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Até sempre, companheiro.

42 anos depois, a tragédia deste dia (05/02/1973) vem-nos sempre à memória. Dispensam-se palavras para descrever o que aconteceu, basta ver esta viatura para se ter a ideia da violência do rebentamento de uma mina anticarro que vitimou este nosso companheiro.

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José Rosa Sampaio, outro companheiro da C.Caç. 3413, no seu livro “O Vermelho do Capim: poemas da Guerra Colonial” que publicou em 1986, dedicou um poema ao malogrado António Amaral Machado e que aqui se evoca:

Tinhas uma mosca pousada na tua face vermelha

e os teus lábios entreabertos escondiam um palavra

que não disseste a ninguém …

roubaram-te até o que não te pertenceu em vida,

pois os elos da morte não perdoam a inocência da alma.

Descansa que talvez aconteça que não estejas morto.

(Mamarrosa, maio de 1973)

As fotos que se seguem são da sepultura na freguesia de Santo António, concelho de Ponta Delgada, sua terra natal.

Uma palavra de agradecimento à Junta de Freguesia de Santo António, que teve a gentileza de enviar as fotos.

Descansa em paz companheiro, até um dia. Os teus amigos e companheiros não te esquecem.

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Mário Mendes

 


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Angola, terra linda.

Um nosso colaborador deste blog, Horácio Marcelino, enviou-me um vídeo que aconselho a ver a todos aqueles que há mais de 40 anos conheceram as belezas de Angola e agora podem rever. Quem lá esteve como militar em teatro de guerra não teve tempo de apreciar estas belezas, mas agora sentado no sofá e com as pipocas ao lado, é outra coisa…


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Recordações da vida militar

De vez em quando apetece-nos olhar para o nosso passado e o período da vida militar vem sempre à baila, a guerra que travámos há muitos anos ainda continua bem presente na memória de muitos.

As fotos que guardamos para mais tarde recordar, depois de longos anos na escuridão das gavetas, vêem a luz do dia e recordam-nos um passado já muito distante mas que sem dúvida ficou bem marcado nas nossas mentes.

O nosso companheiro Ramiro Carreiro, envia-nos do Canadá as fotos que se seguem:

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O Carreiro com os fiéis companheiros Soba e Faial. Na última foto com o António Grilo.

E para recordar tempos antes de partirmos para Angola, aqui está o navio Funchal que nos trouxe dos Açores e o quartel de Setúbal (RI 10), a nossa última morada militar antes da partida.

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A22Um abraço para todos.

Mário Mendes

 


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Açores, 1938.

Caros amigos, companheiros, camaradas, é sempre com alegria e emoção que voltamos aos Açores. Desde 1971, data em ali estivemos, até ao presente, muita coisa mudou, mas as belezas naturais continuam como sempre e puxando a “culatra” atrás quando a maior parte de nós ainda não tinha nascido é maravilhoso ver este filme editado em 1938 do acervo da cinemateca nacional que poderá ver clicando AQUI.


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Reencontro com o passado

No primeiro semestre do ano de 1971 juntaram-se no BII 17, em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores, a grande maioria dos elementos que haveriam de formar as companhias de caçadores 3412, 3413 e 3414, as duas primeiras com “guia de marcha” para Angola, a outra para a Guiné.

Já se passaram 43 anos e certamente muitos daqueles que ali estiveram tiveram já oportunidade de visitar aqueles lugares. A beleza dos Açores vale uma visita por si só, mas para quem ali esteve na sua juventude há também a curiosidade de voltar ao lugar que guardamos na nossa memória. Foram estes dois motivos que me levaram agora aos Açores na companhia de outro companheiro, o António Penedo. 

O monumento a Almeida Garrett no jardim de Angra do Heroísmo serviu de palco a muitas fotos como esta onde estão elementos das três companhias, aceitam-se identificações. 

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O monumento e o jardim bem tratado lá continuam e como é natural não resistimos à foto da praxe.

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O BII 17, agora RG1 na base do monte Brasil também não podia ficar de fora e agora com mais 2 companheiros açorianos, um com encontro marcado, outro aparecido de improviso revivemos aquele espaço onde tudo continua na mesma.

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O Manuel Dutra de Lima e o Francisco Leal da Silva, respectivamente do 2º e 4º grupos de combate, ambos naturais da freguesia de Porto Judeu, Terceira, o Lima emigrado nos EUA, o Silva radicado na sua terra natal.

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Em S. Miguel a “ordem de serviço” incluía também o reencontro com outro companheiro que já estava de pré-aviso e com quem o Penedo e o Maia tinham estado há pouco tempo na Figueira da Foz.

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Na vila da Povoação com o nosso anfitrião, o Henrique César Furtado Câmara, do 4º grupo de combate.

Na paragem em Vila Franca do Campo, associei  outro companheiro do 2º grupo, de seu nome Miguel Maurício de Chaves e não perdi a oportunidade de inquirir um homem da terra, sobre o seu paradeiro, revelando que o mesmo está radicado no Canadá.

Muitas memórias foram evocadas e recordadas e no último dia passeando na marginal de Ponta Delgada vislumbramos um navio a aproximar-se do porto. Era o “Funchal” que já estivera na sucata e que voltou a navegar, o mesmo que em 1971 nos levou para os Açores e nos trouxe de volta. 

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Há mar e mar, há ir e voltar e termino com uma homenagem ao nosso companheiro que de modo diferente regressou à sua terra natal. Na placa com o nome dos açorianos mortos em campanha presente no forte de Ponta Delgada, lá figura o nosso homenageado António de Amaral Machado. 

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Um abraço para todos, despeço-me com a célebre frase que conhecemos desde 1971 e ainda está bem presente no quotidiano açoriano.

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Mário Mendes


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Recordações de outros tempos

Companheiros da C.Caç. 3413, lembram-se do dia 9 de Agosto de 1971? Pois é, faz hoje 43 anos que a bordo do navio Vera Cruz atracamos no porto de Luanda. 

Depois de tantos anos as memórias desse dia e dos outros que se seguiriam já se vão esfumando, mas as fotos que ficaram para a posteridade ajudam-nos a remexer nesse passado distante.

Uma vez mais o nosso companheiro Ramiro Carreiro do Canadá enviou as fotos que se seguem e que aqui se publicam para memória futura:

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Um companheiro que identifico e que integra as 3 fotos é o ex-furriel Leitão e por isso trata-se de elementos do 4º grupo de combate. Quem souber identificar os restantes companheiros que não fique calado.

O Ramiro Carreiro também é visível nas duas últimas fotos e na primeira os cabeças da fila são o Leitão na esquerda e o Pimentel na direita.

Estas fotos revelam que a tropa era “pau” para toda a obra, que lutava não só com a G3 mas também com outras “armas”, neste caso implantando postes de iluminação.

Um abraço para todos.

Mário Mendes