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Memórias vivas.

Há dias fui surpreendido com um telefonema vindo dos Açores, ilha de S.Miguel, de um irmão do nosso saudoso companheiro António Amaral Machado. O Fernando Machado teve conhecimento deste nosso blog e procurava saber das circunstâncias da morte do seu irmão e por isso facultei-lhe a lista dos contactos activos da nossa companhia.

Já falei com ele mais vezes e também já sei que ele ligou a alguns dos companheiros, no sentido de lhe darem mais informações. Ele tinha apenas 11 anos quando o irmão perdeu a vida ao serviço da Pátria e as saudades são mais que muitas.

Caros companheiros, é favor consultarem os vossos álbuns e se possuírem fotos onde esteja o António Machado é favor enviá-las para o seu e-mail: YOUFLY1@HOTMAIL.COM

Duas fotos, uma antes de ingressar no serviço militar e outra já no teatro de operações, junto de uma viatura que certamente conduziu muitas vezes, na sua especialidade de condutor auto.

A sua terra natal, freguesia de Santo António, concelho de Ponta Delgada, homenageou os combatentes, filhos da terra que perderam a vida na guerra em terras africanas, e nós seus companheiros associamos-nos  também a esta justa homenagem.

Até um dia, amigo e companheiro!

 

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Açores, 1938.

Caros amigos, companheiros, camaradas, é sempre com alegria e emoção que voltamos aos Açores. Desde 1971, data em ali estivemos, até ao presente, muita coisa mudou, mas as belezas naturais continuam como sempre e puxando a “culatra” atrás quando a maior parte de nós ainda não tinha nascido é maravilhoso ver este filme editado em 1938 do acervo da cinemateca nacional que poderá ver clicando AQUI.


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Açores, 2013. O programa.

Conforme já aqui tinha ventilado e como foi tema de conversa no encontro de 2012, a viagem aos Açores em 2013 já está em marcha. Com a colaboração do nosso amigo e camarada Penedo foi possível encontrar um programa que vai ao encontro daquilo que tinha planeado e que penso será do agrado da maioria dos companheiros da C.Caç. 3413.

Trata-se de uma viagem em grupo e por isso além de mais económica, muito importante nos dias de hoje, não requer qualquer outra diligência da nossa parte. É só preparar as malas e partir.

Alguns companheiros  já manifestaram grande vontade de participar nesta iniciativa e até lá esperamos que muitos mais se decidam a aproveitar esta oportunidade.

Já temos alguns contactos de companheiros nossos nos Açores que na devida altura serão contactados para um encontro que certamente será emocionante, e até lá cada um de nós irá tentar localizar mais elementos da nossa companhia.

O preço da viagem pode ser um handicap, mas com imaginação e arte, não será obstáculo intransponível. Eu, já comecei há algum tempo a fazer o meu mealheiro.

Para consultar o programa clique AQUI.
Mário Mendes


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O encontro de 2012 já foi. Venha o próximo!

Mais um ano de confraternização da C.Caç. 3413, juntou em Lisboa alguns camaradas que responderam à chamada e assim mais uma vez se cumpriu a tradição.

Recordar os tempos longínquos que passamos em África e no final brindar à saúde de todos para que estes convívios possam perdurar no tempo.

Este ano a confraternização ficou marcada pela triste notícia do infortúnio que bateu à porta do nosso amigo Amândio Leitão pelo falecimento recente do seu filho no dia 10 deste mês.

Ao nosso amigo e esposa enviamos um abraço solidário para que tenham força para superar esta situação difícil e contranatura da lei da vida quando os pais vêem partir os filhos.

No próximo ano se Deus quiser faremos o XVIII e também continua em pé a hipótese de uma viagem aos Açores. Para aqueles que nunca lá foram aproveitarão para conhecer a beleza do arquipélago. Para outros que lá estiveram no ano de 1971 e não lá tornaram será uma excelente oportunidade para recordar velhos tempos e para aqueles que já lá foram uma ou mais vezes, voltar aos Açores é sempre um fascínio.

Aqui vai um pequeno vídeo do encontro de 2012.


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Açorianos recordam guerra colonial

Lino de Freitas Fraga, corvino, que nasceu em 1944, escreveu recentemente o livro “Pátria porque nos abandonas? Sofrimentos de uma Guerra”

“Pátria porque nos abandonas? Sofrimentos de uma Guerra” é como se intitula o livro de Lino Freitas Fraga, que será apresentado hoje às 17h30 pelo professor Carlos Cordeiro, na Universidade dos Açores. Em entrevista à TSF-Açores, o corvino que nasceu em 1944 explica que o seu livro consiste em contar histórias de cerca de 27 “camaradas” que estiveram no Ultramar, assim como ele. O que é que o levou a escrever este livro e porquê agora? A gota de água que me enviou para a escrita deste livro surgiu numa conversa com um amigo meu, antigo camarada do Ultramar. Ele contou-me que um colega nosso se encontrava a viver lastimavelmente e decidi ir entrevistá-lo. Depois de ver as condições desumanas em que ele vive, porque não tem reforma e encontra-se completamente arrasado psicologicamente devido à guerra, comecei a procurar mais pessoas disponíveis para dar testemunhos, sendo que muitas delas preferiram o anonimato. Portanto, são relatos de quem esteve em África, na guerra, que regressando aos Açores se sentem abandonados, ou seja, por conta própria? O Estado não providencia qualquer tipo de ajuda? Completamente abandonados…O único político, depois do 25 deAbril, que ainda fez alguma coisa pelos militares, embora pouco, foi o Dr. Paulo Portas, dando uma pequena pensão anual no valor de cerca de 140 euros. Quando se fala destes heróis esquecidos e se fala nas cicatrizes de guerra, talvez as mais profundas são as que ficam na mente…Teve conhecimento deste tipo de problemas durante a recolha que fez? Sim, e estão alguns bem relatados no livro. Entrevistei pessoas que começaram a dar a entrevista completamente à vontade, que davam o nome e deixavam tirar fotografias para o mesmo, mas a meio da entrevista ficavam muito emocionados. Em regra como vivem ou sobrevivem essas pessoas? Alguns dos que entrevistei vivem bem devido às suas vidas profissionais, habilitações literárias e às reformas, mas outros que regressaram com a quarta classe e deixaram de poder trabalhar, ainda com a agravante dos traumas que foram aparecendo ao longo dos anos, estão a viver abaixo do linear da dignidade humana. A intenção do livro é mostrar às entidades públicas as tragédias familiares que existem. Os que vivem melhor são os que vieram deficientes das forças armadas; os que vivem pior são os que fisicamente estão bons mas com doenças do foro psiquiátrico. O Lino Fraga também esteve em Angola…Qual foi o cenário que lá viveu? Cheguei a Angola no dia 30 de Agosto de 1966, com 21 anos, já com dez meses de tropa. Cheguei a casa com 24 anos…Eu pertencia à Força Aérea e nós não íamos para o mato nem entrei em combates; o que fiz mais foi serviço burocrático e carregar bombas. Marcaram-me muito as coisas que vi e a que assisti…Impressionava-me ver gente mais ou menos da minha idade sem pernas e a gritar com dores. Não gritavam com medo… era mais raiva. Ao longo dessa sua estadia em Angola e depois dos depoimentos que foi recolhendo, que imagem pretende transmitir às pessoas destes tempos de Angola, Moçambique e Guiné? Ninguém imagina o que foi para as famílias portuguesas, neste caso açorianas, viver treze anos na angústia da guerra. Era uma vida complicada, tanto para os que iam como para os que ficavam e houve famílias de luto em todas as ilhas, talvez em todas as freguesias… No total da Guerra existiram mais de dez mil mortos e mais de trinta mil estropiados.

• Paulo Simões/Bruna Ferreira
2012-2-3 por Açoriano Oriental em http://www.acorianooriental.pt


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5 de Fevereiro de 1973

Este foi um dos dias mais tristes da comissão de 2 anos que passamos em Angola. Depois da primeira baixa que ocorreu a 22 de Dezembro de 1971 que vitimou o companheiro Emanuel Firmino Nunes Aguiar por acidente com arma de fogo, a morte do condutor do Unimog António de Amaral Machado, açoriano da ilha de São Miguel, freguesia de Santo António, vítima do rebentamento de uma mina anti-carro colocada pelo inimigo na picada onde três dias antes outra mina desfez outra viatura, foi um episódio que “minou” também a moral das nossas tropas, porque nestas circunstâncias em que não se vê o inimigo, a luta torna-se muito cobarde e desigual.

39 anos depois deste fatídico dia, recordamos com saudade este nosso companheiro e há dias solicitei por e-mail ao Presidente da Junta de Freguesia de Santo António onde está sepultado, que se lhe fosse possível me enviasse uma foto da campa. Ainda não houve resposta, ficamos a aguardar, mas como temos planeada uma viagem aos Açores para 2013, nessa altura não deixaremos de “in loco” nos curvarmos perante a sua memória e colocar um ramo de flores em homenagem a este herói, que aos 22 anos deu a vida pela Pátria.

Mário Mendes


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Os Açores na guerra do Ultramar

Ciclo de Conferências – debate

Texto e demais elementos informativos cedidos por Carlos Cordeiro

(ex- Furriel Mil.º At. Inf – CICmds – Angola – 1969/1971

Os Açores e a Guerra do Ultramar – História e

Memória(s) 1961 – 1974


22 de Julho de 2011 – 17H30


“Os Açores e a Guerra do Ultramar – 19611974: história e memória(s)”

No âmbito do ciclo de conferências-debate “Os Açores e a Guerra do Ultramar – 1961-1974: história e memória(s)”, António Vasconcelos Raposo, antigo combatente em Angola como oficial Fuzileiro Especial e Valdemiro Correia, antigo combatente também em Angola como alferes miliciano “Comando”, proferirão, no próximo dia 22 do corrente (6.ª feira), a conferência “A Guerra Colonial: do emocional à exigência histórica do racional, a visão de dois oficiais da tropa de elite”. O evento terá lugar no anfiteatro “C” do Pólo de Ponta Delgada da Universidade dos Açores, com início pelas 17H30 e estará aberto à participação de todas as pessoas interessadas.

Trata-se de uma organização do Centro de Estudos Gaspar Frutuoso do Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores, que teve início em 6 de Maio p. p., com a conferência do Ten-Gen. Alfredo da Cruz “A Força Aérea na Guerra do Ultramar: experiência de um piloto de combate”, a que seguiu a do Coronel José M. Salgado Martins, “O Exército na Gerra do Ultramar: experiência de um comandante de companhia.  

 Notas biográficas do Dr. António Vasconcelos Raposo

António Jacinto Branco Vasconcelos Raposo Nasceu em Ponta Delgada, São Miguel em 1950. Depois de frequentar o então Liceu Nacional de Ponta Delgada, rumou a Lisboa, onde se licenciou em Educação Física. Na Faculdade de Motricidade Humana, concluiu o mestrado em Ciências do Desporto, na vertente de Alto Rendimento em Natação. É treinador Superior e de nível 4, tendo preparado atletas de alta competição que alcançaram importantes êxitos desportivos.

 Cumpriu o serviço militar obrigatório como oficial Fuzileiro Especial tendo cumprido uma comissão de 1973 a 1975 em Angola, no Leste.

 É autor de diversos livros sobre questões ligadas ao desporto, sobretudo no âmbito do ensino e treino de natação.

No corrente ano publicou, na Sextante, o livro Até ao fim. A última operação”, um romance inspirado em factos reais vividos pelo autor na guerra.

 No âmbito do desempenho profissional recebeu vários louvores e condecorações.

 Notas biográficas do Dr. Valdemiro Correia

Valdemiro Correia natural de S. Roque, Ponta Delgada, estudou na Escola Industrial e Comercial local. Licenciou-se em Educação Física e concluiu o mestrado em Ciências da Educação. Foi professor do Ensino Secundário e também colaborador da Universidade de Évora.

Prestou serviço militar em Angola, em 1974, como alferes miliciano da 42.ª Companhia de Comandos. Passou à disponibilidade em 1975.

 Em 2008, publicou o seu primeiro livro: A Fisga, em que relata as suas experiências em três fases da vida: as de rapaz e jovem da freguesia tão característica como a de S. Roque, a de cadete, na sua preparação militar para a guerra, e a de alferes, comandante de um grupo de combate da 42.ª Companhia de Comandos em Angola.