Rancho melhorado

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Não sei como é hoje a qualidade da alimentação da tropa portuguesa, mas tenho a certeza que será bem melhor do que a que tivemos nos anos de 1970 a 1973 quando cumprimos o serviço militar obrigatório. Os tempos são outros, a vida melhorou muito depois do 25 de Abril de 1974 e não estou a ver os jovens de hoje a suportar os sacrifícios que a nossa geração teve que carregar aos ombros cujo expoente máximo foi a guerra em África.

Se à época os “levantamentos de rancho” eram esporádicos, nos tempos de hoje com a alimentação que nos forneciam certamente haveria “levantamentos” dia sim, dia não.

Tanta refeição de invariavelmente arroz ou feijão com pedacinhos (piscas) de carne, salsinha ou atum agoniava qualquer um, para não falar das malfadadas rações de combate.

Assim quando na ementa constava o frango assado ou o bife com batata frita e ovo a cavalo, por serem por norma só uma vez por semana, era uma alegria.

Mas verdadeiramente dia de festa era quando se caçava alguma pacaça como a desta foto, uma espécie de bovídeo, comum e numeroso em Angola naqueles tempos.

Com tanta carne, estavam garantidos alguns ranchos melhorados que também “aliviavam” o vago-mestre que poupava nos géneros e era também “poupado” às críticas dos comensais.

Na Mamarrosa, não era só a tropa que caçava, os trabalhadores civis das plantações de café faziam o mesmo como atesta a foto que se segue onde um javali está a ser esfolado. Tendo como base da sua alimentação o peixe seco que compravam na cantina do patrão, os trabalhadores bailundos também tinham os seus dias de festa proporcionados pela carne fresca que de vez em quando se davam ao luxo de comer. Depois, a carne era seca ao Sol e assim a conservavam para refeições posteriores, sendo que as moscas também comiam a sua parte.

Eram caçadores exímios e além das armas de fogo utilizavam também outras técnicas de caça que lhes rendiam bons “troféus”. Ao redor dos campos de milho que cultivavam abriam covas profundas camuflando a abertura com folhagens e assim durante a noite quando os animais procuravam o milho sempre caía algum (javalis, antílopes, etc.) que de manhã recolhiam.

Fotos: Sacramento Correia

Mário Mendes

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