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Recordações de má memória

Faz hoje 43 anos que ocorreu este episódio da terrível guerra que travamos em Angola. Era uma sexta-feira e regressávamos de São Salvador, a capital da província do Congo quando a cerca de 10 kms da chegada ao aquartelamento deparamos com a placa de sinalização “Mamarrosa/Luvo” a arder no meio da picada, o que prenunciava que por ali andava o inimigo e nos levou a tomar cuidados redobrados.

Depois de alguns kms percorridos a pé por um grupo de combate à frente da viatura que encabeçava a coluna, inspecionando a picada, o grupo apeado volta a subir para as viaturas e quando estávamos a cerca de 5 kms do nosso destino, dá-se uma enorme explosão, uma mina anticarro tinha rebentado.

Aqui está um pequeno filme com as imagens do acontecimento.

 

 


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Minas anticarro

As minas anticarro utilizadas pelos movimentos de libertação nas três frentes da guerra em África, tinham um enorme poder destruidor, mesmo em carros pesados como estas Berliet da nossa C.Caç. 3413.

fotografia 1No dia 19 de Outubro de 1971, a mina colocada na picada entre o Tôto e a Base Táctica de Cecília, provocou ligeiros ferimentos no condutor e no nosso comandante de companhia, únicos ocupantes da mesma. A carga era composta de grades de cerveja que voaram pelos ares e muitas das que se aguentaram intactas foram consumidas ali enquanto durou a espera pelo reboque da Companhia de Engenharia.

fotografia 2

Este episódio aconteceu em 2 de Fevereiro de 1973, quando uma coluna da C.Caç. 3413 regressava de São Salvador do Congo à base da companhia sediada na Mamarrosa a cerca de 5 km do destino e conforme se pode ver os estragos foram bem maiores que os da Berliet anterior. Foram 4 feridos com gravidade que tiveram que ser evacuados para Luanda. Felizmente algum tempo depois todos regressaram ao seio da companhia.

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Um dispositivo como este foi o responsável por tantos danos causados às nossas tropas, um inimigo invisível, uma luta desigual.

Aqui está o “filme” com mais detalhes relativo à mina da última Berliet.


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Ainda não é o fim da picada!

Viaturas pesadas e ligeiras enfrentam grandes dificuldades para circular na estrada

Fotografia: Arimateia Baptista|Lubango

A estrada que liga a vila piscatória do Nzeto à comuna da Musserra, um percurso de 50 quilómetros, em terra batida, na província do Zaire, está a degradar-se dia após dia, em consequência das chuvas torrenciais que caem sobre a região. A via tem enormes buracos que estão a dificultar a vida dos automobilistas que transportam pessoas e mercadorias.
Os automobilistas reclamam uma intervenção urgente para normalizar o trânsito. Nos últimos dias os motoristas encontram tantas dificuldades que acabam por pernoitar na estrada, porque as viaturas ficam atoladas nos lamaçais ou caem nos buracos.
Preocupado com a situação, o governador provincial do Zaire, Joanes André, visitou a via para se inteirar das dificuldades e definir, com a empreiteira encarregada das obras de, a forma de inverter o quadro.No encontro com os responsáveis da construtora, o governador pediu celeridade nos trabalhos de manutenção para facilitar a circulação de pessoas e bens.
O governador do Zaire referiu ser necessário efectuar obras de manutenção na estrada entre o Nzeto e o Soyo, onde decorre a construção de pontes e valas de drenagem das águas pluviais.  Face às dificuldades, Joanes André garantiu às populações que estão a ser desenvolvidos esforço para se ultrapassar o impasse.
O responsável da construtora explicou ao Jornal de Angola que os trabalhos de construção na estrada decorrem dentro do possível. Mas as chuvas constantes que caem na região impedem mais avanços. Na estrada entre o Caxito e o Nzeto, a construtora já asfaltou 60 quilómetros, a partir da comuna da Musserra em direcção a Luanda.

Jornal de Angola (28/01/2013)

NR: Já vimos este filme há 40 anos. Tenho bem presente uma noite em que ficamos retidos na picada entre S. Salvador do Congo e a Mamarrosa, porque a camioneta civil da firma Salvador Beltrão que escoltávamos não conseguiu superar uma íngreme  subida devido ao lamaçal em que se tornou a picada. Só de madrugada conseguimos levantar “ferro”.

Mário Mendes


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5 de Fevereiro de 1973

Este foi um dos dias mais tristes da comissão de 2 anos que passamos em Angola. Depois da primeira baixa que ocorreu a 22 de Dezembro de 1971 que vitimou o companheiro Emanuel Firmino Nunes Aguiar por acidente com arma de fogo, a morte do condutor do Unimog António de Amaral Machado, açoriano da ilha de São Miguel, freguesia de Santo António, vítima do rebentamento de uma mina anti-carro colocada pelo inimigo na picada onde três dias antes outra mina desfez outra viatura, foi um episódio que “minou” também a moral das nossas tropas, porque nestas circunstâncias em que não se vê o inimigo, a luta torna-se muito cobarde e desigual.

39 anos depois deste fatídico dia, recordamos com saudade este nosso companheiro e há dias solicitei por e-mail ao Presidente da Junta de Freguesia de Santo António onde está sepultado, que se lhe fosse possível me enviasse uma foto da campa. Ainda não houve resposta, ficamos a aguardar, mas como temos planeada uma viagem aos Açores para 2013, nessa altura não deixaremos de “in loco” nos curvarmos perante a sua memória e colocar um ramo de flores em homenagem a este herói, que aos 22 anos deu a vida pela Pátria.

Mário Mendes


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HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DA C. CAÇ. 3413 (VI)

Do Toto á Cleópatra, o terreno apresentava-se mais ou menos plano, alguns tufos de mata e muito, mesmo muito capim. A C. Eng.ª 2579 não primava por esmeros militares, mas á sua maneira, era organizadíssima e umas máquinas a trabalhar, que os seus vinte e tal meses de Angola lhes conferiam. A nós, cabia-nos garantir a sua protecção e segurança. Ainda de noite, saíamos á sua frente a bater toda a zona para que trabalhassem em sossego. Mas antes, era-nos servido um lauto pequeno-almoço, que consistia sempre em pão untado com margarina, tipo sebo, com algum café, pouco leite (em pó) e muita, mas mesmo muita água para ninguém se desidratar. De seguida era distribuído a cada, um bom naco de pão, linguiça e vinho. Este era intragável mas ninguém reclamava. Era para comer a meio da manhã, ou quando a fome apertasse e desse jeito. E assim que possível, lá cheirava a linguiça assada. Nesta fase, ficávamos estrategicamente divididos e colocados por secções, para daí dominarmos e abrangermos a maior área possível. Estávamos na época do “Cacimbo”, ou seja, a época menos quente do ano, e praticamente sem chuva. As manhãs começavam todas invariavelmente frescas e nebulosas. Entretanto, lá para o meio da manhã, o sol abria e era um sufoco. No meio do capim, expostos á canícula, era de estarrecer. O sol batia impiedoso e não havia brisa que passasse por entre o capim para nos refrescar. Quando calhava ficarmos perto dalgum tufo de mata, era uma bênção dos Deuses. Ali o sol não batia, era fresco e até dava para espairecermos. Era um regalo, e todos ensaiámos os nossos dotes de “Tarzan”, visto á época o “Rambo” ainda não ter nascido. Eram espontaneamente organizados concursos que consistiam em arremessar a faca de mato contra uma qualquer árvore descuidada, e onde mediamos as capacidades de cada um no manejo da mesma. Resultado do exercício? Muitas facas partidas e muitas mais sem bico, que as sentinelas, por não poderem participar no “concurso”, festejavam efusivamente!

    Ainda na Cleópatra, certo dia, no fim duma pequena subida, entramos numa zona planáltica e de repente demos de caras com uma manada de pacaças! Eram centenas e centenas delas a correr á desfilada. Metemos as viaturas pelo meio da manada e vá de fogachada. O tropel de uma manada em disparada já de si é enorme. Agora a isto juntemos o barulho das viaturas de prego a fundo, os nossos gritos, mais o som dos tiros, foi de loucos. Uma situação única, inesquecível e irrepetível! Muitas ficaram certamente feridas, mas três pelo menos, ficaram para nosso contentamento e melhoraria do rancho. Até houve fartura de carne! E neste particular os “engenheiros”, com uma grande tarimba, davam cartas. As suas tendas eram enormes, compridas e bastante altas, e até tinham uma cobertura dupla, para o sol não bater de chapa, e o ar circular por entre os panos da tenda e assim refrescar o ambiente. Bem arejadas e espaçosas, revelavam-se espectaculares em comparação com as nossas, baixas, pequenas e curtas. Descobri o Parreirinha que era, e é, de Montemor. Graças a isso, tinha livre-trânsito às suas instalações e muitas vezes me desloquei até lá, para um petisco, umas cervejas ou simplesmente conversarmos. Porque isto da “velhice ser um posto”, era mesmo verdade e constatei que tinham um esquema fantástico. Não comiam do rancho como a generalidade do pessoal. Enquanto nós íamos todos para a frente de trabalhos mais os seus operadores, alguns deles ficavam no aquartelamento e um, que tinha uma habilidade nata para o “desvianso”, todos os dias estava encarregue, sem que ninguém se apercebesse muito menos os cozinheiros e o vago-mestre, de surripiar os géneros alimentares necessários para a refeição pretendida. Além da “fruta roubada ” saber sempre melhor, eles também confeccionavam tudo a preceito. E era diferente de cozinhar para os próprios e poucos do que o fazer naqueles caldeirões enormes do rancho, e em que a higiene era a possível ou nenhuma…. E em vez de lume a lenha, utilizavam uma forja e num instante o lume estava pronto. Era só dar á manivela. Um verdadeiro luxo!

Com o aproximar da Cecília, tudo se alterou. O terreno deixou de ser plano. O capim deu lugar a mata cerrada, e os trabalhos e dificuldades cresceram a olhos vistos. Acabávamos de dar entrada nas matas do Luaia, zona sob o domínio do “Pedro Afamado”. E o que estas matas tinham de misterioso e dantesco, também se revelavam atractivas e sedutoras. Eram matas virgens, onde as nossas forças esporadicamente entravam, mas não dominavam. Era entrar e sair. Daí o interesse em abrir picadas, para mais facilmente serem lançados ou recolhidos os militares envolvidos nas futuras operações. Ao que me lembro, esta picada tinha por destino a zona dos “Dembos”, ficando assim aberta uma nova via de comunicação. Claro que isto era precisamente o que os movimentos não aceitavam, e contrariavam á sua maneira….

    Mas voltando á mata! Era um espanto todo aquele esplendor da natureza, que nos infundia respeito, admiração, e ao mesmo tempo uma atracção irresistível. O sol embora radioso, ali não entrava. A terra era húmida e cheirava a plantas putrefactas e em decomposição. Ao pisarmos o solo, este era macio, almofadado e viscoso, fruto de milhares de folhas caídas ao longo dos anos. Era o abrigo de muitos animais, principalmente macacos que os havia aos bandos. Para se ter uma ideia da imponência da mata, era normal que os HD6 e HD7 (Caterpillar), quando rasgavam a mata e derrubavam as árvores, ficassem frequentemente presos naquele emaranhado de ramos e lianas. E chegava uma altura em que nem para a frente nem para trás e lá tinha a motosserra que entrar em acção, depois das catanas já terem feito o seu papel. Os grupos de combate eram positivamente engolidos pela vegetação. Praticamente sobrepostas, havia muitas e muitas árvores e arbustos. Umas mais pequenas, outras maiores, outras ainda mais altas e mais acima, lá muito em cima mas também fechadas, lá estavam as mais altas e imponentes na sua grandiosidade, a formarem um tecto verde a tapar o azul do céu, erguendo-se muitos metros acima do solo e tornando tudo num intrincado mundo de folhas e ramos que tudo e todos escondia.

Duma das vezes fomos destacados para nos juntarmos a outro grupo que já lá se encontrava na frente. Chegados ao sítio designado, procuramos via rádio localizá-los. Era uma zona escarpada dum lado e doutro. Estávamos em frente deles, uns cinquenta metros se tanto, ouvíamo-los mas não os víamos. – É pá levantem-se, dissemos nós. – Estamos em pé, responderam eles. – Levantem uma arma. – Já está. E nada de os ver. O que nos pareciam uns arbustos rasteiros, tipo erva, tinha só para aí uns três metros de altura…

Depois de rasgada um bocado da mata, ficavam sempre algumas árvores com os seus extensos tentáculos de ramos e lianas, que eu aproveitava para me atirar para o vazio, voando uns bons metros acima do solo, sentindo sensações indescritíveis. Se por acaso os ramos se partissem, eu também não ficava inteiro de certeza. O precipício esperava por mim lá em baixo, mas mesmo muito lá em baixo.” Coisas de rapazes”…

Mas entretanto os “engenheiros” chegam ao fim da sua comissão e são rendidos. Era malta fiche e bem mereceram o bilhete de volta. Uma alegria imensa, que nós partilhamos! E fizeram-me sonhar com o meu dia, mas só de pensar no que ainda nos faltava… o melhor mesmo foi não pensar mais nisso e andar para a frente. E aí estava a maçaricada, acabadinhos de chegar do “puto” e com uma vontade imensa de dar continuidade ao excelente trabalho dos “velhinhos”. Algumas chuvadas, prenúncio da estação das chuvas que se aproximava, atrasam os trabalhos. Mas o comandante acabadinho de chegar, queria a todo o custo mostrar serviço e não desmerecer dos “velhinhos”. E lá fomos ficando.

Entretanto chega o Natal. Natal? Mas onde é que estava o frio, os abafos de inverno, os jantares em família, os votos de “PAZ” e saúde, as prendas e tudo aquilo a que estávamos habituados? “NADA”. O que tinha com fartura era mato, camuflados e armas, e por companhia aqueles tristes que como eu que para ali estavam desterrados com o pensamento nos seus e nas sua terras. Que confusão que aquilo me fez…E ainda hoje na noite de Natal, SEMPRE, retiro-me um minuto para recordar aqueles dias tão distantes, e agradecer o pouco que agora tenho…E lá passámos esta data o melhor possível. Houve até um programa de variedades fantástico na Noite de Natal, já aqui referido, e no dia 25-12-71 uma almoçarada reforçada com um javali que tinha caído numa armadilha, e que “alguém” confeccionou, e nós comemos a preceito. Depois de jantar, cada um recolheu aos seus aposentos para em “família” sonhar que estava “cá com os seus”. E como doía estar longe, mais a mais naquele triste cenário. Em determinada altura fui dar uma volta pelo acampamento e as tendas da 1311, que ficavam viradas para a “1ª circular”, estavam um espanto. O ser humano tem um poder inventivo realmente fantástico, e ainda hoje me interrogo como conseguiram fazer tudo aquilo, se não havia nada para fazer o que quer que fosse. O certo é que as tendas estavam um espectáculo de luz e cor, mais lembrando “os Moulins Rouges” e demais “boîtes” e “Cabarets”, duma qualquer cidade. Tinham tido o cuidado e a obrigação das luzes ficarem só visíveis e vistas de dentro, não sendo visíveis do exterior, até como mandavam as regras de segurança. Só que para celebrar e ao mesmo tempo afogar as mágoas, estava tudo bem bebido. A Liamba crescia espontânea e havia com fartura sendo consumida por alguns. Claro que esta combinação era perigosa e podia dar no que deu…

Um soldado lembrou-se de ir urinar, e em vez de ir verter águas na “piscina” ou noutro sítio qualquer mais á mão, lembrou-se de sair do acampamento, atravessar a zona de segurança sem ser visto e depois de aliviado fazer o caminho inverso. Só que nessa altura, a sair duma tenda vinha um outro camarada seu, que dá de caras com um vulto a dirigir-se para dentro do acampamento, e o que via era um “Turra” a infiltrar-se. Alarmado e cheio de “briol”, pelo menos, começou a disparar para o que ele imaginava ser o inimigo, no que foi secundado por mais dois ou três que tal como ele estavam “etilizados”. Isto em cenário de guerra, é como os rebanhos de ovelhas. Para onde vai uma, vão todas. E se um dispara, os que estão perto é quase certo que intuitivamente fazem o mesmo, mesmo sem saber porquê. O desgraçado ao sentir-se o alvo dos tiros, bem levantava os braços e gritava, mas o fogo só parou, quando um mais sóbrio o reconheceu. No meio de tanto tiro, só lhe acertaram no salto duma bota e o homem sobreviveu sem uma única beliscadura, a dezenas de tiros. Era de raça branca, mas estava transparente. Todo ele tremia, mas estava inteiro. Só um “milagre” ou mais concretamente, o estado de embriaguez em que aquela malta se encontrava permitiu este feliz desfecho, tendo-lhe saída a prenda de Natal que mais se ambiciona. E o que primeiro disparou jurava a pés juntos que o “homem” que ele viu era negro e bem negro. Bebedeiras…

E logo a seguir vem o fim do ano. Totalmente diferente o estado de espírito duma data para a outra. Enquanto o Natal mexe muito com os nossos sentimentos e nos faz pensar nos familiares e em tudo o que tínhamos “cá” deixado, a passagem do ano era de alegria e alívio pelo terminar do ano. E havia que celebrar. Como? Uma jantarada reforçada e com muita bebida. As horas foram passando, e quando chegou a meia-noite, nada como comemorar. E começou um tiroteio cerrado. Toda a minha gente virou as armas para fora do acampamento e fogo. Tiro a tiro, rajadas, valia tudo. E para animar a festa e a pedido, entram os morteiros no festival. As suas granadas começam a rebentar junto á picada. E toda a minha exige mais perto, mais perto. As morteiradas sucedem-se cada vez mais perto, o morteiro cada vez está mais na perpendicular, até que por fim, e quando nós também já tínhamos percebido que as granadas rebentavam perto até de mais, os comandantes mandaram por fim aquele festival de doidos. Não houve mais incidentes, ninguém se feriu ou aleijou, e depois dos comentários da praxe ao ocorrido, tudo para o vale de lençóis. Tudo numa boa. O pior foi de manhã ao acordarmos. O capitão dos engenheiros andava de volta das suas viaturas e apontava para os estilhaços com que as suas viaturas tinham sido presenteadas. Mas o pior foi dois pneus das motoniveladoras que tinham ficado cravejados e todos esburacados, e aqui nada havia a fazer senão substituí-los por novos. Estamos a falar de pneus enormes, da altura dum homem mediano, e que há altura, nem havia muitos e eram caríssimos…Que grande bronca!


Alves, Teixeira e Rodrigues do 1º pelotão da C.Caç. 3413 e mais 4 da Cª. Eng. 2579

Do lado direito, a célebre “forja”



Nas matas do Luaia, ora em posição de combate, ora em descanso,

aqui em amena “cavaqueira” com os furriéis Lopes e Camelo da C.Caç. 1311.


Desbravar estas matas e remover tanta terra era “obra” …


Momentos de descontracção em que as rainhas da festa eram as Cucas e Nocais. Ao centro, o capitão Videira, o furriel enfermeiro Martins (já falecido) e o furriel Pedrosa, todos  da 1311. O restante pessoal é da nossa 3413, furriéis Alves, Teixeira, Rodrigues, Mendes, Maia, Penedo.


A picada serpenteando a mata.

Joaquim Alves


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É o fim da picada!

Já passou um mês desde que fomos “plantados” nestas terras inóspitas algures no Uíge e a rotina das dificuldades de todos os dias começava a fazer mossa. O paludismo também já deu sinais de vida provocando algum desânimo nas hostes, mas a vida lá continuava, ainda não era o fim da picada!

As máquinas da engenharia militar trabalhavam a todo o gás para aproveitar a época seca, mas as gargantas e narizes é que “pagavam” a conta do imenso pó que pairava no ar.

Ainda havia muita picada para desbravar, era preciso manter a moral elevada porque o fim da comissão ainda não se vislumbrava no horizonte, tal como esta picada que parecia não ter fim.

Nesta foto vemos um morteiro de 120 mm que lá do alto dominava os montes circundantes e que viria a ser utilizado no dia 7 de Outubro de 1971, o primeiro dia em que ouvimos as Kalashnikov em contraponto com as G3.

 Mário Mendes