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Recordar o MVL

MVL (Movimento Viaturas Logistico), era este termo que designava um conjunto de viaturas civis e militares que periodicamente saiam de Luanda para levar abastecimentos aos aquartelamentos.

Essas colunas eram escoltadas por militares e tambem a nossa companhia fez protecção ao MVL. O inimigo podia estar presente em cada curva da picada, mas havia também outros inimigos com que tinhamos que contar, a poeira que se levantava com a passagem dos veículos na época seca e que se entranhava no corpo. Na época das chuvas era a lama que tornava dificil a progressão das viaturas especialmente nas íngremes subidas.

Aqui vão duas fotos que o companheiro Ramiro Carreiro me enviou do Canadá que representam a protecção ao MVL. Vamos lá identificar o pessoal das fotos, as caras são-me familiares, mas os nomes foram-se.

 

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Mário Mendes

 


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Açoreanidade

Como ouvia dizer na Ilha Terceira:

 «éh senhô, se quer falar comigue, tá caleado!!»

Não deixem de ver este interessantíssimo vídeo.

A falar é que a gente se entende…

Pronúncias dos Açores, por Victor Rui Dores -comp

Todas as pessoas, lugares, cidades, países, tem a sua língua, linguagem, a sua forma de se exprimir.
Herança, conhecimento, estudo, capricho, a comunicação enquanto forma sonora de expressão é usada por humanos e animais.
É nos humanos que é mais acentuada e conhecida, assim variando de pessoa para pessoa…
Mesmo em pequenas localidades, existem diferentes modos de cada pessoa se exprimir. Uma dessas formas denomina-se por “pronúncia” e é exactamente disso que nos vai falar o Victor Rui Dores.
Professor, escritor e actor, formado em germânicas é porventura um dos maiores poetas/escritor/cronista da actualidade dos Açores. Mas e como ele próprio se define, é sem dúvida alguma um enorme comunicador. Conhecendo os nossos saberes, usos e costumes e neste caso concreto a linguística açoriana bem como as suas diferentes formas dialectais.
Este é mais um contributo para o nosso Património cultural imaterial (ou património cultural intangível) Açoriano.
Agradecimento muito especial ao professor Victor Rui Dores por ter disposto do seu precioso tempo várias horas em estúdio, a fim de partilhar com todos nós, graças ao seu poder comunicativo, o seu saber e conhecimento sobre essa forma fantástica dos seres se comunicarem … a dialéctica da fala.

(Sou a informar, que esta versão está completa, assim, sendo fruto de algum trabalho e muitas boas vontades, bem como algumas pessoas envolvidas, a Ilha de S. Jorge está contemplada. A todos os que tornaram possível esta adenda, muito obrigado)


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Luvo em 1966

Carta aberta aos  companheiros da C.Caç. 3413

Este blog teve como principal intenção evocar e recordar o tempo que passamos em Angola no âmbito da guerra colonial que enfrentamos nos anos de 1971 a 1973. Como principal dinamizador desta publicação tenho contribuído para trazer à nossa memória coletiva aqueles tempos difíceis que serviram para cimentar amizades que ainda hoje perduram.

O blog tem estado com muito pouca movimentação, não por os assuntos se terem esgotado da minha parte, embora como é óbvio se tornem mais escassos, mas porque sempre disse que eu não era o “dono” desta humilde publicação e por isso esperava os contributos de quem quisesse aportar recordações e histórias de episódios que o tempo não apaga.

Assim, faço mais uma vez um apelo a todos os que queiram dinamizar este espaço, porque recordar é viver!

Neste âmbito, foi com agrado que recebi o mail que abaixo se transcreve:

Caro Mário Mendes,
Votos de boa saúde.
Talvez mais que eu, o Mário Mendes, deve sentir a ausência de novas contribuições nas páginas do Blogue da cc 3413, talvez, admito eu, tal se possa dever a uma  falta de assuntos, dos leitores/colaboradores do Blogue da C.C. 3413,  para nos trazer à memória ocorrências que passámos no decorrer das nossas comissões militares, em particular nas zonas que foram partilhadas, em anos diferentes pela CCaç. 3413 e pelo Bart., 1852, coloco à sua consideração a publicação duma ocorrência que eu e um grupo de veteranos do 1852, que se encontra  com alguma regularidade, pela hora do almoço com esse fim e o de recordar coisas daqueles tempos. No convívio do passado dia 17 do corrente mês, com a presença de oito antigos  “ocupantes” da Mamarrosa, da Magina e do Luvo, foi tema da conversa a “história do crocodilo do Luvo”, que passo transcrever:
 

Naquele tempo, a Companhia 1406 que estava no Luvo, abastecia-se da água para o aquartelamento no Rio Luvo, um pouco abaixo da ponte que separava/marcava as fronteiras dos territórios. Em determinado dia, os camaradas com essa tarefa, aperceberam-se  do mergulho de um crocodilo, cujos vestígios do seu “habitat” eram evidentes nas margens daquele rio, no seguimento dessa constatação e da repetição da fuga do animal quase sempre que os camaradas ali se dirigiam, o pessoal especializado na matéria, armadilhou a zona para garantir  alguma segurança no decorrer das suas tarefas. Passados alguns dias, o trabalho deu os seus frutos; quando se ouviu o rebentamento do engenho montado já se imaginava o que poderia ter sucedido. Isso veio a ser confirmado no local, lá estava, de patas para o ar, com alguns estilhaços e sem uma das patas dianteiras, o animal que consta da imagem e que media entre quatro e cinco metros. 

A história foi recordado pelo veterano Amadeu Alves, que figura na outra imagem, junto do memorial da 1406, companhia que estava no Luvo e à qual pertencia, a foto com o crocodilo também foi obtida pelo mesmo camarada.
Aquele abraço e…
Saudações,
Horácio Marcelino
Luvo_1966
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Recordações de má memória

Faz hoje 43 anos que ocorreu este episódio da terrível guerra que travamos em Angola. Era uma sexta-feira e regressávamos de São Salvador, a capital da província do Congo quando a cerca de 10 kms da chegada ao aquartelamento deparamos com a placa de sinalização “Mamarrosa/Luvo” a arder no meio da picada, o que prenunciava que por ali andava o inimigo e nos levou a tomar cuidados redobrados.

Depois de alguns kms percorridos a pé por um grupo de combate à frente da viatura que encabeçava a coluna, inspecionando a picada, o grupo apeado volta a subir para as viaturas e quando estávamos a cerca de 5 kms do nosso destino, dá-se uma enorme explosão, uma mina anticarro tinha rebentado.

Aqui está um pequeno filme com as imagens do acontecimento.

 

 


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Boas Festas

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Mais um ano chega ao fim, é vê-los passar, mas o que importa é que a saúde não nos falte para podermos celebrar mais alguns. Recordando o ano de 1972, aqui está um postal que um nosso companheiro africano da C.Caç. 3413 me dedicou.

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Nesta quadra festiva lembramo-nos também dos elementos da nossa companhia que já partiram, alguns são já do nosso conhecimento, mas há dias soube por intermédio de um primo que o Eduardo Mota Teixeira, açoriano da ilha de São Miguel também já tinha deixado este mundo. No Luvo ele exerceu as funções de padeiro e portanto todos comemos do pão que ele amassou. Descansa em paz amigo. Morava no Nordeste, onde está também outro companheiro, o Carlos Cabral Pimentel que aparece nesta foto (1º de pé a contar da esquerda).

futebol_mamarrosaJá passaram muitos anos, é-me difícil identificar os restantes, mas entre todos certamente vamos conseguir saber quem são.

O dia 22 de Dezembro de 1971, foi também muito triste porque faleceu o Emanuel Firmino Nunes Aguiar, o “Maria”, um madeirense residente em Angola que integrou o contingente local da nossa companhia. Aqui vai uma foto para recordar. É o que está com chapéu.

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A todos um Bom Natal e um próspero  Ano Novo.

Mário Mendes


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Angola: 40 anos de Descolonização

Faz 40 anos no próximo dia 11 de Novembro que Angola se tornou independente. Quem quiser recordar aquele acontecimento e outros com ele relacionados,  aconselho a ler o livro do Major-General da Força Aérea Portuguesa, na situação de reforma, Fernando Paula Vicente.

No momento histórico em que Angola celebra o 40º aniversário da sua independência, um milhão de portugueses, civis e militares, recordam com horror a tragédia da descolonização que também matou meio milhão de angolanos. A isto, os promotores da independência, atraiçoando todos os interesses dos povos português e angolano, chamaram “descolonização exemplar” e pretenderam “apagar” da história nacional a gesta dos descobrimentos acusada de conduzir ao colonialismo e aos colonos que fizeram a Angola que hoje existe acusaram de nada mais ter feito do que roubar os pretos. Quarenta anos depois, de forma desapaixonada mas factual, os portugueses podem agora revisitar esse passado de traição das expectativas, suas ou de familiares seus, para compreender melhor a gesta dos descobrimentos, a colonização da qual não temos que nos envergonhar e a descolonização que o povo angolano não apadrinhou e que foi imposta do exterior. No livro que abaixo se refere, é feita uma merecida menção honrosa aos colonos pioneiros (muitos dos quais com informação biográfica pessoal). Para quem possa estar interessado, as respostas podem ser encontradas no livro:

 “ANGOLA COLONIZAÇÃO DESCOLONIZAÇÃO” 
à venda pela internet em (www.angolacd.com), nas livrarias da FNAC, na Liga dos Combatentes e na Associação dos Amigos do Uíge.
Também os cidadãos que em Angola, ao longo de 13 anos de guerra, prestaram serviço militar em defesa da Nação não deixarão de gostar de ler este livro e de recordar Angola e essa experiência que marcou as suas vidas.
Para saber mais sobre o autor abra este link : Fernando Paula Vicente


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Caçadores

Em plena época de caça, venho lembrar aos meus companheiros de armas que já todos fomos “caçadores”. Alguns ainda serão, outros não, mas efetivamente mesmo aqueles que nunca manusearam uma espingarda de caça também já pertenceram a este grupo.

Caçadores – Unidades Especiais

Foi sobretudo na sequência da directiva do Estado-Maior do Exército de 12/10/1959 que este ramo iniciou a preparação da defesa do Ultramar face à já então previsível eclosão de acções de guerra subversiva.
No ano seguinte, foi criado, em Lamego, o Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE). A principal finalidade desta unidade era a preparação de quadros para o tipo de operações de contraguerrilha que o Exército poderia ter de enfrentar a muito curto prazo.
Os instrutores dos primeiros tempos – oficiais e sargentos – eram cuidadosamente seleccionados e, em muitos casos, frequentavam cursos de contra-subversão e contraguerrilha em centros de instrução estrangeiros (França, Argélia, EUA, Grã-Bretanha e Espanha).

Uma vez instruídos os primeiros oficiais e sargentos nas técnicas e tácticas de um tipo de guerra até aí praticamente desconhecido no Exército português, estavam criadas as condições para a constituição, enquadramento e preparação das primeiras unidades de combate, destinadas a enfrentar as situações específicas que se previam vir a ocorrer no Ultramar. A essas unidades entendeu-se atribuir a designação de caçadores especiais, para as distinguir dos caçadores tradicionais, tropas regulares de infantaria ligeira, vocacionadas para a vigilância das fronteiras.
Inicialmente, cabia ao CIOE a tarefa de organizar e instruir as companhias de caçadores especiais. Posteriormente, todavia, só os oficiais e sargentos recebiam instrução naquele centro, indo depois constituir as companhias nos Batalhões de Caçadores n.º 5 (Lisboa) e n.º 10 (Chaves).

Quando, em 4 de Fevereiro de 1961, se registaram, em Luanda, os acontecimentos que marcaram o início da luta armada, já se encontravam em Angola, como unidades de reforço, quatro companhias de caçadores especiais. Em meados de Abril do mesmo ano, esse número subiu para dez. Ao mesmo tempo, embora em menor número, também as guarnições de Moçambique e da Guiné receberam as primeiras unidades deste tipo.
Constituídas por pessoal cuidadosamente seleccionado e dispondo de enquadramento rico e altamente motivado, as unidades de caçadores especiais provaram excelentemente em combate, nas difíceis condições dos primeiros meses de guerra.
Foi-lhes atribuída, em primeira mão, a boina castanha, e foram as primeiras unidades do Exército a utilizar, em campanha, o uniforme camuflado.
Todavia, a tradicional aversão dos mais altos responsáveis do Exército por tudo o que fosse «unidades especiais» – principal razão pela qual as tropas pára-quedistas foram atribuídas à Força Aérea – levou, em finais de 1961, à generalização da instrução de caçadores especiais a todas as unidades de combate do Exército.
As últimas companhias de caçadores especiais foram constituídas em 1962 e, nesse mesmo ano, reforçaram as guarnições ultramarinas.
A partir de 1962, portanto, as unidades de infantaria de reforço (batalhões e companhias independentes), que tomaram a designação de «caçadores», eram já as herdeiras e continuadoras dos caçadores especiais, embora, naturalmente, sem a mística própria dos corpos militares de elite que são, por definição, de reduzida expressão numérica.
Comparados com os batalhões de infantaria, os batalhões de caçadores (BCaç) apresentavam-se mais aligeirados organicamente e em matéria de armamento e de efectivos. Em vez de cinco companhias, um BCaç dispunha apenas de quatro: uma companhia de comando e serviços (CCS) e três companhias de caçadores (CCaç). Relativamente ao batalhão de infantaria convencional, verificava-se a supressão da subunidade de apoio de combate (companhia de armas pesadas, equipada com metralhadoras, morteiros e armas anticarro).
Por sua vez, as CCaç divergiam das suas homólogas de infantaria (companhias de atiradores) pela adopção prática de uma organização quaternária, que se materializava na constituição de quatro grupos de combate obtidos a partir de três pelotões de caçadores e um pelotão de acompanhamento (armas pesadas). Cada grupo de combate recebia a quarta parte das armas pesadas do pelotão de acompanhamento e cedia a quarta parte dos atiradores. O resultado era a constituição de quatro grupos de igual potencial de combate.
Às unidades de caçadores – como, de resto, às unidades de artilharia e cavalaria que actuavam como infantaria – foram atribuídas fundamentalmente missões de quadrícula, situação que implicava a responsabilidade directa por uma zona de acção, perfeitamente delimitada, e a ocupação permanente de aquartelamentos fixos.
Um pequeno número de unidades foi, no entanto, empregue como reserva de comandos superiores, participando em acções de intervenção em zonas de acção de outras unidades.

Fonte: guerracolonial.org