Camarate, 30 anos depois.

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Faz hoje 30 anos (04/12/1980), que o pequeno avião Cessna que transportava Sá Carneiro e Amaro da Costa com destino ao Porto, se despenhou em Camarate, poucos segundos depois de ter levantado voo do aeroporto da Portela em Lisboa.

Além dos dois políticos (primeiro ministro e ministro da defesa, respectivamente) seguiam a bordo as esposas de ambos, o chefe de gabinete e os dois pilotos, totalizando sete mortes. Durante este tempo muito se tem escrito sobre o que teria acontecido naquele dia, uns dizendo que se tratou de um atentado, outros que foi um acidente.

Depois de oito comissões parlamentares de inquérito, investigações diversas, continuamos sem saber o que efectivamente ocorreu. E, em todos os aniversários deste acontecimento, surgem novos livros, notícias e entrevistas. Dos livros destaco dois que foram lançados, um de José Miguel Júdice (O meu Sá Carneiro) e outro de Freitas do Amaral (Camarate, um caso ainda em aberto).

Neste último livro o autor fala de um fundo (FDMU – Fundo de Defesa Militar do Ultramar) para justificar a sua tese de atentado, uma vez que Amaro da Costa, seu correlegionário do CDS estaria a fazer investigações sobre tal fundo e a sua existência passados seis anos de terminada a guerra colonial.

Ramalho Eanes já veio dizer em notícia do DN que encerrou o dito fundo e que nunca se deu conta que o mesmo tenha servido para fins ilícitos ou ilegais , servindo tão somente  para os fundamentos com que foi criado. Assim sendo, parece que cada qual “puxa a brasa à sua sardinha” e continuaremos sem saber qual o motivo da queda do avião. No próximo aniversário, mais livros serão lançados, os seus autores embolsarão mais uns trocos e tudo continuará como dantes.

Com Sá Carneiro e Amaro da Costa, como seria Portugal, perguntarão muitos? Eu julgo que estaria na mesma como está hoje, por morrer uma andorinha não acaba a primavera, já tivemos muitos governantes habilitados para fazer um bom trabalho, mas o que é certo é que não saímos da “cepa torta”.

Temos muitos institutos, instituições, fundos, fundações, sacos azuis, etc., etc., que são um sorvedouro do dinheiro público, mas existe alguém que lhes ponha fim? Não, porque esses organismos estão enxameados de clientelas políticas e quando se trata de casos de polícia ou de justiça, já sabemos qual o seu epílogo.

No próximo ano, teremos o episódio 31º deste folhetim que não tem fim à vista.

Mário Mendes

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