Telhas para o Zaire

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Executivo vai apoiar sinistrados com materiais de construção

Jaquelino Figueiredo | Soyo – 13 de Junho, 2011

Momento em que a comissão provincial de Protecção Civil fazia a entrega de chapas

Fotografia: Jornal de Angola

Centenas de famílias que perderam os seus haveres, em consequência das fortes chuvas que se abaterem na província do Zaire, em 2010/2011, vão poder reconstruir as suas residências, no âmbito de um programa elaborado pelo Executivo e coordenado pela Comissão Nacional de Protecção Civil e Bombeiros. A informação foi avançada na quinta-feira, no Soyo, pela porta-voz da referida comissão.
Teresa Rocha disse, no termo de uma visita de trabalho de 48 horas do vice-ministro do Interior para a Protecção Civil e Bombeiros, general Eugénio Laborinho, que o Executivo vai garantir o apoio às pessoas afectadas pelas chuvas.
“Este processo passa pela identificação de um lugar seguro, para onde devem ser transferidas as pessoas que moravam em áreas de risco. Vamos fornecer materiais de construção para que possam reconstruir as residências e bens alimentares para a sua estabilização nos primeiros meses”, acrescentou.
A comissão provincial de Protecção Civil e Bombeiros fez a entrega de bens alimentares, medicamentos, tendas e chapas de zinco. A Rádio Nacional de Angola, através do projecto “Mãos Solidárias”, também prestou ajuda humanitária.
A responsável esclareceu que a Comissão Nacional de Protecção Civil e Bombeiros vai realizar, nos próximos meses, seminários regionais para capacitar formadores que possam esclarecer os cidadãos sobre eventuais calamidades naturais.
O Executivo e a Comissão de Protecção Civil e Bombeiros já trabalham na diminuição de algumas zonas de risco e na selecção de alguns locais seguros para instalar as populações que ali vivem e permitir que a próxima época chuvosa não cause maiores danos.
O vice-ministro Eugénio Laborinho pediu maior empenho da Comissão Provincial da Protecção Civil e Bombeiros no sentido de criar condições para que as populações possam estar em locais seguros e evitar situações similares que ocorreram nas últimas enxurradas. O balanço da época chuvosa na província do Zaire é apontado por Teresa Rocha como positivo, não obstante o registo de 12 mortos e danos materiais. A porta-voz explicou que as medidas de precaução tomadas pela Comissão Provincial de Protecção Civil surtiram efeito.

“Tivemos de realizar campanhas junto das populações, sobretudo as que vivem em zonas de risco e isto contribuiu para minimizar os estragos. Outro factor importante que também contribuiu para diminuir o número de vítimas foi a distribuição de água tratada às populações atingidas, o que concorreu para a redução de doenças diarreicas agudas no seio dos sinistrados”, argumentou. A comuna do Sumba foi uma das zonas mais afectadas do município do Soyo, mas a retirada das populações das zonas atingidas, bem como a eliminação de ravinas, contribuíram para a diminuição dos prejuízos.
As intempéries causaram 12 mortos e 45 feridos e 524 residências ficaram destruídas.

NR: Para aqueles militares que nos longínquos anos de 1971, 72 e 73 se queixavam das coberturas de “chapa de zinco” das casernas onde destilaram ao calor africano, ficam a saber que 40 anos depois, na província do Zaire, onde estivemos, este material é ainda recebido sem “reclamações” da população e até com direito a cerimónia festiva. Das duas uma, ou o pessoal era já muito “reaccionário” ou então, ao contrário do que a governação angolana apregoa, o desenvolvimento do interior é pura miragem. Haja telhas para o Zaire!

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