Cronologia da guerra colonial (Março/1961)

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?- Início dos planos “Centauro Grande”” e “Marfim Negro”, com vista à remodelação do dispositivo de forças portuguesas em Angola, com a companhia como unidade-base da contra-guerrilha.

4- Portaria declara fretado para o transporte de tropas e material de guerra o navio Niassa da Companhia Nacional de Navegação.

– A Fragata Nuno Tristão é alvejada por tiros de metralhadora e de obuses a partir da margem congolesa do rio Zaire, perto de Boma.

– Informação dos Estados Unidos ao Ministério da Defesa sobre a decisão da UPA – União das Populações de Angola, em provocar incidentes.

6- Encontro entre o ministro da Defesa, general Botelho Moniz, e o embaixador americano, Elbrick, que, segundo instruções do seu Governo, pressiona a alteração da política portuguesa em África, posição que o embaixador transmitiu a Salazar no dia seguinte.

7- Elbrick transmite a Salazar o documento enviado por Rusk, a mando de Kennedy. Os Estados Unidos prevêem convulsões graves em Angola, do tipo das do Congo ou piores, e vão votar contra Portugal em 15 de Março.

10- O Conselho de Segurança da ONU inicia o debate sobre a situação em Angola.

11- Uma nota oficiosa da Agência Geral do Ultramar torna pública uma declaração do representante da Confederação dos Trabalhadores do Quénia, em que era confessado ter a sua organização desenvolvido esforços no sentido de introduzir clandestinamente agitadores em Angola e Moçambique.

14- O posto da PIDE em São Salvador difunde uma informação em que se afirma que, no dia seguinte, se verificará um ataque da UPA.

15- Ataques dos elementos sublevados do Norte de Angola a algumas povoações, como Carmona, Aldeia Viçosa e Bessa Monteiro. A partir da fronteira e da região dos Dembos, membros da tribo Bakongo empreendem uma insurreição que alastra pelos distritos de Luanda, Cuanza-Norte, Malange, Uíge e Zaire. São chacinados dezenas de europeus, homens, mulheres e crianças, para além da destruição de bens. Estes acontecimentos, relatados detalhadamente na Imprensa nacional e internacional, causam um impacto emocional profundo na opinião pública portuguesa. A responsabilidade destas acções pertence à UPA, de Holden Roberto, movimento rival do MPLA, que distribuíra panfletos, dias antes dos acontecimentos, onde era anunciado “o início das festas para 15 de Março”. A nível operacional a Direcção da UPA elaborou uma senha que se tornou famosa: “A FILHA DO SENHOR NOGUEIRA CASA-SE NO DIA 15 DE MARÇO DE 1961”.

– O 15 de Março foi escolhido porque sendo uma época de chuvas torrenciais, seria muito difícil ao exército colonial português movimentar a sua tropa motorizada, o que daria largas vantagens aos guerrilheiros capazes de movimentarem-se nas densas matas e a pé, infligindo assim pesadas baixas ao inimigo.

– Partida de Lisboa de duas Companhias de Caçadores Especiais, (7ª e 9ª) para reforço da guarnição de Angola.

16- Das unidades aquarteladas em Luanda e Carmona partem pequenas colunas militares para a zona afectada a fim de socorrer e recolher núcleos de populações isoladas. Portugal, apenas dispunha, em toda a Província, de cerca de cinco mil soldados africanos e mil e quinhentos europeus, dos quais só uma reduzida parte estava disponível para as operações de socorro, que se tornaram extremamente difíceis, em especial nos Dembos.

– Telegrama das associações económicas de Angola ao Governo central a pedir providências.

– Chegada a Luanda da 1ª Companhia de Caçadores Pára-quedistas.

– Morre mais um militar em combate.

17- Na manhã de 17 de Março, as rádios do mundo inteiro anunciaram com grande destaque os acontecimentos ocorridos em Angola. Todos afirmaram que os mesmos tinham sacudido Angola de Cabinda ao Cunene.

– Primeiro comunicado oficial sobre os acontecimentos do Norte de Angola.

18- Início da actuação da Força Aérea no Norte de Angola.

19- Em Angola, são evacuadas para Luanda, via Engage, as mulheres e crianças de Mucaba.

20- Concentração de tropas no Norte de Angola.

– A Força Aérea bombardeia povoações nos distritos do Congo, Cuanza Norte e Malange.

– O ministro do Ultramar, almirante Lopes Alves, parte para Angola.

– Em Luanda, cerca de quatrocentos brancos cercam e isolam o consulado americano e atiram às águas da baía o carro do cônsul William Gibson. A inspiração americana da revolta da UPA é indisfarçável. Henry Kissinger, secretário de Estado, confirmou mais tarde o apoio a Holden Roberto.

21-A Imprensa informa que “No Congo português caminha-se para a completa normalidade”, e que pára-quedistas chegaram a Carmona, tendo sido “carinhosamente recebidos pela população”.

22- A Imprensa refere que o número de refugiados em Luanda ronda os 3.500, após os acontecimentos dos últimos dias.

24- O ministro do Ultramar, Lopes Alves, chega a Luanda, com competência legislativa. A estadia prolongar-se-á até dia 3 de Abril.

– Os estudantes de Lisboa festejam o Dia do Estudante, apesar da vigilância policial, sendo a última vez que a sua comemoração não será proibida.

25- Carta do general Botelho Moniz a Salazar, em que manifesta preocupação pela condução da política ultramarina.

27– A UPA e o PDA fundam a FNLA – Frente Nacional de Libertação de Angola.

30– Decreto que dá aos governadores-gerais o encargo da política de defesa de cada colónia.

31 – Criação do corpo de voluntários civis, para actuação no Norte de Angola.
– É preso em Luanda o reverendo Mendes das Neves, vigário-geral da diocese de Luanda, acusado de “ser o chefe da organização responsável pelos actos de terrorismo ocorridos em Angola”.

– Prisão e deportação para Portugal de nove padres católicos angolanos, acusados de ligações com os movimentos nacionalistas.

Do livro: “Cronologia da Guerra Colonial”, de José Brandão

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