2 comentários

Recordações de outros tempos

Companheiros da C.Caç. 3413, lembram-se do dia 9 de Agosto de 1971? Pois é, faz hoje 43 anos que a bordo do navio Vera Cruz atracamos no porto de Luanda. 

Depois de tantos anos as memórias desse dia e dos outros que se seguiriam já se vão esfumando, mas as fotos que ficaram para a posteridade ajudam-nos a remexer nesse passado distante.

Uma vez mais o nosso companheiro Ramiro Carreiro do Canadá enviou as fotos que se seguem e que aqui se publicam para memória futura:

5

6

7

Um companheiro que identifico e que integra as 3 fotos é o ex-furriel Leitão e por isso trata-se de elementos do 4º grupo de combate. Quem souber identificar os restantes companheiros que não fique calado.

O Ramiro Carreiro também é visível nas duas últimas fotos e na primeira os cabeças da fila são o Leitão na esquerda e o Pimentel na direita.

Estas fotos revelam que a tropa era “pau” para toda a obra, que lutava não só com a G3 mas também com outras “armas”, neste caso implantando postes de iluminação.

Um abraço para todos.

Mário Mendes


3 comentários

Memórias do tempo de guerra

Olá pessoal da C.Caç.3413, esta foto tem 40 ou 41 anos e já está a ficar descolorida. O tempo não perdoa e para que não sejamos atraiçoados pela memória é conveniente rebuscar o passado e manter a mente activa pois de um momento para o outro pode haver um “apagão”.

O exercício de memória a que me estou a sujeitar deixa-me tranquilo pois não tenho dúvidas em identificar estes elementos da 1ª secção do 2º pelotão da nossa companhia.

Em pé: José Manuel da Costa, Mendes, Ribeiro, Casimiro e Vítor Tomás.

À frente: Tomás Cachique, Simas, Silva e Nené. Falta o Lima que foi o fotógrafo mas lá está a G3 e o bornal no seu lugar.

O Mendes exibe a G3 com a coronha partida, talvez para a transformar em FBP para a tornar mais leve, porque o material a transportar como se pode ver era um fardo pesado, incluindo os dois “palhinhas”.

NR: Combatentes da C.Caç. 3413, passem em revista as vossas fotos e partilhem-nas connosco enquanto as mesmas não ficarem desbotadas pelo tempo.

Mário Mendes


1 Comentário

É o fim da picada!

Já passou um mês desde que fomos “plantados” nestas terras inóspitas algures no Uíge e a rotina das dificuldades de todos os dias começava a fazer mossa. O paludismo também já deu sinais de vida provocando algum desânimo nas hostes, mas a vida lá continuava, ainda não era o fim da picada!

As máquinas da engenharia militar trabalhavam a todo o gás para aproveitar a época seca, mas as gargantas e narizes é que “pagavam” a conta do imenso pó que pairava no ar.

Ainda havia muita picada para desbravar, era preciso manter a moral elevada porque o fim da comissão ainda não se vislumbrava no horizonte, tal como esta picada que parecia não ter fim.

Nesta foto vemos um morteiro de 120 mm que lá do alto dominava os montes circundantes e que viria a ser utilizado no dia 7 de Outubro de 1971, o primeiro dia em que ouvimos as Kalashnikov em contraponto com as G3.

 Mário Mendes


1 Comentário

Dia do Exército Português (2010)

O Dia do Exército Português assinala-se a 24 de Outubro e este ano as comemorações tiveram lugar na cidade de Castelo Branco. Aproveitei a ocasião e registei algumas chapas que aqui partilho com os nossos leitores.

Castelo Branco foi uma cidade com tradições militares, pois chegou a ter dois quartéis, o Batalhão de Caçadores nº 6 e o Regimento de Cavalaria nº 8. Hoje, como grande parte das capitais de distrito não tem instalações militares e as que tinha foram ocupadas, uma dando lugar a um estabelecimento prisional (BC 6), a outra remodelada e requalificada para albergar alguns serviços camarários, uma biblioteca e a futura loja do cidadão (RC 8).

Na exposição do material militar, destaco as seguintes armas: Um morteiro de 120 mm, um obus de 155 mm, um carro de combate equipado com mísseis Chaparral e três armas ligeiras: A G3 conhecida por todos os militares, os mais novos e “velhinhos”, agora de coronha retráctil, a Galil e a SIG, estas duas últimas destinadas a operações de assalto e que utilizam o calibre NATO de 5,56 mm, ao contrário da G3 que usa cartuchos de 7,62 mm.

(Morteiro 120 mm)

(Obus 155 mm)

(Lançador Chaparral)

(Equipamento individual)

(G3)

(Galil)

(SIG)

O desfile na Avenida Nuno Álvares Pereira, foi presidido pelo Ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, e aqui vão algumas fotos:

(Se na década de 70 houvesse militares de saia, eu também teria sido voluntário!)

 

Mário Mendes


Deixe um comentário

HK21

Uma destas metralhadoras  ligeiras  equipava cada uma das secções de cada pelotão (grupo de combate). Designada por HK21, este modelo foi fabricado pela firma alemã Heckler & Koch a partir de 1961, tendo como origem a espingarda G3.

Em 1968 começou a ser fabricada em Portugal, na fábrica de Braço de Prata, onde já se fabricavam as G3 e foi  denominada HK21 mod./968.

Esta produção destinava-se a substituir a metralhadora MG42, uma excelente arma mas  que com os seus 12 kg era demasiado pesada. Era compatível com a G3 utilizando o mesmo cartucho 7,62 mm e muito mais leve.

Pesava 7,9 Kg, a cadência de tiro era de 900 disparos por minuto, o alcance máximo era de 2000 metros mas a eficácia só ia até aos 800 metros.

Podia ser alimentada por carregador ou fita, tinha o cano reforçado em relação à  G3 e podia apoiar-se em bipé.

Mário Mendes


3 comentários

Kalashnikov versus G3

Enquanto o exército português utilizava a espingarda G3, os movimentos de libertação utilizavam predominantemente a espingarda AK-47, também conhecida por Kalashnikov, nome do seu criador, em 1947, um general russo chamado Mikhail Kalashnikov, que ainda é vivo e tem 90 anos.

Nesta imagem podemos ver as características de cada uma destas armas, e aparentemente a Kalashnikov levava alguma vantagem em relação à G3.

No entanto, alguns especialistas consideram que a G3 ganha à Kalashnikov, como podemos ver no artigo contido neste link: Em louvor da G3



Deixe um comentário

G3

G3A G3 (em alemão: Gewehr 3) é uma espingarda automática fabricada pela Heckler & Koch e adaptada como a espingarda de serviço pela Bundeswher em 1959. Foi adaptada e encontra-se actualmente em utilização por vários países à volta do mundo.

Foi a arma de infantaria padrão do exército alemão, Bundeswher, até 1997 e continua a ser utilizada por vários exércitos nacionais. A G3 é tipicamente um fuzil de calibre 7,62 mm NATO, capaz de fogo semi-automático ou totalmente automático com um cartucho desmontável. Pode ainda ser anexada uma baioneta à G3.

Foi desenvolvida pelos engenheiros da Mauser, após terem passado algum tempo na Espanha a trabalhar para outros fabricantes de armas nesse mesmo país. Ajudaram a criar o fuzil CETME e levaram-na de volta para a Alemanha. De facto, por algum tempo as G3 tiveram a palavra “CETME” estampada num dos lados; o design levou contudo várias modificações, como por exemplo, a CETME tinha um apoio em madeira e a G3 não.

A G3 foi adoptada em 1958 como substituta para a G1 da Bundeswher, uma versão modificada da belga FN FAL, que estava em serviço desde 1956, o ano em que a Alemanha Ocidental tinha entrado para a NATO, continuando ao serviço de várias forças armadas.

Em Portugal

Portugal teve necessidade de adotar uma nova arma no inicio dos anos 60, por conta da guerra do Ultramar em África. No entanto as possibilidades não eram muitas. Os Estados Unidos mantinham um claro embargo a Portugal durante a era Kennedy. Portanto, a escolha tinha que recair sobre uma arma fornecida por um país que estivesse na disposição de transferir a tecnologia para a fabricação da arma em Portugal. A escolha foi pela arma alemã, que passou a ser fabricada em Portugal pela Fábrica de Braço de Prata.

Quando chegou a África, em comparação com as antigas armas ligeiras das forças armadas a G3 era vista como extremamente sofisticada. Tratava-se de uma arma automática, que podia disparar rapidamente uma considerável quantidade de munição.

Foi necessário bastante treino de forma que a tropa se habituasse a entender que a posição normal da arma deveria ser a posição semi-automática, porque do ponto de vista operacional, gastar rapidamente a munição no meio do mato, seria um problema.

Em 1965, já o numero de espingardas automáticas G3 tinha ultrapassado as 150.000 nas forças armadas, e mesmo assim, ainda existiam em funcionamento 15.000 espingardas automáticas FN, fornecidas de emergência pelo exército alemão, antes da introdução da G3.

A arma esteve presente nos vários cenários de guerra, em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Viu-se ainda a G3 ser utilizada em Timor-Leste pelas guerrilhas das Falintil. Até 2000 ainda algumas velhas G3 se encontravam operacionais naquele território.

A substituição da G3 nas forças armadas portuguesas aproxima-se a passos largos. A sua provável substituta será provavelmente a Heckler & Kock G36, que é vista internacionalmente como a substituta lógica da HK G3, embora outras possibilidades continuem em aberto.

Wikipédia