Cronologia da Guerra Colonial (Fevereiro/1961)

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4 – Na madrugada de 4 de Fevereiro, alguns grupos de angolanos sob a orientação de Neves Bendinha, Paiva Domingos da Silva, Domingos Manuel Mateus e Imperial Santana, dispondo de cerca de 200 homens empunhando catanas efectuam várias acções na cidade de Luanda. Um primeiro grupo começou por montar uma emboscada a uma patrulha da Polícia Móvel tendo eliminado os seus quatro ocupantes, capturaram-lhe as armas e tentaram tomar de assalto a Casa da Reclusão Militar com o principal objectivo libertar os presos políticos.

Outros grupos, atacam simultaneamente, com armas artesanais a cadeia da PIDE no bairro de S. Paulo, a cadeia da 7ª esquadra da Polícia de Segurança Pública onde igualmente havia presos, e tentam ainda ocupar a emissora estatal de rádio «Emissora Oficial de Angola». Nos confrontos morrem quarenta assaltantes, seis polícias e um cabo do exército abatido junto da Casa da Reclusão.

– O MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola, reclama o 4 de Fevereiro como o início da luta armada em Angola, embora na origem da rebelião, como seu inspirador, esteja o cónego Manuel Joaquim Mendes das Neves, mestiço, natural da vila do Golungo-Alto, missionário secular da arquidiocese de Luanda e que não está ligado a esse movimento.

 5 – Novos incidentes durante os funerais das vítimas do dia anterior e tumultos nos bairros africanos dos subúrbios de Luanda, (muceques), que causam numerosas vítimas entre a população negra.

– Nota oficiosa publicada na Imprensa sobre o assalto ao paquete Santa Maria ocorrido em 22 de Janeiro.

6 – Assalto aos bairros do Prenda, do Marçal e do Sambizanga. A Polícia de Segurança Pública de Luanda cercou os muceques onde são efectuadas mais de 3.000 prisões das quais resultaram cerca de 50 desaparecidos.

– Um militar da 4ª Companhia de Caçadores Especias (4ª CCE) é morto em combate.

7 – Nos dias que se seguem aos ataques da madrugada de 4 de Fevereiro, verifica-se uma frenética e desvairada “caça ao homem”. Ecoavam por toda a cidade gritos de “mata que é turra!, agarra que é Lumumba!, mata esse filho da puta!”

– Algumas fontes indicam que nos dias 5 e 6 foram massacrados 3.000 africanos em Luanda.

– Morte de mais um militar da 4ª CCE em combate.

9 – A Imprensa revela que “estão presos em Luanda cerca de 100 terroristas implicados nos acontecimentos daquela cidade”. As autoridades coloniais designavam os resistentes africanos de “terroristas” ou, ainda mais depreciativamente, de “turras”. Para os mais radicais, todos os negros eram “terroristas”.

10 – Pela madrugada, 124 indivíduos atacam as dependências da Administração Civil de São Paulo, mais o Pavilhão Prisional da referida administração e a Companhia Indígena. Os novos tumultos redundam em sete mortos e dezassete feridos.

– As milícias brancas repetem as batidas aos muceques: novos massacres e mais vítimas sem conta.

11 – Ocupação de Caombo. Informação que os indígenas amotinados se haviam dividido em duas colunas armadas, que tinham iniciado já marcha sobre esta povoação. Uma por Bange-Angola e outra por Chiquita-Canzage.

12 – Recontro de Zungue, sendo destroçada a primeira daquelas colunas. Reconstruídos vários pontões e a ponte sobre o Rio Luaxe, que havia sido incendiada.

16 – Recontro de Canzage, onde foi destroçada a segunda daquelas colunas. Reconstruídos vários pontões.

– Após o assalto comandado pelo capitão Henrique Galvão, o paquete Santa Maria, depois de resgatado, chega a Lisboa, sendo recebido por milhares de pessoas e também por Salazar, que se desloca ao cais.

17 – Em Lisboa, no Diário Popular procura-se limitar o âmbito dos acontecimentos e afastar a possível suspeita de um levantamento nacional: «Não passa do nível tribal a influência exercida pelos agitadores.»

20 – Pedido de uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU para apreciação do caso de Angola, apresentado pela Libéria. O Governo português protestará contra esta solicitação, que considera ilegal.

24 – É criada em Portugal a classe de Fuzileiros com o Decreto-Lei 43515.

25 – O CEMGFA e o CEME, generais Beleza Ferraz e Câmara Pina, deslocam-se a Angola a fim de se informarem sobre a situação militar.

27 – É anunciado que a região da Baixa do Cassange está pacificada após a recusa de recolha de algodão pelos nativos por serem espoliados nos pagamentos.

– A 4ª Companhia de Caçadores Especiais (4ª CCE) que actuou nessa região junta-se às três outras Companhias de Caçadores Especiais estacionadas em Cabinda, no Toto e em Malange.

– As 4 primeiras CCE, formadas no CIOE (Centro de Instrução de Operações Especiais) de Lamego, chegaram a Angola ainda em 1960: a 1ª, comandada por Soares Carneiro, que foi para Cabinda; a 2ª, do comando de Seia Ramos, que foi para o Toto, nas vizinhanças de Carmona; a 3ª, chefiada por Teles Grilo, com destino a Malange; e a 4ª comandada pelo capitão Teixeira de Morais, que foi enviada para a Baixa do Cassange e aí enfrentou os primeiros problemas de revolta, no início de 1961, da apanha de algodão.

– Estão em Luanda mais duas Companhias de Caçadores Especiais, (5ª e 6ª) vindas de Lisboa.

Do livro: “Cronologia da Guerra Colonial”, de José Brandão

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