Tentativa da conquista do Luvo

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22 de Outubro de 1972 – Faz hoje 38 anos que dois grupos de combate da C.Caç. 3413 (2º e 4º), travaram a tentativa da FNLA de conquistar o posto fronteiriço do Luvo, no norte de Angola, província do Zaire.

Efectivamente aquele movimento de libertação estava a passar por enormes dificuldades e precisava de demonstrar perante os seus apoiantes internacionais, especialmente os Estados Unidos da América, que ainda era uma força viva, para continuar a justificar o apoio que começava a ser cada vez menor pelo facto dos resultados da sua luta serem também pouco significativos.

O ataque foi de todo inesperado e nem a DGS que estava no terreno conseguiu obter informações do mesmo. Holden Roberto estava do outro lado da fronteira, preparando a “festa”, mas o nosso pequeno grupo de 51 elementos conseguiu desbaratar o inimigo com 150 homens que além de espingardas automáticas possuía morteiros e um canhão sem recuo. Valeu que a granada do primeiro disparo do canhão que atravessou uma caserna cheia de militares não rebentou e a nossa resposta foi também muito rápida. Mais pormenores AQUI.

A arma mais eficaz que tínhamos era este morteiro de 81 mm que causou muitos mortos e feridos ao inimigo, mas mesmo assim não lhe retirou a obsessão de querer tomar o Luvo a 26 de Março de 1973. Desta vez já não fomos apanhados de surpresa e novamente a FNLA foi rechaçada para o seu refúgio na República Democrática do Congo, de Mobutu Sese Seku, cunhado de Holden Roberto.

O Luvo tem importância estratégica, por ser uma porta de entrada e saída de e para a RDCongo. Ainda recentemente assistimos a uma enorme onda de refugiados angolanos expulsos daquele país vizinho, que regressou a Angola pela fronteira do Luvo.

Mário Mendes

9 thoughts on “Tentativa da conquista do Luvo

  1. Em 29 de Julho de 1974, foi a vez da C. CAV. 8453 com dois grupos de combate, juntamente com um grupo da C. CAv. 8450, fazerem frente a cerca de 200 elementos da FNLA.
    Ao fim de uma eternidade de tempo, o inimigo levantou o cerco deixando para trás, quatro mortos e muito material de guerra.
    Nesta altura já tinham passado mais de três meses sob a revolução de 25 de Abril de 1974, o que me leva a concluir que este terá um dos últimos grandes combates das nossas tropas.
    Manuel Aldeias

  2. Do segundo ataque ao Luvo recordo-me que tinha acabado de anoitecer e que estava sentado numa das meses do refeitório, a ver o padeiro tirara o pão do forno, juntamente com o alferes Igrejas (o comandante), o enfermeiro que era o Pedro Pereira ou o Toni Araújo, e mais alguém, quando ouvimos um tiro vindo de perto do arame farpado, a que se seguiu intenso tiroteio e rebentamentos vindos dos morros de cá e de lá da fronteira.
    Corri para o posto de transmissões e ao atravessar a parada fui projectado por um rebentamento, o que me deixou desfalecido e a sangrar, apesar de não saber onde estava ferido.
    Levantei-me e consegui chegar ao meu posto (era o único operador) e entrei em contacto com o alferes Igrejas que estava na cova do morteiro 81 e tinha o “banana” (o AVP-1 para os aviões) e também com a Mamarrosa e o subsector de Cuimba que não paravam de perguntar o que se passava.

    Das peripécias por que passei lembro-me do alferes me ter pedido para ir à procura do enfermeiro atrás do posto de rádio e da enfermaria, para socorrer alguém ferido e de alguém me ter tomado por um turra e ter disparado sobre mim, o que me fez pensar que era mais útil vivo do que morto e pirei-me.

    Da Mamarrosa tive que travar os obuses, pois os companheiros da artilharia tinham-se baralhado nas coordenadas e os projécteis estavam a cair quase em cima de nós.

    Depois do ataque reparei que inconscientemente tinha posto o rádio debaixo da mesa de tampo grosso e me tinha colocado debaixo dela, além do facto de ter enfiado os carregadores da G3 dentro das calças, talvez para estarem mais à mão.

    Pelo meu lado, os ferimentos saldaram-se em profundas esfoladelas nas pernas, um ferimento dorsal de estilhaço ou bala de raspão e ainda um ferimento superficial nas costas. Portanto, os ferimentos não foram de grande importância, apesar de me terem ligado as pernas como a uma múmia.
    Com o nascer do dia e a chegada das colunas de socorro fui tomado por um herói e quiseram-me evacuar para Luanda.

    Um abraço para todos
    José Sampaio

  3. Joaquim Gomes Lopes ex. 1.cabo n.133683/73 da Cart.7259/73
    estive em Cabo Delgado norte de Moçambique Montepuez
    no dia 8 de Agosto de 1974 no dia que cessou fogo em Moçambique sofremos uma emboscada resultado 2 feridos graves e 2 ligeiros e também na zona de Omar uma companhia da nossa tropa foi aprisionada pela Frelimo, etc de 1974 a 1975 morreram ainda 1.007 militares portugueses.

  4. Hoje ao ler o seu texto recordei esse dia. Eu era o Ad. de Posto do Luvo. O Furriel que está na foto não é o Joaquim Gamaliel Varela Alves, por nós conhecido pelo Quim da Bola?
    No Luvo passamos também bons e maus momentos, foi como alguém já disse, os nossos melhores anos de jovens foi consumidos pela guerra, contudo, ultrapassados esses anos, hoje recordamo-los com saudade!
    Cumprimentos para todos os que passaram pelo Luvo e Mamarrosa.
    Campo Maior, 31/10/2010
    Tiago Veríssimo

  5. Amigo Mendes
    Desculpe a confusão, os anos vão passando e com eles ficam as fisionomias.
    Cumprumentos
    Tiago Verissimo

  6. Sou de Mbanza Kongo, e vivo em Mbanza Kongo, se porventura tiverem outra historia mandam-me, para que eu possa saber mais. Consideremos tudo passado, apesar de muita gente ter morrido, mas tudo passou e hoje Angola é livre e independente.

  7. Tudo foi possivel graças a DEUS.

  8. Pingback: Algunas armas utilizadas en la guerra Colonial Portuguesa 1961-1974 « Aquellas armas de guerra

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