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XIX Encontro

Já temos o programa para o XIX encontro anual da C.Caç. 3413. O local da concentração visto de satélite é o indicado no círculo azul, justo à estátua:

cantanhede

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Fausto Pinheiro Maia
Avª 25 de Abril, 6
3060-123 Cantanhede
Tel: 231 422 902 / 231 411 291
Tlm: 917 500 019
Mail: faustomaia-1392c@adv.oa.pt

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XIX Encontro C.CAÇ.3413

Camarada e amigo:

Como ficou acordado no último convívio, este ano o encontro será bem no Centro, em Cantanhede (24 de Maio – Sábado).

Coisa simples – como nós – sendo o local de encontro também no Centro da Cidade – junto à estátua equestre do Marquês de Marialva – e defronte aos Paços do Concelho (12 horas).

Faremos de seguida uma singela visita/romagem até ao Monumento aos Combatentes – ali bem próximo – e seguiremos para o Restaurante “Marquês de Marialva” a pé ou de automóvel dada a curta distância – onde será servido o “Almoço Gandarez”, pelas 13,00 horas (€ 25,00) – (tel: 231 420 010; Coordenadas GPS: N4020.919/W835.559).

Chegar a Cantanhede é simples: Quem vem do norte pela A1 sai em Cantanhede/Mealhada; do sul sai em Cantanhede.

Cá te espero (confirma a presença e acompanhante(s) até 19 de Maio).

Um abraço do
Fausto Maia

 

 


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Recordar é Viver!

Estas duas fotos foram-me enviadas pelo nosso companheiro de armas Ramiro Carreiro, um açoriano radicado no Canadá, que nos fazem reviver o nosso passado militar em terras africanas, integrantes da C.Caç. 3413 (Angola, 1971-1973).

Metralhadora ligeira HK21, uma adaptação da espingarda automática G3 mas com cano reforçado e alimentada por cinta de munições. Se a G3 já era pesada, os que tinham esta como “namorada” como o caso do Carreiro, tinham que possuir um bom porte atlético.

Nesta foto a identificação a começar da esquerda que o Carreiro faz é a seguinte: 1-? 2-Moreira, 3-Quadros, 4-Carreiro, 5-?(transmissões), 6-Pimentel, 7?(padeiro do Luvo), 8?(cozinheiro), 9-?(mecânico).

Esta foto ao que parece foi tirada na porta do bar do aquartelamento do Luvo, numa rodada de cervejas Nocal. Quem paga a próxima? Quanto às outras ? vou dar o meu contributo, esperando que outros completem o puzzle: 1-Grilo, 5-Vítor Tomás (transmissões).

Boa Páscoa para todos

Mário Mendes


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8 de Abril de 1972

Faz hoje 42 anos que partimos de Luanda rumo ao norte de Angola. A companhia estava agora unida depois de alguns meses a deambular em vários locais do Uíge com grupos de combate em Vale do Loge, Quimaria, Tôto, Cleópatra, Cecília. O destino era a Mamarrosa, na província do Zaire, mas para lá chegar era preciso percorrer cerca de 550 km, dois dias de viagem.

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A primeira parte do percurso terminou em Ambrizete depois de passar por Cacuaco, Barra do Dande e Ambriz. Aqui terminou também a estrada alcatroada que deu lugar à picada rumo a Tomboco, São Salvador e finalmente Mamarrosa onde chegamos na tarde do dia 9 de Abril de 1972.

Depois de 8 meses sem sítio certo a Mamarrosa e o Luvo seriam agora as nossas “residências” durante o resto da comissão.

Nas duas fotos que se seguem pode-se apreciar a vista geral do aquartelamento.

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Ficamos bem impressionados com o local e as instalações, fomos muito bem recebidos pela C.Caç. 2676, uma companhia formada nos Açores como a nossa, mas não fomos “praxados” porque já não éramos maçaricos, facto que decepcionou a companhia que fomos render.

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Foto da avenida principal da Mamarrosa vista da zona da entrada para o cimo onde se situava o comando.

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Vista geral a partir do local mais elevado.

Mário Mendes


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Memórias do tempo da guerra

O nosso companheiro Ramiro Carreiro, radicado no Canadá, enviou-me estas fotos que nos fazem “desenterrar” algum tempo do nosso passado da juventude vivido em terras angolanas em clima de guerra.

Lá vem ele com mais memórias que nos atormentam, dirão alguns, que não querem mais recordar esse passado, mas como a vida é uma “timeline” não podemos apagar esse trecho, temos que conviver com ele.

Agradeço portanto ao Carreiro este pequeno “filme” que ilustra bem as dificuldades e privações por que passamos. Que este exemplo seja seguido por outros companheiros que também têm registos fotográficos fechados a sete chaves e que se não virem a luz do dia podem deteriorar-se para sempre. Vamos lá amigos, não se fechem em copas.

Em variadas operações no mato que incluísse pernoita, a tropa transportava além do seu equipamento individual militar um bornal de lona onde se acomodavam um colchão de ar, uma manta e os respectivos mantimentos, vulgo “ração de combate”, um peso enorme que transformava qualquer militar firme e hirto, mesmo os que já denunciavam alguma “marreca”.

Em operações de mais de dois dias de duração, a carga seria incomportável e nessas ocasiões era accionada a logística de abastecimento por terra ou ar conforme os casos. É um abastecimento aéreo (avião Dornier, DO-27) que aqui se documenta.

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É claro que o impacto deixou “mossas” nos alimentos, mas o que se pode aproveitar foi divinal porque não é todos os dias que o alimento cai do céu.

Segue a identificação a contar da esquerda que o Carreiro transmite e que de acordo com o meu “arquivo” parece bater certo: Coroa, alferes Pinto, Moreira, Carreiro, Pavão, Quadros e furriel Maia.

Mário Mendes


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Minas anticarro

As minas anticarro utilizadas pelos movimentos de libertação nas três frentes da guerra em África, tinham um enorme poder destruidor, mesmo em carros pesados como estas Berliet da nossa C.Caç. 3413.

fotografia 1No dia 19 de Outubro de 1971, a mina colocada na picada entre o Tôto e a Base Táctica de Cecília, provocou ligeiros ferimentos no condutor e no nosso comandante de companhia, únicos ocupantes da mesma. A carga era composta de grades de cerveja que voaram pelos ares e muitas das que se aguentaram intactas foram consumidas ali enquanto durou a espera pelo reboque da Companhia de Engenharia.

fotografia 2

Este episódio aconteceu em 2 de Fevereiro de 1973, quando uma coluna da C.Caç. 3413 regressava de São Salvador do Congo à base da companhia sediada na Mamarrosa a cerca de 5 km do destino e conforme se pode ver os estragos foram bem maiores que os da Berliet anterior. Foram 4 feridos com gravidade que tiveram que ser evacuados para Luanda. Felizmente algum tempo depois todos regressaram ao seio da companhia.

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Um dispositivo como este foi o responsável por tantos danos causados às nossas tropas, um inimigo invisível, uma luta desigual.

Aqui está o “filme” com mais detalhes relativo à mina da última Berliet.


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Às armas, às armas!


Este era o arsenal de armas ligeiras que os militares a título individual tinham que carregar para defender as cores de Portugal na guerra em África. A espingarda G3 com as respectivas munições, 100 cartuchos no total, 1 dilagrama, dispositivo que se colocava na ponta da espingarda para disparar uma granada a uma distância maior da que permite o lançamento manual, com cartucho propulsor sem bala, 1 granada defensiva, 1 granada ofensiva e 1 pistola Walter geralmente utilizada por militares com funções de comando.

Nesse tempo tínhamos a força da juventude e armados assim, éramos respeitados e vangloriados. Hoje, os ex-combatentes são desprezados, descartados, porque as armas que têm são as bengalas, canadianas, andarilhos. Na sua grande maioria, reformados, aposentados, com problemas vários a nível da saúde física e mental, alguns mesmo sem-abrigo e não há quem lhes dê a mão.

Ultimamente, em alguns discursos oficiais têm-se ouvido referências aos ex-combatentes, mas não passam de palavras ocas, sem qualquer consequência na prática. Não conheço um Estado que trate com tanta negligência os seus veteranos de guerra. As Associações de ex-combatentes fazem o que podem, reivindicam os direitos que acham justos, mas o poder político assobia para o lado.

Os SEP (suplemento especial de pensão) ou CEP (complemento especial de pensão) no valor máximo de 150 euros/ano ainda sujeitos a IRS são uma afronta a toda a classe. Não seria melhor que quando chegasse o mês de Outubro, data em que essa esmola é acrescentada à reforma/pensão, todos os ex-combatentes a devolvessem à procedência, a cada um de nós não faz grande diferença, mas o bolo poderia servir para dar a alguns “pobres” reformados que andam por aí muito queixosos, como o caso dos do BdP (Banco de Portugal) a quem o tribunal mandou devolver com juros os 13º e 14º meses de 2012, porque afinal a Lei que os abrange não permite tal corte.

Que eu saiba, todas as reformas/pensões atribuídas, o foram baseadas em normas legais em vigor, mas por que razões só podem ser alteradas ou revogadas para certas classes deixando outras sagradas, imutáveis, irrevogáveis?

Às bengalas, às canadianas, aos andarilhos …

Mário Mendes

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