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Os últimos dias de Savimbi

7 de Maio de 2008


Chamada fatal para Savimbi

Um telefonema para Lisboa terá traído o líder da UNITA

Uma comunicação telefónica para Lisboa feita por Jonas Savimbi a partir da mata do Moxico, pode ter sido fatal para o líder histórico da UNITA, revela esta terça-feira o Diário de Notícias. Savimbi terá feito essa chamada no dia 13.

Na véspera da sua morte, a 21 de Fevereiro, aquele diário garante que um elemento de uma coluna militar da UNITA – que na altura estaria a 70 quilómetros da zona onde Savimbi se movimentava – fez um telefonema para Paris.

O telefonema feito para Lisboa terá traído o velho guerrilheiro, facilitando que a sua posição fosse referenciada.

Em telegrama datado de Luanda, a Lusa citava, na segunda-feira, uma fonte governamental dando a informação de que «terá sido por causa de uma comunicação para o exterior feita na passada sexta-feira (dia 22) que o ponto onde Savimbi se encontrava foi determinado».

7 de Maio de 2008

Os últimos dias de Jonas Savimbi na versão de quem o acompanhou

por: Armando Rafael 28 Setembro 2006

Relato dos últimos dias de vida de Jonas Savimbi, denúncia de uma traição ou mero ajuste de contas? Qual destas características se adequa melhor para descrever o livro – Memórias de um Guerrilheiro – que o actual líder parlamentar da UNITA, Alcides Sakala, lança hoje à tarde na Fundação Mário Soares, em Lisboa?

São três anos e meio de memórias, que se iniciam em Dezembro de 1998 e que terminam em Março de 2002, quando representantes do Governo de Angola e da UNITA decidiram pôr termo a quase três décadas de guerra no país, dias depois da morte de Jonas Savimbi.

“Fizemos da morte em combate do Presidente Savimbi uma oportunidade para a paz”, escreve Alcides Sakala, que fez parte da coluna que acompanhou o líder da UNITA nesta espécie de recriação da “longa marcha” que a guerrilha percorreu após a Independência, em 1975. Só que desta vez, havia uma diferença substancial: em vez da Jamba, esperava-os uma decisão. Que fazer?

“A UNITA poderia ter continuado a luta da resistência, talvez (…) na província do Moxico ou em circunstância mais difíceis (…) nas províncias de Kuanza-Sul e de Benguela. Contudo, resistiríamos por mais quanto tempo, com a carga de sanções a pesarem nossas costas, num mundo em mudança?”

Perseguidos, com fome e, sobretudo, já exaustos, como se depreende pelo relato, minucioso, que o então responsável pelas relações internacionais da UNITA foi fazendo ao longo desses três anos e meio, que mais poderiam fazer os seus responsáveis do que aceitar o acordo que Luanda lhes propôs?

Especialmente quando a UNITA (leia-se o general Altino Sapalalo Bock) cometera o erro de atacar o Kuíto em 1998, sofrendo ali uma derrota que Savimbi tinha antecipado e que os deixou sem retaguarda perante a contra-ofensiva das Forças Armadas Angolanas.

Será que isto explica as traições e as conspirações a que alude Alcides Sakala nas suas Memórias de um Guerrilheiro, e que, em sua opinião, explicam a morte de Jonas Savimbi?

Curiosamente esta é a parte em que o “diplomata” Alcides Sakala mais se resguarda, realçando que não presenciou a morte de Savimbi e que tudo o que sabe lhe foi revelado por terceiros. Subtileza que não o impede, no entanto, de aludir a outros episódios, eventualmente só perceptíveis por quem está a par da história da UNITA.

Senão como explicar, por exemplo, esta passagem: “não tivesse sido a traição de alguns dos seus homens de confiança, que forjou e formou desde a fundação da UNITA (…) [e] Jonas Savimbi nunca teria sido morto pelos soldados das FAA”.

Será que foi?

Ou, então, como explicar, que a direcção política da UNITA tenha sido surpreendida dias depois, como Alcides Sakala deixa perceber, pelos acordos que os militares da organização estavam prestes a firmar?

Detalhes de uma história que se vai fazendo. Com livros destes.

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