Viagens na nossa terra (II)

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De Castelo Branco a Cáceres, são cerca de 140 km, um percurso transfronteiriço muito utilizado quer pelos beirões dos concelhos raianos do distrito de Castelo Branco quer pelos espanhóis do norte da província da Extremadura que fazem desta fronteira a porta principal de entrada em Portugal.

Actualmente as incursões para os dois lados da fronteira são já em muito menor número que em outros tempos porque a actual crise afecta ambos os países. Ainda assim, os portugueses continuam a procurar em Espanha alguns produtos alimentares e de limpeza que do outro lado são mais baratos devido ao IVA que do lado de lá tem um tecto máximo de 18% contra os 23% de cá. Esta realidade vai alterar-se a breve prazo, pois as notícias que nos chegam é que o governo de Espanha se prepara também para aumentar fortemente os impostos. A gasolina com cerca de menos 20 cêntimos por litro é carga “obrigatória” dos carros portugueses e também as garrafas de gás butano que lá custam menos 40% que em território nacional. Quanto aos espanhóis vêm à procura dos nossos linhos, bordados e atoalhados preferencialmente.

Bons tempos em que na década de 70 um escudo dava para comprar duas pesetas e os portugueses faziam autênticas “romarias” às terras próximas da fronteira e esvaziavam o comércio local. Depois paulatinamente o nosso escudo perdeu força face à peseta, chegando ao câmbio de 1,50 escudos/1 peseta. Depois em 2002 veio o famigerado euro que está a ser um pesadelo para os dois países.

Apesar da crise, é fundamental não nos fecharmos em casa e fazer de vez em quando a chamada “volta dos tristes” porque a vida continua e melhores dias virão.

Antes de chegarmos ao Ladoeiro, freguesia do concelho de Idanha-a-Nova atravessamos o rio Ponsul, afluente do Tejo sobre esta ponte romana. O Ladoeiro está no coração da chamada campina de Idanha, uma extensa área de apetência agrícola proporcionada pelo regadio da barragem da Idanha, construída no tempo do Estado Novo, inaugurada em 1946 e que leva o nome de Marechal Carmona. Aqui a cultura do tomate já foi “raínha” e fechado esse ciclo, veio a cultura do tabaco que também já desapareceu. Espera-se um novo ciclo, fala-se no sorgo, mas na verdade muitas terras tão férteis estão há espera de projectos que as rentabilizem. Resta a melancia do Ladoeiro, um ícone que ainda vai resistindo, porque a sua qualidade é muito superior à que nos impingem nas grandes superfícies.

Esta ponte, também romana, sobre o rio Erges, outro afluente do Tejo é meio portuguesa e meio espanhola porque a divisão administrativa entre os dois países está assinalada a meio da mesma. Do lado de Portugal, a aldeia de Segura alcandorada num monte vigiando o rio e a ponte, em Espanha, percorrendo 8 km encontramos a primeira aldeia, Piedras Albas.

Mais 10 km e encontramos o monumento mais emblemático da nossa viagem. A ponte romana de Alcântara sobre o rio Tejo. Construída entre os anos de 104 e 106 para ligar a estrada romana que ligava Norba (Cáceres) a Conimbriga (Condeixa-a-Velha).

Obra do engenheiro Cayo Julio Lacer foi construída para durar enquanto durar o mundo, conforme inscrição acima. Destruídos alguns arcos das margens por episódios de guerras foi sempre reconstruida, mantendo a estrutura principal. É a mais alta que foi construída pelo império romano. Tem 71 metros de altura e 194 de extensão. A sua largura de 8 metros permite cruzarem-se um carro e um camião sem qualquer problema. 600 metros a montante da ponte está a barragem (embalse) de Alcântara, a maior construída no rio Tejo.

Cáceres é uma cidade monumental, património da humanidade desde 1986, considerado o terceiro conjunto monumental da Europa graças ao seu magnífico estado de conservação.

BOA VIAGEM!

Fotos: Net

Mário Mendes

2 thoughts on “Viagens na nossa terra (II)

  1. É isso. A vida seguirá, assim como seguirão também melhores dias. Por que afirmo? Falo do Brasil, e por aqui estamos mais do que acostumados a sobreviver a repetidas crises – política, econômica, de segurança, transportes, saúde… E agora até afirmam que somos, enfim, o país do futuro (?!).
    Quanto à viagem, belíssimos lugares! Parabéns.

  2. Portugal é tão lindo e tem muito para conhecer assim como Espanha e, claro temos de poupar mas também ir dando uma volta de vez em quando para espairecer mas também para ajudar um pouco o comércio e o turismo.

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