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SORTEIO NACIONAL APVG – 2014

A Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra encontra-se neste momento a realizar um Sorteio Nacional que termina no final do mês de Janeiro de 2014.
O lucro deste Sorteio Nacional está direcionado para as obras do Lar, do Centro de Dia e para os Cuidados Continuados desta Instituição.
Pedimos que todos os nossos associados, familiares e amigos a aderirem a este Sorteio Nacional.
Este Sorteio Nacional foi autorizado pelo Secretário da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna sob o n.º 13/2013 do dia 24 de Janeiro de 2013.
Para melhor esclarecimento, podem consultar a autorização do respectivo Despacho do MAI, bem como comprovar através de uma cópia do bilhete frente e verso.

O Presidente da Direcção Nacional da APVG

Augusto Oliveira Freitas (Doutor)

Fonte: http://www.apvg.pt


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C.Caç. 3413 – XVIII Encontro

Está marcado para o próximo dia 18 de maio o almoço de confraternização da Companhia de Caçadores 3413.

O evento deste ano terá lugar na Portela de Sacavém (Lisboa) no restaurante Páteo das Cantigas situado nas traseiras do RALIS, o aquartelamento onde há cerca de 40 anos (2 de Outubro de 1973) deixamos o espólio militar e a consequente desmobilização.

Mais um ano que pesa nas nossas costas e mais uma vez apelamos aos companheiros que desde esse dia têm estado “desaparecidos em combate” que aproveitem esta oportunidade para reencontrarem velhos amigos.

O programa completo pode ser consultado AQUI.


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C.CAÇ. 3413 – Memórias (II)

Do nosso “correspondente” no Canadá, Ramiro Carreiro, recebemos mais estas duas fotos para rebobinar o filme das nossas vidas, mais concretamente os episódios vividos lá longe das terras onde nascemos, quando na flor da juventude a guerra nos atirou para Angola. Aqui, maioritariamente estão presentes companheiros do 4º grupo de combate e que o Ramiro identifica assim:

Na primeira fila, de joelhos e da esquerda para a direita: Almeida (transmissões), alferes Moniz (estagiário), Bernardo, Lepson, Cantiflas, Raimundo Quissombo.

Na outra fila de pé e no mesmo sentido: Araújo, Dinis, João Pereira, furriel Leitão, Chico, Ramiro Carreiro, Carlos Pimentel, capitão Ribeiro, José Pavão, Henrique Câmara, Lopes, Manuel Teixeira, Manuel Dechiluange, João, Machado, Loque.

Mário Mendes


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Boas festas da Páscoa/2013

Para todos os amigos deste blog, mas com especial relevo para todos quantos integraram a C.Caç. 3413, que desde Agosto de 1971 a Setembro de 1973 partilharam alegrias e tristezas em tempo de guerra em solo angolano, desejamos uma Páscoa Feliz.

O nosso companheiro Manuel Ambrósio, surpreendeu-me com umas fotos que me fez chegar por e-mail e que nos remete para esses tempos remotos da década de 70 do século passado que atrás refiro e que são um convite ao refrescamento da nossa memória já gasta pelo tempo.

Sem mais rodeios, aqui ficam expostas, esperando os comentários dos que viveram estes episódios, identificando também os seus intervenientes.

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rabanadas

OBS: 1- Vista geral do Vale do Loge, 2- Na base táctica de Cecília, 3- Abrigo subterrâneo na Mamarrosa, 4- Preparando rabanadas no Natal de 1972 na Mamarrosa.

Obrigado Ambrósio, que o teu exemplo sirva de “gazua” para abrir outros baús de recordações cujos conteúdos já bolorentos, esperam há muito para ver a luz do SOL.


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15 de Março de 1961 – O dia do terror

A manhã de 15 de Março de 1961 surgiu clara na região dos Dembos, distrito angolano do Cuanza-Norte, mas no horizonte divisavam-se já as nuvens que, da parte da tarde, encharcariam as espessas matas de cafezais.

As estradas e as picadas ficaram lamacentas e quase intransitáveis, porque, embora o Governo tivesse gasto milhares de contos na via que liga Luanda a Carmona, nenhuma delas tinha o piso alcatroado. Que importa, se em meados de Maio começa a época do «cacimbo», que secará os lamaçais e alisará os trilhos por onde o precioso ouro correrá em quantidades sempre maiores para o sôfrego porto de Luanda, deixando nos cofres da província perto de dois milhões de contos?

A ninguém pareceu estranho que, logo às sete da manhã, grupos de negros estacionassem às portas das «cantinas» da povoação de Quitexe. Todos eram «contratados», fregueses conhecidos e obrigatórios que pagavam com café as dívidas que faziam. Os comerciantes sempre tinham confiado na sua própria acção e nas autoridades para que assim fosse. O posto administrativo estava agora instalado num edifício moderno, alinhado pela estrada nova, pois Quitexe progredia de ano para ano.

Nessa manhã, cerca das seis horas, o gerente da fazenda Zalala fez o chefe do posto levantar-se, para lhe comunicar que, na véspera, haviam fugido mais de cem homens da sua propriedade e ele notava agitação invulgar entre os que ficaram em Nova Caipemba. O gerente regressou à sua fazenda e o chefe decidiu percorrer algumas roças da região. Tudo parecia em ordem e lembrou-se da pequena demarcação que um colono fizera recentemente nas terras que viriam a produzir mais café. Era a última da área.

O funcionário do Governo não queria acreditar no que via: o colono, um empregado e a mulher deste jaziam num charco de sangue, cortados à catanada. Voltou apressadamente ao posto, alertando de passagem as outras fazendas, mas, ao cruzar-se com uns brancos que vinham do Quitexe, estes avisaram-no que não fosse ao posto, pois não ficara lá ninguém vivo.
E a sua mulher? E os seus filhos? Ninguém sabia.

Fonte: http://www.guerracolonial.org


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HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DA C. CAÇ. 3413 (VIII)

Ali a natureza era pródiga e farta em tudo, e para nosso contentamento e reforço do rancho, lá íamos abatendo uns animais. Toda a minha gente gostava de um dia poder dizer que tinha morto uma peça de caça, e eu não fugia à regra e gostava também de poder exibir-me com um troféu. Até que certo dia íamos a bater uma zona a pé, paradinha e expectante, estava uma cabra do mato. Não era propriamente uma peça grossa mas servia na perfeição. Era um alvo mais que perfeito e estava em posição ideal, de lado, para ser alvejada. Como era eu que ia a comandar o grupo e como já tínhamos combinado, no caso de surgir uma peça de caça, seria eu a disparar. Ajoelhei, apontei com todo o cuidado, talvez até demais, e quando me preparava para disparar, um soldado atrás de mim antecipou-se e a cabra cai com a coluna partida. Estrabouchava mas dali já não saiu. E lá se foi o meu troféu. Ao menos ficou o petisco. Acontece até aos melhores…

Sempre fui de boa boca e nunca tinha rejeitado comida alguma. Até que um dia, acabado de chegar vindo da água, dei com o “Cantanhom” a esfolar uma jibóia. Era um negrão sempre alegre e bem-disposto, natural de Cabo Verde, da C.Caç. 1311. Como fiquei a vê-lo esfolar a cobra, ele espetou um bocado da jibóia e com um naco na ponta da faca de mato, disse-me a rir muito: “Come Esfurrié. É sangue de cristo”. E assim de chofre e sem esperar, surpreendido por aquele espectáculo a que não estava habituado, ainda quente e crua, rejeitei. Mas hoje tenho pena de não ter experimentado. Pelo menos cozinhada, garantem-me ser óptimo. Mas já passou e esta cobra ainda iria dar muito que falar.

O Mário Mendes, criador deste “blog”, já tinha resolvido ficar com a pele da dita cuja. Sem ninguém saber, guardou-a junto aos seus pertences, até para evitar que alguém caísse em tentação…Só que a partir desse dia, aos poucos foi-se instalando um cheiro nauseabundo dentro da tenda. Imaginem a pele de qualquer animal a decompor-se dentro duma tenda exposta ao sol! A jibóia era bem grande, não era nada pequena (confirmas Mendes?) e é claro que a partir desse dia, ainda não tínhamos sequer entrado na tenda e já vinha uma baforada irrespirável a que não se podia dar de trombas. Muitas discussões, muito barulho, o tempo passou, o cheiro foi desaparecendo e o bom do Mário Mendes, como bom Beirão que se preza, lá levou a sua avante (parece que a pele depois de curtida ficou um espectáculo).

As refeições, entre os graduados, quer na Cleópatra quer na Cecília, eram na “barraca “conjunta de oficiais e sargentos. Fruta era coisa que normalmente não constava da ementa, e para parodiar isso, pelo menos na Cecília, levava sempre comigo uma granada defensiva que ostensivamente e em atitude provocatória punha na minha frente, exclamando alto e bom som: “É a fruta da época”. Claro que os comandantes e os vagomestres, não achavam piada nenhuma, mas a coisa foi passando. Depois do jantar, limpavam-se as mesas e acompanhados dumas nocais ou whisky, ficávamos a jogar um qualquer jogo, ou simplesmente em amena cavaqueira.

Numa dessas noites, o Luís Livramento contava uma história, verídica, em que um furriel como nós, tinha por hábito às refeições, tirar a cavilha de segurança duma granada, e colocava-a dentro dum copo de vidro á justa medida para a mesma não rebentar. Até que certo dia, o copo partiu-se com a pressão do braço de segurança da granada, e deu-se a tragédia. O dito militar, para que nenhum dos seus colegas presentes fosse ferido, deitou-se em cima da granada e o resto é fácil de imaginar. Nisto eu digo-lhe que descavilhar não era nada de especial ao que ele de pronto: “Não és homem nem és nada”. E de imediato tirei a cavilha… “E agora? Basta meter outra vez a cavilha”. Pois é, só que os arames ficaram tortos e para os meter naqueles buraquinhos não era nada fácil. De imediato lhe disse “Tu daqui não sais”. Já suávamos os dois em bica. Não sei se estivemos nisto muito ou pouco tempo. A mim pareceu-me uma eternidade…Não havia meio dos ganchos entrarem e não houve outro remédio senão ir avisar as sentinelas mais o restante pessoal de que ia haver um rebentamento. Até que finalmente lá consegui meter novamente a cavilha no sítio. Que alívio. Claro que nem foi preciso ninguém dizer-me para acabar com a história da “fruta da época”…e assim se deram muitos acidentes!

As opções para comer eram simplesmente duas: ou rancho, que era péssimo, ou latas de conserva. No rancho, para cortar o péssimo sabor havia uma fórmula infalível, que uns “sorjas” da C. Eng. nos ensinaram, e que consistia simplesmente em por bastante gindungo para disfarçar o sabor a tudo menos comida que aquilo tinha. E resultava. Que remédio. Ao princípio as rações de combate até nem eram más de todo, mas passado um tempo, já enjoava e toda a minha gente evitava as latas! Aproximou-se o Natal e numa carta a minha saudosa Mãe, com as recomendações do costume, avisou-me que ia receber uma encomenda, em que constava entre outras coisas, comida …Muitas houve que nunca chegavam ao seu destino, ficando muitas pelo caminho, para gáudio de gente sem qualquer tipo de escrúpulos…Até que a dita encomenda lá chegou…Que festa, que ansiedade! E tratei logo de abrir o embrulho que continha… “latas de conserva com fartura“! Até chorei. Mas nada disse á minha mãe, que coitada enviou tudo com todo o seu amor e a melhor das intenções…Foi uma enorme desilusão, mas nada havia a fazer senão comê-las!

Todas as noites um grupo de combate tinha que ficar na frente a guardar as máquinas. Como eramos ao todo seis grupos operacionais, quatro da 1311 mais os nossos dois, calhava ficarmos na frente de seis em seis dias, o que a ninguém agradava, mas tinha que ser. E depois de muitas noites mal dormidas, muito pó e muita chuva em cima do pêlo e quando já contávamos estar em Luanda, ainda para ali estávamos. O raio do comandante dos maçaricos era teimoso pr´a burro e não queria desmerecer dos “velhinhos”. A estação das chuvas já se tinha feito anunciar. As nossas dificuldades cresciam de dia para dia. E era cada vez mais calor, mais chuva, mais lama. Passávamos horas e horas a desatascar e empurrar as viaturas. Para progredirmos meia dúzia de metros, eram horas! E lá me calhou mais uma vez ficar na frente. O resto da rapaziada regressou á Cecília, e nós instalamo-nos para manter as máquinas dos “engenheiros” em segurança. O sol já se começava a esconder. O silêncio naqueles buracos era de tal maneira intenso que tudo se ouvia. Num raio de muitos kms á nossa volta, nada circulava. Mas…começamos a ouvir cada vez mais nítido, o som não de uma mas de várias viaturas em movimento e cada vez mais perto. Mas que raio…o que será? Até que surgem as viaturas, apitando e cheias de pessoal que nos acenavam, gritavam, e nós cada vez mais confundidos. Tinha sido dada a ordem há tanto esperada. Íamos regressar a Luanda! Finalmente!!!

Carregar as máquinas dos engenheiros, destruir os buracos onde nos acoitávamos e ala para a Cecília onde nos esperava uma indescritível azáfama. Essa noite foi de total anarquia e muita bebida. Não havia graduados, nem hierarquias, nem regras. Houve sim muita compreensão e respeito, como até aí de uns pelos outros, naquele conjunto de homens desterrados nos confins daquelas matas, mas irmanados todos no mesmo espírito de indescritível alegria. Uma desorganização organizadíssima, em que demos asas a uma felicidade imensa, impossível de descrever. Era a última noite na Cecília!

Íamos poder comer comida em condições, beber as bebidas que quiséssemos e frescas, ver civis de que já nos desabituáramos de ver, íamos ficar livres daquela poeirada e daquelas condições de vida duríssimas, que só os vinte e poucos anos e o ser português conseguiram aguentar. Íamos deixar aquele buraco onde nos tinham enterrado vivos e para onde quer que fôssemos, pior não seria fácil. Enfim, íamos regressar á civilização, pelo menos por uns tempos!



Texto e fotos de Joaquim Alves

NR: Sobre a jibóia já foi publicado um artigo que pode ser lido clicando AQUI.

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