Eleições na UNITA

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Samakuva e Veloso ‘esvoaçam’ para o poleiro

Segundo a fonte, José Pedro Katchiungo que era citado por meios electrónicos como candidato à liderança da UNITA, foi aconselhado pelos seus apoiantes, onde sobressaem os nomes de Abel Chivukukuvu, Lukamba Gato, Marcial Dachala e alguns militantes conotados com o fracassado “Grupo de Reflexão” a retirar a sua candidatura, deixando que Samakuva, a quem acusam de ditador, concorra isolado à sua própria sucessão, em protesto à violação dos estatutos que ele (Samakuva) alega serem omissos para conseguir os seus intentos.

” Esta é a única forma que os apoiantes do engenheiro Katchiungo encontraram para isolar o presidente do partido que vai concorrer para um terceiro mandato, o que por si demonstra sinais de ditadura e atropelo aos estatutos do partido”, referiu a fonte, para quem a candidatura de Isaías Samakuva está a ser questionada até por alguns militantes de topo que tinham em Samakuva um líder exemplar em matéria de democracia. Referiu que o facto de os estatutos serem omissos quanto aos mandatos, não implica que ” ele faça o que bem entender, mas deveria antes deixar que outros também concorram” desabafou.

Para a fonte, nesta matéria de liderança, a UNITA que sempre se bateu pela democracia deveria ser o primeiro a cumprir e não fazer o contrário como ” estamos assistindo no presidente Samakuva que não quer largar o cargo, já que deu o que podia dar ao partido durante os oito anos que ficou à frente da nossa organização”, afirmou. Segundo ele, a insistência de Samakuva na liderança do “galo negro” poderá causar outros dissabores, à semelhança do que ocorreu nas eleições de 2008, em que o partido perdeu muitos lugares no Parlamento. ” Deveria sair já para se evitar uma outra humilhação, embora tenha havido fraude eleitoral arquitectada pelo MPLA”, acusou.

Deixar a casa arrumada

Reforçou que “ele tem um peso de consciência em deixar o partido tal como está, porque nos seus mandatos o partido viver graves problemas e não pode deixá-los assim sem solução”, confidenciou a fonte, adiantando que o líder da UNITA não tencionava continuar na liderança, mas tão só cumprir mais um mandato para colocar esta força política no seu “devido lugar e devolver a mística que lhe é característica”.

Tanto em público, quanto em privado, Samakuva sempre se terá manifestado disponível para abandonar a direcção do partido, mas deixando “a casa mais arrumada do que encontrou”. Reconheceu que, com a morte de Savimbi, em 2002, esta maior força política da oposição está a viver os piores momentos da sua vida política, caracterizada por deserções de militantes influentes para o partido no poder, maioritariamente por alegados subornos e pela insubordinação de deputados do anterior mandato saído das eleições de 1992 Conhecedor profundo da vida interna da UNITA, a fonte acrescentou que na eventualidade de não haver mais candidatos com a retirada de José Katchiungo, um quadro de reconhecida competência, os que surgirem poderão não fazer uma luta renhida para destronar o sucessor de Jonas Savimbi da direcção do partido criado há quarenta e cinco anos nas Chanas do Leste, coincidentemente onde tombou o seu fundador, em combate, há nove anos. Reportando ainda as declarações da fonte, a decisão de Samakuva está a colocar em dúvida a seriedade da UNITA que diz ser um partido democrático.

À pergunta sobre um suposto recuo de Samakuva, numa altura em que continuam duras críticas contra ele, vindas quase de todos os quadrantes, incluindo no estrangeiro onde este movimento possui células, na tentativa de salvaguardar o partido no estatuto de” defensor da democracia”, mostrou-se céptico quanto a uma eventual reviravolta, ” porque não há nenhum sinal que indique que ele possa fazer isso, já que ele se assume como candidato na grelha de partida, por isso mesmo mantenho as minhas próprias dúvidas que isso aconteça”.

Dois ” pesos pesados” de  fora

Abel Chivukuvuku e Paulo Lukamba (Gato), dois “pesos pesados” da UNITA que em 2003 e 2007, respectivamente, perderam para Isaías Samakuva na corrida presidencial decidiram em não mais concorrer, conforme avançamos na nossa edição número 157, por motivos já conhecidos publicamente, embora a suposta entrada do primeiro para o Bloco Democrático (BD) tenha sido desmentida pelo seu líder, Justino Pinto de Andrade.

Antigos delfins de Jonas Savimbi e que já ocuparam os cargos de secretários para relações internacionais e secretário-geral durante vários anos, não será desta vez que concretizarão os seus objectivos de dirigir o partido.

A relação de ambos com Samakuva azedou com o surgimento do “Grupo de Reflexão” que pretendia “destituir” o líder, tendo sido apontados como principais mentores do grupo, o que lhes custou uma acção disciplinar, mas que viria a ser levantada.

Lukamba Gato, deputado à Assembleia Nacional e empresário de sucesso, segundo a fonte, manifestou publicamente a sua decisão em não mais concorrer à liderança do partido, enquanto não consolidar a sua veia empresarial, que desenvolve há mais de sete anos, segundo avançamos há duas semanas. Em círculos restritos, Gato tem dito que voltará um dia a candidatar-se outra vez quando a situação interna da UNITA se normalizar, pois alega que o momento não é o ideal para desafios de liderança.

Candidaturas

Informações de última hora chegadas já sobre o fecho desta edição, apontavam como certa a candidatura de Sebastião Veloso, antigo ministro da Saúde no Governo de Unidade e Reconciliação Nacional (GURN).

Segundo a fonte que forneceu este dado, Sebastião Veloso, quadro do “galo negro” desde a década de 70, foi médico pessoal de Jonas Savimbi, o primeiro líder da UNITA. Após deixar o GURN, a sua aparição nas actividades do partido era quase nula, tendo gerado especulações de que teria rumado para Portugal, onde sempre viveu a sua família. Com o suposto “congelamento” da candidatura de Katchiungo, que esta outra fonte não confirma e nem desconfirma, poderão surgir mais concorrentes que deverão apresentar as suas candidaturas a partir de Sexta-feira, 25.

Ireneu Mujoco (Jornal O País)

25 de Novembro de 2011

NR: E assim vai a democracia em Angola. O presidente da república eterniza-se no poder e o presidente do maior partido da oposição não quer ficar atrás.

One thought on “Eleições na UNITA

  1. MEU PONTO DE VISTA SOBRE A CANDIDAT.
    DO SR JOSÉ PEDRO KATCHIÚNGO.

    Acompanhei a exposicaõ do sr no programa rx,se o que estava espelhar for verdade, sobre a reconciliaçaõ da UNITA,a ideia é construtora,é preciso que os delegados pensem no futuro do país,e naõ nos envelopes,para o sr candidato,é preciso que seja BELA-VISTA,de verdade,naõ se orgulhe pela presidência da república,porque tens pouca probabilidade,luta pela presidência da UNITA,seja engenheiro,lança o ABEL CHIVUVUKU para presidência da república,com esta estratéja consegue-se levantar a UNITA,escreve a historia sr BELA VISTA.

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