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Boas Festas

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Mais um ano chega ao fim, é vê-los passar, mas o que importa é que a saúde não nos falte para podermos celebrar mais alguns. Recordando o ano de 1972, aqui está um postal que um nosso companheiro africano da C.Caç. 3413 me dedicou.

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Nesta quadra festiva lembramo-nos também dos elementos da nossa companhia que já partiram, alguns são já do nosso conhecimento, mas há dias soube por intermédio de um primo que o Eduardo Mota Teixeira, açoriano da ilha de São Miguel também já tinha deixado este mundo. No Luvo ele exerceu as funções de padeiro e portanto todos comemos do pão que ele amassou. Descansa em paz amigo. Morava no Nordeste, onde está também outro companheiro, o Carlos Cabral Pimentel que aparece nesta foto (1º de pé a contar da esquerda).

futebol_mamarrosaJá passaram muitos anos, é-me difícil identificar os restantes, mas entre todos certamente vamos conseguir saber quem são.

O dia 22 de Dezembro de 1971, foi também muito triste porque faleceu o Emanuel Firmino Nunes Aguiar, o “Maria”, um madeirense residente em Angola que integrou o contingente local da nossa companhia. Aqui vai uma foto para recordar. É o que está com chapéu.

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A todos um Bom Natal e um próspero  Ano Novo.

Mário Mendes


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Natal 2013

É NATAL. Aproxima-se o 25 de dezembro, data festiva comemorada em todo o mundo, “plantamos” uma árvore num canto da sala, oferecemos presentes aos familiares e amigos, junta-se a família para um jantar especial.

As crianças estão ansiosas que os seus desejos formulados em carta que enviaram ao Pai Natal se tornem realidade.

Para quem nos lê, votos de FELIZ NATAL e PRÓSPERO ANO NOVO.

Neste dia há 42 anos (22-12-1971) o NATAL da C.Caç. 3413 ficou carregado de tristeza porque sofremos a primeira baixa em Angola, o soldado Emanuel Firmino Nunes Aguiar, que aqui recordamos na foto que se segue. O Emanuel é o que está com chapéu.

BOAS FESTAS

Mário Mendes


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A todos um bom NATAL

Há 40 anos atrás, no Natal de 1971 a CC3413 estava dividida entre Quimaria, Toto e Cecília, lugares inóspitos nos confins do Uíge, norte de Angola e para a grande maioria foi talvez o primeiro Natal longe dos familiares e amigos e ainda por cima em clima de guerra.

Trocaram-se votos de saúde, paz e amor entre os companheiros de armas, a nossa família de ocasião para os bons e maus momentos e mais outro Natal, o de 1972 foi festejado desta vez na província do Zaire, entre os aquartelamentos de Mamarrosa e Luvo.

Hoje festejamos esta quadra no seio da família biológica, mas não nos esquecemos daqueles amigos companheiros que há 40 anos partilharam connosco alegrias e tristezas. Muitos de nós já viram partir os pais, mas vieram os netos para nos encherem de alegria. Felizes aqueles que ainda conseguem juntar à mesa da consoada quatro gerações.

A Todos um Bom NATAL!

Mário Mendes


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Natal de 1971 em Quimaria

Num livro de memórias e ficção que penso um dia publicar tenho uma passagem intitulada “O Natal em Quimaria”, que nesta quadra natalícia pretendo partilhar com os leitores do blog e especialmente os camaradas da CCaç. 3413.

Na vida de cada um há sempre um Natal diferente, mais ou menos emotivo. Este passou-se longe no tempo e na distância.

Na noite de Natal de 1971, quando a saudade da família e da terra tocava mais perto encontrava-me em convívio com o Firmino e mais dois companheiros e fritávamos bifanas provenientes da caçada da tarde, num fogareiro a petróleo, ao mesmo tempo que as íamos comendo regadas com umas cervejas Nocal.

Ao nosso lado estava um velho rádio leitor de cassetes a pilhas, herdado dos «velhinhos» recém partidos, que passava uma gravação de Paul Mauriat.

O Firmino era o enfermeiro que alinhava comigo nas saídas do grupo de combate. Era também um veterano da tropa, pois quando estava para passar à disponibilidade apanhou uma “porrada” que o fez descer a soldado e o mobilizou para África. Andava sempre deprimido e pensativo e a sua melhor companhia era o silêncio.

Seria perto da meia-noite, quando se ouviu um estrondo vindo das profundezas da noite.

Gerou-se uma confusão de gritos e ordens e cada qual procurou um buraco onde se meter.

As luzes tinham-se apagado e o leitor tocava agora o tema de Casablanca.

Os «maçaricos» que estávamos a instruir metiam as balas na câmara e iniciavam a sua primeira guerra, disparando em todas as direcções.

Tanto eu como o meu companheiro procurámos atingir rapidamente os nossos postos de responsabilidade: o posto de transmissões e o posto de enfermagem.

Os oficiais corriam pela parada a gritar ordens que ninguém ouvia. Os furriéis gatinhavam empurrados pelos estrondos e ganhavam as suas secções.

E o capitão de pijama, o tenente em cuecas e os alferes aflitos e a praguejar.

– Onde estão os gajos, vamos a esses gajos!

O capitão queria saber de onde vinha o fogo. Onde era a sua guerra.

– Façam fogo! Disparem à vontade! Fogo nesses cabrões!

As Bredas dos postos de vigia engoliam as fitas de balas e vomitavam-nas na direcção da noite iluminada pelos clarões.

Transmiti o acontecimento a um major que me apareceu em directo, mas as armas calaram-se logo de seguida.

No comando do sub-sector, o coronel somava mais uma vitória e o direito a uma promoção.

Que belo Natal! Em vez de presentes e bolo-rei apanhamos com uma festa de tiros e morteirada, que mais parecia um arraial.

Embora se dissesse que tinha sido um ataque a sério, parece que nunca ninguém chegou a saber do que se tratou. O mais provável é que tivesse sido a deflagração de uma velha mina ou granada, por algum animal à procura do jantar.

Em Quimaria não há civis nem aldeia e tudo é um deserto de capim e savana onde se vêem elefantes, pacassas e leões.

Numa das casernas houve quem improvisasse uma espécie de presépio, que até tem Árvore de Natal. Serve de atracão e veneração. As figuras são toscas e assemelham-se a soldadinhos de chumbo, vestidos com camuflado.

Foi assim o nosso Natal de 1971, nos confins de Angola, perdidos num mundo onde o perigo espreitava a cada passo.

José Rosa Sampaio


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Natal, tempo de Amor e Paz

O Natal é sempre um tempo muito especial, principalmente para quem está deslocado do seu lugar de origem, longe dos seus familiares, mas em tempo de guerra esta quadra é ainda mais especial, porque não faz sentido estar em guerra, quando os valores que se apregoam são o Amor e a Paz.

Em 1971, o meu Natal em África foi passado na base táctica da Cecília, um aquartelamento feito de barracas de lona situado no cimo de um morro, nas terras do demo, na província do Uíge, onde o lugar mais próximo era o Toto. Não me lembro de muita coisa desse tempo, nem sequer tivemos direito à presença da rádio ou televisão que costumava visitar os aquartelamentos para que os militares gravassem a tão célebre mensagem de Natal e Ano Novo, quase sempre terminada com o “Adeus, até ao meu regresso”.

Em 1972, no dia de Natal estava no Luvo, província do Zaire, e guardei uma foto da consoada.

Nesse ano, um soldado angolano da minha secção mandou fazer um postal de Natal personalizado e teve a gentileza de me oferecer um, gesto que muito me sensibilizou. Na verdade, o José Manuel da Costa era um verdadeiro amigo, e passados que são 37 anos, aqui recordo esse gesto. Por isso, amigo Zé Manel, onde quer que estejas, o meu reconhecimento pela tua amizade.

Aproveito a ocasião para desejar aos dois povos (angolano e português) as maiores prosperidades, que a cooperação entre ambos seja cada vez mais profícua e que a Paz esteja sempre presente.

Que os decisores políticos sejam “iluminados” para decretarem o fim de todas as guerras que assolam o Mundo, porque estas só trazem destruição, sofrimento e morte. O dinheiro que a guerra consome deveria servir para combater as doenças e a fome que atormentam tanta gente.

Para todo o pessoal da C.Caç. 3413 e seus familiares, para todos quantos nos lêem, para todo o Mundo, votos de um Feliz Natal e um Ano Novo com muita Saúde, Amor e Paz.

Mário Mendes