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A mata do Luaia

O braço armado da FNLA, ELNA (Exército Libertação Nacional de Angola) tinha a sua principal base logística de apoio e treino desde 1962 em Kinkuzu na República do Zaire, actualmente denominada República Democrática do Congo desde 1996.

KINKUZU

Era daqui que se infiltrava em Angola pela fronteira norte nas províncias do Zaire e do Uíge para perpetrarem ataques às nossas tropas no interior do norte de Angola e um dos seus santuários, a par da floresta dos Dembos, mais para sul, onde se escondiam com meios humanos e materiais era precisamente a mata do Luaia, onde corria o rio com o mesmo nome.

Era uma zona de planalto composta por savana e matas densas de difícil penetração e foi por isso que as chefias militares de Angola resolveram em finais de 1969 entregar à engenharia militar a missão de a partir do Toto abrir uma picada em direcção aquelas matas para permitir às nossas tropas um acesso mais rápido.

Na época em que ali estivemos, finais de 1971 e princípios de 1972, não sabemos quem seria o principal comandante do ELNA na zona, mas ouvíamos falar no Pedro Afamado, um guerrilheiro experiente e especialista em preparação de emboscadas que causaram grandes perdas às nossas forças. Uma dessas emboscadas já aqui foi referida num post publicado em 21 de Novembro de 2011, sob o título “Sangue no Capim” de que foi vítima um grupo de combate do aquartelamento de Calambata. Há relatos na net de outra que ocorreu em 1969 na picada entre Quimaria e Toto e ainda outra em Agosto de 1970 em que um grupo de combate pertencente ao aquartelamento de Lucunga composto por 29 elementos sofreu 11 mortos, 8 feridos graves e um desaparecido.

Aqui está um trecho da picada construída penetrando a mata do Luaia em que também fomos protagonistas contribuindo com o nosso esforço para a segurança de homens e máquinas.

Mário Mendes

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