Tás com febre? Toma lá supositório!

1 Comentário

Nos finais dos anos 60 e princípios dos 70 a guerra no norte da província do Zaire foi durante muito tempo aquilo a que se pode chamar de “laissez faire, laissez passer” com a FNLA pouco interessada em incomodar os militares portugueses que ocupavam a zona, pois o seu principal objectivo era penetrar e introduzir homens e material lá mais para o interior onde estava o “coração” da guerra. Esta táctica era também do nosso agrado e assim lá ia fluindo o tempo.

Este “status quo” fez com que os nossos estrategas militares, bem instalados no ar condicionado de Luanda, decidissem racionalizar os efectivos naquela zona, substituindo batalhões por companhias e foi assim que em 1972 quando chegamos à Mamarrosa onde se instalou a sede da companhia tivemos que assegurar também a defesa do aquartelamento do Luvo, com dois grupos de combate, local onde em tempos estava uma companhia.

Este poupar de homens foi um sinal muito encorajador para a FNLA que começou a atacar os aquartelamentos junto à fronteira (M´Pozo, Canga, Luvo, Mamarrosa, Buela) e tornou aquela zona que antes era calma e serena, numa guerra sem quartel onde as minas e emboscadas ditaram as suas leis.

O Luvo, por ser mais próximo da fronteira da RDCongo, apenas a 300 metros, foi o mais cobiçado pelo inimigo e o desígnio da sua conquista foi de tal modo persistente que até parecia que os responsáveis da FNLA em autêntico delírio provocado pela febre da conquista já se imaginavam senhores do Luvo.

Ora, para atacar a febre, nada melhor que uns supositórios e foi assim que depois da primeira tentativa em 22 de Outubro de 1972, foi ali colocado um “distribuidor de supositórios” com o nome técnico de canhão sem recuo, que aqui vemos nesta foto a ser municiado pelo Manuel Fernando Quadros, o mesmo que no post “A tradição ainda é o que era”, está na matança do reco.


Esta acção foi a experimentação da máquina e o “supositório” foi lançado para a linha de fronteira delimitada pelo rio Luvo, eu julgo que caiu lá do outro lado, para mostrar ao in. e a quem do lado de lá lhe dava guarida, que agora tínhamos chumbo grosso para oferecer.


Esta foto, com alguns a tapar os ouvidos é reveladora do “cagaçal” produzido. Se na primeira tentativa o Luvo resistiu, depois dessa data, melhor armada e prevenida, a tropa portuguesa soube sempre dar uma resposta adequada.

Aqui estão outros post´s relacionados com o tema: Ataque ao Luvo, Armas Pesadas, 29/07/1974.

NR: Fotos de José do Sacramento Correia

Mário Mendes

One thought on “Tás com febre? Toma lá supositório!

  1. Assine a petição à AR para defender os direitos dos ex-combatentes. Abra o seguinte link:

    http://guerracolonial.blogs.sapo.pt/4474.html

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s