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Memórias do tempo de guerra

Olá pessoal da C.Caç.3413, esta foto tem 40 ou 41 anos e já está a ficar descolorida. O tempo não perdoa e para que não sejamos atraiçoados pela memória é conveniente rebuscar o passado e manter a mente activa pois de um momento para o outro pode haver um “apagão”.

O exercício de memória a que me estou a sujeitar deixa-me tranquilo pois não tenho dúvidas em identificar estes elementos da 1ª secção do 2º pelotão da nossa companhia.

Em pé: José Manuel da Costa, Mendes, Ribeiro, Casimiro e Vítor Tomás.

À frente: Tomás Cachique, Simas, Silva e Nené. Falta o Lima que foi o fotógrafo mas lá está a G3 e o bornal no seu lugar.

O Mendes exibe a G3 com a coronha partida, talvez para a transformar em FBP para a tornar mais leve, porque o material a transportar como se pode ver era um fardo pesado, incluindo os dois “palhinhas”.

NR: Combatentes da C.Caç. 3413, passem em revista as vossas fotos e partilhem-nas connosco enquanto as mesmas não ficarem desbotadas pelo tempo.

Mário Mendes

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Para Angola, rapidamente e em força!

Esta célebre frase foi proferida por Salazar em 13 de Abril de 1961, quando se apercebeu que os acontecimentos de 15 de Março desse ano, que marcaram o começo da guerra colonial em Angola, não era apenas uma guerra de catanas, mas um movimento organizado apoiado por potências internacionais que se propunha conquistar a independência do território.

Passados 50 anos, este slogan está novamente na ribalta, porque as políticas que nos últimos anos se têm seguido por cá estão a “empurrar” muita gente, principalmente os jovens para fora do seu país e Angola está a ser a par do Brasil um dos principais destinos desta “avalanche” que tomou conta de Portugal.

Foram muitos milhares os que nos anos 60 e 70 responderam afirmativamente ao chamamento de Salazar para África, para defender a integridade do Portugal de aquém e dalém mar, mas os ex-combatentes que viram chegar o 25 de Abril de 1974 e a esperança de um país melhor não imaginariam que agora os seus filhos sejam “obrigados” a procurar naquelas terras distantes o trabalho que aqui lhes falta para construírem o seu futuro.

Angola, que suportou durante 41 anos uma guerra colonial seguida de uma civil, está em grande desenvolvimento, precisa de muitas infra-estruturas, mas já tem também muitos emigrantes de outros países, principalmente chineses que tomam conta da grande maioria das empreitadas e por isso se os portugueses não querem perder o comboio desta transformação que está a ocorrer em solo angolano, aquele slogan está hoje bem actual.

Desta vez não vão à procura da árvore das patacas, os tempos são outros, a economia é global e os capitais angolanos também já têm uma boa posição na nossa economia, pelo que será do interesse de ambos os países a cooperação e o respeito mútuo.

Os portugueses assistem atónitos à austeridade que está a sufocá-los, mas e os responsáveis destes desmandos, que é feito deles? Uns estão “foragidos”, outros andam por aí disfarçados de pobres. O jornalista António Azenha publicou há dias um livro com o título “Como os políticos enriquecem em Portugal” e no pacote meteu o ex-ministro Mira Amaral. O homem ficou tão “abespinhado” que resolveu escrever uma carta ao jornalista e que pode ler AQUI.

Mário Mendes


NR: Portugueses que trabalham e recebem o salário mínimo, pensionistas que têm que esticar 300 euros até ao final do mês, que hão-de pensar de reformas de 11 mil euros mensais? Façamos um pequeno exercício: um trabalhador que recebe 777 euros (salário médio nacional), desconta para a segurança social 11%, o que dá 85,47 euros; para pagar a reforma do “remediado” Mira Amaral são necessários os descontos de 128 trabalhadores, ou seja, falando em termos militares, quase uma companhia. Quando se sabe que por cada reformado existem 2,6 trabalhadores activos é só fazer as contas. Porque se está à espera de pôr um teto nas reformas, para acabar com esta vergonha nacional? São precisos Passos Seguros nesse sentido. Não se admirem pois que a onda dos indignados cresça a olhos vistos.


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Os Açores na guerra do Ultramar

Ciclo de Conferências – debate

Texto e demais elementos informativos cedidos por Carlos Cordeiro

(ex- Furriel Mil.º At. Inf – CICmds – Angola – 1969/1971

Os Açores e a Guerra do Ultramar – História e

Memória(s) 1961 – 1974


22 de Julho de 2011 – 17H30


“Os Açores e a Guerra do Ultramar – 19611974: história e memória(s)”

No âmbito do ciclo de conferências-debate “Os Açores e a Guerra do Ultramar – 1961-1974: história e memória(s)”, António Vasconcelos Raposo, antigo combatente em Angola como oficial Fuzileiro Especial e Valdemiro Correia, antigo combatente também em Angola como alferes miliciano “Comando”, proferirão, no próximo dia 22 do corrente (6.ª feira), a conferência “A Guerra Colonial: do emocional à exigência histórica do racional, a visão de dois oficiais da tropa de elite”. O evento terá lugar no anfiteatro “C” do Pólo de Ponta Delgada da Universidade dos Açores, com início pelas 17H30 e estará aberto à participação de todas as pessoas interessadas.

Trata-se de uma organização do Centro de Estudos Gaspar Frutuoso do Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores, que teve início em 6 de Maio p. p., com a conferência do Ten-Gen. Alfredo da Cruz “A Força Aérea na Guerra do Ultramar: experiência de um piloto de combate”, a que seguiu a do Coronel José M. Salgado Martins, “O Exército na Gerra do Ultramar: experiência de um comandante de companhia.  

 Notas biográficas do Dr. António Vasconcelos Raposo

António Jacinto Branco Vasconcelos Raposo Nasceu em Ponta Delgada, São Miguel em 1950. Depois de frequentar o então Liceu Nacional de Ponta Delgada, rumou a Lisboa, onde se licenciou em Educação Física. Na Faculdade de Motricidade Humana, concluiu o mestrado em Ciências do Desporto, na vertente de Alto Rendimento em Natação. É treinador Superior e de nível 4, tendo preparado atletas de alta competição que alcançaram importantes êxitos desportivos.

 Cumpriu o serviço militar obrigatório como oficial Fuzileiro Especial tendo cumprido uma comissão de 1973 a 1975 em Angola, no Leste.

 É autor de diversos livros sobre questões ligadas ao desporto, sobretudo no âmbito do ensino e treino de natação.

No corrente ano publicou, na Sextante, o livro Até ao fim. A última operação”, um romance inspirado em factos reais vividos pelo autor na guerra.

 No âmbito do desempenho profissional recebeu vários louvores e condecorações.

 Notas biográficas do Dr. Valdemiro Correia

Valdemiro Correia natural de S. Roque, Ponta Delgada, estudou na Escola Industrial e Comercial local. Licenciou-se em Educação Física e concluiu o mestrado em Ciências da Educação. Foi professor do Ensino Secundário e também colaborador da Universidade de Évora.

Prestou serviço militar em Angola, em 1974, como alferes miliciano da 42.ª Companhia de Comandos. Passou à disponibilidade em 1975.

 Em 2008, publicou o seu primeiro livro: A Fisga, em que relata as suas experiências em três fases da vida: as de rapaz e jovem da freguesia tão característica como a de S. Roque, a de cadete, na sua preparação militar para a guerra, e a de alferes, comandante de um grupo de combate da 42.ª Companhia de Comandos em Angola.


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Efectivos militares em Angola

Quando em Março de 1961 a guerra rebentou em Angola, o número de efectivos era de apenas cerca de 5 mil. Houve da parte do governo de Portugal um erro crasso na avaliação da situação militar no território. A recém independência do ex-Congo Belga em 30 de Junho de 1960, a revolta na Baixa de Cassange em Janeiro de 1961 e a revolta em Luanda em 4 de Fevereiro desse mesmo ano, parece que não foram alertas suficientes para o governo de Salazar tomar as devidas precauções para aquilo que já há muito se previa e foi preciso esperar pelo massacre de 15 de Março de 1961 para que Salazar proferisse em Abril, o célebre slogan: “Para Angola, rápido e em força“.

Esta negligência teve como consequência a morte de muitas centenas de portugueses e angolanos, barbaramente assassinados pela UPA, que “passeava” na zona devido à inexistência das nossas tropas e até se deu ao luxo de estabelecer um quartel-general em Nambuangongo, a que pomposamente chamaram de “Reino de Nambuangongo” e de onde só em Agosto de 1961, 5 meses depois do eclodir da guerra foram desalojados.

Socorrendo-me de um estudo elaborado pelo ex-furriel José da Silva Marcelino Martins sobre recenseamento, inspecção e distribuição de pessoal, elaborei o mapa que se segue, que pretende por em foco a percentagem do recrutamento local durante a evolução do conflito em Angola:

Ano Total Metrópole Rec. Local % Rec. Local
1961 33.477 28.477 5.000 14,94
1962 44.925 33.760 11.165 24,85
1963 47.400 34.530 12.870 27,15
1964 52.493 37.418 15.075 28,72
1965 57.073 41.625 15.448 27,07
1966 55.816 38.519 17.297 30,99
1967 57.420 43.051 14.369 25,02
1968 58.230 37.547 20.683 35,52
1969 55.574 36.911 18.663 33,58
1970 55.233 36.174 19.059 34,51
1971 62.060 36.127 25.933 41,79
1972 60.317 34.856 25.461 42,21
1973 65.592 37.773 27.819 42,41

É sabido que nunca se ganha uma luta de guerrilha sem o apoio maioritário da população e esta incorporação de militares africanos nas forças armadas portuguesas reflecte bem este propósito, sendo que esse número foi em crescendo, chegando a atingir cerca de 42% do efectivo total no final do conflito.

Efectivamente ao nível militar parece que a guerra não tinha fim à vista, o inimigo à excepção dos primeiros cinco meses, nunca dominou qualquer parcela do território e da nossa parte o cansaço de 13 longos anos começava a fazer-se sentir porque cada vez mais, os milicianos que eram os operacionais da guerra se aperceberam que aquilo nunca mais acabava e ali só estavam a perder dois anos da sua vida, limitando-se a defender a sua posição nos aquartelamentos.

Da parte dos efectivos dos quadros permanentes, talvez houvesse outra interpretação, porque na realidade a guerra dava-lhes dinheiro, quantas mais comissões melhor, geralmente bem protegidos pelo arame farpado, convém referir que à época quem tinha “divisas” era muito bem pago, tal como agora, pois os militares de carreira foram sempre privilegiados.

Não tendo solução militar, a solução política apareceu depois do 25 de Abril em Portugal, só foi pena que mesmo depois dessa data ainda tivessem morrido tantos militares e civis em Angola, porque sabemos como foi feita a transição para a independência.

A guerra em Angola custou a vida a 3.258 militares (2.434 da metrópole e ilhas, 824 do recrutamento local).

Mário Mendes