Portugal “à rasca”

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Depois de gerações rascas com que nos têm brindado desde algumas décadas as várias gerações políticas, agora é já a grande maioria dos portugueses que estão mesmo “à rasca”. Não interessa se os culpados da situação estão lá fora ou cá dentro, o que todos sabemos é que estamos “à rasca” e ponto final.

Nos tempos de Salazar, um pobre sapateiro recebeu em casa uma carta com o imposto da contribuição industrial para pagar e achando que o respectivo valor era muito alto solicitou ao Presidente do Conselho uma audiência para expor o caso. Salazar, homem do povo e de origem humilde, não se recusou a ouvir o sapateiro, chamemos-lhe Francisco.

– Senhor Presidente, saiba V.Exª que eu sou pobre, não ganho para pagar um imposto tão alto, pois não fabrico mais que meia dúzia de alpergatas por mês.

Salazar ouviu, pensou um pouco, pousou a mão no ombro do sapateiro e replicou:

– Ó Chico, tu tens razão, mas olha paga lá o imposto, ficas sabendo que o teu negócio vai prosperar e muito, porque eu estou a pensar por todos os portugueses a andar de alpergatas.

E o inquilino que está agora em S.Bento que diz aos portugueses?

– Ó Zé Povinho, paga lá imposto, a coisa há-de melhorar, a crise que veio lá de fora logo passa, não refiles, paga e não bufes, senão levas com mais PEC´s.

Lembram-se do que dizia o inquilino que saiu de Belém há cinco anos? “Há mais vida para além do deficit” e como os portugueses, mesmo os que nele não tinham votado gostavam deste slogan. E agora que já não está no pedestal, com maior liberdade para falar, no meio do povo, que tem dito? Pois, nada, manda a coerência dar uma curva e o pouco que falou foi para dizer que isto está ruim, mas não se resolve com eleições. Cá temos mais um S.Tomás na política portuguesa. Faz o que ele diz, não faças o que ele fez.

Mas há outros galos no poleiro que não param de cantar para alertar os portugueses que os mercados, aqueles que nos emprestam o dinheirinho, só o fazem se o pedinte for o mesmo de sempre, se for outro, não leva nada.

Felizmente que ainda está no ar o programa “os malucos do riso”. Isto é que vai aqui uma açorda!

Mário Mendes

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