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O Dossier “Guerra do Ultramar” deve ser reaberto

Tenho para mim que, o dossier “Guerra do Ultramar e abandono dos ex-combatentes que serviram a Pátria,” deverá ser reaberto para uma análise consciente e séria.
Sabemos que alguns políticos de nomeada, que mais tarde ocupariam lugares de destaque na governação do país, nunca viram com bons olhos, o facto de se criar algo consistente para um apoio efectivo a todos os ex-combatentes das ex-colónias. Dizem que seria incomportável com a situação económica do país na altura. Hoje, mais de trinta anos volvidos, o país continua sem condições económicas de apoio aos poucos ex-combatentes que ainda restam. Não será de modo algum, com aquela “esmola” anual, (graças a um partido de direita) que o País se redimirá de quem o serviu oferecendo a sua vida a troco de nada.
Os ex-combatentes não podem ser responsabilizados pelo facto de hoje se considerar aquela guerra em várias frentes, de INJUSTA. Todas as guerras são injustas. Os militares cumprem ordens. Neste caso da Guerra do Ultramar, mentalizaram estes jovens que era imperioso defender o que era nosso. Assim fizeram. Lutaram com convicção de que estariam a defender a Pátria. Não será justo que essa mesma Pátria os abandone à sua sorte. Independentemente de, desde então, os desígnios pátrios terem tomado outro rumo. Nem todos fogem ao apelo de defender a Pátria dos seus egrégios avós. E os que ficaram, os que não viraram a cara a ordens superiores que receberam, não exigem condecorações. Não exigem reconhecimento pela sua participação e sofrimento na Guerra do Ultramar. Exigem apenas, respeito por terem dado tudo o que tinham. Por terem dado parte da sua juventude; dos seus sonhos; das suas aspirações profissionais interrompidas e desfeitas. Exigem respeito pelos mutilados e estropiados. Por todos aqueles que ainda hoje sofrem de traumatismos vários do foro psicológico, sem qualquer ajuda. Por todos aqueles (e foram milhares) que tombaram em nome de uma causa que não chegaram a compreender.
Por tudo isto, aqueles que já não se encontram entre nós, merecem um profundo respeito. Aos que ainda restam e sobrevivem, deve a mesma Pátria que os chamou para uma luta, mais tarde reconhecida de inglória, dar-lhes o direito de um resto de vida digna. Com a mesma dignidade com que serviram o seu País.

Por: M. Dacosta

Publicada por Jornal Alpiarcense, 11/10/2009.

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XVI Encontro Nacional de Combatentes

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Cerimónias do XVI Encontro Nacional de Combatentes
Tomé Pinto diz que há “falta de coragem” para reconhecer direitos dos ex-combatentes
10.06.2009 – 15h40 Lusa
O tenente-general Tomé Pinto acusou hoje os sucessivos Governos de “falta de coragem” no reconhecimento de “coisas tão simples e merecidas” como a contagem do tempo que os ex-combatentes passaram na guerra do Ultramar para efeitos de reforma.

“É simples, é devido e se o não fazem é incompreensível”, defendeu hoje o tenente-general Alípio Tomé Pinto, presidente da comissão executiva das cerimónias do XVI Encontro Nacional de Combatentes, que esta manhã decorreu em Belém, junto ao monumento de homenagem aos mortos em combate na guerra ultramarina.

Para Tomé Pinto, a contagem do tempo passado ao serviço das Forças Armadas na guerra do Ultramar é uma “coisa simples” que podia ser alcançada com facilidade, tendo faltado “coragem” aos sucessivos Governos para que isso se concretizasse.

“Esse tempo, que foi difícil e de luta, devia contar a dobrar ou a triplicar. Estranhamente às vezes há dificuldades em reconhecer coisas tão simples, que são merecidas e são devidas. A questão das reformas é mais que devida. Falta aos governos coragem. Às vezes poderá haver algum complexo, mas há que enfrentar estas questões”, afirmou o também ex-combatente.

O tenente-general criticou o esquecimento a que os militares que combateram em África foram sendo votados com o passar dos anos, dizendo que “não deve ser assim” e que se queremos “um futuro rico” temos que nos “orgulhar do passado, com os seus altos e os seus baixos”.

Tomé Pinto sublinhou que é um dever perante os portugueses reconhecer estes direitos como o da reforma devida aos cerca de 800 mil militares do Ultramar e às suas famílias que, frisou, “estiveram hipotecadas nisto” [a guerra], durante vários anos.

Nas cerimónias que decorreram esta manhã participaram representantes dos três ramos das Forças Armadas, das associações de ex-combatentes e de diversas associações de militares ainda em exercício, que, em sinal de respeito, depositaram coroas de flores junto ao monumento de homenagem em Belém.

A assistir estiveram ex-combatentes, que todos os anos aproveitam este dia para reencontrar amigos e camaradas de guerra, assim como as suas famílias. Houve ainda lugar para uma participação da fadista Kátia Guerreiro, que cantou o hino nacional, e à exibição por parte de meios aéreos da Força Aérea Portuguesa.

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