Casa onde não há pão …

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Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Não encontro melhor frase para classificar a actual situação política do nosso país.

Dirão alguns que tristezas não pagam dívidas e os governantes até apelidam os que falam deste país deprimido, de profetas da desgraça, todos devemos puxar pelo optimismo, mas palavras leva-as o vento, os números são como o algodão, não enganam:


A média do crescimento económico é a pior dos últimos 90 anos.

Dívida pública portuguesa em % do PIB, 1850-2010

A dívida pública é a maior dos últimos 160 anos.

Dívida externa bruta em % do PIB, 1999-2010


A dívida externa é, no mínimo, a maior dos últimos 120 anos (desde que o país declarou uma bancarrota parcial em 1892).

Taxa de desemprego em Portugal, 1932-2010


O desemprego é, no mínimo, o maior dos últimos 80 anos. Temos 610 mil desempregados, dos quais 300 mil são de longa duração.

PIB per capita português em % do PIB per capita da Europa Avançada


Voltámos à divergência económica com a Europa, após décadas de convergência.

Emigração portuguesa (milhares de pessoas), 1850-2008


Vivemos actualmente a segunda maior vaga de emigração dos últimos 160 anos.

Taxa de poupança bruta, 1960-2010


Temos a taxa de poupança mais baixa dos últimos 50 anos.

Fonte: AMECO, Santos Pereira (2011)

Onde estão os culpados desta situação? Em primeiro lugar todos aqueles que nos têm governado. Dentro de dias festejamos o 37º aniversário do 25 de Abril e até o grande obreiro da revolução, Otelo Saraiva de Carvalho veio há dias confessar que se soubesse que a situação evoluía assim, não o teria feito, ia embora para fora do país como fazem hoje muitos milhares de jovens que não acreditam no futuro desta terra.

Os portugueses também têm a sua quota-parte de responsabilidade, porque as suas escolhas pelo voto se têm revelado pouco acertadas como demonstra a realidade.

As alternativas democráticas que se têm seguido a governos que findam os seus mandatos ou que se vão embora antes do prazo, também não têm conquistado o poder pelos seus méritos, mas sim porque o poder tem caído de maduro ou podre como a fruta das árvores.

Hoje, por mais “música” que nos dêm, quase ninguém lá fora acredita em Portugal e também muitos portugueses começam a ser muito cépticos em relação ao seu próprio país.

Por mais que se esforce o PM a elogiar as exportações que têm puxado pela economia, há muito tempo que ele próprio deixou de acreditar nas nossas capacidades, pois goza férias lá fora e até a “fatiota” que usa é feita à medida em Nova York, a 2.500 € cada. Na sua ótica não há aqui alfaiates capazes de “albardar” certos VIP´s.

E quanto àquele que se perfila para o substituir, já anda por aí a prometer cargos que os portugueses ainda não “validaram”. Quase nunca dá bom resultado, contar com o “ovo, no cú da galinha”.

Mário Mendes

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