Fugiram de Portugal há 50 anos

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‘Fugitivos’ africanos juntos 50 anos depois

26 de Junho de 2011, por Leonor Figueiredo


Um grupo de nacionalistas africanos que há 50 anos fugiu de Portugal na sequência do início da guerra colonial, vai comemorar a efeméride na cidade da Praia, a convite do Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires – um dos famosos protagonistas da fuga que então colocou o ditador espanhol Francisco Franco contra o ditador português Oliveira Salazar.

A Fundação Amílcar Cabral apadrinha o encontro, que decorre entre o próximo domingo e o dia 3 de Julho. Sob o título «A Fuga. Rumo à Luta», a iniciativa pretende contribuir «para a actualização do registo histórico e a preservação da memória». Vai juntar cerca de 30 nacionalistas – de Cabo Verde, Moçambique e Angola – e três norte-americanos que os ajudaram a dar o ‘salto’ em 1961.

Entre os 100 fugitivos encontravam-se Pedro Pires, Joaquim Chissano (ex-Presidente de Moçambique), Fernando Van Dunem (ex-primeiro-ministro de Angola) e Pascoal Manuel Mocumbi (ex-primeiro-ministro de Moçambique) – políticos que marcarão presença na Praia, assim como médicos e engenheiros.

O médico são-tomense Tomás Medeiros recordou, esta semana, num encontro organizado pelo Centro de Estudos Sociais (CES), em Lisboa, que um dos motivos que o levou a fugir naquele final de Junho de 1961 foi o ter sido classificado como «um dos 13 comunistas mais perigosos de Portugal», pela Faculdade de Medicina de Coimbra.

Como ele, partiram dezenas. Respondiam ao apelo lançado de Conakri e Brazaville por militantes como Mário Pinto de Andrade, Viriato da Cruz, Lúcio Lara, entre outros, para se juntarem às fileiras do exterior. A maioria dos fugitivos frequentava universidades de Lisboa, Porto e Coimbra e pertencia à Casa dos Estudantes do Império.

Registos em livro e em documentário

Foram ajudados por três norte-americanos da CIMADE, uma organização ligada aos movimentos protestantes da juventude, que agora também vão recordar estes episódios em Cabo Verde. Tencionam publicar um livro sobre o tema. Um deles registou em diário todos os passos dados em 1961. No encontro, os norte-americanos vão revelar documentos do espólio pessoal que hoje fazem parte da história da resistência destes países.

Não foi fácil. Dormiram em barracões e atravessaram rios. Depois de muitas dificuldades, foram presos em San Sebastian, Espanha. Passaram fome e humilhações nas prisões de Franco. Depois, Salazar quis resgatá-los como presos políticos, mas Franco não deixou e acabaram por ser depositados na fronteira francesa. Uns foram para Paris, onde chegaram a 2 de Julho de 1961. Ali, Tomás Medeiros conheceu figuras como Aimé Césaire, Simone de Beauvoir e Jean- Paul Sartre.

«Vou abraçar o Osvaldo Silva e o Manuel Boal, 50 anos depois» – conta ao SOL o médico Edmundo Rocha, que então os ajudou na Alemanha e deixou escrita para a história a sua versão dos acontecimentos.

Para registar estes testemunhos históricos estarão duas equipas: a da jornalista Diana Andringa, que persegue esta investigação há bastante tempo e quer realizar um documentário, e a do angolano Paulo Lara, para o projecto ‘Angola nos Trilhos da Independência’.

online@sol.pt

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