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Lembranças do passado

O amigo e companheiro Ramiro Carreiro deu à estampa mais estas duas fotos, uma a bordo do navio Vera Cruz que transportou a C.Caç. 3413 desde Lisboa até Luanda entre os dias 31 de Julho e 9 de Agosto de 1971 e outra no aquartelamento da Mamarrosa.

A data de 31 de Março de 1972, já depois de termos realizado a operação “sequência” descrita no artigo anterior e antes de partirmos para a Mamarrosa em 8 de Abril de 1972, um período de “férias” nas intermitências da guerra que a nossa condição de companhia de intervenção nos proporcionava, trás à memoria do Carreiro um acontecimento de que não tenho grande recordação, que foi a explosão de um paiol de munições no Grafanil, mesmo atrás das casernas dos nossas praças.

A16

A3

 Só reconheci 2 nomes no conjunto das fotos, o Carreiro já identificou os restantes, mas por agora não vou divulgar os seus nomes. Quem se atrever a dar palpites faça o favor de se chegar à frente. Vamos lá ver quem é que toma “memofante”. Dentro de dias dou a “chave”.

Um abraço para todos, Boa Páscoa.

Mário Mendes


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Recordações de outros tempos

Companheiros da C.Caç. 3413, lembram-se do dia 9 de Agosto de 1971? Pois é, faz hoje 43 anos que a bordo do navio Vera Cruz atracamos no porto de Luanda. 

Depois de tantos anos as memórias desse dia e dos outros que se seguiriam já se vão esfumando, mas as fotos que ficaram para a posteridade ajudam-nos a remexer nesse passado distante.

Uma vez mais o nosso companheiro Ramiro Carreiro do Canadá enviou as fotos que se seguem e que aqui se publicam para memória futura:

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Um companheiro que identifico e que integra as 3 fotos é o ex-furriel Leitão e por isso trata-se de elementos do 4º grupo de combate. Quem souber identificar os restantes companheiros que não fique calado.

O Ramiro Carreiro também é visível nas duas últimas fotos e na primeira os cabeças da fila são o Leitão na esquerda e o Pimentel na direita.

Estas fotos revelam que a tropa era “pau” para toda a obra, que lutava não só com a G3 mas também com outras “armas”, neste caso implantando postes de iluminação.

Um abraço para todos.

Mário Mendes


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Recordações da guerra colonial

 COISAS DO SÉCULO PASSADO EM TEMPO DE GUERRA

Em mais uma visita ao meu “baú da guerra colonial”, considerei interessante
dar a conhecer mais algumas das minhas relíquias. A primeira foto é a imagem
referente ao estado de construção da ponte de Lisboa sobre o Rio Tejo, a 21
de agosto de 1965, data da nossa partida para Angola. A seguinte retrata o
transporte da refeição na Magina, reservado aos soldados, depois de
recebida no “Self Service” junto das panelas de um local chamado de
cozinha, assim foi durante cerca de dezassete meses. A seguinte,
pode contribuir para garantir o contraditório, palavra muito em voga nos
debates que agora por aí se travam. Esta ideia foi ganhando corpo na medida
em que se iam divulgando algumas das condições existentes no transporte das
tropas no Paquete Vera Cruz, algumas dessas condições eram uma autêntica
miragem para as praças que também aí eram levadas para o território
desconhecido, muito diferente daqueles que tinham direito, nomeadamente, a
uma ementa impressa em papel couchet, eu ainda tive a sorte de ser
instalado numa tarimba, com mais cerca de cinquenta camaradas, na sala das
senhoras, outros, muitas centenas foram transportados nos porões.  Contudo,
não foram certas “mordomias” para algumas  classes que impediram que essas
mesmas classes se envolvessem, de forma determinante, desde a primeira
hora, nessa jornada maravilhosa que foi o 25 de Abril de 1974. A última é fotocópia
de um recibo referente ao salário de um soldado, que no caso sou eu,
já com a subvenção, quando em campanha na guerra colonial (menos de quatro
euros da moeda agora em vigor) .

Texto e fotos de: Horácio Marcelino (C.Art. 1405 do B.Art. 1852)


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Aniversário da chegada a Luanda

Faz hoje 41 anos que o navio Vera Cruz aportou em Luanda, depois de 9 dias a marear desde Lisboa, cheio de jovens militares para participarem na guerra colonial que em 1961 rebentou em Angola.

Após o desembarque não tivemos muito tempo para apreciar a paisagem circundante, porque logo ali estava um comboio para nos transportar, como sardinha em lata, para o Grafanil, um campo militar onde muitos milhares de tropas se concentravam, uns acabados de chegar, outros já prontos a partir para Portugal depois de uma comissão de dois anos.

A cor dos camuflados indicava bem quem eram uns e outros e também a fisionomia não enganava, os “maçaricos” com um rosto fechado e desconfiado à espera do desconhecido, os “velhinhos” de sorriso aberto e foliões aguardando o tempo de fazer o percurso inverso ao nosso.

Para recordar esse tempo, aqui vão fotos que colhi da net. Felizmente também tivemos tempo de conhecer a bela cidade de Luanda para esquecer as amarguras da guerra.

Mário Mendes


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Passagem do equador

Neste dia, há 40 anos, a bordo do navio Vera Cruz, os militares da C.Caç. 3413 e muitos outros integrantes de outras companhias/batalhões, companheiros de viagem e de destino, cruzaram pela primeira vez a linha do equador.

Sempre foi motivo de orgulho entre os marinheiros esta “façanha” e nessa viagem o facto foi também assinalado com muita alegria e brindes de saúde e sorte para que dois anos depois, finda a comissão a linha fosse novamente cruzada.

Lembro-me até de alguns que nessa altura foram verificar se conseguiam vislumbrar a dita linha observando atentamente o navio a sulcar as águas, esquecendo-se que a linha é mesmo imaginária e que divide a terra em dois hemisférios. Não viram a linha mas sim muitos peixes voadores a saudarem-nos com as suas acrobacias.

Já estávamos no hemisfério Sul a caminho de Luanda e em 2 de Outubro de 1973 voltamos a passar para o lado norte da linha regressando a casa mas desta vez pelo ar.

Não posso deixar de evocar aqueles milhares que voltaram a cruzar o equador sem poderem contar aos seus familiares e amigos essa epopeia, porque a guerra lhes roubou a vida.

O nosso companheiro açoreano António Machado foi um deles, está sepultado na sua terra natal, o angolano Emanuel Aguiar, de origem madeirense também não voltou a cruzar a “linha” e lá ficou no hemisfério Sul.


Mário Mendes


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O “Vera Cruz” que nos levou para Angola


Faz hoje 40 anos (31/07/1971) que partimos a bordo deste navio rumo à guerra que já durava há 10 anos em Angola, tendo chegado a Luanda no dia 9 de Agosto.

Navio-almirante da marinha mercante portuguesa e da frota da Companhia Colonial de Navegação, o Vera Cruz foi entregue à CCN a 23 de fevereiro de 1952, no porto de Antuérpia (Bélgica), depois de concluir com êxito as provas de mar.

Além de ser o maior navio português, o Vera Cruz era também a maior unidade até então construída na Bélgica, tendo assistido à cerimónia de entrega do paquete as individualidades mais importantes daquele país.

Comandado por Hilário Filipe Marques, o Vera Cruz deixou Antuérpia a 28 de fevereiro, chegando a Lisboa a 2 de março de 1952.

Durante a estadia no Tejo, o Vera Cruz foi visitado pelas grandes figuras do regime, com destaque para o presidente da República, general Craveiro Lopes, presidente do Conselho de Ministros, António de Oliveira Salazar.

Com 21.765 toneladas de arqueação bruta, o Vera Cruz tinha 185,75 metros de comprimento fora-a-fora, 23 metros de boca (largura) e 15,80 metros de pontal.

O navio estava equipado com dois grupos de turbinas Parsons, desenvolvendo a potência de 25.500 cavalos-vapor e atingindo a velocidade máxima de 23 nós (42,6 quilómetros horários). A velocidade de cruzeiro era de 20 nós.

Cada um dos dois hélices de três pás do paquete pesava 16 toneladas e o Vera Cruz consumia 140 toneladas de fuel oil (óleo combustível) e 200 toneladas de água por cada dia de navegação.

Foram instalados a bordo os mais modernos aparelhos de ajuda à navegação, nomeadamente agulha giroscópica, piloto automático, odómetro eléctrico, radar com alcance de 30 milhas (55,5 quilómetros), radiogoniómetro, sonda e radiotelefone.

O Vera Cruz dispunha de alojamento para 1.242 passageiros instalados em 289 camarotes, distribuídos em três classes: 148 passageiros em primeira classe, 250 em segunda, 844 na terceira classe.

Os interiores deste paquete eram considerados luxuosos para a época, incluindo numerosos salões, bares, cinemas, jardim de inverno, duas piscinas e amplos tombadilhos e solários, hospital com cinco enfermarias, salas para crianças e todas as facilidades consideradas necessárias para um grande transatlântico, incluindo ar condicionado.

Realizou a viagem inaugural partindo de Lisboa em 20 de março de 1952 e fez a primeira escala no porto do Rio de Janeiro em 29 de março.

O Vera Cruz tinha 350 tripulantes, dentre os quais 38 oficiais.

Muitos estão lembrados, ou já ouviram falar, da grandiosa despedida do Vera Cruz ao deixar Lisboa em viagem inaugural, rumo ao Brasil. Mas, poucos sabem como foi a recepção do outro lado do Oceano Atlântico.

A primeira escala do Vera Cruz ao Brasil deu-se no sábado, dia 29 de março de 1952, no Rio de Janeiro. Como a Imprensa havia noticiado com antecedência a chegada do famoso transatlântico, a cidade despertou cedo, milhares de pessoas aglomeraram-se na Praça Mauá e nas proximidades do porto.

Devido a forte nevoeiro, houve um atraso e somente após as 12 horas foi feita a atracação do tão esperado paquete português.

Brasileiros e portugueses, sob sol ardente, esbanjavam alegria, sem conter seu entusiasmo. Nunca um navio de qualquer nacionalidade foi tão bem recebido.

Com o deflagrar dos conflitos de libertação colonial em Angola e Moçambique, a partir de 1960, o Estado português viu-se na obrigação de reforçar militarmente as suas colónias na tentativa de conter e eliminar os focos de resistência à ordem estabelecida.

Assim, no decorrer de 1961, várias unidades da marinha mercante de Portugal foram requisitadas pelo governo para servirem como transporte de tropas ou como navios de carga de material bélico.

O Vera Cruz não escapou à nova realidade e, ao retornar a Lisboa de sua viagem, a que seria na verdade a última, na Rota de Ouro e Prata (efectuada em março e abril daquele ano), o transatlântico foi rapidamente adaptado para as funções de navio-transporte e posto sobre o controle operacional da Marinha de Guerra, sempre, porém, com as cores da CCN.

Seguiu-se a partir de então um longo período onde alternaram-se viagens sob o comando naval e viagens puramente comerciais, a maioria destas realizadas entre Lisboa e Lobito/Luanda (Angola).

Esta fase durou até 1971. Em janeiro do ano seguinte, o transatlântico, após realizar uma viagem como transporte de tropas, foi ancorado no Rio Tejo, aguardando-se a decisão sobre o futuro.

Tal decisão só foi tomada um ano mais tarde e ela marcaria o fim do transatlântico. Transcorridos apenas 20 anos de sua entrada em serviço, sendo portanto relativamente novo e ainda em condições de serviço, o Vera Cruz foi vendido para desmonte e sucata a uma empresa especializada de Taiwan.

Em 4 de março de 1973 largou pela última vez as amararas do cais de Lisboa com destino a Formosa, desaparecendo assim dos oceanos, mas não de nossa memória, que lhe guarda recordação perene.

Fonte: Jornalista José Carlos Silvares, do jornal A Tribuna, Santos, Brasil.