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15 de Março de 1961 – O dia do terror

A manhã de 15 de Março de 1961 surgiu clara na região dos Dembos, distrito angolano do Cuanza-Norte, mas no horizonte divisavam-se já as nuvens que, da parte da tarde, encharcariam as espessas matas de cafezais.

As estradas e as picadas ficaram lamacentas e quase intransitáveis, porque, embora o Governo tivesse gasto milhares de contos na via que liga Luanda a Carmona, nenhuma delas tinha o piso alcatroado. Que importa, se em meados de Maio começa a época do «cacimbo», que secará os lamaçais e alisará os trilhos por onde o precioso ouro correrá em quantidades sempre maiores para o sôfrego porto de Luanda, deixando nos cofres da província perto de dois milhões de contos?

A ninguém pareceu estranho que, logo às sete da manhã, grupos de negros estacionassem às portas das «cantinas» da povoação de Quitexe. Todos eram «contratados», fregueses conhecidos e obrigatórios que pagavam com café as dívidas que faziam. Os comerciantes sempre tinham confiado na sua própria acção e nas autoridades para que assim fosse. O posto administrativo estava agora instalado num edifício moderno, alinhado pela estrada nova, pois Quitexe progredia de ano para ano.

Nessa manhã, cerca das seis horas, o gerente da fazenda Zalala fez o chefe do posto levantar-se, para lhe comunicar que, na véspera, haviam fugido mais de cem homens da sua propriedade e ele notava agitação invulgar entre os que ficaram em Nova Caipemba. O gerente regressou à sua fazenda e o chefe decidiu percorrer algumas roças da região. Tudo parecia em ordem e lembrou-se da pequena demarcação que um colono fizera recentemente nas terras que viriam a produzir mais café. Era a última da área.

O funcionário do Governo não queria acreditar no que via: o colono, um empregado e a mulher deste jaziam num charco de sangue, cortados à catanada. Voltou apressadamente ao posto, alertando de passagem as outras fazendas, mas, ao cruzar-se com uns brancos que vinham do Quitexe, estes avisaram-no que não fosse ao posto, pois não ficara lá ninguém vivo.
E a sua mulher? E os seus filhos? Ninguém sabia.

Fonte: http://www.guerracolonial.org


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HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DA C. CAÇ. 3413 (VIII)

Ali a natureza era pródiga e farta em tudo, e para nosso contentamento e reforço do rancho, lá íamos abatendo uns animais. Toda a minha gente gostava de um dia poder dizer que tinha morto uma peça de caça, e eu não fugia à regra e gostava também de poder exibir-me com um troféu. Até que certo dia íamos a bater uma zona a pé, paradinha e expectante, estava uma cabra do mato. Não era propriamente uma peça grossa mas servia na perfeição. Era um alvo mais que perfeito e estava em posição ideal, de lado, para ser alvejada. Como era eu que ia a comandar o grupo e como já tínhamos combinado, no caso de surgir uma peça de caça, seria eu a disparar. Ajoelhei, apontei com todo o cuidado, talvez até demais, e quando me preparava para disparar, um soldado atrás de mim antecipou-se e a cabra cai com a coluna partida. Estrabouchava mas dali já não saiu. E lá se foi o meu troféu. Ao menos ficou o petisco. Acontece até aos melhores…

Sempre fui de boa boca e nunca tinha rejeitado comida alguma. Até que um dia, acabado de chegar vindo da água, dei com o “Cantanhom” a esfolar uma jibóia. Era um negrão sempre alegre e bem-disposto, natural de Cabo Verde, da C.Caç. 1311. Como fiquei a vê-lo esfolar a cobra, ele espetou um bocado da jibóia e com um naco na ponta da faca de mato, disse-me a rir muito: “Come Esfurrié. É sangue de cristo”. E assim de chofre e sem esperar, surpreendido por aquele espectáculo a que não estava habituado, ainda quente e crua, rejeitei. Mas hoje tenho pena de não ter experimentado. Pelo menos cozinhada, garantem-me ser óptimo. Mas já passou e esta cobra ainda iria dar muito que falar.

O Mário Mendes, criador deste “blog”, já tinha resolvido ficar com a pele da dita cuja. Sem ninguém saber, guardou-a junto aos seus pertences, até para evitar que alguém caísse em tentação…Só que a partir desse dia, aos poucos foi-se instalando um cheiro nauseabundo dentro da tenda. Imaginem a pele de qualquer animal a decompor-se dentro duma tenda exposta ao sol! A jibóia era bem grande, não era nada pequena (confirmas Mendes?) e é claro que a partir desse dia, ainda não tínhamos sequer entrado na tenda e já vinha uma baforada irrespirável a que não se podia dar de trombas. Muitas discussões, muito barulho, o tempo passou, o cheiro foi desaparecendo e o bom do Mário Mendes, como bom Beirão que se preza, lá levou a sua avante (parece que a pele depois de curtida ficou um espectáculo).

As refeições, entre os graduados, quer na Cleópatra quer na Cecília, eram na “barraca “conjunta de oficiais e sargentos. Fruta era coisa que normalmente não constava da ementa, e para parodiar isso, pelo menos na Cecília, levava sempre comigo uma granada defensiva que ostensivamente e em atitude provocatória punha na minha frente, exclamando alto e bom som: “É a fruta da época”. Claro que os comandantes e os vagomestres, não achavam piada nenhuma, mas a coisa foi passando. Depois do jantar, limpavam-se as mesas e acompanhados dumas nocais ou whisky, ficávamos a jogar um qualquer jogo, ou simplesmente em amena cavaqueira.

Numa dessas noites, o Luís Livramento contava uma história, verídica, em que um furriel como nós, tinha por hábito às refeições, tirar a cavilha de segurança duma granada, e colocava-a dentro dum copo de vidro á justa medida para a mesma não rebentar. Até que certo dia, o copo partiu-se com a pressão do braço de segurança da granada, e deu-se a tragédia. O dito militar, para que nenhum dos seus colegas presentes fosse ferido, deitou-se em cima da granada e o resto é fácil de imaginar. Nisto eu digo-lhe que descavilhar não era nada de especial ao que ele de pronto: “Não és homem nem és nada”. E de imediato tirei a cavilha… “E agora? Basta meter outra vez a cavilha”. Pois é, só que os arames ficaram tortos e para os meter naqueles buraquinhos não era nada fácil. De imediato lhe disse “Tu daqui não sais”. Já suávamos os dois em bica. Não sei se estivemos nisto muito ou pouco tempo. A mim pareceu-me uma eternidade…Não havia meio dos ganchos entrarem e não houve outro remédio senão ir avisar as sentinelas mais o restante pessoal de que ia haver um rebentamento. Até que finalmente lá consegui meter novamente a cavilha no sítio. Que alívio. Claro que nem foi preciso ninguém dizer-me para acabar com a história da “fruta da época”…e assim se deram muitos acidentes!

As opções para comer eram simplesmente duas: ou rancho, que era péssimo, ou latas de conserva. No rancho, para cortar o péssimo sabor havia uma fórmula infalível, que uns “sorjas” da C. Eng. nos ensinaram, e que consistia simplesmente em por bastante gindungo para disfarçar o sabor a tudo menos comida que aquilo tinha. E resultava. Que remédio. Ao princípio as rações de combate até nem eram más de todo, mas passado um tempo, já enjoava e toda a minha gente evitava as latas! Aproximou-se o Natal e numa carta a minha saudosa Mãe, com as recomendações do costume, avisou-me que ia receber uma encomenda, em que constava entre outras coisas, comida …Muitas houve que nunca chegavam ao seu destino, ficando muitas pelo caminho, para gáudio de gente sem qualquer tipo de escrúpulos…Até que a dita encomenda lá chegou…Que festa, que ansiedade! E tratei logo de abrir o embrulho que continha… “latas de conserva com fartura“! Até chorei. Mas nada disse á minha mãe, que coitada enviou tudo com todo o seu amor e a melhor das intenções…Foi uma enorme desilusão, mas nada havia a fazer senão comê-las!

Todas as noites um grupo de combate tinha que ficar na frente a guardar as máquinas. Como eramos ao todo seis grupos operacionais, quatro da 1311 mais os nossos dois, calhava ficarmos na frente de seis em seis dias, o que a ninguém agradava, mas tinha que ser. E depois de muitas noites mal dormidas, muito pó e muita chuva em cima do pêlo e quando já contávamos estar em Luanda, ainda para ali estávamos. O raio do comandante dos maçaricos era teimoso pr´a burro e não queria desmerecer dos “velhinhos”. A estação das chuvas já se tinha feito anunciar. As nossas dificuldades cresciam de dia para dia. E era cada vez mais calor, mais chuva, mais lama. Passávamos horas e horas a desatascar e empurrar as viaturas. Para progredirmos meia dúzia de metros, eram horas! E lá me calhou mais uma vez ficar na frente. O resto da rapaziada regressou á Cecília, e nós instalamo-nos para manter as máquinas dos “engenheiros” em segurança. O sol já se começava a esconder. O silêncio naqueles buracos era de tal maneira intenso que tudo se ouvia. Num raio de muitos kms á nossa volta, nada circulava. Mas…começamos a ouvir cada vez mais nítido, o som não de uma mas de várias viaturas em movimento e cada vez mais perto. Mas que raio…o que será? Até que surgem as viaturas, apitando e cheias de pessoal que nos acenavam, gritavam, e nós cada vez mais confundidos. Tinha sido dada a ordem há tanto esperada. Íamos regressar a Luanda! Finalmente!!!

Carregar as máquinas dos engenheiros, destruir os buracos onde nos acoitávamos e ala para a Cecília onde nos esperava uma indescritível azáfama. Essa noite foi de total anarquia e muita bebida. Não havia graduados, nem hierarquias, nem regras. Houve sim muita compreensão e respeito, como até aí de uns pelos outros, naquele conjunto de homens desterrados nos confins daquelas matas, mas irmanados todos no mesmo espírito de indescritível alegria. Uma desorganização organizadíssima, em que demos asas a uma felicidade imensa, impossível de descrever. Era a última noite na Cecília!

Íamos poder comer comida em condições, beber as bebidas que quiséssemos e frescas, ver civis de que já nos desabituáramos de ver, íamos ficar livres daquela poeirada e daquelas condições de vida duríssimas, que só os vinte e poucos anos e o ser português conseguiram aguentar. Íamos deixar aquele buraco onde nos tinham enterrado vivos e para onde quer que fôssemos, pior não seria fácil. Enfim, íamos regressar á civilização, pelo menos por uns tempos!



Texto e fotos de Joaquim Alves

NR: Sobre a jibóia já foi publicado um artigo que pode ser lido clicando AQUI.


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Pescaria no rio Luvo

Do nosso companheiro Ramiro Carreiro, açoreano de São Miguel, que vive em Toronto, no Canadá, recebi estas duas fotos que ilustram uma pescaria levada a cabo no rio Luvo.
Alguns entusiastas da pesca entretinham-se com canas, umas artesanais outras mais sofisticadas, mas havia ainda outros que não tinham a paciência suficiente que a arte de pescar requer e utilizavam outras artimanhas e apetrechos com que conseguiam belas pescarias.
Aqui o “aparelho” utilizado foi uma granada ofensiva. Uns miolos de pão a servir de engodo e quando o cardume já fosse coisa que se visse, aí vai disto.
A primeira foto documenta o rebentamento e na segunda vemos o resultado do acto e a panela que serviria para confeccionar o manjar.

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NR: Em relação ao último artigo no nosso companheiro Joaquim Alves em que se refere um acidente com arma de fogo (tiro no ombro), diz o Ramiro que o protagonista não foi o Geraldo, mas sim o Augusto Coroa. O Geraldo, teve algum tempo depois um grave acidente, em que bebeu formol e ficou com o cognome de “embalsamado”. Era demais, digo eu, atribuir-lhe outra “avaria”, melhor é dividir o mal pelas aldeias. Ainda bem que existe contraditório, já passaram uns “anitos”, a memória vai ficando gasta.
Diz o Ramiro Carreiro que o Coroa era seu vizinho nos Açores e actualmente vive também no Canadá e que o José Pavão do quarto grupo de combate é seu vizinho em Toronto. No último verão em que se deslocou aos Açores, esteve com o Pimentel, outro elemento do quarto GC.

Mário Mendes


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Recordações da guerra colonial

 COISAS DO SÉCULO PASSADO EM TEMPO DE GUERRA

Em mais uma visita ao meu “baú da guerra colonial”, considerei interessante
dar a conhecer mais algumas das minhas relíquias. A primeira foto é a imagem
referente ao estado de construção da ponte de Lisboa sobre o Rio Tejo, a 21
de agosto de 1965, data da nossa partida para Angola. A seguinte retrata o
transporte da refeição na Magina, reservado aos soldados, depois de
recebida no “Self Service” junto das panelas de um local chamado de
cozinha, assim foi durante cerca de dezassete meses. A seguinte,
pode contribuir para garantir o contraditório, palavra muito em voga nos
debates que agora por aí se travam. Esta ideia foi ganhando corpo na medida
em que se iam divulgando algumas das condições existentes no transporte das
tropas no Paquete Vera Cruz, algumas dessas condições eram uma autêntica
miragem para as praças que também aí eram levadas para o território
desconhecido, muito diferente daqueles que tinham direito, nomeadamente, a
uma ementa impressa em papel couchet, eu ainda tive a sorte de ser
instalado numa tarimba, com mais cerca de cinquenta camaradas, na sala das
senhoras, outros, muitas centenas foram transportados nos porões.  Contudo,
não foram certas “mordomias” para algumas  classes que impediram que essas
mesmas classes se envolvessem, de forma determinante, desde a primeira
hora, nessa jornada maravilhosa que foi o 25 de Abril de 1974. A última é fotocópia
de um recibo referente ao salário de um soldado, que no caso sou eu,
já com a subvenção, quando em campanha na guerra colonial (menos de quatro
euros da moeda agora em vigor) .

Texto e fotos de: Horácio Marcelino (C.Art. 1405 do B.Art. 1852)


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HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DA C. CAÇ. 3413 (VII)

Num cenário de guerra, onde armas são presença constante e se lida diariamente com elas, por mais cuidado que se tenha, a hipótese de um acidente está sempre presente a todo o momento. Para contrariar isso, ao princípio e como medida de precaução, sempre que vínhamos da frente os graduados de cada grupo, antes do pessoal descer das viaturas, encarregavam-se de toda a minha gente tirar a bala da câmara. Com o passar do tempo, os nossos soldados acharam que esta rotina se tornara desnecessária, e este ritual até desprestigiante para alguns, perante as outras companhias. E deixou de se fazer. Mandavam as regras de segurança os seguintes movimentos:

1- Tirar o carregador – 2- manobrador atrás com extracção da bala que estava na câmara – 3 -pancada no manobrador para levar a culatra á frente já sem bala – 4 – arma apontada para cima – 5- pressão no gatilho para levar o percutor a bater em seco visto a bala já ter sido extraída.

Ora a sequência correcta seria: 1 – 2 – 3 – 4 – 5

Mas havia de vez em quando alguém que trocava os movimentos e em vez da sequência correcta, fazia 2 – 3 – 1 – 4 – 5

E de quando em vez lá se ouvia o estrondo dum disparo e o consequente silvar da bala em movimento. Até que um dia, tinha que se dar, um soldado de seu nome Geraldo (?) fez o segundo movimento, só que em vez de levantar a arma para cima, apoiou-a no chão e encostou o cano ao ombro. O resultado, foi uma evacuação aérea e uns dias de férias forçadas no hospital de Luanda. Coisas…

    Já passado uns tempos de estarmos na Cecília, fomos reforçados com o 3º Grupo e alguns especialistas que estavam no Toto, reagrupando-se em certa medida a Companhia na sua quase totalidade, uma vez que o 4º Grupo continuava em Quimaria, para onde o 3º passado pouco tempo acabou por ir. Por sua vez, o 1º Sarg. Ramalho continuava a “tratar de assuntos de interesse da Companhia, em Luanda”…Pois! Nesta onda veio também o Fur. enfermeiro José do Sacramento Correia. Foi-lhe montada uma tenda novinha, a “Enfermaria”. Por fora era verde, mas por dentro era duma brancura imaculada. Toda vaporosa, com muito tecido esvoaçante, tipo tule, em nada se assemelhando às demais. Toda branquinha. Um enlevo. Claro que tudo isto era o perfeito contraste com as nossas, que já não eram verdes mas sim castanho-escuro de tanto pó que já acumulado, quanto mais branquinhas.

    Mas não era só com armas que se davam acidentes. Aos domingos ninguém saía para a frente em trabalhos na picada, fazendo-se só os serviços mínimos e de manutenção, com excepção dum Grupo que tinha que ficar na frente a guardar as máquinas. O resto da rapaziada aproveitava como muito bem lhe aprouvesse. Jogos de futebol e “brutovólei” eram bastante disputados e muito renhidos. Com a temperatura que estava mais o esforço despendido, originava uma sede tremenda. Certo dia, um dos jogadores, açoriano e da nossa Companhia, no fim do jogo subia a rampa de acesso á sua tenda, e o que vê ele. Á porta da enfermaria um garrafãozinho de água mesmo ali á mão. E zás. Empinou-o á boca, e…uma aflição que ninguém entendia a razão. Mas o Correia deu logo por ela. É que o garrafão não tinha água, mas sim “FORMOL”…e o nosso homem lá teve que ser evacuado, visto no nosso “hospital” pouco mais se poder fazer que uns pensos, dar uns comprimidos “LM” e dar umas injecções. E sobre as injecções posso garantir-vos que ninguém tinha a mestria do Correia. Começava com “ameaças” e por entre umas gargalhadas de terror batia na nádega tanto e com tanta força, que sem nos apercebermos a agulha já lá estava. Resultado, o que doía eram as nalgadas, até porque ele era exímio a dar injecções.

    Ainda sobre a tenda enfermaria, não sei como, mas o nosso Zé Correia, arranjou um Camaleão que se pavoneava por entre as cordas e espias da tenda, tornando-se numa das grandes atracções da Cecília. Toda a minha gente ia apreciar um bicho nunca antes visto, eu incluído. Quem não lhe achava grande graça, era o enfermeiro Machado da 1311.Dizia ele que se estivéssemos a comer perto do bicho, ele lá de cima cuspia no prato e era morte certa. Acreditando ou não o bicharoco lá se foi passeando pela tenda, limpando-a de todo o tipo de insectos que ele devorava para alívio e alegria do Correia.

 


Fotos e texto de: Joaquim Alves

Na primeira foto com elementos da C.Eng. 3478, na esplanada do “Resort do Luaia”, na segunda em plena mata virgem do planalto do Luaia, que os “engenheiros” iam desflorando e na terceira pode-se ver a frente de trabalho junto ao morro do Tomba.


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Ainda não é o fim da picada!

Viaturas pesadas e ligeiras enfrentam grandes dificuldades para circular na estrada

Fotografia: Arimateia Baptista|Lubango

A estrada que liga a vila piscatória do Nzeto à comuna da Musserra, um percurso de 50 quilómetros, em terra batida, na província do Zaire, está a degradar-se dia após dia, em consequência das chuvas torrenciais que caem sobre a região. A via tem enormes buracos que estão a dificultar a vida dos automobilistas que transportam pessoas e mercadorias.
Os automobilistas reclamam uma intervenção urgente para normalizar o trânsito. Nos últimos dias os motoristas encontram tantas dificuldades que acabam por pernoitar na estrada, porque as viaturas ficam atoladas nos lamaçais ou caem nos buracos.
Preocupado com a situação, o governador provincial do Zaire, Joanes André, visitou a via para se inteirar das dificuldades e definir, com a empreiteira encarregada das obras de, a forma de inverter o quadro.No encontro com os responsáveis da construtora, o governador pediu celeridade nos trabalhos de manutenção para facilitar a circulação de pessoas e bens.
O governador do Zaire referiu ser necessário efectuar obras de manutenção na estrada entre o Nzeto e o Soyo, onde decorre a construção de pontes e valas de drenagem das águas pluviais.  Face às dificuldades, Joanes André garantiu às populações que estão a ser desenvolvidos esforço para se ultrapassar o impasse.
O responsável da construtora explicou ao Jornal de Angola que os trabalhos de construção na estrada decorrem dentro do possível. Mas as chuvas constantes que caem na região impedem mais avanços. Na estrada entre o Caxito e o Nzeto, a construtora já asfaltou 60 quilómetros, a partir da comuna da Musserra em direcção a Luanda.

Jornal de Angola (28/01/2013)

NR: Já vimos este filme há 40 anos. Tenho bem presente uma noite em que ficamos retidos na picada entre S. Salvador do Congo e a Mamarrosa, porque a camioneta civil da firma Salvador Beltrão que escoltávamos não conseguiu superar uma íngreme  subida devido ao lamaçal em que se tornou a picada. Só de madrugada conseguimos levantar “ferro”.

Mário Mendes


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Mina assassina

Faz hoje 40 anos que uma mina anti-carro ceifou a vida ao condutor do Unimog António de Amaral Machado que podemos reviver nesta foto, na fila da frente, o terceiro a contar da esquerda. O nosso companheiro foi sepultado no cemitério da freguesia de Santo António, concelho de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, Açores. 

machado

Há tempos atrás dirigi um e-mail ao presidente da junta de freguesia solicitando-lhe se possível uma foto digital da campa deste companheiro da C.Caç. 3413, para aqui lhe prestarmos a homenagem que lhe é devida, mas não obtive qualquer resposta.

Penso que continua de pé a possibilidade de alguns de nós ainda este ano se deslocarem aos Açores e se assim for tudo faremos para “in loco” o homenagearmos colocando  um ramo de flores na sua sepultura.

Este blog já publicou outro artigo sobre este episódio que pode ser lido clicando AQUI.

Mário Mendes

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