Serviço Militar “Voluntário” na C. Caç. 3413

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Proponho-me relembrar alguns episódios passados naquelas longínquas, quentes e saudosas paragens, e vou tentar recordar,  não digo todos os que comigo conviveram,  pois dalguns já nem me lembro sequer o nome, mas pelo menos os que mais próximo comigo conviveram, e por este ou por aquele motivo mais me marcaram. A cronologia e a veracidade dos acontecimentos relatados vão ser o mais exato possível, uma vez que o “Tempo” passado já se encarregou do seu trabalho de “sapa”, e algumas vezes vou andar por aí… Espero que percebam a intenção: reviver o que ainda me lembro numa boa antes que a memória nos atraiçoe. Aos que não forem mencionados, não levem a mal, mas o “caruncho” vai deixando as suas mossas… Sem pretensões literárias, antes com a intenção de reviver e partilhar bons momentos e recordar  episódios, uns mais engraçados que outros, mas todos com uma imensa saudade,  de quem partilhou o que quase nada tinha para dar e muito pouco para receber! Mas vamos a isto, e começo pela chegada.

– Foi ao entardecer de 02 de Outubro de 1973, que aterrou no aeroporto de Figo Maduro um avião cheio de pessoal carregado de sonhos e um desejo inexplicável de estar nesta sua terra e com os “SEUS”! Nesse avião vinham uma parte dos militares da C. Caç. 3413, visto que os Angolanos, o 1º Sarg Ramalho e o Rogério Teixeira (furriel mil) tinham ficado em Angola. Amavelmente as “hospedeiras” foram-nos encaminhando para uma espécie de grande armazém envidraçado, onde os nossos familiares nos aguardavam ansiosamente. Ainda hoje me lembro perfeitamente, até porque era dos que vinha à frente, daquela imagem duma multidão de gente comprimida contra os vidros, que gritavam, choravam, batiam nos vidros, indescritível. Aquela gente e aquelas caras eram-me completamente desconhecidas, e lá fui um tanto atordoado, perscrutando alguém conhecido. E lá estava a minha Mãe, que chorava a bom chorar…onde quer que estejas, mãe, um grande beijo e a eterna saudade…

Só depois de algumas formalidades conseguimos chegar junto da família e depois de 28 meses de separação física total(no meu caso 19 meses por ter vindo uma vez em gozo de férias) foi a loucura. Um desabar de contidas emoções, que só quem passou por aquela situação entende… Dali para o R.A.L.I.S. e toca a vestir roupa civil e ala que se faz tarde. Cada um para seu lado. Despedimos-nos como se nos fôssemos ver ainda nesse mesmo dia (seria por estarmos fartos uns dos outros???)e até breve…Essa brevidade demorou até 19/03/83 dia em que o Pedro Pereira e o Ferreira em boa hora se lembraram de juntar os contactáveis num almoço convívio em Lisboa.

Joaquim Alves

NR: Companheiros de jornada (CC3413), estas recordações aqui estampadas pelo nosso amigo Joaquim Alves (ex-furriel mil – 1º grupo de combate) transportam-nos a um dia muito importante. Nesse dia, passamos à “peluda”, já lá vão mais de 37 anos, mas só um mês depois, em 2 de Novembro de 1973, passámos à situação de disponibilidade. Depois de mais de 2 anos em terras de Angola, as férias de um mês foram mais que merecidas.

One thought on “Serviço Militar “Voluntário” na C. Caç. 3413

  1. Dou as boas vindas ao mais recente repórter da CCaç3413. Espero que outros que ao longo da comissão acumularam informações as tragam a lume. Neurónios que trabalham previnem Alzheimer. Partilhem as gravações dos vossos “discos rígidos” antes que eles fiquem bloqueados para sempre. Depois já não há programa que as recupere. Recordar é VIVER!
    Mário Mendes

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