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Açores, 1938.

Caros amigos, companheiros, camaradas, é sempre com alegria e emoção que voltamos aos Açores. Desde 1971, data em ali estivemos, até ao presente, muita coisa mudou, mas as belezas naturais continuam como sempre e puxando a “culatra” atrás quando a maior parte de nós ainda não tinha nascido é maravilhoso ver este filme editado em 1938 do acervo da cinemateca nacional que poderá ver clicando AQUI.


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Reencontro com o passado

No primeiro semestre do ano de 1971 juntaram-se no BII 17, em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores, a grande maioria dos elementos que haveriam de formar as companhias de caçadores 3412, 3413 e 3414, as duas primeiras com “guia de marcha” para Angola, a outra para a Guiné.

Já se passaram 43 anos e certamente muitos daqueles que ali estiveram tiveram já oportunidade de visitar aqueles lugares. A beleza dos Açores vale uma visita por si só, mas para quem ali esteve na sua juventude há também a curiosidade de voltar ao lugar que guardamos na nossa memória. Foram estes dois motivos que me levaram agora aos Açores na companhia de outro companheiro, o António Penedo. 

O monumento a Almeida Garrett no jardim de Angra do Heroísmo serviu de palco a muitas fotos como esta onde estão elementos das três companhias, aceitam-se identificações. 

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O monumento e o jardim bem tratado lá continuam e como é natural não resistimos à foto da praxe.

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O BII 17, agora RG1 na base do monte Brasil também não podia ficar de fora e agora com mais 2 companheiros açorianos, um com encontro marcado, outro aparecido de improviso revivemos aquele espaço onde tudo continua na mesma.

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O Manuel Dutra de Lima e o Francisco Leal da Silva, respectivamente do 2º e 4º grupos de combate, ambos naturais da freguesia de Porto Judeu, Terceira, o Lima emigrado nos EUA, o Silva radicado na sua terra natal.

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Em S. Miguel a “ordem de serviço” incluía também o reencontro com outro companheiro que já estava de pré-aviso e com quem o Penedo e o Maia tinham estado há pouco tempo na Figueira da Foz.

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Na vila da Povoação com o nosso anfitrião, o Henrique César Furtado Câmara, do 4º grupo de combate.

Na paragem em Vila Franca do Campo, associei  outro companheiro do 2º grupo, de seu nome Miguel Maurício de Chaves e não perdi a oportunidade de inquirir um homem da terra, sobre o seu paradeiro, revelando que o mesmo está radicado no Canadá.

Muitas memórias foram evocadas e recordadas e no último dia passeando na marginal de Ponta Delgada vislumbramos um navio a aproximar-se do porto. Era o “Funchal” que já estivera na sucata e que voltou a navegar, o mesmo que em 1971 nos levou para os Açores e nos trouxe de volta. 

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Há mar e mar, há ir e voltar e termino com uma homenagem ao nosso companheiro que de modo diferente regressou à sua terra natal. Na placa com o nome dos açorianos mortos em campanha presente no forte de Ponta Delgada, lá figura o nosso homenageado António de Amaral Machado. 

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Um abraço para todos, despeço-me com a célebre frase que conhecemos desde 1971 e ainda está bem presente no quotidiano açoriano.

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Mário Mendes


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Recordações de outros tempos

Companheiros da C.Caç. 3413, lembram-se do dia 9 de Agosto de 1971? Pois é, faz hoje 43 anos que a bordo do navio Vera Cruz atracamos no porto de Luanda. 

Depois de tantos anos as memórias desse dia e dos outros que se seguiriam já se vão esfumando, mas as fotos que ficaram para a posteridade ajudam-nos a remexer nesse passado distante.

Uma vez mais o nosso companheiro Ramiro Carreiro do Canadá enviou as fotos que se seguem e que aqui se publicam para memória futura:

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Um companheiro que identifico e que integra as 3 fotos é o ex-furriel Leitão e por isso trata-se de elementos do 4º grupo de combate. Quem souber identificar os restantes companheiros que não fique calado.

O Ramiro Carreiro também é visível nas duas últimas fotos e na primeira os cabeças da fila são o Leitão na esquerda e o Pimentel na direita.

Estas fotos revelam que a tropa era “pau” para toda a obra, que lutava não só com a G3 mas também com outras “armas”, neste caso implantando postes de iluminação.

Um abraço para todos.

Mário Mendes


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Recordando o passado em Angola

No próximo mês de Agosto vai fazer 43 anos que chegamos a Luanda deixando para trás a família e começando uma nova etapa das nossas vidas. A guerra em África marcou para sempre os milhares de jovens portugueses que nela participaram e com o avançar da idade muitos de nós “teimam” em reviver aqueles tempos que nunca mais se apagam das nossas vidas.

As fotos que ilustraram esse período, foram religiosamente guardadas para mostrar aos filhos e netos dando-lhes a conhecer esse pedaço de vida dos seus progenitores.

A C.Caç. 3413 formada nos Açores tinha maioritariamente combatentes daquele arquipélago e como sabemos muitos dos naturais daquela região procuraram nas “Américas” uma vida melhor para si e para os seus.

Já aqui trouxe à estampa notícias do nosso companheiro Ramiro Carreiro, um açoriano de S.Miguel radicado no Canadá e mais uma vez ele nos “brinda” com estas fotos do seu álbum:

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Não havia a especialidade de barbeiro, por isso recrutavam-se os mais hábeis na tesourada e aqui temos o Ribeiro do Pico a dar um “caldinho” ao Carreiro.

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O nosso protagonista rodeado de “muleques” filhos dos trabalhadores da fazenda da Mamarrosa.

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 Carnaval africano na Mamarrosa em 1972.

Deixamos o passado e regressamos ao presente com este vídeo que o Ramiro publicou comemorando 40 anos de casamento, que gostei muito de ver, desejando-lhe muitas felicidades e saúde junto da sua família. Companheiros da C.Caç. 3413 vejam como ele está em boa forma. Clique AQUI:

Mário Mendes


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HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DA C. CAÇ. 3413 (IX)

    Depois de uma noite de loucura total, em que vinho e cerveja escorreram livremente pelas gargantas, foi um ver se te avias para desmontar o acampamento. As tendas eram desfeitas num ápice, assim como os “PUBS” e as demais estruturas de apoio. Tudo o que era aproveitável era de imediato carregado nas muitas viaturas apropriadas para o efeito, sendo o resto amontoado numa enorme pilha, constituída na sua maioria por madeira. Valas e buracos tapados, inclusive a celebérrima “PISCINA”, e por fim, momentos antes de partirmos, tudo bem regado com gasolina e gasóleo e incendiado, para NÃO deixar NADA QUE SE APROVEITASSE. Levantou-se uma enorme fogueira em que as chamas se confundiam com o fumo e consumiam tudo o que amontoáramos. Acto contínuo foi dada a ordem de “PARTIDA”! …

Já depois de andados uns kms, um último olhar de despedida a um sítio que estávamos desejando de ver pelas costas, e ninguém imaginava que embora inóspito, a todos deixasse imagens inesquecíveis e que o passar dos anos traria saudades aos que passaram estas merecidas “férias” … Tinham sido meses duros em condições de vida sub-humanas, temperadas para todos por momentos únicos e marcantes. De longe ainda se vislumbravam os sinais da enorme fogueira e como na vida, ficou tudo em pó, cinza, nada

Partíamos para outra, com todas as interrogações possíveis. Melhor? Pior? Mas uma coisa era certa: esta etapa estava terminada. Mas arranjar companheiros como estes de quem nos íamos separar, iria ser difícil encontrar! As futeboladas e os jogos de bruto-vólei aos domingos iam ficar irremediavelmente para trás, e principalmente os dérbis entre companhias que eram vividos com tal intensidade que fariam corar de inveja os “dérbis” actuais. Os reagrupamentos no Tôto com parte da nossa companhia, vividos, celebrados e regados com bastante cerveja a acompanhar frangos e alheiras, tinham chegado ao fim!

    Após muita poeira e muitos kms eis-nos finalmente em Luanda… foi um alvoroço e uma alegria indescritíveis! Enfim, a civilização. Tudo o que esta cidade tinha para nos oferecer, e que nós já antecipadamente saboreávamos, comida boa, cervejas fresquinhas, marisco, praias, e mulheres …o simples facto de podermos passear livremente nas suas ruas e avenidas e em segurança, ver roupas civis, trânsito, confusão…como foi festejado este regresso…

    Devidamente instalados no Grafanil, ficamos incumbidos de fazer segurança à cidade, e enquanto uns estavam de serviço o resto da rapaziada marchava para Luanda. A nossa C.Caç. nunca primou pelo aprumo militar de que o nosso exército tanto zelava, e com estes meses todos onde nada destas coisas eram exigidas, abandalhou, e dava origem a que todas as noites a PM (Polícia Militar) detivesse vários soldados nossos e há noite lá os tínhamos que ir resgatar á PM, estes iam fardados para terem transporte grátis e quando havia “maca” a PM identificava-os facilmente e arrecadava-os.

Mas não foram só soldados. O Fausto Maia que era um dos furriéis do 2º grupo, foi para a cidade como era habitual, e surpresa das surpresas, também ele acabou detido…quando chegou ao Grafanil, vinha pior que estragado, e jurou vingança para com o furriel PM que o detivera “injustamente”…e tinha razão, senão vejamos!

– Como não achou a boina de saída, levava na cabeça o quico camuflado.

– Uma perna das calças, só uma, tinha ardido e, só na ponta, apresentava um buraco que até tinha vantagens. Devido ao calor permitia circulação de ar e refrescava…

– As meias, duma alvura imaculada, reluziam á distância através do dito buraco, e como é fácil constatar o nosso Maia ia devidamente “ataviado”, e só a má vontade do PM é que originou este caso…todos nos divertimos com este episódio, menos ele, e quando numa dessas noites lhe calhou ir resgatar soldados á PM deu de caras com o outro furriel. Logo ali lhe manifestou a sua indignação, mas agora ambos em situação de igualdade e armados…deu discussão e… o caso acabou aqui.

A 3413 já era conhecida pelo seu aprumo militar mas uma célebre noite foi demais. Envolveu-se tudo á batatada e como prémio recebemos ordem de marcha para uma operação com o batalhão do na altura coronel Duarte Silva “os sus a eles”. No caminho para a base táctica, junto a umas palmeiras um unimog onde seguiam vários militares capotou, e destes lembro-me que o Valdez teve que ir para o hospital militar em luanda (baldas quê do meu rádio?). Devidamente instalados nas tendas que montamos dormimos toda a noite que nem uns justos embalados pelos saltos que os unimogs deram todo o caminho de picada por muitos quilómetros. Manhãzinha bem cedo uns alarves começaram a tocar um cornetim que acordou toda a minha gente. Com franqueza…tão cedo e tanto barulho… Com calma e toda a tranquilidade lá fomos acordando e saindo das tendas. Cada um com o seu pucarinho de alumínio para nos dirigirmos ao sítio onde iria ser distribuído o pequeno-almoço…mas com o que nos deparámos foi com o pessoal do batalhão impecavelmente formado e nós…na mais completa anarquia. Formámos o mais rápido que foi possível, mas não conseguimos esconder o que era por demais evidente, o que nos valeu a todos uma reprimenda para não lhe chamar outra coisa do coronel que do alto do seu tamanhão e com um vozeirão do caraças a todos “elogiou”…o pior ainda foi para o nosso capitão que coitado foi quem mais ouviu. Militarices!

(Joaquim Alves)


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Encontro de 2014

Foi uma tarde muito agradável que o organizador do XIX encontro nos proporcionou. Foram 18 os que disseram “presente” e rumaram a Cantanhede para recordarem aventuras em África que cimentaram amizades que vão perdurar para sempre. Nos últimos anos o grupo dos resistentes tem-se estabilizado e muito gostaríamos que o mesmo se alargasse mas mesmo com o esforço redobrado dos organizadores tal não tem sido possível.

Desta vez tivemos conhecimento que nesse mesmo dia, (24/05/2014), também na Bairrada estava em confraternização uma companhia  com quem tivemos o prazer de conviver em Angola nos finais de 1971 e começo de 1972. Trata-se da C.Caç. 1311 a quem nos juntamos em Cleópatra e Cecília dando protecção à companhia de engenharia que abria picadas no Uíge, zona do Tôto.

Em contacto entre ambas ficou acordado que no próximo ano (2015) o encontro anual seria conjunto e portanto temos desde já a certeza que vai ser um encontro maior, um verdadeiro “encontrão” e que em princípio será realizado em Maio.

Eis algumas fotos:

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Homenagem aos combatentes do Ultramar, onde também recordamos os “nossos” falecidos em combate e outros que já não estão entre nós.

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O organizador deste encontro com o comandante da nossa companhia depois da colocação da coroa de flores homenageando os combatentes.

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O bolo com que finalizamos os encontros e brindamos à saúde de todos.

E agora um pequeno vídeo do evento. Clique no link abaixo:

http://youtu.be/0qeLbCVmCh4