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A guerra – cenas do quotidiano

Do nosso companheiro Ramiro Carreiro, recebi estas duas fotos que retratam tarefas que diarimente faziam parte da nossa vida na guerra em Angola.

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O içar e o arriar da bandeira nacional, cerimónias cumpridas diariamente, a primeira por volta das 9 horas, a segunda ao por do sol. O Carreiro está a operar a bandeira e os outros elementos que ele identifica são o furriel Leitão e os cabos Moniz, Araujo e Pereira. O corneteiro não consegue identificar. O aquartelamento, digo eu, é no Luvo.

A segunda foto é deveras singular e representa uma actividade que nos primeiros meses da comissão tinhamos que desempenhar, recolha de água para abastecimento, que prova as condições precárias que tivemos que enfrentar nas bases tácticas do planalto do Luaia. Aqui a colheita da água era levada a cabo no leito de um riacho atraves de uma lata para dentro do autotanque. Reconheço-me nesta foto e pensava que esta tarefa da recolha fosse feita por motor de água, mas era mais artesanal. Quanto à qualidade da mesma é fácil adivinhar, talvez por isso é que a bebida predilecta fosse a cerveja (cuca ou nocal).

Um abraço para todos.

Mário Mendes

 

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Aqui já foi Portugal

Neste lugar longínquo do solo pátrio batizado de Luvo, derivado do rio com o mesmo nome que nascendo em território angolano, ali passa, fazendo fronteira no norte da província do Zaire com a RDCongo, ex-Congo Belga, afluente do grande rio zaire foi muitas vezes hasteada a bandeira nacional, sempre na posição correcta, ao contrário do que aconteceu em Lisboa no passado dia 5 de Outubro, dia da comemoração da república.

Os militares que prestaram serviço em África, mesmo em condições difíceis e discordando das políticas que os governos de então seguiam sempre souberam respeitar os símbolos nacionais como o hino e a bandeira.

Esta foto de 1972 ilustra o arrear da bandeira que ao romper da aurora do dia seguinte subiria de novo ao mastro significando que ali era PORTUGAL. Durante os anos que durou a guerra, de 1961 a 1974, muitos militares cumpriram este ritual e algumas unidades que ali prestaram serviço deixaram memoriais da peugada da sua presença. Neste caso, os monumentos junto do mastro da bandeira foram construídos pela C.Caç. 1636 do B.Caç. 1900, pela C.Cav. 630 e pela C.Art. 1406. Também a C.Caç. 1783 construiu um enorme obelisco a referenciar a sua presença no Luvo.

Faz hoje precisamente 40 anos que este aquartelamento foi fortemente atacado pela FNLA com o intuito de conquistar o local e ali hastear a sua bandeira, mas a bandeira portuguesa continuou a esvoaçar nos céus do Luvo hasteada pela C.Caç. 3413 e posteriormente pela C.Cav.8453. O 25 de Abril em Portugal abriu a porta à independência de Angola e definitivamente a nossa bandeira deixou aquelas paragens.

 Para nos reportar ao dia 22 de Outubro de 1972, clique AQUI.

Mário Mendes


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Recordações (I)

Na C.Caç. 3413 todos reconhecemos o profissionalismo e dedicação que o nosso companheiro Correia, furriel miliciano enfermeiro, mais conhecido por Max,o Terrível, nos dedicou durante a estadia em África, com a sua amizade e boa disposição. Ele foi também um grande apaixonado pela fotografia e agora resolveu ir ao seu baú de recordações e partilhar connosco algumas “chapas” que transmitem uma grande beleza africana, como o “pôr-do-sol”.

Na primeira foto, cá está o homem de quem se fala, desta feita na missão de ajudar a recolher lenha, necessária para cozer o pão nosso de cada dia.


Esta tarefa tão básica obrigava-nos a penetrar dentro das matas e assim oferecer ao inimigo boas condições para ataques que felizmente nestas circunstâncias nunca ocorreram, talvez por falta de atrevimento ou pelo facto de o nosso poder de fogo ser também desmotivador.

Vamos então contemplar a beleza das fotos que se seguem:


Aquartelamento da Mamarrosa. Na primeira, o arrear da bandeira do mastro lá bem alto para mostrar que ali mandava-mos nós. Na segunda, as palmeiras que ali representavam um “oásis” naquela terra do fim do mundo.


As imagens são espectaculares e revelam os dotes fotográficos do autor que nos oferece estes autênticos postais ilustrados que, quer queiramos quer não, nos deixam alguma nostalgia.

BOAS FESTAS.

Mário Mendes