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Memórias vivas.

Há dias fui surpreendido com um telefonema vindo dos Açores, ilha de S.Miguel, de um irmão do nosso saudoso companheiro António Amaral Machado. O Fernando Machado teve conhecimento deste nosso blog e procurava saber das circunstâncias da morte do seu irmão e por isso facultei-lhe a lista dos contactos activos da nossa companhia.

Já falei com ele mais vezes e também já sei que ele ligou a alguns dos companheiros, no sentido de lhe darem mais informações. Ele tinha apenas 11 anos quando o irmão perdeu a vida ao serviço da Pátria e as saudades são mais que muitas.

Caros companheiros, é favor consultarem os vossos álbuns e se possuírem fotos onde esteja o António Machado é favor enviá-las para o seu e-mail: YOUFLY1@HOTMAIL.COM

Duas fotos, uma antes de ingressar no serviço militar e outra já no teatro de operações, junto de uma viatura que certamente conduziu muitas vezes, na sua especialidade de condutor auto.

A sua terra natal, freguesia de Santo António, concelho de Ponta Delgada, homenageou os combatentes, filhos da terra que perderam a vida na guerra em terras africanas, e nós seus companheiros associamos-nos  também a esta justa homenagem.

Até um dia, amigo e companheiro!

 


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Até sempre, companheiro.

42 anos depois, a tragédia deste dia (05/02/1973) vem-nos sempre à memória. Dispensam-se palavras para descrever o que aconteceu, basta ver esta viatura para se ter a ideia da violência do rebentamento de uma mina anticarro que vitimou este nosso companheiro.

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José Rosa Sampaio, outro companheiro da C.Caç. 3413, no seu livro “O Vermelho do Capim: poemas da Guerra Colonial” que publicou em 1986, dedicou um poema ao malogrado António Amaral Machado e que aqui se evoca:

Tinhas uma mosca pousada na tua face vermelha

e os teus lábios entreabertos escondiam um palavra

que não disseste a ninguém …

roubaram-te até o que não te pertenceu em vida,

pois os elos da morte não perdoam a inocência da alma.

Descansa que talvez aconteça que não estejas morto.

(Mamarrosa, maio de 1973)

As fotos que se seguem são da sepultura na freguesia de Santo António, concelho de Ponta Delgada, sua terra natal.

Uma palavra de agradecimento à Junta de Freguesia de Santo António, que teve a gentileza de enviar as fotos.

Descansa em paz companheiro, até um dia. Os teus amigos e companheiros não te esquecem.

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Mário Mendes

 


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Mina assassina

Faz hoje 40 anos que uma mina anti-carro ceifou a vida ao condutor do Unimog António de Amaral Machado que podemos reviver nesta foto, na fila da frente, o terceiro a contar da esquerda. O nosso companheiro foi sepultado no cemitério da freguesia de Santo António, concelho de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, Açores. 

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Há tempos atrás dirigi um e-mail ao presidente da junta de freguesia solicitando-lhe se possível uma foto digital da campa deste companheiro da C.Caç. 3413, para aqui lhe prestarmos a homenagem que lhe é devida, mas não obtive qualquer resposta.

Penso que continua de pé a possibilidade de alguns de nós ainda este ano se deslocarem aos Açores e se assim for tudo faremos para “in loco” o homenagearmos colocando  um ramo de flores na sua sepultura.

Este blog já publicou outro artigo sobre este episódio que pode ser lido clicando AQUI.

Mário Mendes


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5 de Fevereiro de 1973

Este foi um dos dias mais tristes da comissão de 2 anos que passamos em Angola. Depois da primeira baixa que ocorreu a 22 de Dezembro de 1971 que vitimou o companheiro Emanuel Firmino Nunes Aguiar por acidente com arma de fogo, a morte do condutor do Unimog António de Amaral Machado, açoriano da ilha de São Miguel, freguesia de Santo António, vítima do rebentamento de uma mina anti-carro colocada pelo inimigo na picada onde três dias antes outra mina desfez outra viatura, foi um episódio que “minou” também a moral das nossas tropas, porque nestas circunstâncias em que não se vê o inimigo, a luta torna-se muito cobarde e desigual.

39 anos depois deste fatídico dia, recordamos com saudade este nosso companheiro e há dias solicitei por e-mail ao Presidente da Junta de Freguesia de Santo António onde está sepultado, que se lhe fosse possível me enviasse uma foto da campa. Ainda não houve resposta, ficamos a aguardar, mas como temos planeada uma viagem aos Açores para 2013, nessa altura não deixaremos de “in loco” nos curvarmos perante a sua memória e colocar um ramo de flores em homenagem a este herói, que aos 22 anos deu a vida pela Pátria.

Mário Mendes