A história de São Salvador do Congo

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Início do Baptismo

Portugal enviou missionários para a cidade de Mbanza Congo e começaram os baptismos. “No dia três de Maio de 1492, dia de Santa Vera, frei João, vigário geral dos missionários, baptizou o rei do Congo com o nome de D. Afonso I, tendo abdicado do nome de Ne Nvemba Nzinga e assim foi acontecendo com os outros reis que o sucederam. O ntótela Nenyanga foi baptizado com o nome de D.Pedro II e o penúltimo rei, John Lengu por D. Pedro VII”, disse Nicolau Cabeia.
O rei Dom Afonso I ordenou que fossem queimados todos os locais onde decorriam os cultos tradicionais. Quem não cumpria, sofria a pena de morte ou outras punições. Em função dos mandamentos, ele próprio, o rei do Congo, a título de exemplo, decidiu deixar as muitas mulheres que tinha, tendo ficado apenas com uma, conforme ditava a regra dos missionários, quando instalaram a religião católica em Mbanza Congo.

Kulumbimbi é a primeira igreja construída na África subsaariana, por missionários católicos que faziam parte da primeira expedição portuguesa liderada por Diogo Cão, e que chegou a Angola em 1482. O local do desembarque, na foz do rio Zaire, tem um padrão (Ponta do Padrão), no Soyo, província do Zaire.
A lenda diz que o templo foi construído de pedra e cal, durante uma noite. Hoje está em ruínas. A igreja está localizada no centro da cidade de Mbanza Congo, ao lado do cemitério dos reis do Congo.
Documentos da época desmentem a lenda. Os trabalhos de construção da igreja de Kulumbimbi foram executados entre seis de Maio e seis de Julho de 1491. As ruínas têm despertado o interesse de especialistas nacionais e estrangeiros, pela raridade do seu aspecto arquitectónico.
Nicolau Cabeia conhece a história do templo. Diz que o “ntotela” Ne Nvemba Nzinga autorizou os emissários de Diogo Cão a construir a igreja no centro de Mbanza Congo, que mais tarde foi baptizada de S. Salvador do Congo: “a obra contribuiu para a pacificação dos espíritos e a elevação cultural dos povos naquela altura”.
Enquanto decorriam as obras, o espaço foi vedado aos olhos dos mortais. E quando o rei disse ao povo que já podia ir ao centro da mbanza real, toda a gente ficou admirada por ver uma bela igreja que no dia anterior ninguém tinha visto. Por isso é que correu a lenda que Kulumbimbi tinha sido construída da noite para o dia.
A igreja foi arrasada pelo tempo e desapareceram os seus apetrechos. Hoje resta apenas o altar.

Rei mata mãe

Nicolau Cabeia diz que o rei, era intolerante: “mandou enterrar viva a sua própria mãe, Mamã Mpolo, Dona Apolónia, depois de baptizada. Foi sentenciada por recorrer aos curandeiros tradicionais.
“O rei simulou uma cerimónia, convidando toda população. No local onde mandou sua mãe sentar, havia um buraco de tamanha profundidade, com paus ligeiros atravessados e cobertos com um Luando (esteira) e uma cadeira executiva por cima para a mãe do rei” afiançou.
A morte de Dona Apolónia provocou momentos de muita consternação ao povo Congo. O rei D. Afonso I (Ne Nvemba Nzinga) veio a falecer de forma trágica numa missa dominical realizada em Mbanza Congo.

Reis embalsamados

Os cadáveres dos reis eram transportados para o sunguilu, local onde eram lavados para depois serem levados para Mpinda E’tadi (casa mortuária), onde eram recebidos por mamãs especializadas na arte de embalsamar.
O historiador explicou que na casa mortuária o cadáver era estendido numa maca com fogo por baixo para garantir o escorrimento de toda a água contida no corpo, processo que permitia a conservação natural do defunto, de seis meses a um ano, enquanto os seus colaboradores preparavam a eleição do novo sucessor, por sufrágio universal.
O séquito do rei, incluindo a equipa das mamãs que embalsamavam os corpos dos reis, tinha a obrigação de manter sigilo sobre a morte do rei até à eleição do sucessor para, conforme aludiu Nicolau Cabeia, prevenir desordens e invasões.

Revolta popular

Antes da chegada dos portugueses, Mbanza Congo chamava-se Mpemba na época de Nimi a Lukeni, o fundador da cidade. Nicola Cabeia, elucidou que por altura da prestação de contas, Mbanza Congo, como capital do reino, acolhia as grandes reuniões que juntavam todos os manis (governadores provinciais).
A capital do reino do Congo foi descoberta por Nimi a Lukeni, que era um exímio caçador proveniente da Lunda, das margens do rio Cuango.
Nimi a Lukeni mereceu a confiança do povo à sua chegada a Mbanza Congo, por apresentar propostas que melhoravam a vida das pessoas. Foi aclamado rei.

Árvore secular

Yala Nkwo é conhecida como a árvore secular de Mbanza Congo. Segundo reza a tradição, a sua existência é anterior à chegada dos portugueses. A coloração da sua seiva é avermelhada. A população confundia a seiva com sangue. Aproveitando a brisa da sua sombra, o rei do Congo escolheu o local para recepção de visitantes ilustres e descanso nas horas de lazer, disse Nicolau Cabeia.
Nicolau Cabeia disse a terminar que até hoje paira ainda o mito de que ninguém pode tocar na Yala Nkwo com objectos cortantes, porque senão, quem golpear a árvore pode morrer ou ter problemas de saúde.

João Mavinga/Jornal de Angola

One thought on “A história de São Salvador do Congo

  1. mbanza congo acaba de perder um dos seus filhos muito querido pelos seus colegas da UNICEF, que deu o seu contributo em prol do bem das criancas angolanas. Manuel Felix Nvenvo(manvenvo)presente.
    do seu amigo sempre A.R.Alves

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