A mata do Luaia

24 comentários

O braço armado da FNLA, ELNA (Exército Libertação Nacional de Angola) tinha a sua principal base logística de apoio e treino desde 1962 em Kinkuzu na República do Zaire, actualmente denominada República Democrática do Congo desde 1996.

KINKUZU

Era daqui que se infiltrava em Angola pela fronteira norte nas províncias do Zaire e do Uíge para perpetrarem ataques às nossas tropas no interior do norte de Angola e um dos seus santuários, a par da floresta dos Dembos, mais para sul, onde se escondiam com meios humanos e materiais era precisamente a mata do Luaia, onde corria o rio com o mesmo nome.

Era uma zona de planalto composta por savana e matas densas de difícil penetração e foi por isso que as chefias militares de Angola resolveram em finais de 1969 entregar à engenharia militar a missão de a partir do Toto abrir uma picada em direcção aquelas matas para permitir às nossas tropas um acesso mais rápido.

Na época em que ali estivemos, finais de 1971 e princípios de 1972, não sabemos quem seria o principal comandante do ELNA na zona, mas ouvíamos falar no Pedro Afamado, um guerrilheiro experiente e especialista em preparação de emboscadas que causaram grandes perdas às nossas forças. Uma dessas emboscadas já aqui foi referida num post publicado em 21 de Novembro de 2011, sob o título “Sangue no Capim” de que foi vítima um grupo de combate do aquartelamento de Calambata. Há relatos na net de outra que ocorreu em 1969 na picada entre Quimaria e Toto e ainda outra em Agosto de 1970 em que um grupo de combate pertencente ao aquartelamento de Lucunga composto por 29 elementos sofreu 11 mortos, 8 feridos graves e um desaparecido.

Aqui está um trecho da picada construída penetrando a mata do Luaia em que também fomos protagonistas contribuindo com o nosso esforço para a segurança de homens e máquinas.

Mário Mendes

24 thoughts on “A mata do Luaia

  1. Estive no Toto desde primeiros dias de Novembro/1973 até finais de Dezembro de 1974. Quase 14 meses! Efectivamente o comandante da FNLA/ELNA para a área do Toto, Bembe, Quimaria, Quibala, Beça Monteiro, etc. era o Pedro Afamado. Com o fim da guerra e a descolonização deu-se uma aproximação “respeitável” entre militares portugueses e da FNLA/ELNA. Jé em 1975, recebemos ordens, inclusive, para entregar à FNLA o aquartelamento da Tentativa (já tínhamos abandonado o Norte) e material de guerra (pouca coisa para fingir que o Governo Português era imparcial). Promovia-se mesmo almoços de “confraternização” (uma porra, descupem-me!) entre oficiais e sargentos portugueses e “comandantes” da FNLA. Conheci então o “comandante” Pedro Afamado no Dande. Um homem fisicamente enorme, bem disposto, que se gabava de “se eu quisesse tínha-vos apanhado todos à mão!”.
    Gostei de ter descoberto este blog. Vou passar a visitá-lo mais vezes.

    António Marafuga
    ex-fur. miliciano do B. Caç 4614

    • Pelos vistos andamos todos pelas mesmas bandas,e pelo menos tiveste o( prazer e a honra) o privilégio de conhecer o afamado,”Pedro Afamado”,que tantas interrogações nos fazia ter,quando das deslocações para as frentes de trabalho.Todas as informações têm o seu valor,que são importante,para quem calcorreou,todo aquele solo.
      Um Abraço.
      Artur Rodrigues.

  2. Tambem por ai andei em 1970 a 1972 Companhia caç 2695 do Bat caç 2910,, tambem tive conhecimento dos feitos do Pedro Afamado, confirmo o ataque em Agosto de 1970, ainda se tentou cortar-lhes a retirada mas desapareceram muito rapidamente sem duvida que o seu nome impunha algum respeito mas quanto a apanhar a mão ia uma grande distancia.

    • É a marca indelével de quantos passaram por aquela zona,caçadores,artilheiros,engenharia,etc,todos quantos solidariamente se apoiaram para levar a bom porto a nossa missão.
      Um Abraço.
      Artur Rodrigues

  3. Pois… tempos saudosos mas difíceis, aqueles vividos na Mata do Luaia. Pertenci à C.Caç. 1311 (1971 a 1973), Companhia de intervenção que deu apoio e montou a segurança, durante cerca de 1 ano, às gentes da Engenharia que rasgaram uma larga estrada (picada) de acesso ao Luaia. Lá tivemos os nossos problemas com os grupos de gerrilheiros os quais, não deixando de nos atacar por vezes, acima de tudo vigiavam permanentemente os nossos movimentos, bem como a progressão da estrada. Tínhamos plena e constante consciência disso, mas lá fomos levando, até ao fim, a nossa missão. Depois, na segunda parte do nosso destacamento no mato, estivemos aquartelados numa zona relativamente próxima do Toto, chamada Missão do Bembe, a 2 Km da povoação com o mesmo nome, onde, aliás, se dizia que vivia o pai do famigerado e já mencionado Pedro Afamado.

  4. O Bembe era onde nós Engª íamos buscar areia para as construções a uma antiga exploração mineira.Foi aí que senti o riso dos “neguinhos”,quando comecei a comer uma manga,que lá havia em quantidade-não é assim “furiê”,é com a faca de mato.Claro que eu tinha começado a comer a manga a dente.
    Tb foi nessa altura que comecei a distinguir o mamão da papaia e comecei a comer tais frutos,em contraste com o sabor dos n/ melões,de Almeirim ou outros.
    Um abraço para todos.

  5. A C.Caç 1311 e a C.Caç 3413,foram as Companhias que Tb nos deram protecção,durante o período que estivemos em Angola,de 1971 a 1973,penso que a C.Caç 1311 foi formada em Angola,e certamente que alguns elementos estarão hoje,ainda lá.Claro que os n/ colegas que estiveram nas frentes de trabalhos Quimaria e Cecília e outras,tiveram mais contacto convosco.Os m/ agradecimentos a todos. Artur Rodrigues

  6. Tambem a minha companhia CC1430 andou por esses lados nos anos 65/67 mas não me recordo que tivesemos feito qualquer operaçao na mata do Luaia.
    A todos que andaram por aí um grande Abraço.O nosso aquartelamento era na Missão do Bembe.
    Abraço a todos que andaram por esses lados
    Saudações 1430
    JDomingos1430@gmail.com

    • miguel viana | setembro 16, 2013 às 20:00
      Pertenci à C.C.1430 estacionada na Missão do Bembe entre os anos 65/67. na altura não havia operações para os lados da Mata do Luaia. Pelos vistos os nossos sucessores tiveram mais problemas por essas bandas. A todos que pisaram essas paragens, um forte abraço.

      • Também lá estive na Missão do Bembe. Pertenci à 1311 1973/75. Acho que chegamos ao Bembe em Março de 1973. Quando de lá saí não me lembro. Sei que, a certa altura, parte da companhia foi para Quivuenga (Serra da Mucaba), outra parte ficou no Bembe e parece-me que alguns foram para o Lucunga. Porque é que fizeram isto nunca cheguei a saber. Perdemos o contacto de uns com os outros. Entretanto deu-se o 25 de Abril e acabou… não chegamos a 1975 como era suposto. Ainda bem. José Cruz (Condutor).

  7. Estive em Quimaria 18 meses e o resto em Bessa Monteiro. Pertenci à Comp. Caç 3436. Passámos por aí de 1971 a 73. Fizemos protecção à Engenharia e operações no Luaia, de toda a maneira e feitio. Ultimamente, colocados de heli e recuperados de heli. Alinhámos com G.E., T.E e outras forças especiais. Efectivamente o “Pedro Afamado” incutia respeito. O nosso guia (também ele Pedro), quase se mijava quando ouvia falar dele, mas ao ponto de nos apanhar à mão, não concordo, porque se pudesse era isso que faria. O contrário, também nós faríamos. Não haja dúvidas.
    Um abraço para todos

    • Possivelmente foram vocês que renderam a Companhia 2695 do Bat Caç 2910 em 28/10/1971 . Quanto ao chamado batalhão cobra chefiado pelo famoso Pedro Afamado tivemos alguns contatos com eles e infelizmente tivemos uma na nossa companhia .

  8. Seria de todo interessante que houvesse a possibilidade de toda a gente que passou pelo Norte de Angola, um dia tivesse a oportunidade de confraternizar . Haja quem comece a dar os primeiros passos.
    Um Abraço para todos.
    Artur Rodrigues.

    • Fiz parte da CCAÇ 2693/BCAÇ 2910,estive no Bembe, Toto e Mabubas, nos anos de 1970 a 1972, estarei disponível para participar num encontro.

      • Pertencia a companhia 3437era furriel Cura estive no TOTO acabei BESSA fiz algumas operacoes com o Pedro como guia alguem se recorda do desastre dos dois pumas ,Estou nos USA desde 1974 na cidade NEW BEDFORD

  9. Caro Pedro Ribeiro Cura também estive no Toto, na Cª de Engª 3478 de 71 a 74, era furriel do serviço de material, adido a Engenharia. Era interessante contactar toda a gente que por lá passou, para um possível encontro. Um abraço.

  10. Também estive em Bessa Monteiro, e Bembe da 1ªcomp. do Bat. Caç 4614-73/75 acabei a comissão em Ambriz, também estou disponível para esse encontro um abraço.

  11. Comandei a ccac1311/71/73 dando proteçāo å engenharia no Mungo Cleópatra e Cecília. Há 20 anos que nos encontramos e este ano vamos fazê-lo dia 24 de maio na Bairrada. Pelo que vi vamos estar perto. Digam alguma coisa pois gostava de dar um abraço ao CAP . Ribeiro. Um abraço para todos do Afonso Videira

  12. Meu pai participou de uma “caçada” ao Pedro Afamado. Inclusive chegou a capturá-lo, mas não lembro os detalhes. Mas, lembro que quando contou-me esta historia, meu pai, Vitorino Santana Rita (conhecido como Furriel Rita), no momento da captura lhe disse: “Não te mato porque sou um guerrilheiro, e não um covarde!”.

  13. Caros colegas de guerra pro quimaria eu passei ai 1 a no e depuis foi para a bensa onde em quimaria onde em quimaria no 1968 e 69 a compagnie da quibala fui atacada e 13 dos nossos foram mortels onde tambem fizemos usa emboscada a mata du luaia mas anda résoltoù on fomos renforcar quimaria con o nossos polotao de commandos da decima pRImeira companhia de commandos

    Victor Rodrigcofomeiro cabo 19o5 um forte abraco

  14. Meus Caros Colegas De Armas Mas Em Anos Difrentes pois eu Tambem como alguns de voçes estive nesses lados do inferno mais precisamente serra do Inga autentico degredo ai 16 meses bem quentes nao so do calor depois foi para o toto mais 12 meses ai nessa altura em relaçao a serra do Inga era Melhor Por isso ao tudo foram 28 meses tivemos a infelicidade e a sorte de termos so 4 baichas nos anos de janeiro de 66 a Abril de 68 da Companhia de c 1493 bat c 1875 a cerca desse filho da puta do pedro afamado tambem sofremos 2 Baichas nas matas da banzaquina temos muito que dizer amigos que por la passaram um forte abraço deste que se assina Pinto Magro

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