Deitar a “luva” ao LUVO

4 comentários

Faz hoje 41 anos que a FNLA (Frente Nacional para a Libertação de Angola) comandada por Holden Roberto tentou conquistar este aquartelamento situado junto da fronteira norte de Angola com a R.D.Congo, designado por Luvo, o mesmo nome do rio que divide os dois países, afluente do rio Zaire e que corre a 300 metros deste local.

Já escrevi um post sobre este acontecimento que pode ser lido clicando no link que indico no final, e dos comentários recolhidos destaco o do nosso companheiro, ex-alferes Pinto e também a minha resposta. Aguardamos mais desenvolvimentos sobre este acto que foi o primeiro grande embate que tivemos com o inimigo.

Analisando a esta distância de tempo aquele ataque, convém destacar alguns aspectos relevantes: Estando em permanência no local uma brigada da DGS (ex-PIDE) não se compreende que a preparação duma acção tão importante lhe passasse completamente ao lado, o que revela que não fizeram o trabalho de casa. O relaxamento que toma conta de nós quando muito tempo passa sem nada acontecer pode ser uma explicação mas a DGS era uma força especial de segurança que de nada nos serviu.

Melhor que a DGS foram os cães que tínhamos no aquartelamento, que ladraram toda a noite, toda a gente os ouviu, alguns comentaram o sinal que também não chegou para alertar as diversas entidades presentes no local que tinham maior experiência do que os jovens militares milicianos que guardavam a guarnição (Administrador de Posto, Guarda Fiscal e DGS).

O objectivo de Holden Roberto era mesmo conquistar o Luvo, mas o facto principal que determinou o rumo da batalha a nosso favor foi o primeiro tiro do canhão não ter rebentado a caserna onde embateu. Outro factor não menos importante foi o pequeno grupo que naquele momento se preparava para sair do aquartelamento para uma caçada ter agido de imediato. Talvez se possa inferir que uma boa dose de sorte da nossa parte e alguma aselhice da FNLA tenham contribuído para o desfecho final. Esta é a minha visão, quem viveu aquele romper da manhã do dia 22 de Outubro de 1972 que se pronuncie.

É claro que à boa maneira portuguesa, depois de casa roubada, trancas à porta. Uma semana a dormir em abrigos subterrâneos, arame farpado armadilhado (a primeira vitima foi a cadela Banza do Administrador de Posto), aquartelamentos da zona dotados de artilharia pesada.

Benjamim Amorim Pinto
Benjacota@hotmail.com
Submetido em 2013/08/05 a 7:30 pm
Sou o ex-alferes Pinto. Era comandante dos dois pelotões que estavam no Luvo no primeiro ataque. Vivi, na primeiríssima pessoa o acontecimento do princípio ao fim. Para além de algumas incorreções na descrição do acontecimento, julgo displicente não referir os meus dois soldados condecorados com a medalha de Cruz de Guerra pela forma como se portaram…
Poderei, querendo, prestar um relato muito detalhado dessa batalha (e de outras ligadas à minha comissão)
cc3413
mmendes49@gmail.com
82.155.139.225
Submetido em 2013/08/05 a 8:43 pm | Em resposta a Benjamim Amorim Pinto.
Olá Benjamim Pinto. É um prazer a tua presença aqui. Esperamos-te no próximo encontro em 2014, em Cantanhede, organização a cargo do Maia. Certamente que nos relatos que aqui se debitam haverá muitas omissões e incorreções. Quantos mais formos a “puxar” das memórias, mais possibilidades há de nos aproximarmos da realidade. Por isso, escreve e relata o que quiseres. Um abraço. Mário Mendes.

O link do post com outros detalhes deste ataque que publiquei em Abril de 2009 pode ser lido clicando AQUI.

Mário Mendes

4 thoughts on “Deitar a “luva” ao LUVO

  1. Ola,bom dia! E com muita alegria e alguma tristeza que lei sempre os vossos textos.

    Alegria, porque me faz voltar ao tempo em que vivi em Angola e terra essa que nunca mais esquecerei. E infelizmente terra que nunca mais visitei. Alguma tristeza, pelos acontecimentos,,muitos tristes que por la se passaram. Estou-me a lembrar do soldado que foi engolido pela cobra.

    Mas lei-o sempre tudo, com muito carinho e atenao. Espero continuar a receber os vossos comentarios..

    Um bom dia para todos e ate breve

    Fatima Dias

    Date: Tue, 22 Oct 2013 07:56:29 +0000 To: fatima68dias@hotmail.com

  2. para auor dese texto podia pedir tambem aos antigos comandates da ELNA,que estao em vida comentar este aaque do luvo porque eles foram os protagonistas……..

  3. Boa noite-Andei a rebuscar as gavetas e encontrei algumas fotos da C.Caç 2676 da mamarrosa; Gostava de vos enviar para eventual publicação, se vos ineteressar.
    Um abraço
    Carlos Santos

    • Caro Carlos Santos, temos todo o gosto e interesse em publicar fotos e reportagens de todos os ex-combatentes. Para nós (CC3413) é muito interessante conhecer a Mamarrosa através de quem foi antecessor naquele local. Um abraço. Qualquer assunto para publicação é favor enviar para o mail do site (mmendes49@gmail.com).

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