HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DA C. CAÇ.3413 (III)

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Entretanto na frente, a abertura da picada seguia em bom ritmo. Não só por o terreno a isso ser propício, mas também pela grande capacidade de trabalho e experiência que a C. Eng. tinha. Autênticas máquinas, ou não fosse a “velhice” um posto, e tivemos que acompanhar o avanço da picada, mudando nós também de poiso. E mais uma vez temos que prestar homenagem á C. Eng. 2579, pelo excelente trabalho realizado. Dum dia para o outro, deixámos para trás a linda e maravilhosa “Cidade de Cleópatra” para irmos para a imponente e extraordinária “Cidade de Cecília”! Era um espanto! Não só a configuração e a arquitectura, mas o seu todo. Tudo nela se conjugava para dar a cidade fantástica que era e que se encontrava muito avançada em relação á época. Era uma cidade ECOLÓGICA e não só, que muitos hoje tentam imitar…

Senão vejamos. Estava localizada no cimo dum morro, donde se tinha uma vista espectacular e se avistavam muitos kms em redor! Um deslumbramento! Até tínhamos um “SPA” (espaço envolvente) muito maior e mais espaçoso que o anterior. Muito íngreme dum dos lados, mas muito suave e acessível pelo outro, onde a picada passava e que dava directamente para a “1ª circular”. E era só aqui que podiam circular veículos automóveis. Nas ruas, nunca, visto ser cidade “PEDONAL”.As ruas e avenidas eram amplas e largas, geometricamente distribuídas, tal qual uma cidade Pombalina. No largo principal, estava o comando, a enfermaria, as transmissões e dois bons “Pubs”. Um para as praças e outro para os graduados. A restante população distribuía-se ordenadamente em redor do núcleo central, e á hora das refeições, que era anunciada pelo bater de dois ferros um no outro, os soldados iam ordeiramente em bicha de pirilau á cozinha em estilo sef-service, que o bom do Fontoura e os demais cozinheiros iam deitando uma ou duas conchas dos preciosos pitéus, que deixariam qualquer “Chef” impressionado. O que não era de admirar tendo á disposição tão alta qualidade e variedade de produtos alimentares na dispensa frigorífica, e tudo isto confeccionado em preciosos trens de cozinha novinhos em folha, limpinhos e a brilhar que certamente a Filipa Vacondeus não desdenharia…E não era usado gás butano, (POUPANÇA MONETÁRIA E ENERGÉTICA) mas sim lenha natural da mata e de borla.

Os graduados estavam um bocado melhor, e tinham até uma “Messe” onde democraticamente, ou á falta de meios, comiam do rancho e bebiam conjuntamente oficiais e sargentos. A “Messe”, era composta por umas quantas estacas verticais amparadas por outras tantas na diagonal, suportadas ainda por umas folhas de chapa de zinco por cima. Não era fechada até acima propositadamente, para assim o ar fluir melhor, evitando o sempre incómodo ar condicionado e o aumento do buraco do “OZONO” …As chapas até tinham uns buraquitos que serviam para refrescar o ambiente, e só deixava de ser agradável quando chovia… Mas também não se pode ter tudo, caramba! A servir as bebidas, normalmente pouco frescas não fôssemos estragar a garganta, tínhamos o simpático “BARBA AZUL” da 1511. O balcão era do mais moderno e original que havia nos arredores, tal como as mesas e os bancos mas sempre respeitando o meio ambiente: madeira, ou como diz o ditado, era pau para toda a obra.

No meu edifício ficámos a morar só seis e todos furriéis, que agora em vez de cónico, era rectangular e muito mais espaçoso, além de que as camas eram mesmo camas com colchão e tudo! Um luxo a que já não estávamos habituados, mas que gostámos. Aquecimento era desnecessário, e até aproveitávamos os raios solares durante o dia para fazer sessões de “SAUNA”ou“BANHO TURCO” conforme o gosto de cada um. Modernices…

E as casas de banho? Que luxo! O nosso exército tratou-nos sempre com enorme zelo, e eu confesso que não estava habituado a tanta mordomia, mas uma vez ao dispor havia que aproveitar. E era ver os cerca de 400 homens a dirigirem-se aos chuveiros, encimados por três ou quatro bidons cheios de água aquecida através dos raios solares…Nada de esquentadores. Ecologia pura. Água á temperatura ambiente para ninguém se queimar, nem muito fria o que também não convinha. E nunca faltou, só algumas vezes…E quem reclamava eram alguns mais exigentes e distraídos que não se regulavam pela guita que funcionava como bóia e indicava o nível da água. Feitios…

E o parque desportivo? Um assombro de modernidade. Um campo de futebol amplo e último modelo, com as balizas em madeira da boa e já redondas em vez de rectangulares como ainda se viam muitas. As bancadas albergavam toda e qualquer multidão que ali se deslocasse, e havia lugares para todos de pé ou sentados. No chão é claro. Um campo de vólei, com rede e tudo, onde se disputavam renhidos encontros de bruto-vólei, também com uma boa bancada, e ás vezes muita pancada. Como vêem, razões de sobra para que estas linhas fossem seguidas já não digo por todo o mundo, mas pelo menos no nosso país. Os nossos“AUTARCAS”, e principalmente os nossos “DEPUTADOS E GOVERNANTES “deviam ir lá para verem como com pouco se pode fazer muito e bem.

Não pensem que me tinha esquecido, mas deixei para o fim e de propósito a nossa principal atracção: “A PISCINA”. Era aqui que de bom gosto convidava a mergulhar, depois de bem cheia, toda a nossa“CLASSE POLÍTICA, GOVERNANTES E DEMAIS PARASITAS”… Bem situada e com duas pranchas, uma para cada lado, onde nós íamos depositar a comida que o corpo rejeitava! Algumas vezes até servindo para manter a conversa em dia enquanto despejávamos a tripa, uns virados para um lado, outros para o outro em amena cavaqueira. Era tão funcional e moderna que nem precisávamos de autoclismos ou sequer água, esse bem precioso que tanto nos esforçávamos por poupar.

Agora digam lá, com tanta inovação, se era ou não uma cidade modelo!!!

(ps) – Para quem lá esteve percebe bem a sátira. Para quem nunca lá foi, deixe-se ficar pela fantasia… e sonhe…como nós sonhávamos!

Joaquim Alves

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