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Administrador comunal Inácio de Almeida
Fotografia: Adolfo Dumbo | Luvo

A pobreza faz morada na província do Zaire e um pouco por todo o país. Para mitigar o seu impacto na vida das comunidades, a administração comunal do Luvo, na fronteira com a República  Democrática do Congo, realiza um intenso trabalho de sensibilização junto dos camponeses organizados em cooperativas, de modo a facilitar a concessão de créditos para uma agricultura mecanizada e elevar os índices de produção.
O administrador comunal do Luvo, Inácio de Almeida, explicou que as populações estão a receber informações úteis sobre a importância e o propósito pelo qual foi criado o programa do fomento de cooperativas agrícolas.
“É preciso que as populações saibam que este programa não se realiza do dia para a noite, porque primeiro precisamos de elaborar um conjunto de projectos a serem aprovados e depois executados”, disse, sublinhando que urge a necessidade de consciencializar os camponeses do Luvo de que devem aprender a cultivar de forma organizada, para que o quadro actual, caracterizado por uma agricultura de subsistência, seja revertido.
Ao longo da via Mbanza Congo/Luvo, o Jornal de Angola constatou que os camponeses mesmo com enxadas e catanas não poupam esforços para desbravar vastos hectares de terra e dela retirar o seu sustento.
Inácio de Almeida salientou que no quadro  deste programa decorrem na região várias obras de construção de infra-estruturas para acolher distintos serviços sociais.
Entre os empreendimentos em construção nas aldeias do Sumpi, Nkoko, Dobo e na sede, constam dois tanques de água de 30 mil litros cada, dois postos de saúde e duas escolas com seis salas cada.
Inácio de Almeida manifestou às populações locais a sua preocupação com os actos de vandalismo de que têm sido alvo os bens públicos, perpetrados pelos próprios membros da comunidade.

“È inadmissível que o Executivo continue a gastar dinheiro na reabilitação de infra-estruturas e pouco tempo depois são estragadas”, disse. “É importante que conservemos os bens que já temos e trabalhemos para conseguirmos outros”, sublinhou.
O administrador comunal do Luvo lembrou que, para o combate à pobreza, é fundamental que as populações cuidem também dos empreendimentos já existentes, para evitar que recursos que podiam servir para novos projectos sejam investidos em acções de restauração.

Educação

Com uma população estimada em 11.274 habitantes, a comuna do Luvo tem conhecido um crescimento acelerado em quase todos os domínios da vida socioeconómica.
Segundo o administrador comunal, o sector da educação é o que mais tem crescido.
Existem na circunscrição sete escolas construídas de raiz pelo governo provincial desde o alcance da paz em 2002. Inácio de Almeida lembrou que no ano passado estava prevista a construção de mais duas escolas de seis salas nas aldeias do Sumpi e do Dobo, mas devido à crise financeira mundial as acções foram adiadas.
O interlocutor avançou que o número de escolas é ainda insuficiente para a população estudantil, que cresceu consideravelmente como resultado do regresso maciço, em 2009, dos cidadãos expulsos da República Democrática do Congo (RDC).
“Muitos dos compatriotas regressados da RDC fixaram aqui residência e muitos deles têm os filhos em idade escolar”, referiu.
Anunciou que o governo provincial tem em carteira para a circunscrição a construção de mais unidades escolares.
Inácio de Almeida disse que no domínio da energia eléctrica está prevista, para este ano, a extensão da rede de iluminação pública. A acção, esclareceu, vai numa primeira fase contemplar apenas a aldeia do Sumpi, a mais populosa da comuna.
O Jornal de Angola constatou que a estrada de terra batida que liga a comuna do Luvo à cidade de Mbanza Congo, capital provincial do Zaire, está a ser reabilitada pela construtora Tecnovia.
Segundo o administrador, a empreitada tem a duração de dois anos e vai culminar com a colocação do asfalto, incluindo a via de acesso ao município do Nóqui, que faz fronteira com a província de Matadi, na República Democrática do Congo.
“Já temos uma empresa, a Tecnovia, que está a desenvolver, numa primeira fase, as operações de tapa buraco. É uma empresa tecnicamente capacitada, pelo que neste momento não temos problemas de estradas, na medida em que todos os buracos que estavam a impedir a circulação de pessoas e bens já foram tapados ”, referiu Inácio de Almeida.
O responsável enalteceu o empenho do governo provincial na procura de soluções para os problemas mais candentes das populações.
Realçou ainda que a reabilitação da via do Luvo, que dá acesso ao município fronteiriço do Nóqui, permite que os camponeses possam escoar os seus produtos para os grandes centros de consumo sem sobressaltos.

Fazenda Topegel

O surgimento de iniciativas público-privadas no sector agrícola está a contribuir para a redução dos índices de pobreza no seio de muitas famílias na região, como é o caso da imponente fazenda denominada Topegel.
Propriedade do empresário António Gourgel, a fazenda tem mais de dez hectares de terra e mudou substancialmente a vida de muitas famílias que ali encontraram emprego. São quarenta pessoas, entre homens e mulheres, que hoje têm rendimentos que lhes permitem sustentar a família e olhar para o futuro com esperança. O nosso jornal apurou que na fazenda existem 300 cabeças de gado bovino, adquiridas na vizinha República Democrática do Congo.
Na presente campanha agrícola, António Gourgel desbravou vários hectares de terra para o cultivo de ginguba, mandioca, milho e feijão. Após a reprodução dos animais, o empresário pretende construir, nos próximos anos, dois talhos na cidade de Mbanza Congo, para a venda de carne fresca e com isso diminuir o consumo na região de carne congelada importada.

Turismo rural

A comuna do Luvo, situada a 67 quilómetros da cidade de Mbanza Congo, é uma localidade detentora de inúmeras potencialidades turísticas. Se forem feitos investimentos neste sector, a comuna pode gerar muitas receitas para os cofres do Estado e criar dezenas de postos de trabalho para os habitantes locais, contribuindo deste modo para a erradicação da pobreza no seio das famílias.
Atraído pelas características pitorescas e paisagens de beleza rara da zona, António Gourgel está a projectar já na sua fazenda um conjunto de infra-estruturas e equipamentos destinados ao turismo rústico.
Segundo ele, a iniciativa tem como objectivo promover a prática do turismo rural, através da criação de lugares onde as pessoas tomem contacto com as gentes do campo e possam passar momentos de lazer.
Com uma população estimada em 11.274 habitantes, a comuna  do Luvo é um dos pontos da província do Zaire que têm registado aos sábados um movimento inusitado de pessoas e bens, devido às trocas comerciais entre as populações de Angola e da República Democrática do Congo, da região do Baixo Congo, que se realizam ao longo da linha fronteiriça, de forma alternada, nos territórios dos dois países.

Fonte: Jornal de Angola (Março/2011)

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