O “10 de Junho” de outros tempos

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“O 10 de Junho”, visto por Miguel Silva Machado (pára-quedista militar)

Portugal é como sabemos um País dado a originalidades e onde não raras vezes, somos confrontados com situações difíceis de explicar pela falta de razoabilidade. Acontece em muitos aspectos da nossa vida como País e também na área “politico-militar”. Agora que se aproxima o “10 de Junho” vamos tentar explicar […] como aqui se chegou.

No período da Guerra do Ultramar, o “10 de Junho” era uma jornada de exaltação patriótica, militares e seus familiares eram homenageados. No período que antecedeu o 25 de Abril de 1974, a 10 de Junho, mais concretamente a partir de 1963 – dois anos depois do inicio da luta anti-subversiva em Angola –, realizava-se uma cerimónia militar, na Praça do Comércio / Terreiro do Paço, em Lisboa. Foi até 1973 o ponto alto das comemorações do Dia de Camões, de Portugal e da Raça, Feriado Nacional, e ocasião para homenagear os portugueses que combatiam em África. Esta enorme parada militar ficou na memória de muitos uma vez que ali se impunham condecorações por feitos em combate.

Às unidades que se haviam distinguido, aos militares de todas as patentes quer aqueles que cumpriam o serviço militar obrigatório quer os dos quadros permanentes e aos familiares daqueles que morrendo no campo de batalha, recebiam as distinções a título póstumo. Doloroso para uns, motivador para outros, era um dia de exaltação patriótica. Semelhante aliás ao que a generalidade dos países fazem, não faltando exemplos do reconhecimento público àqueles que combatem pelo seu país e aos seus familiares.

Para aqueles que julgam ser isso coisa do passado ou de países atrasados, recorda-se que depois do casamento do neto da Rainha de Inglaterra, em Abril de 2011, a sua mulher, foi colocar o bouquet de flores que havia usado na cerimónia, no túmulo ao Soldado Desconhecido. Aqueles que morrem em operações ao serviço do seu país, não devem, não podem, ser confundidos com regimes ou simpatias partidárias. Aqueles que caíram no antigo Ultramar Português, bem assim como os que depois de 1991 morreram em países estrangeiros nas novas missões das Forças Armadas Portuguesas, eles e as suas Famílias, de todos, merecem público reconhecimento. Estavam lá em nome de Portugal.


Os feitos em combate na defesa do Ultramar, eram lembrados anualmente.

Cerimónia Militar do 10 de Junho em Lisboa.

Depois de Abril de 1974, a identificação do “10 de Junho” com a guerra em África levou os novos governantes (militares e civis) a cancelar a cerimónia militar, e as comemorações do “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas” (designação oficial desde 1978), foram “desmilitarizadas”. Sendo o 10 de Junho a data da morte de Camões, embora este fosse apelidado de “defensor do colonialismo” por alguns, ainda assim, com a normalização política que se ia verificando, o seu nome foi mantido.

[…]Miguel Silva Machado <mmachado@operacional.pt>

07 de Junho de 2011

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