Tanto calor, tanta sede!

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Já bem entrados no Verão, o calor dos dias presentes, principalmente nas zonas do interior aguça o apetite por umas cervejas bem fresquinhas. Hoje em dia a cerveja é a bebida mais popular e democrática em Portugal, mas nos idos tempos da década de sessenta e setenta quando éramos meninos e moços, esta bebida devido ao seu preço não era para todos os dias.

Nessa época era o vinho a bebida mais consumida e também aquela que estava mais ao alcance de todas as bolsas. O copo de vinho tirado directamente do barril era o ex-libris das tabernas de outrora. Por outro lado no Portugal profundo onde nem sequer a electricidade chegava a muitos locais também era impossível beber uma cerveja bem fresca e o que se usava na altura era mergulhar num poço de água um cesto de arame carregado com as bebidas em garrafa que de lá iam saindo à medida que os clientes as pediam.

Hoje, a cerveja é a rainha de todas as festas populares e outros eventos que no Verão acontecem em todo o Portugal e este sector já representa 1,5% do PIB português.

Os militares que estiveram em Africa, mesmo quem não apreciasse muito a cerveja, depressa se tornaram fãs desta bebida, porque o clima assim o exigia, a água representava mais um perigo que benefício, o vinho que nos davam às refeições era uma autêntica mixórdia, e que designávamos por “água de Lisboa” e por isso só a cerveja satisfazia as necessidades dos corpos sedentos.

Esta foto de 1972, portanto com 40 anos foi tirada na Mamarrosa, norte de Angola e representa bem o enorme consumo de cerveja. Caixas e caixas vazias à espera de serem substituídas.

Para recordar esses tempos, ergo um “canhangulo” à saúde de todos.

Mário Mendes

5 thoughts on “Tanto calor, tanta sede!

  1. É verdade, ainda há pouco tempo comentava com uns amigos, como funcionavam os frigorificos e arcas congeladoras com uma torcida embebida em petróleo e funcionavam na perfeição. Um abraço.

  2. Por ser referido que a água era mais perigosa que benefica, eu não tenho muitas dúvidas, já que regressei à Metropole a urinar sangue. O nosso médico na Mamarrosa insistia que eu padecia de alguma doença venerea. Obrigou-me a tomar antibioticos para combater essa perigosa e temida doença, durante vários meses e a doença sem dar mostras de abrandar.
    O meu receio de ter alguma doença venérea cronica era enorme, pois contavam-se muitas histórias trágicas sobre o assunto.
    O meu pesadelo só terminaria já em Lisboa, depois de me deslocar à consulta do H.M. da Estrela, por minha sorte o médico urulogista que me atendeu era um homem de meia-idade, rodado nas campanhas de África. A primeira coisa que disse ainda antes de me examinar, foi que estivesse tranquilo. Pelos sintomas seria uma doença tropical provocada pela água impropria que bebera no mato e mais, essa doença daria pelo nome de Bilharzioze.
    Submeteu-me logo ali a um exame rápido, que consistiu na introdução muito dolorosa de um tubo pelo penis, atravez do qual visualizou os microbios e os seus ovos alojados na bexiga.
    O tratamento da bilharzioze consistia na altura, na toma de um medicamento em forma injectavel. Esse medicamento especifico apenas se encontrava disponivel na farmacia do H.M.L. e provavelmente no Hospital de Medicina Tropical.

  3. Acrescentando ao que foi escrito pelo comentador Manuel Aldeias:
    A doença não se contrai só pela boca mas também pela pele (dos pés) quando em contato na água contaminada dos cursos de água (as larvas do parasita, estando em cursos de água, penetram ou pelas mucosa (boca, ânus, vagina) ou diretamente pela pele, perfurando-as até aos pequenos vasos sanguíneos e são arrastados até ficarem retidos nos pulmões onde acabam por amadurecer e depois de seguirem com o fluxo das artérias até ao fígado, deixam as artérias e migram pelas veias contra a corrente sanguínea até ao intestino ou até à bexiga, consoante a espécie do parasita.
    A doença é causada pelas lesões dos milhares de ovos que os parasitas depositam nas paredes do intestino ou bexiga, bem como no fígado…
    O termo Bilharziose agora está substituído pelo “chistosomíase ou schistosomíase” e o diagnóstico simples é feito pela observação dos ovos do parasita nas fezes ou na urina, dispensando-se numa primeira fase a observação direta das paredes da bexiga ou do intestino).
    Espero ter descrito o essencial…
    Cumprimentos

  4. Os meus agradecimentos pelo esclarecimento sobre a Bilharzioze. Sempre pensei que a ingestão de àgua contaminada, fosse a unica causa da contaminação.
    Aproveito para esclarecer que apesar do enorme sofrimento, principalmente o psicológico, não guardo qualquer recentimento para com o médico, que por sinal faleceu vitima de acidente de viação pouco tempo após a chegada à Metrópole.
    Compreendo perfeitamento os erros no diagnostico desta doença,já que estes medicos milicianos eram mobilizados para a guerra colonial, pouco tempo após a sua formção, não tendo por isso tempo para adquirirem prática médica.
    Falo deste saudoso médico no texto seguinte:
    http://manuelaldeias.blogspot.pt/2010/07/encontro-me-presentemente-passar.html

  5. Jose Araujo “O MIRANDELA”, Estive em S.Salvador no comando de setor, desde 16 de Agosto de 1970 ate principios de 1972. Fui condutor auto rodas na seccao de transportes “AS DIAMONDS”. Fiz colunas por todo o setor Zaire. Tinha muitos amigos. Lembro-me do nome de alguns. Claro os condutores da seccao que so eramos 4, eu, mais o Rocha de Barcelos, o Pacheco de Pacos de Ferreira, e o Andrade mais conhecido pelo “CHANANDOA” de Ferreira ja falecido. Do pelotao de morteiros lembro-me do Magalhaes e do Ramiro. Carissimos antigos combatentes,um grande abraco e muita saude.

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