Zonas verdes de Luanda ao abandono

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À medida que avançamos pela Zona Verde do Alvalade é visível o abandono a que está voltada. As árvores que antes coloriam o local de verde têm as folhas amarelecidas. Em meio ao lixo e cães vadios, crianças e jovens passeavam pelo local. Restos de troncos queimados denotavam o abate de árvores, que, segundo uma moradora de rua que estava na zona, são usadas para fazer lenha.
Suzana Mendes Adilson, 24 anos, que estava no local a fazer exercícios físicos, lamentou o estado em que se encontra o espaço. “Temos poucas zonas verdes em Luanda, é triste que esteja tudo assim, completamente abandonado, sem ninguém para proteger”, reclamou.
Receoso, Adilson contou-nos que mudou a sua rotina. Passou a frequentar o local apenas à tarde, porque de noite, devido à escuridão, teme pela sua segurança. “A maior parte dos postes de iluminação estão destruídos, tenho ouvido relatos de assaltos, então, tenho receio”, afirmou, acrescentando que o Governo precisa fazer algo, urgentemente, para “salvar a zona verde”.
Quem também está preocupado com a segurança no local é um dos moradores de uma das casas cujas janelas dão para a zona verde.
Segundo o mesmo, que preferiu o anonimato com receio de represálias, durante a noite, meliantes circulam livremente pelo espaço e, inclusive, atacam os transeuntes.
“Como não há guardas e está tudo escuro, eles aproveitam-se”, reclamou, acrescentando que deveria haver um policiamento regular em todo o espaço.
O morador diz-se ainda decepcionado porque ao adquirir o imóvel fê-lo na expectativa de morar numa zona rodeado de árvores e com um ambiente saudável, o que não acontece neste momento. “Para mim, este espaço já não é digno de ter o nome que tem, basta olhar para o estado das árvores e o lixo espalhado pelo chão”, frisou.

Para além da questão da segurança, o facto de uma ampla zona verde estar em risco preocupa quem visita o local, como o estudante Joel Ndele, 32 anos. Ele alerta que um espaço com árvores é importante para manter a qualidade do ar e que também é benéfico para as pessoas poderem passar momentos de lazer. “Temos poucos espaços, em Luanda, onde podemos descansar um pouco com a família, por isso, esta zona deveria ser preservada. A situação não pode continuar como está”, referiu.
Diante da situação, os populares pedem a intervenção urgente do Governo, no sentido de inverter o quadro e devolver a beleza e segurança a área.Já na Zona Verde do Miramar a situação se repete. Lixo, folhas amarelecidas espalhadas pelo chão e moradores de rua tomaram conta do local. “Durante o dia há, inclusive, jovens que ficam aqui a drogar-se e há casos em que fazem assaltos e fogem para aqui”, explicou uma senhora que frequenta o local para fazer exercícios físicos.
“Esta é uma área muito grande, poderia ser reabilitada para podermos passear com as nossas famílias, fazer exercícios físicos, mas, de momento está subaproveitada”, lamentou a mesma fonte.
O abandono a que está voltada a Zona Verde do Miramar levou a que moradores de rua ocupassem espaços, cobertos com panos verdes, onde dormem. “Um amigo meu veio para aqui e, como também não tenho família e nem casa, decidi ficar aqui”, explicou um dos jovens que encontramos no local.
Contacto o Gabinete de Estudos e Planeamamento (GEP), do Governo Provincial de Luanda, uma Fonte da referida instituição informou-nos que foi feito, no ano passado, um estudo da situação da Zona Verde do Alvalade e que foi remetida uma proposta, ao Executivo, para a sua total remodelação. “Continuamos a espera que seja aprovada, para a sua execução”, realçou.

Sem avançar valores, a referida fonte avançou apenas que serão necessários milhões de dólares para reabilitar as zonas verdes da área urbana de Luanda, mas fez questão de realçar que esta é uma prioridade dada a importância dos espaços para a qualidade de vida dos citadinos.

Juventude Ecológica preocupada com a situação

O estado em que se encontra a Zona Verde do Alvalade e outros espaços do género em Luanda preocupa a Juventude Ecológica de Angola (JEA), que, segundo o seu porta-voz, tem acompanhado a situação. “É preciso um projecto de manutenção das zonas verdes, porque são importantes espaços, que ajudam na manutenção da qualidade do ambiente e servem a população como espaços de lazer”, realçou a fonte citada.
Há cerca de dois anos, segundo o ecologista, começaram obras na Zona Verde do Alvalade, o que fez crescer a esperança de que seria reabilitada, contudo, os trabalhos pararam e a degradação é cada vez maior. “Não temos informação sobre os planos para a área e seria importante que fossem tornados públicos”, realçou.
Quanto ao futuro das amplas áreas verdes de Luanda, José Silva realça que deverão ser totalmente reabilitadas, com a criação de espaços para plantação de novas árvores, e que as entradas nos locais controlados em toda a extensão por fiscais, para facilitar a sua conservação. “Em caso de intervenção deve se evitar criar muitos espaços comerciais, porque podem descaracterizar a área”, alertou.
A educação ambiental deverá também ser levada em conta, com a contribuição de educadores ambientais, para combater comportamentos errados por parte de visitantes como deitar lixo no chão ou destruir a relva. “Temos um problema de inconsciência e cultura de impunidade, que deve ser combatida”, frisou ainda José Silva. O ambientalista chamou atenção para o impacto das zonas verdes para a qualidade do ambiente das cidades, tendo em conta que as árvores absorvem o dióxido de carbono do ar e libertam oxigénio. “Pelo seu importante papel, estes espaços devem ser conservados”, acrescentou.
Para ajudar no processo, José Silva realça que seria importante que as empresas que estão a erguer estruturas a volta das zonas verdes apoiassem na sua preservação, como forma de compensar a sociedade pelos danos causados tendo em conta o impacte ambiental dos projectos que estão a ser implementados.

O País/Suzana Mendes

NR: Os bairros aqui mencionados, Alvalade e Miramar já foram antes da independência, ex-libris da cidade de Luanda, Alvalade com a sua piscina olímpica, Miramar com a sua sala de cinema ao ar livre. Quem quiser ter segurança no bairro de Alvalade tem que pagar por isso, como se pode constatar nesta foto.


2 thoughts on “Zonas verdes de Luanda ao abandono

  1. De facto quém conheceu isso como eu há 39 anos,e passado este tempo todo,
    é de bradar aos céus,mas infelismente,Luanda de facto cresceu muito,mas está cheia de vícios,e muitos,mas estes não foram deixados pelos colonos,mas sim,pelos seus,governantes.Estive quase dois meses em Luanda antes de regressar
    ao Puto,e fui muitas vezes ao cinema Miraramar,só para contemplar as mulatas,as cabritas todas elas,vestidas normalmente com roupas transparentes,aonde se apreciavam todos aqueles traços da mulher africana,que era de bradar aos céus…Belos tempos que não voltam mais,mas recordar é viver…

  2. quero mais informacoes com relacao as areas verdes ou livro que fale da conservacao e protecao das areas verdes

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