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Tentativa da conquista do Luvo

22 de Outubro de 1972 – Faz hoje 38 anos que dois grupos de combate da C.Caç. 3413 (2º e 4º), travaram a tentativa da FNLA de conquistar o posto fronteiriço do Luvo, no norte de Angola, província do Zaire.

Efectivamente aquele movimento de libertação estava a passar por enormes dificuldades e precisava de demonstrar perante os seus apoiantes internacionais, especialmente os Estados Unidos da América, que ainda era uma força viva, para continuar a justificar o apoio que começava a ser cada vez menor pelo facto dos resultados da sua luta serem também pouco significativos.

O ataque foi de todo inesperado e nem a DGS que estava no terreno conseguiu obter informações do mesmo. Holden Roberto estava do outro lado da fronteira, preparando a “festa”, mas o nosso pequeno grupo de 51 elementos conseguiu desbaratar o inimigo com 150 homens que além de espingardas automáticas possuía morteiros e um canhão sem recuo. Valeu que a granada do primeiro disparo do canhão que atravessou uma caserna cheia de militares não rebentou e a nossa resposta foi também muito rápida. Mais pormenores AQUI.

A arma mais eficaz que tínhamos era este morteiro de 81 mm que causou muitos mortos e feridos ao inimigo, mas mesmo assim não lhe retirou a obsessão de querer tomar o Luvo a 26 de Março de 1973. Desta vez já não fomos apanhados de surpresa e novamente a FNLA foi rechaçada para o seu refúgio na República Democrática do Congo, de Mobutu Sese Seku, cunhado de Holden Roberto.

O Luvo tem importância estratégica, por ser uma porta de entrada e saída de e para a RDCongo. Ainda recentemente assistimos a uma enorme onda de refugiados angolanos expulsos daquele país vizinho, que regressou a Angola pela fronteira do Luvo.

Mário Mendes

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Passagem para o Congo

Esta ponte internacional sobre o rio Luvo, província do Zaire, norte de Angola, fazia a fronteira com o Congo (ex-Congo Belga). O rio Luvo nasce em Angola, dirige-se para Noroeste e entra no Congo para desaguar no grande rio que é o Zaire, o segundo maior de África, depois do Nilo.

Na época seca, o Luvo podia perfeitamente ser atravessado a vau, mas na época das chuvas tinha um grande caudal e assim esta ponte internacional era imprescindível  para cruzar esta fronteira.

Na verdade, esta ponte era mais útil aos cidadãos do Congo e principalmente à FNLA que a utilizava para penetrar no território angolano. A nós de pouco nos servia, e talvez por isso nesta foto temos um “artista” com uma granada na mão, sabe-se lá com que intenções, mas talvez não fosse despropositado armadilhá-la e fazê-la ir pelo ar.

Se isso acontecesse e uma vez que a ponte, sendo internacional, construída a meias pelos governos de Portugal e da Bélgica, lá teríamos um conflito diplomático entre Portugal e o Congo de Mobutu, sendo que seria necessária uma “carrada” de makutas, a moeda congolesa, para pagar os estragos.

Mas não, o “artista” não tinha essa perversa intenção, não tinha “cacimbo” suficiente para tal, ele estava apenas a preparar os “aparelhos de pesca”, tal como já foi noticiado no post “Os Pescadores do Luvo”, publicado em 20/09/2009.

Mário Mendes