Dia da Restauração

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1 de Dezembro de 1640 – Faz hoje 370 anos que Portugal reconquistou a independência face a Espanha, a quem esteve subjugado durante 60 anos (1580 – 1640).

Nesse dia, um grupo de 40 fidalgos entrou no Paço Real em Lisboa, prendeu a duquesa de Mântua, representante da coroa espanhola e matou o seu secretário Miguel de Vasconcelos, proclamando D. João de Bragança, novo Rei de Portugal (D. João IV).

No contexto actual e face à situação desastrosa em que Portugal se encontra, já ouvimos muitos comentários sobre a viabilidade do nosso país, dizendo muita gente que até preferiria pertencer a Espanha. O nosso prémio Nobel da Literatura José Saramago também advogava à união da Ibéria.

A crise actual atinge também a nossa vizinha Espanha e muitos países europeus, mas todos temos a sensação de que mesmo assim do outro lado da fronteira se vive melhor que cá. Não podemos comparar as duas economias e quando a crise passar, certamente Espanha vai distanciar-se ainda mais da débil economia nacional.

Portugal é uma nação com 8 séculos de história e não podemos esquecer o nosso passado. Temos um território bem diversificado, com montanhas, vales, planícies, mar e floresta que podia ser muito melhor rentabilizado criando riqueza para todos, mas efectivamente somos um país pobre, na cauda da Europa, porque quem nos tem governado tem sido incompetente para o efeito e assim verificamos que os políticos vão “sacudindo a água do capote” atirando as culpas dos insucessos para os seus antecessores e qualquer dia chegam tão longe que até culpam os malvados 40 fidalgos atrás referidos pela situação, ou mesmo D.Afonso Henriques.

Eu confesso que muitas vezes também ajudo a economia espanhola, como muitos dos que habitam na raia. Bons tempos quando na década de 70 um escudo valia 2 pesetas, mas na actualidade o valor máximo de IVA entre os dois países (18% lá contra 23% cá) também traz vantagens na compra de alguns produtos de “nuestros hermanos”. Não é preciso muita coisa para alcançar uma poupança de 50 € contando com a gasolina muito mais barata.

No regresso tenho sempre um sentimento de duas faces. Por um lado a tristeza de estar a contribuir para uma economia alheia, quando a nossa está bem mais necessitada, por outro o regozijo da poupança que obtive para a minha economia familiar.

No entanto, considero-me um patriota, mas não sou tão parvo como os que nos governam que nos “obrigam” a estas viagens de compras. Basta recordar o discurso da tomada de posse do primeiro governo do nosso actual PM quando afirmou que a sua prioridade era: “Espanha, Espanha, Espanha”.Pois bem, nós da raia estamos a fazer-lhe a vontade.

É como diz a cantiga: Portugueses, Portugueses, vão à Coina, perdão a Espanha, muitas vezes …

Mário Mendes

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