Na frente, tudo na mesma, como a lesma!

1 Comentário

Na Cecília, os “sicilianos” vão fazendo pela vida, as saudades apertam cada vez mais, os dias passam lentamente, a picada avança não sabemos para onde, é preciso rasgar montes, florestas e vales.

Ainda hoje não sei a finalidade da abertura daquela picada que do Toto penetrava para o planalto do rio Luaia e não me parece que a mesma servisse para ligar a algum lugar mais remoto do interior da província do Uíge, mas isso também não era da nossa conta, a nossa missão era tão-somente proteger os homens e as máquinas da engenharia militar que tal como nós ali sofriam as agruras daquele lugar ermo.

Esta imagem do Google revela que por ali não existe vivalma, o aglomerado do canto superior esquerdo da imagem representa o Toto e parece que a picada que se construiu ainda se pode ver para sul, será um caminho sem saída, ou uma obra inacabada porque entretanto o 25 de Abril em Portugal acabou com a guerra colonial.

Aqui vão mais 2 fotos com 40 anos de existência, onde se verifica que apesar de tamanho isolamento os jornais nacionais também ali chegavam, certamente com muitos dias de atraso, mas para quem estava ávido por notícias pouco importava tal facto.

A segurança não podia ser descurada e lá do alto do planalto os olhos iam perscrutando a paisagem, porque o IN andava por ali.

Mário Mendes

One thought on “Na frente, tudo na mesma, como a lesma!

  1. Do pouco tempo que estive na Cecília (estive destacado com o 3.ª grupo no Vale do Loge e em Quimaria) lembro-me, como já aqui escrevi, das paisagens deslumbrantes que daqui se avistava, das saídas de patrulha ao longo do rio M’bridge, das idas ao Toto para o regalo dos frangos assados, de uma saída à procura de caça numa altura em que estávamos esfomeados devido ao nevoeiro e às chuvas que não permitiam o reabastecimento e onde caçamos uma jibóia que alguns comeram frita, da flor do Congo que atacava os testículos de alguns e que os enfermeiros se divertiam a despejar o que julgo ser permanganato de potássio, e que os fazia sair a galope e de calças na mão, de um espectáculo dado pelos Fiats que despejavam Napalm sobre uma qualquer aldeia ou plantação na mata, da noite da mina e do ataque à coluna vinda do Toto, da chegada do autotanque com água para os banhos, que logo se acabava, e da vida difícil de campistas forçados a viver em tendas cercadas de poeira e mosquitos.
    Porque será que de tudo o que passámos a memória guardou, sobretudo, as recordações dos tempos do Luaia?

    Um abraço a todos

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