e janelas fechadas, teria então entrado numa caserna e acende a luz. Incomodada, a tropa portuguesa, de olhos adormecidos, julgando ser algum nativo que vivia no aquartelamento, manda-o sair e apagar a luz. Perante uma demorada indecisão para a saída, palavrões e botas teriam voado pelo ar, numa ameaça agressiva contra o inoportuno (…).» Raio de sorte a minha, que não encontro ninguém a quem apresentar-me, terá pensado o infeliz visitante. Retornemos à descrição de Leal Fernandes, (…) «De novo, desamparado e perdido na mudez e no frio da noite, envolveu-se num lençol, (…) e sentou-se nos degraus da capela, à espera da manhã e de uma palavra acolhedora e amiga (…).» Passa por ele o sargento da ronda, mas aquelas horas desusadas, imaginou que, (…) «fosse o Manuel Afonso ou o seu sobrinho, naturais de São Salvador do Congo e que, há já alguns meses, ganhavam a vida no aquartelamento (…)» e terá atirado uma interrogação, (…)« Ó Manuel Afonso, que estás aí a fazer, e seguiu adiante com um olhar rápido e oblíquo, prosseguindo a sua ronda pelos postos de sentinela restantes(…).» Isto é, falhara a terceira tentativa de apresentação. A noite vai passando e, (…)« Pouco antes das 6 horas da manhã, quase à hora do toque de alvorada, com a vida já a despertar no aquartelamento, o vulto envolvido no lençol, vendo que ninguém lhe ligava, agarrou-se à sineta da capela. Estranhando o lençol branco sobre o corpo – seria um muçulmano? Um feiticeiro? Um fanático de uma exótica seita africana? – e também aquele toque a uma hora não habitual para cerimónias litúrgicas na vida militar do mato, o sargento de ronda, o Fur. Milº(?),naquele seu característico aspecto mexido e grande humor espontâneo, lança-lhe de longe: – Que religião é a tua para estares aí a tocar a uma hora destas? – Sou o Pereira e venho de Matadi (…)» Escapara às passagens da ronda e enrolado num lençol, aguardara pela manhã. Não era definitivamente quem estes supunham. (…)« Era um homem novo e baixo, só ossos, carregado de fome e de pobreza. Entregue à autoridade militar e à Pide, foi interrogado (…).» Em jeito de confissão, (…)« Pertencera à UPA, transformada depois em na FNLA. Combatera em Angola… Participara em ataques e emboscadas à tropa portuguesa, mas – afirmava ele – nunca matara ninguém. Vivia em Matadi, quase em frente de Noqui, na margem esquerda do Rio Zaire e vinha entregar-se.(…)». Eis uma das muitas histórias que torna aliciante a leitura do livro do Alf. Milº Capelão Leal Fernandes, que sintetiza, (…) «O Pereira ,de Matadi, era um pacífico cidadão. Se ele quisesse ter sido guerrilheiro, praticar vandalismo e dezenas de mortos, bastava-lhe ter lançado umas granadas para dentro das casernas e fugir imediatamente…Mas não, a sua intenção não era destruir, nem matar…Farto da guerra e de vida no Zaire, queria regressar e entregar-se. Seria o desejo de cultivar a sua lavra abandonada? Reconhecer o lugar da sua antiga cubata? Saborear a sombra e o fruto das suas mangueiras? Rever familiares e amigos em São Salvador ou em Luanda? Para já, a sua guerra era por um pedaço de pão (…)». Castilho.

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Ainda não é o fim da picada!

Viaturas pesadas e ligeiras enfrentam grandes dificuldades para circular na estrada

Fotografia: Arimateia Baptista|Lubango

A estrada que liga a vila piscatória do Nzeto à comuna da Musserra, um percurso de 50 quilómetros, em terra batida, na província do Zaire, está a degradar-se dia após dia, em consequência das chuvas torrenciais que caem sobre a região. A via tem enormes buracos que estão a dificultar a vida dos automobilistas que transportam pessoas e mercadorias.
Os automobilistas reclamam uma intervenção urgente para normalizar o trânsito. Nos últimos dias os motoristas encontram tantas dificuldades que acabam por pernoitar na estrada, porque as viaturas ficam atoladas nos lamaçais ou caem nos buracos.
Preocupado com a situação, o governador provincial do Zaire, Joanes André, visitou a via para se inteirar das dificuldades e definir, com a empreiteira encarregada das obras de, a forma de inverter o quadro.No encontro com os responsáveis da construtora, o governador pediu celeridade nos trabalhos de manutenção para facilitar a circulação de pessoas e bens.
O governador do Zaire referiu ser necessário efectuar obras de manutenção na estrada entre o Nzeto e o Soyo, onde decorre a construção de pontes e valas de drenagem das águas pluviais.  Face às dificuldades, Joanes André garantiu às populações que estão a ser desenvolvidos esforço para se ultrapassar o impasse.
O responsável da construtora explicou ao Jornal de Angola que os trabalhos de construção na estrada decorrem dentro do possível. Mas as chuvas constantes que caem na região impedem mais avanços. Na estrada entre o Caxito e o Nzeto, a construtora já asfaltou 60 quilómetros, a partir da comuna da Musserra em direcção a Luanda.

Jornal de Angola (28/01/2013)

NR: Já vimos este filme há 40 anos. Tenho bem presente uma noite em que ficamos retidos na picada entre S. Salvador do Congo e a Mamarrosa, porque a camioneta civil da firma Salvador Beltrão que escoltávamos não conseguiu superar uma íngreme  subida devido ao lamaçal em que se tornou a picada. Só de madrugada conseguimos levantar “ferro”.

Mário Mendes


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Luvo, última fronteira


Quem em 1973, do lado da República do Zaire, agora denominada República Democrática do Congo entrasse em Angola através da ponte sobre o rio Luvo que dividia os dois países, deparava-se com esta barreira onde o escudo com as 5 quinas de Portugal significava para os forasteiros que estavam em território nacional e por isso era necessário proceder às burocracias alfandegárias e de segurança e para os trâmites apropriados, a Guarda Fiscal e a DGS (Direcção Geral de Segurança) que até 1969 se chamou PIDE (Policia Internacional de Defesa do Estado) estavam presentes no Luvo.

Ali, Portugal já fez fronteira com a Bélgica entre 1908 e 1960, período de tempo em que administrou este território africano e depois com a República do Congo, nome adoptado quando da independência em 30 de Junho de 1960, nome a que em 1964 se acrescentou o adjectivo “Democrática”. Em 1971, sob o comando de Mobutu Sese Seko o país passou a designar-se por República do Zaire e à capital foi mudado o nome de Leopoldville para Kinshasa. Nos últimos dois anos têm sido muitos milhares os angolanos refugiados na RDCongo que passaram neste local expulsos daquele país.

A C.Caç. 3413 que em 1972 e 1973 esteve nestas paragens, que na época era um local isolado do mundo, onde não havia nem entradas nem saídas nesta fronteira, temos hoje consciência da importância que este local já teve e tem na actualidade.

Hoje, já não temos que defender fronteiras a milhares de quilómetros de distância, estamos confinados a um pequeno território, como nos tempos da fundação da nacionalidade, mas esta “pequenez” não nos inibiu de sermos respeitados e admirados no mundo.

Agora, estamos outra vez na boca do mundo, mas por razões que não nos orgulham, estamos de mão estendida à caridade, não somos capazes de tomar conta do nosso futuro, os capitais estrangeiros “invadem” a nossa economia, vendemos os anéis que ainda nos restam e ironia do destino, estamos a tornar-nos “colónia” de um país africano que já foi “nosso”. Voltou-se o feitiço contra o feiticeiro!

Mário Mendes


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O asfalto já chega ao Luvo

Inaugurado troço M’banza Kongo/Luvo 

 M’banza Kongo – O troço que liga a cidade de M’banza Kongo à comuna fronteiriça do Luvo, numa extensão de 60 quilómetros, foi inaugurado segunda-feira pelo ministro da Construção e Obras Públicas, Fernando Fonseca.

A empreitada da reabilitação desta via rodoviária, que custou cerca de 95 milhões de dólares norte-americanos (um dólar equivale a cerca de 100 Kwanzas), durou um ano e dois meses e esteve a cargo da empresa “Tecnovia Angola”, que precisou para a concretização do projecto mais de 200 pessoas, na sua maioria nacionais.

Terraplenagem (desmatação e escavação e aterro), pavimentação (sub-base, base e betão betuminoso), drenagem (construção de 74 passagens hidráulicas, valetas revestidas e lancis de bordadura) e asfaltamento foram as etapas porque passou a obra.

A estrada que atravessa a província do Zaire em direcção ao sudoeste/nordeste liga o município de M’banza Kongo e a fronteira da República Democrática do Congo (RDC), cujo eixo é de extrema importância em termos de transportes comerciais e como catalisador para o desenvolvimento local e nacional.

O ministro Fernando Fonseca realçou os benefícios desta via ao país e à região, ao permitir levar a administração do estado ao limite fronteiriço do território nacional, assim como a transferência de bens e mercadorias entre os dois países vizinhos.

O governante reafirmou, na ocasião, o compromisso do executivo angolano em continuar a trabalhar na reabilitação de toda malha rodoviária do país e a desenvolver a ligação entre as capitais de províncias e todos os municípios, uma meta que considerou ser possível até 2015.

Este projecto inclui o troço rodoviário Nkoko (Luvo) /Nóqui, também em fase de reabilitação pela mesma empreiteira, numa extensão de cerca de 200 quilómetros.

Presenciaram a inauguração da estrada, o governador provincial, Pedro Sebastião, o ministro de Estado e Chefe da Casa Militar da Presidência da República, Hélder Dias Vieira “Kopelipa”, os ministros da Assistência e Reinserção Social, João Baptista Kussumua, da Saúde, José Van-dunem, da Educação, Mpinda Simão, altas patentes das Forças Armadas angolanas, da Polícia Nacional, representantes das igrejas e autoridades tradicionais, membros do governo local, entre outros.

A inauguração desta infra-estrutura rodoviária enquadrou-se na visita do presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, que efectua hoje (terça-feira) à Província do Zaire, no âmbito da campanha eleitoral do seu partido.

Agência AngolaPress, 21/08/2012.


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Últimas de M´Banza Congo

Inaugurada escola do ensino especial

A escola está localizada na periferia da cidade de Mbanza Congo e vai acolher no presente ano lectivo centenas de alunos com deficiências

Fotografia: Jornal de Angola

Mais de 360 crianças com deficiência, da província do Zaire, têm agora a possibilidade de aprender a ler e a   escrever, com a inauguração, no Dia da paz, de uma escola de ensino especial, pelo governador Pedro Sebastião.
Inaugurado no quadro dos festejos do 4 de Abril, o estabelecimento dispões de quatro salas, uma área administrativa e um vasto pátio para as actividades recreativas. A escola esta localizada no bairro 11 de Novembro, periferia da cidade de Mbanza Congo, e vai acolher no presente ano lectivo 360 alunos com deficiências.
O director provincial da Educação no Zaire, Domingos Nkita Margarida, valorizou o surgimento da escola, que vai permitir a inclusão no sistema de ensino e aprendizagem de crianças com deficiências físicas e mentais.
“Estas crianças requerem muito cuidado e os professores utilizam métodos especiais para comunicar “, disse, Domingos Nkita Margarida, acrescentando que a escola vai preencher o vazio que a província registava no ensino especial.
O governo da província, referiu Domingos Nkita Margarida, tem projectada para os próximos anos a criação de instituições semelhantes nos seis municípios da província onde já existem 35 professores formados com técnicas de ensino especial.
O governador do Zaire, Pedro Sebastião, inaugurou ainda em Mbanza Congo, no bairro 11 de Novembro, uma escola do primeiro ciclo do ensino secundário, com 11 salas, que vai acolher  1.600 alunos, distribuídos em dois turnos, (de manhã e tarde). Pedro Sebastião referiu que se não fosse a paz em Angola, não era possível a construção de escolas, tendo apelado às populações para a necessidade da preservação do património público.
“Estamos recordados dos momentos difíceis que vivemos, mas hoje vamos assistindo por todo o país, à construção de mais escolas e hospitais”, disse, Pedro Sebastião.  No culto ecuménico realizado no Cine Clube de Mbanza Congo, o reverendo da Igreja Baptista de Angola, Álvaro Rodrigues, pediu aos fiéis e cidadãos em geral para que cada um trabalhe em prol da preservação da paz e evitar práticas não abonatórias da convivência social 
harmoniosa. Álvaro Rodrigues sublinhou, perante centenas de fiéis de diversas congregações religiosas da região, que só preservando a paz é que todos podem desfrutar dos seus benefícios, além de fazer com que as gerações vindouras encontrem um país bom para viver.

“Com toda a sinceridade eu vou declarar a todos os angolanos de que temos um representante de Deus que é o engenheiro José Eduardo dos Santos”, afirmou. O reverendo da IEBA no Zaire, lembrou que “quando eu vejo o que se fez em dez anos é muito.
No meu tempo, foram as missões religiosas que trabalharam para a educação em Mbanza Congo, da parte da administração colonial havia uma única escola com três ou quatro salas, mas hoje no espaço de dez anos as escolas estão a crescer em todo o lado da província do Zaire”. Por isso, estamos satisfeitos com esforço do governo”, disse.

Chuvas alarmam famílias

A periferia da cidade é a mais prejudicada

Fotografia: Jornal de Angola

Várias famílias de Mbanza Congo estão a viver dias difíceis, em consequência das fortes chuvas que estão a causar grandes estragos a nível das comunidades da capital da província do Zaire.
Depois de um longo período de estiagem, que se verificou um pouco por todo o país, as chuvas, que se fazem acompanhar de fortes ventos, não param de cair todos os dias, em Mbanza Congo, criando vários embaraços às famílias residentes em casas de construção precária.
Apesar das vantagens da chuva para a agricultura, a situação está a preocupar a população, que lamenta a perda de vidas humanas e prejuízos materiais avultados, além de estar a desalojar várias famílias.
A periferia da cidade tem sido a mais prejudicada,  uma vez que ali existem centenas de construções anárquicas, como é o caso dos bairros 11 de Novembro, 4 de Fevereiro, Álvaro Buta e Martins Kidito.
No mês passado, as chuvas destruíram cerca de 400 casas, deixando ao relento mais de 200 pessoas, que tiveram de receber apoio do governo provincial do Zaire.
Na altura, o comandante provincial de Protecção Civil e Bombeiros no Zaire, Mankenda Lukengani, salientou que as chuvas tinham danificado igualmente duas tendas, no centro de acolhimento dos refugiados de Mbanza Magina, onde ainda se encontram alojados alguns cidadãos angolanos provenientes do Congo Democrático.
Os templos das igrejas Evangélica Baptista de Angola e Pentecostal foram igualmente afectados pelas chuvas.

 Descarga eléctrica causou infortúnio

 Uma descarga eléctrica matou na quinta-feira, na cidade de Mbanza Congo, província do Zaire, duas pessoas, de oito e 16 anos.

O porta-voz do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, Manuel Mpanzu Kassua, disse que o incidente ocorreu por volta das 16h00 no bairro 11 de Novembro, periferia da cidade de Mbanza Congo.
Manuel Kassua informou que as vítimas são identificadas por Pedro Moniz e Matunga Maria.
O caso ocorreu quando chovia torrencialmente.
Este é o primeiro caso do género com vítimas mortais que a cidade de Mbanza Congo regista, desde o princípio deste ano.

 Jornal de Angola


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100 mil visitas

Atingimos a meta das 100 mil visitas, o que prova que este espaço continua a suscitar o interesse de muitos leitores. Para nós todos são importantes, mas gostaríamos que mais gente da C.Caç. 3413 desse “sinal de vida”.

Além do nosso país, o Brasil e Angola são os maiores “consumidores” destas notícias. Os artigos que mais despertaram a atenção e curiosidade dos leitores são os que se indicam por ordem de preferência:

  1. Luanda de ontem e de hoje
  2. Angola, o gigante africano
  3. O imbondeiro
  4. Morte de Jonas Savimbi
  5. Artesanato angolano
  6. Combatentes portugueses de Angola
  7. Mamarrosa, no espaço e no tempo
  8. Atenção ex-combatentes, mês da esmola
  9. Independência de Angola
  10. Zaire – Angola

Mário Mendes


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Telhas para o Zaire

Executivo vai apoiar sinistrados com materiais de construção

Jaquelino Figueiredo | Soyo – 13 de Junho, 2011

Momento em que a comissão provincial de Protecção Civil fazia a entrega de chapas

Fotografia: Jornal de Angola

Centenas de famílias que perderam os seus haveres, em consequência das fortes chuvas que se abaterem na província do Zaire, em 2010/2011, vão poder reconstruir as suas residências, no âmbito de um programa elaborado pelo Executivo e coordenado pela Comissão Nacional de Protecção Civil e Bombeiros. A informação foi avançada na quinta-feira, no Soyo, pela porta-voz da referida comissão.
Teresa Rocha disse, no termo de uma visita de trabalho de 48 horas do vice-ministro do Interior para a Protecção Civil e Bombeiros, general Eugénio Laborinho, que o Executivo vai garantir o apoio às pessoas afectadas pelas chuvas.
“Este processo passa pela identificação de um lugar seguro, para onde devem ser transferidas as pessoas que moravam em áreas de risco. Vamos fornecer materiais de construção para que possam reconstruir as residências e bens alimentares para a sua estabilização nos primeiros meses”, acrescentou.
A comissão provincial de Protecção Civil e Bombeiros fez a entrega de bens alimentares, medicamentos, tendas e chapas de zinco. A Rádio Nacional de Angola, através do projecto “Mãos Solidárias”, também prestou ajuda humanitária.
A responsável esclareceu que a Comissão Nacional de Protecção Civil e Bombeiros vai realizar, nos próximos meses, seminários regionais para capacitar formadores que possam esclarecer os cidadãos sobre eventuais calamidades naturais.
O Executivo e a Comissão de Protecção Civil e Bombeiros já trabalham na diminuição de algumas zonas de risco e na selecção de alguns locais seguros para instalar as populações que ali vivem e permitir que a próxima época chuvosa não cause maiores danos.
O vice-ministro Eugénio Laborinho pediu maior empenho da Comissão Provincial da Protecção Civil e Bombeiros no sentido de criar condições para que as populações possam estar em locais seguros e evitar situações similares que ocorreram nas últimas enxurradas. O balanço da época chuvosa na província do Zaire é apontado por Teresa Rocha como positivo, não obstante o registo de 12 mortos e danos materiais. A porta-voz explicou que as medidas de precaução tomadas pela Comissão Provincial de Protecção Civil surtiram efeito.

“Tivemos de realizar campanhas junto das populações, sobretudo as que vivem em zonas de risco e isto contribuiu para minimizar os estragos. Outro factor importante que também contribuiu para diminuir o número de vítimas foi a distribuição de água tratada às populações atingidas, o que concorreu para a redução de doenças diarreicas agudas no seio dos sinistrados”, argumentou. A comuna do Sumba foi uma das zonas mais afectadas do município do Soyo, mas a retirada das populações das zonas atingidas, bem como a eliminação de ravinas, contribuíram para a diminuição dos prejuízos.
As intempéries causaram 12 mortos e 45 feridos e 524 residências ficaram destruídas.

NR: Para aqueles militares que nos longínquos anos de 1971, 72 e 73 se queixavam das coberturas de “chapa de zinco” das casernas onde destilaram ao calor africano, ficam a saber que 40 anos depois, na província do Zaire, onde estivemos, este material é ainda recebido sem “reclamações” da população e até com direito a cerimónia festiva. Das duas uma, ou o pessoal era já muito “reaccionário” ou então, ao contrário do que a governação angolana apregoa, o desenvolvimento do interior é pura miragem. Haja telhas para o Zaire!