Cronologia da guerra colonial (Maio/1961)

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1 – A pasta do Ultramar é entregue a Adriano Moreira que, em 1 de Maio, acompanhado pelo Secretário de Estado da Aeronáutica, está em Luanda para assistir ao desfile das tropas do primeiro contingente expedicionário que ali chegaria no dia seguinte, via marítima.

2 – Chegada a Luanda do primeiro grande contingente militar transportado por via marítima composto por 2 Batalhões de Caçadores (BCaç 88 e BCaç 92), 9 Companhias de Caçadores (CCaç), 9 Companhias de Artilharia (CArt), 2 Companhias de Cavalaria (CCav) e 4 Pelotões de Polícia Militar (PelPM).

– Ataque a Sanza Pombo e novos ataques a Mucaba e à Damba, no Norte de Angola.

4 – Ataque ao Songo, a norte de Carmona.

– Salazar remodela o Governo. Franco Nogueira entra para Ministro dos Negócios Estrangeiros e o general Venâncio Deslandes é nomeado governador-geral e comandante militar de Angola.

– O Ministro do Ultramar, Adriano Moreira, inicia a publicação de 33 diplomas legislativos para Angola.

5 – A mentalidade com que as tropas portuguesas entravam na guerra ficou bem patente no discurso de despedida de um contingente, proferido pelo ministro do Exército, general Mário Silva: «Vamos para combater, não contra seres humanos, mas contra feras e selvagens. Vamos para combater animais selvagens. Vamos enfrentar terroristas que devem ser abatidos como animais selvagens».

6 – Ataque a São Salvador do Congo.

– As tropas metropolitanas recém-chegadas começam imediatamente a reocupação militar de toda a região afectada com unidades de tipo batalhão e a acorrer às povoações que ainda continuavam isoladas e sem qualquer defesa militar.

– O transporte das companhias era feito tendo por base jipes Willes MB 4×4 mod. 1944, “jipões” Dodge 4×4 mod. 1948, camiões GMC 6×6 mod. 1952 e Ford mod. Canada 4×4 (rodado simples). Esta última viatura possuía no tejadilho da cabine, sobre o local ao lado do condutor, uma abertura circular na qual se podia colocar em operação uma metralhadora.

7 – O correspondente do jornal Observer, em Luanda, calcula que foram mortos mais de 20.000 africanos desde o início da revolta, em 4 de Fevereiro.

– Os guerrilheiros, nestes primeiros meses de guerra, acreditavam na ressurreição: mesmo que fossem mortalmente atingidos voltavam a viver – só morriam se lhes fosse amputada parte importante do corpo. Os militares receberam ordens para decapitarem os cadáveres e espetarem a cabeça em estacas – para provar aos vivos que morriam se atacassem os portugueses.

8 – Criação dos batalhões de Caçadores Pára-Quedistas n ° 21 (BCP 21), em Angola, e n° 31 (BCP 31), em Moçambique.

– Ataques a Sanza Pombo, Úcua, Santa Cruz, Macocola e Bungo, com utilização de novas armas.

– Morrem em combate um alferes e um soldado pára-quedista.

13 – Os contingentes de reforço chegados a Luanda avançam para o Norte. A coluna é composta por 150 jipes, 20 camiões de quatro toneladas e 6 camiões-tanques. Em algumas das viaturas foram instaladas protecções em chapa de aço de 10 milímetros.

– Partiu de Luanda uma coluna que, chegada ao Negage, se divide por dois eixos: o primeiro definido por Songo, Damba e Maquela do Zombo; o segundo, por Púri, Sanza Pombo, Macocola, Quimbele e Santa Cruz. As suas companhias ocupam todas as povoações das áreas onde iam estacionando.

14 – Chegada a Luanda do navio Vera Cruz arvorado em transporte de tropas.

– Sucedem-se os embarques para Angola de unidades incipientemente preparadas para o tipo de guerra com que vão defrontar-se, com mau equipamento e mau armamento.

16- Morrem em combate 1 alferes e 4 praças do BCaç 3.

21- Ataque frustrado ao nó de comunicações do Toto, a sul de Bembe.

24 – Ataque a Quimbele durante treze horas consecutivas. – Ataque ao posto de Porto Rico, próximo de Santo António do Zaire, com utilização de armas automáticas.

26 – Pedido de convocação urgente do Conselho de Segurança do ONU, por mais de 40 países afro-asiáticos, em face do agravamento da situação em Angola.

– Lord Home, ministro britânico dos Estrangeiros, visita Lisboa para conversações com Salazar.

31 – Entrevista de Salazar ao New York Times.

– Chegada do Batalhão de Caçadores 88 à Damba.

– Separação da União Sul-Africana da Commonwealth, tomando a designação de República da África do Sul.

– Durante este mês as baixas das forças portuguesas totalizaram 16 mortos. Em acções de combate morreram 15 militares.

Do livro: “Cronologia da Guerra Colonial”, de José Brandão

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