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A guerra – cenas do quotidiano

Do nosso companheiro Ramiro Carreiro, recebi estas duas fotos que retratam tarefas que diarimente faziam parte da nossa vida na guerra em Angola.

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O içar e o arriar da bandeira nacional, cerimónias cumpridas diariamente, a primeira por volta das 9 horas, a segunda ao por do sol. O Carreiro está a operar a bandeira e os outros elementos que ele identifica são o furriel Leitão e os cabos Moniz, Araujo e Pereira. O corneteiro não consegue identificar. O aquartelamento, digo eu, é no Luvo.

A segunda foto é deveras singular e representa uma actividade que nos primeiros meses da comissão tinhamos que desempenhar, recolha de água para abastecimento, que prova as condições precárias que tivemos que enfrentar nas bases tácticas do planalto do Luaia. Aqui a colheita da água era levada a cabo no leito de um riacho atraves de uma lata para dentro do autotanque. Reconheço-me nesta foto e pensava que esta tarefa da recolha fosse feita por motor de água, mas era mais artesanal. Quanto à qualidade da mesma é fácil adivinhar, talvez por isso é que a bebida predilecta fosse a cerveja (cuca ou nocal).

Um abraço para todos.

Mário Mendes

 


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PAC

Não, não é a Política Agrícola Comum, é o PAC, um partido que poderá surgir no espectro político nacional. É verdade que já temos mais que muitos, para todos os gostos, mas há sempre lugar para mais um. Reivindicações fora do Parlamento são música para os ouvidos do poder político, enquanto dentro a música já é outra. Vejamos o que um novo partido político (PAN), com um único representante já conseguiu para as famílias que têm animais de companhia, como seja a inclusão das despesas com veterinários nas deduções à colecta do IRS.

Não sou apologista de que cada classe corporativa forme um partido político, uma folha do boletim eleitoral não chegaria para todos, teria que ser um caderno, a política deveria privilegiar o interesse de todos, mas o que a realidade nos mostra é que o corporativismo se sobrepõe ao interesse global.

Nesta conformidade parece-me que faz sentido pensar na eventual criação do PAC que atrás referi. Este PAC significa Partido dos Antigos Combatentes. Sim, temos reivindicações a fazer que são justas e pertinentes.

Os sacrifícios em nome da Pátria que passamos nas campanhas de África dão-nos razões mais que suficientes para merecermos ser ouvidos, não nos contentamos por ser alvo de menção apenas nas comemorações dos 10 de Junho. A grande maioria carrega para sempre o stress pós-traumático de guerra e não existe qualquer apoio médico nem social.

Talvez um terço dos antigos combatentes já não possa dizer “pronto” mas ainda somos muitos e se contarmos com as esposas, filhos, netos e outros familiares, somos um grande “contingente”.

Deixo aqui duas reivindicações que no meu entender teriam cabimento no OE sem prejudicar o deficit, porque certamente haverá outros sectores onde cortar estes trocos.

Em plena época de acertar contas com o fisco no que se refere ao IRS, que tal termos direito a uma majoração ou uma dedução fixa na colecta do IRS. Seria um bónus para completar o SEP (Suplemento Especial de Pensão ou o CEP (Complemento Especial de Pensão), nomes pomposos que trocados em miúdos representam uma maquia entre 100 e 150 euros anuais, sublinho a palavra anuais porque alguns mais distraídos podem entender que são mensais. No limite máximo este valor dá um acréscimo de 0,40 diários.

Outra reivindicação que seria justa era a isenção de taxas moderadoras na saúde, porque todos já pertencemos ao último escalão etário >65 e por isso é cada ano menor a nossa esperança de vida.

Se para conseguirmos alguma coisa for necessário meter alguém no Parlamento, força aí, que venha o PAC.

Mário Mendes

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Recordar o MVL

MVL (Movimento Viaturas Logistico), era este termo que designava um conjunto de viaturas civis e militares que periodicamente saiam de Luanda para levar abastecimentos aos aquartelamentos.

Essas colunas eram escoltadas por militares e tambem a nossa companhia fez protecção ao MVL. O inimigo podia estar presente em cada curva da picada, mas havia também outros inimigos com que tinhamos que contar, a poeira que se levantava com a passagem dos veículos na época seca e que se entranhava no corpo. Na época das chuvas era a lama que tornava dificil a progressão das viaturas especialmente nas íngremes subidas.

Aqui vão duas fotos que o companheiro Ramiro Carreiro me enviou do Canadá que representam a protecção ao MVL. Vamos lá identificar o pessoal das fotos, as caras são-me familiares, mas os nomes foram-se.

 

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Mário Mendes

 


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Açoreanidade

Como ouvia dizer na Ilha Terceira:

 «éh senhô, se quer falar comigue, tá caleado!!»

Não deixem de ver este interessantíssimo vídeo.

A falar é que a gente se entende…

Pronúncias dos Açores, por Victor Rui Dores -comp

Todas as pessoas, lugares, cidades, países, tem a sua língua, linguagem, a sua forma de se exprimir.
Herança, conhecimento, estudo, capricho, a comunicação enquanto forma sonora de expressão é usada por humanos e animais.
É nos humanos que é mais acentuada e conhecida, assim variando de pessoa para pessoa…
Mesmo em pequenas localidades, existem diferentes modos de cada pessoa se exprimir. Uma dessas formas denomina-se por “pronúncia” e é exactamente disso que nos vai falar o Victor Rui Dores.
Professor, escritor e actor, formado em germânicas é porventura um dos maiores poetas/escritor/cronista da actualidade dos Açores. Mas e como ele próprio se define, é sem dúvida alguma um enorme comunicador. Conhecendo os nossos saberes, usos e costumes e neste caso concreto a linguística açoriana bem como as suas diferentes formas dialectais.
Este é mais um contributo para o nosso Património cultural imaterial (ou património cultural intangível) Açoriano.
Agradecimento muito especial ao professor Victor Rui Dores por ter disposto do seu precioso tempo várias horas em estúdio, a fim de partilhar com todos nós, graças ao seu poder comunicativo, o seu saber e conhecimento sobre essa forma fantástica dos seres se comunicarem … a dialéctica da fala.

(Sou a informar, que esta versão está completa, assim, sendo fruto de algum trabalho e muitas boas vontades, bem como algumas pessoas envolvidas, a Ilha de S. Jorge está contemplada. A todos os que tornaram possível esta adenda, muito obrigado)


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Luvo em 1966

Carta aberta aos  companheiros da C.Caç. 3413

Este blog teve como principal intenção evocar e recordar o tempo que passamos em Angola no âmbito da guerra colonial que enfrentamos nos anos de 1971 a 1973. Como principal dinamizador desta publicação tenho contribuído para trazer à nossa memória coletiva aqueles tempos difíceis que serviram para cimentar amizades que ainda hoje perduram.

O blog tem estado com muito pouca movimentação, não por os assuntos se terem esgotado da minha parte, embora como é óbvio se tornem mais escassos, mas porque sempre disse que eu não era o “dono” desta humilde publicação e por isso esperava os contributos de quem quisesse aportar recordações e histórias de episódios que o tempo não apaga.

Assim, faço mais uma vez um apelo a todos os que queiram dinamizar este espaço, porque recordar é viver!

Neste âmbito, foi com agrado que recebi o mail que abaixo se transcreve:

Caro Mário Mendes,
Votos de boa saúde.
Talvez mais que eu, o Mário Mendes, deve sentir a ausência de novas contribuições nas páginas do Blogue da cc 3413, talvez, admito eu, tal se possa dever a uma  falta de assuntos, dos leitores/colaboradores do Blogue da C.C. 3413,  para nos trazer à memória ocorrências que passámos no decorrer das nossas comissões militares, em particular nas zonas que foram partilhadas, em anos diferentes pela CCaç. 3413 e pelo Bart., 1852, coloco à sua consideração a publicação duma ocorrência que eu e um grupo de veteranos do 1852, que se encontra  com alguma regularidade, pela hora do almoço com esse fim e o de recordar coisas daqueles tempos. No convívio do passado dia 17 do corrente mês, com a presença de oito antigos  “ocupantes” da Mamarrosa, da Magina e do Luvo, foi tema da conversa a “história do crocodilo do Luvo”, que passo transcrever:
 

Naquele tempo, a Companhia 1406 que estava no Luvo, abastecia-se da água para o aquartelamento no Rio Luvo, um pouco abaixo da ponte que separava/marcava as fronteiras dos territórios. Em determinado dia, os camaradas com essa tarefa, aperceberam-se  do mergulho de um crocodilo, cujos vestígios do seu “habitat” eram evidentes nas margens daquele rio, no seguimento dessa constatação e da repetição da fuga do animal quase sempre que os camaradas ali se dirigiam, o pessoal especializado na matéria, armadilhou a zona para garantir  alguma segurança no decorrer das suas tarefas. Passados alguns dias, o trabalho deu os seus frutos; quando se ouviu o rebentamento do engenho montado já se imaginava o que poderia ter sucedido. Isso veio a ser confirmado no local, lá estava, de patas para o ar, com alguns estilhaços e sem uma das patas dianteiras, o animal que consta da imagem e que media entre quatro e cinco metros. 

A história foi recordado pelo veterano Amadeu Alves, que figura na outra imagem, junto do memorial da 1406, companhia que estava no Luvo e à qual pertencia, a foto com o crocodilo também foi obtida pelo mesmo camarada.
Aquele abraço e…
Saudações,
Horácio Marcelino
Luvo_1966
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Recordações de má memória

Faz hoje 43 anos que ocorreu este episódio da terrível guerra que travamos em Angola. Era uma sexta-feira e regressávamos de São Salvador, a capital da província do Congo quando a cerca de 10 kms da chegada ao aquartelamento deparamos com a placa de sinalização “Mamarrosa/Luvo” a arder no meio da picada, o que prenunciava que por ali andava o inimigo e nos levou a tomar cuidados redobrados.

Depois de alguns kms percorridos a pé por um grupo de combate à frente da viatura que encabeçava a coluna, inspecionando a picada, o grupo apeado volta a subir para as viaturas e quando estávamos a cerca de 5 kms do nosso destino, dá-se uma enorme explosão, uma mina anticarro tinha rebentado.

Aqui está um pequeno filme com as imagens do acontecimento.